sexta-feira, 23 de junho de 2017

Wrong is the new right?

Já se passaram quase dois meses mas, finalmente, pude voltar aqui.

De fato, a razão principal pela qual não escrevi nesse intervalo foi a falta de inspiração mais do que, talvez, a ausência de tempo - embora a rotina tem sido atarefada, como de costume. Dessa forma, sem mais atrasos, vamos ao que interessa [ou pelo menos deve ser interessante].

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O título desse texto faz referência a uma frase que vi recentemente numa camisa, a qual traduzida significa "o errado é o novo certo". No entanto, decidi fazer uma pequena provocação ao converter aquela afirmação numa pergunta, sobre a qual pretendo expor breves reflexões e fazer algumas denúncias, nas quais espero ser particularmente feliz e oportuno. Que a "Forza della vita" esteja comigo!

Em primeiro lugar, deve-se reconhecer que a frase "...wrong is the new right..." em si já é uma espécie de provocação - ou, pelo menos, parece ser uma expressão dessa intenção -, visto que, partindo-se do pressuposto de que reside na consciência de cada pessoa a noção ou senso de "certo e errado" [incluindo quem concorda com a frase mencionada], pode-se supor que alguém que usa uma camisa com tais dizeres deve ter o objetivo de mostrar que "não se importa com padrões pré-estabelecidos" ou, de outra maneira, que busca viver de um modo "revolucionário", pelo qual se possa "subverter esses padrões" para atingir um novo estágio - um tipo de "admirável mundo novo" [como diria Aldous Huxley], ou, nas palavras de ordem tão típicas de nossa sociedade "monótona" [i.e., onde todos cantam a mesma letra no mesmo tom], um "mundo de todxs e para todxs, onde todxs serão livres para ser o que quiserem ser", como diz o "Boticário", ou remontando ao exemplo do pokémon Eevee, que poderia evoluir para três formas distintas a depender da situação. 

Portanto, será que podemos dizer com propriedade que estamos num processo de "progresso social crescente", pelo qual tudo o que houve no passado se tornou obsoleto? Ou, fazendo jus ao tema, podemos afirmar que "...o errado é o novo certo..."?

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A esse respeito, vale salientar que o pensamento de que "...o errado é o novo certo..." nada mais é do que um "novo padrão" que é estabelecido para substituir um anterior, de maneira que, na prática, ninguém vive à parte de padrões ou fundamentos de conduta, sejam eles quais forem, como se uma "neutralidade absoluta" [à qual se confere uma aura de "virtude inata"] fosse factualmente possível.

Em outras palavras, a mentalidade segundo a qual "os padrões existentes devem ser desconstruídos para que haja liberdade total para todos num mundo sem padrões quaisquer" - o que pode ser associado ao conceito de "inversão revolucionária", aplicado atualmente de maneira tóxica e em escala global pelos proponentes do Marxismo Cultural [bem como pelos que nem tem idéia do que isso significa; i.e., a grande maioria] - se tornou o "novo senso comum" ou o "novo óbvio racional", de tal sorte que qualquer refutação contrária [não importa se falsa ou coerente] a essa nova "verdade absoluta" [ainda que "tudo seja relativo"] é automaticamente seguida dos carinhosos adjetivos de "fascista, racista, machista, homofóbico, xenófobo, islamofóbico, gordofóbico, epistemicida etc." e tantos quantos a novilíngua reinante vier a criar

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Ou seja, no fim das contas, a busca pela "liberdade total para todos, sem exceção e a todo custo" sempre vai resultar na intolerância dissimulada, no controle da linguagem e do pensamento, na formatação hegemônica da sociedade e no totalitarismo "em nome da democracia e do respeito às diferenças" - contanto que os diferentes sejam "iguais a eles". Nesse ínterim, são pertinentes as palavras do compositor brasileiro Renato Russo, que certa vez disse que "...nos querem todos iguais, assim é bem mais fácil nos controlar...", para "...mentir, mentir, mentir, e matar, matar, matar...". Ora, o legado do comunismo no século XX bem como os efeitos do "politicamente correto" nos tempos atuais são a prova incontestável disso.

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Por tudo isso, "algo de errado não está certo". Mas "o quê", exatamente?

Nesse contexto, a primeira coisa a se considerar é: se é impossível, em termos práticos, viver como se não existissem absolutos ou padrões que regem o pensamento, a vontade, os anseios e a conduta humanos, quais padrões deveriam ser adotados e levados em conta? Como saber que determinados padrões são legítimos em si mesmos e que outros padrões devem ser rejeitados?

A única resposta aceitável para essas perguntas deve partir, obrigatoriamente, do reconhecimento de que deve existir algum referencial absoluto e auto-justificável, o qual não depende de nada externo a si para subsistir nem de qualquer aprovação externa para ser convalidado - ou seja, esse referencial deve ser perfeito em si mesmo, auto-existente, não influenciado por fatores exteriores, imutável e permanente. Se pensarmos corretamente, chegaremos à conclusão de que a descrição deste "referencial" é bastante próxima de uma idéia básica de Deus, porém não de uma divindade qualquer, mas do Deus único revelado na Bíblia, como está escrito:

Ouve, ó Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é único. [Deuteronômio 6:4]

Eis que Deus é excelso em Seu poder; quem é ensinador como Ele?
Quem Lhe prescreveu o Seu caminho? Ou quem poderá dizer-Lhe: "Tu praticaste a injustiça?" [...]
Eis que Deus é grande, e nós não O compreendemos, e o número de Seus anos não se pode esquadrinhar. [Jó 36, vs. 22-23 e 26]

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo o Senhor dos céus e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens,
E nem é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa, pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. [Atos 17:24-25]

No princípio, Senhor, Tu firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das Tuas mãos.
Eles perecerão, mas Tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas.
Tu os enrolarás como um manto, como roupas eles serão trocados. Mas Tu permaneces o mesmo, e os Teus dias jamais terão fim. [Hebreus 1:10-12]

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Dessa forma, com base na realidade da existência de Deus - ou, melhor dizendo, sabendo-se que Deus é real e o sustentador da realidade -, devemos refletir sobre o que a existência de Deus [neste caso, de um único Deus verdadeiro, conforme a Bíblia] implica no tocante a quais padrões são válidos e quais devem ser combatidos ou descartados. Ora, talvez você possa dizer: "...tudo bem, eu posso até considerar a existência de Deus, mas isso não quer dizer inevitavelmente que existam padrões ou algo como "o certo versus o errado"... Será? 

A partir dos textos bíblicos supracitados, podemos perceber que Deus se revela como o Senhor e como Deus único [i.e., qualquer religião, ideologia ou filosofia de vida que não promova a adoração total e exclusiva a Ele é falsa]. Além disso, Ele é revelado como Deus "todo-poderoso", cuja sabedoria é sobremodo excelente e cujo conhecimento é insondável para a mente humana, de modo que não foi necessário que ninguém O ensinasse sobre coisa alguma nem se deve ousar atribuir qualquer injustiça a Ele, visto que "Deus é Luz e nEle não há treva alguma". Finalmente, os outros dois trechos afirmam que Deus não precisa da ajuda do homem para coisa alguma, visto que Ele mesmo é quem dá a todos a vida e as demais coisas - isto é, a criação como um todo "...vive, se move e existe nEle..." - bem como que mesmo as coisas criadas não durarão para sempre, pois somente Deus é eterno e imutável. Em suma, a única possibilidade que qualquer leitor desse texto possui para ignorar o que foi dito é que a Bíblia seja uma grande farsa - nesse caso, ou os cristãos [e, de certo modo, também os judeus] estão enganando e sendo enganados há séculos, ou todos os demais estão se enganando. Certamente, cada um de nós está em um desses dois grupos.  

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Isto posto, considerando-se que a Bíblia seja verdadeira [conforme está escrito nela mesma, onde se lê que "...a Tua Palavra é a verdade..." - João 17:17], não somente os versículos mencionados devem ser levados a sério, mas a Bíblia como um todo, pois também está escrito que "...toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça..." [2 Timóteo 3, vs. 16], de cujas palavras pode-se concluir que Deus é um Deus de padrões, valores e preceitos, os quais Ele fez questão de que fossem registrados numa linguagem acessível às Suas criaturas racionais para que estas os praticassem - não apenas exteriormente, mas com um coração puro, pois "...o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor atenta para o coração..." [1 Samuel 16:7b]. 

Resumidamente, se a Palavra de Deus é a verdade e, como resultado, tudo o que ela revela a respeito dEle é verdadeiro, quaisquer padrões que não sejam conformados ao que essa Palavra prescreve [seja sobre Deus, sobre o homem, sobre a criação, sobre a realidade, sobre a salvação ou sobre a eternidade etc.] devem ser combatidos e descartados. Ora, G. K. Chesterton já dizia que "...o homem foi feito para duvidar de si mesmo, e não para duvidar da verdade", e o professor Olavo de Carvalho também afirma que "...apenas os idiotas procuram ter 'idéias próprias'; os sábios querem ter as idéias verdadeiras...".

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Finalmente, se não é suficiente a nenhum homem apenas se acomodar aos "padrões divinos" no aspecto exterior, mas, ao contrário, todo homem deve abraçar a verdade divina "com todo o coração, alma, entendimento e forças", como é possível a nós, seres humanos - sempre propensos ao mal, egoístas por natureza, insatisfeitos e contumazes, cheios de maquinações perversas, especialistas nas artes da mentira, da dissimulação e do abuso, sedentos de sangue inocente e, mesmo quando são "boas pessoas", ainda assim estão voltados para si mesmos [ou, nas palavras de Agostinho, "incurvatus in se"] - possuir aquele coração puro que pode achar graça diante de Deus? Quer a resposta? Para nós não é possível, "...mas não para Deus; para Deus todas as coisas são possíveis" [Mateus 19, vs. 26].

Salomão, um dos homens mais sábios da história, disse inspirado por Deus que "...quem poderá dizer: purifiquei o coração; estou livre de meu pecado?", denotando que ninguém tem qualquer condição ou habilitação para purificar o próprio coração nem tirar os próprios pecados, o que implica a necessidade urgente e completa de um Redentor, de Alguém que tenha esse poder de purificar corações e de redimir pecados. Em contrapartida, para nossa esperança, está também escrito que "...o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado..." [1 João 1, vs. 7b] bem como que "...Ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nEle não há pecado" [1 João 3, vs. 5]. Isto é, não há esperança alguma para o homem pecador, seja de purificação ou de perdão, fora de Jesus Cristo, tanto antes de se crer nEle como Filho de Deus e Salvador dos homens, quanto depois de se crer, pois somente Cristo "...pode salvar perfeitamente os que por meio dEle se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles..." [Hebreus 7:25], pelo que pode-se concluir que, enquanto estivermos nessa condição humana e sujeita ao efeitos do mal e do pecado, jamais poderemos confiar em nós mesmos para sermos aceitos como justos perante Deus, a não ser que nossa fé e confiança esteja exclusiva e totalmente depositada em Jesus Cristo, que "...veio buscar e salvar o que se havia perdido" [Lucas 19, vs. 10]. 

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Dessa maneira, até quando continuaremos a ser ludibriados com idéias inócuas [ou mesmo cretinas] como a de que "...o errado é o novo certo...", quando se sabe dentro da consciência de que existe "verdade e mentira"?

Além disso, sabendo que a verdade não está "dispersa pelo ar" mas sim precisamente localizada, porque não dar a atenção devida a essa "verdade revelada"?

Sabendo que essa verdade revelada está num livro, e que nesse livro se lê que a verdade também é uma pessoa [i.e., Jesus Cristo], olharemos para Ele para sermos salvos de nossa condição ou continuaremos desprezando Aquele que Deus enviou ao mundo para salvar os pecadores? 

Finalmente, para aqueles que já abraçaram o Evangelho, até quando nos permitiremos ser seduzidos por pensamentos de que temos alguma parte na aceitação e justificação diante de Deus, enquanto as Escrituras dizem que tudo isso vem da Graça e é recebido pela fé nos méritos de Cristo?




Pela certeza de ser firmado no caminho certo,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Infinita Highway to Heaven...

Eis-me aqui, novamente. 

Como normalmente tem ocorrido, não venho a esse espaço virtual com tanta confiança de que escreverei algo relevante; porém, em meio a essas desconfianças, espero ser surpreendido "ao longo da longa jornada" até o fim desse texto. 

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Indo direto ao ponto, essa postagem tem por objetivo expor brevemente algumas reflexões a partir de duas canções - "Infinita Highway", da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii e "Stairway to Heaven", do grupo Led Zeppelin -, conforme se vê no título do texto, o qual traduzido seria "Infinita auto-estrada para o Paraíso" ou "Céu", como preferirem. Não buscarei propriamente comentar as duas letras detalhadamente, todavia alguns trechos de uma/ambas das canções serão úteis para o fim proposto. 

Dessa maneira, inicio mencionando o seguinte excerto da canção "Infinita Highway":

"Estamos sós e nenhum de nós 
Sabe exatamente onde vai parar[...]
Mas nós não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir..." 

A música em questão, de modo geral, parece tecer um mensagem do seu autor a uma garota que, segundo ele, "...o faz correr demais os riscos dessa 'highway'...", de modo que, ao falar sobre a solidão e a falta de direção nessa "estrada hipotética" [ora, ela é chamada de "infinita", subentendendo-se que não há "ponto de chegada" a ser atingido], parece indicar que um desses "riscos" consiste na incerteza do destino final do caminho que se percorre/se deseja trilhar. Embora seja apenas uma letra de música, estou convicto de que o que aparece na literatura é reflexo da realidade, visto que a experiência humana prática é prova inconteste de que os seres humanos têm em si um certo "...senso de eternidade ou infinitude..." e, na busca do que consideram ser o caminho [ou estrada] para essa "infinitude", sempre caem em confusões, embaraços, caminhos tortos e atalhos que não os conduzem a lugar algum - ou, em outras palavras, "...nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar...". Porém, assim como na música, os homens normalmente não fazem caso de "seguir um caminho seguro" na busca do "infinito/eterno" e simplesmente acreditam que "não precisam saber aonde vão, mas só precisam ir...", de modo que em sua indiferença e temeridade criam para si mesmos fábulas loucas, ideologias/culturas destruidoras, religiões impiedosas e filosofias inócuas, como se vê em certos sincretismos, no comunismo [que é "camaleônico" por natureza], no Islão e nos sofismas pós-modernos. 

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Outro trecho da canção que ajuda a ampliar o silogismo exposto é:

"...Não queremos lembrar o que esquecemos
Nós só queremos viver
Não queremos aprender o que sabemos
Não queremos nem saber
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da Infinita Highway..."

Inicialmente, vale ressaltar que letras de canções estão mais próximas do campo da poética [ou da literatura mais subjetiva, intimista etc. - não sou das letras, mas acredito estar correto], de modo que as variadas interpretações do que [provavelmente] o autor quis dizer são mais recorrentes ou até mesmo "razoáveis" - ainda que ele tenha intencionado dizer uma coisa em particular. Isto posto, o que me vem à mente quando me deparo com esses versos é que a música se mostra como um diagnóstico válido dos mesmos seres humanos que "não sabem exatamente onde vão parar enquanto percorrem a 'Infinita Highway'...": eles não se importam em relembrar aquilo de que se esqueceram, eles não querem levar a sério o que lhes foi ensinado nos dias passados e desejam apenas viver conforme o próprio bel-prazer do tempo presente ou "...só obedecerem a lei da 'Infinita Highway'..." - i.e., algumas coisas foram esquecidas [cuja lembrança incomoda], alguns conhecimentos foram ignorados [cuja realidade latente perturba] e o "niilismo anarquista" [ou a desordem acompanhada da carência de sentido e propósito] seria o que melhor define a humanidade atualmente. 

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No entanto, apenas especulações filosóficas ou "teorizações escolásticas" não passam de opiniões ou "pontos de vista" - ainda que sejam logicamente coerentes e retoricamente bem construídas. Logo, para que esse texto não seja uma completa fatuidade, cito algumas palavras de fato válidas por si mesmas a respeito:

O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram,
Não o esconderemos de nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o Seu poder e as maravilhas que Ele operou. [...]
Então eles porão a sua confiança em Deus; não esquecerão os Seus feitos e obedecerão aos Seus mandamentos,
Não como fizeram os seus antepassados, obstinados e rebeldes, povo de coração desleal para com Deus, gente de espírito infiel. [Salmo 78, vs. 3-4 e 7-8] 

Nessa passagem bíblica, o poeta afirma que aquilo que ele ouviu, aquilo que seus pais contaram a ele, ele não deixaria de contar a seus filhos - mas, afinal, com que legado ele estava se comprometendo ou, por assim dizer, o que ele queria "conservar"? Como se vê, o compromisso dele não era com seus próprios projetos e ideais, tampouco com invenções ou quaisquer divagações humanas, mas com a proclamação dos "louváveis feitos do Senhor, do Seu poder e das maravilhas que Ele operou", os quais haviam sido esquecidos por aqueles que haviam visto todas essas coisas com os próprios olhos, se fazendo assim ainda mais culpados de rebelião e contumácia. De modo análogo, este blog não tem razão de ser se eu não assumir o mesmo compromisso do poeta dos "hinos de Israel" [ou seja, esse é um espaço no qual os admiráveis feitos do Eterno serão contados, bem como o Seu poder e Suas obras maravilhosas - quem lê, entenda], uma vez que os meus contemporâneos se comportam da mesma maneira que aqueles israelitas de outrora [embora aqueles não tenham visto os mesmos prodígios que estes presenciaram], visto que também se esqueceram de Deus e de temê-Lo com o temor que Lhe é devido e, em troca, fizeram e fazem Dele algo conformado à própria imagem humana, um "Deus ao gosto do cliente" - seja aquele "Deus-garçom" [o qual existe para nos servir de acordo com o que "pagamos" a Ele] ou aquele "Deus-da-Cabana" [o qual não tem um caminho específico para a salvação de ninguém, é efeminado, fraco e que só traz "lições de moral" em vez de ser o Redentor do pecador arrependido e o justo Juiz do pecador impenitente], pois está escrito que Cristo "...não veio chamar justos, mas pecadores ao arrependimento..." [Mateus 9, vs. 13] bem como que Deus "...não terá o culpado por inocente..." [Naum 1, vs. 3]. 

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Desse modo, uma vez que a imagem que é feita na mente sobre Deus é falsa, a maneira como se vive em relação a Ele também é extraviada, seja por meio de uma religiosidade supersticiosa e caricata seja pelo ateísmo prático. Em suma, a tradição com a qual nossa civilização foi construída e pela qual se tornou grande e nobre [a civilização das universidades, do Direito Canônico, da cultura helenística, da moral judaico-cristã, da música erudita, da educação liberal medieval, da arquitetura gótica, da literatura de Dante e Shakespeare, da teologia reformada etc. - apesar dos ônus a ela relacionados], está cada vez mais sendo lançada em ostracismo, a rebeldia diante da transmissão de bons valores é cada vez mais evidente e promovida e, finalmente, "todos estão vivos e é só" - não há nada "além do que se vê", tudo se reduz à matéria e todos só obedecem "às próprias leis", as quais se resumem no famoso lema "NENHUM DIREITO A MENOS". Isto é, cada um procura convencer todos os outros de que todos lhe são "devedores" de toda e qualquer coisa [sabe aquela "dívida histórica"?] e, assim, querem usurpar o lugar de Deus, sendo "rebeldes e obstinados" e de "coração desleal e infiel" para com Ele, já que, em contrapartida, todos são devedores Dele [da vida, do fôlego e de todas as coisas], todavia Ele não deve nada a ninguém, pois "...quem deu primeiro a Ele, para que lhe seja restituído?" [Romanos 11, vs. 35]. 

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Alguém, porventura, pode estar se perguntando: quais são esses "louváveis feitos do Senhor"? Ou ainda: será mesmo que esse "Senhor" existe?

De início, sabendo-se que nesta geração a "inexistência de Deus" ou o "delírio de Deus" é quase um "dogma implícito" ou uma "obviedade lógica", é necessário apresentar algumas razões pelas quais a crença em Deus é razoável. Nesse sentido, lançando mão de um exemplo das ciências naturais, qual seria a probabilidade de reagentes químicos colocados numa prateleira de laboratório levitarem até à bancada de trabalho, juntamente com todas as vidrarias, itens e equipamentos necessários para se executar uma reação que visa a obtenção de um composto específico em detrimento de outros, incluso rendimento satisfatório e pureza elevada no produto final? Se você for um ser pensante, sua resposta será nenhuma ou "praticamente zero", mas, na mente de um ateu naturalista metido a intelectual, TODO O UNIVERSO - incluindo os seres vivos, cuja complexidade é incomparável àquela de um sistema de uma reação química - surgiu nessa "probabilidade zero" e se conserva numa determinada ordem para preservação da vida [de acordo com o que se chama de princípio antrópico] sob a mesma probabilidadeIsto é, embora um químico ateu prescreva essa insanidade, ele jamais vai deixar de planejar seus experimentos nem acredita que suas substâncias de interesse aparecerão puras em seus tubos de ensaio aleatoriamente - a não ser que ele queira perder os investimentos em seus projetos de pesquisa por ineficiência e rejeição ao método científico.

Dessa forma, o mais racional é reconhecer que o universo é produto de uma mente inteligente e, dessa forma, onde existe uma mente inteligente, existe um ente pessoal, que tem a capacidade de criar com alta complexidade e estonteante beleza bem como de sustentar o que foi por ele criado - ora, se você concordou com isso, você se aproximou bastante do Deus revelado nas páginas da Bíblia, pois Ele é "...o criador dos céus e da terra, do mar e de tudo o que neles existe..." [Atos 17, vs. 24] e "...sustenta todas as coisas pela palavra de Seu poder..." [Hebreus 1:3]. Nesse ínterim, se fazem pertinentes outras palavras dos Salmos: "...o tolo diz em seu coração: Deus não existe..." [Salmo 14, vs. 1]. 

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Finalmente, partindo do fato de que Deus é real e cognoscível, quais seriam, então, os Seus "feitos maravilhosos" que devem ser relatados à geração presente e às futuras?

Na verdade, não há como relatar nesse texto todos os feitos de Deus [sejam os registrados na Bíblia, sejam aqueles que aconteceram ao longo da história, como a Criação de tudo ex nihilo, as dez pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho e do Rio Jordão diante dos israelitas nos dias de Moisés e Josué, o sol e a lua parando e até mesmo homens que foram levados ao céu sem terem passado pela morte etc.], mas eu destacaria apenas um deles, o qual é o maior de todos os atos divinos - a Encarnação, o envio do Filho de Deus ao mundo, para se fazer semelhante a nós, criaturas de Sua mão que se desertaram Dele em rebelião, a fim de redimir por Sua morte na cruz e subseqüente ressurreição ao terceiro dia a todos que, em arrependimento e fé, virem a Ele em busca do perdão dos pecados. Nas demais filosofias e religiões, por mais requintadas que aparentem ser, não há nada semelhante ao fato da Divindade se rebaixar, por assim dizer, até o nível da criatura, não por motivo banal, já que "...Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna..." [João 3, vs. 16] e que "...Aquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus..." [2 Coríntios 5, vs. 21]. Fora do Cristianismo, é a criatura que oferece "coisas" à Divindade para buscar ter contato com ela; no Cristianismo, é a Divindade que oferece a Si mesma para restaurar a comunhão da criatura Consigo, e isso a preço de sangue e morte de cruz.

Ou seja, dentre os "feitos louváveis do Senhor", nenhum deles é mais excelente do que aquele pelo qual o Eterno "...reconciliou consigo os homens, não lhes imputando os seus pecados..." [2 Coríntios 5, vs. 19] a fim de "...conduzi-los para Si mesmo..." [1 Pedro 3, vs. 18], o que nada mais é do que Deus preparando para o homem uma "Infinita Highway to Heaven" ou "Infinita Estrada para o Paraíso", visto que Cristo diz ser "...o Caminho, a Verdade e a Vida..." de maneira que "...ninguém vem ao Pai se não por Ele..." [João 14, vs. 6]. Portanto, na etapa de peregrinação da vida presente, ninguém poderá ter certeza quanto à vida futura a não ser que trilhe essa "Highway to Heaven", uma vez que fora de Cristo todos permanecerão "...cansados e sobrecarregados...", ainda que desse modo não se reconheçam [por se apoiarem em sua pretensa auto-justificação], os quais, finalmente, post mortem, não encontrarão mais descanso algum, mas apenas "...pranto e ranger de dentes...", por haverem se enveredado pela "Highway to Hell" ou "Autoestrada para o Inferno".

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Qual estrada você tem percorrido? Aquela que conduz ao Infinito e ao Eterno ou aquela que leva ao Inferno?

Se você se percebeu "completamente enganado" e "correndo pelo lado errado", até quando vai ignorar o conhecimento que te conduz ao Caminho certo? 

Além disso, você pode perceber através desses parágrafos que Deus, na pessoa de Seu Filho, está em busca de te reconduzir a Si mesmo ou, na analogia do post, te fazer andar pela "Infinita Highway to Heaven", visto que Ele "...veio buscar e salvar o que se havia perdido"?

Finalmente, você já se deu conta de que "you will not need to buy a Stairway to Heaven" ou "você não precisará comprar uma auto-estrada/escada para o Paraíso", visto que esta é oferecida gratuitamente?





Pela alegria de percorrer o Caminho da Cidade Celestial,




Soli Deo Gloria!