quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Speaking words of wisdom...

Novamente estou aqui.

Após mais de um mês ausente - tanto em termos de presença como de inspiração -, acredito que tenho algumas coisas a dizer. E, como o título deste post sugere, meu único desejo é "falar palavras de sabedoria" - melhor dizendo, escrevê-las. 

Vamos adiante.

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O tema deste texto, sem mais delongas, é "sabedoria" - dessa forma, deve-se considerar inicialmente o seu significado, o qual está relacionado ao "conhecimento", ao "saber" e também ao que chamamos "experiência de vida", de forma que nos permite discernir a melhor decisão ou postura a ser adotada diante das diversas situações ao longo da vida. Nesse contexto, é pertinente ressaltar que, ao longo da história humana, os conceitos de "sabedoria popular" (associada, por exemplo, a conhecimentos de medicina natural ou determinadas particularidades culturais), "sabedoria dos antepassados" (normalmente expressa em provérbios e ditados com algum valor moral implícito) bem como a "sabedoria erudita ou intelectual" (mais relacionada à filosofia, à teologia e outras formas de ciência) foram se desenvolvendo como algumas das principais expressões de reconhecimento de que, de uma forma ou de outra, sejam quais forem as motivações, o ser humano tem necessidade e interesse pela sabedoria - aludindo a Aristóteles em sua obra "Metafísica", "todo ser humano tem, por natureza, desejo de conhecer"

Para solidificar essa afirmação, sendo um pouco mais específico, podemos considerar o termo "filosofia" em si (o qual deriva de uma aglutinação de dois termos gregos, "philéos" e "sophia", significando "amor/amizade pela sabedoria") e a filosofia como atividade intelectual, cujo objetivo na maior parte da história foi - e ainda é, devido a algumas boas exceções - usar a mente e a reflexão a fim de se encontrar a verdade. Isto é, só é possível existir "amor à sabedoria" onde há interesse genuíno pela verdade, de maneira que todos os que se dizem "intelectuais", "filósofos", "formadores de opinião", "comentaristas políticos", "cientistas", "teólogos" (ou quaisquer outros que estão envolvidos na produção e propagação de conhecimento) que não valorizam a verdade devidamente - ou mesmo se insurgem contra dela e querem destruí-la a todo custo - não amam a sabedoria sob qualquer aspecto, tendo, em lugar disso, amor pela mentira e devoção à ignorância. Por tudo isso, pode-se supor que existe um tipo de sabedoria "boa" e um tipo de sabedoria "má". Será? Se sim, por quê?

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Por outro lado, nas reflexões feitas para escrever este texto, o que mais me vem à mente é um capítulo da epístola bíblica escrita por Tiago, no qual ele começa argumentando sobre o "tropeço nas palavras" e sobre "a impossibilidade de se domar a língua", dado o fato de que, conforme o que está escrito, "...ela é um mal irrefreável, e está cheia de veneno mortífero..." [Tiago 3, vs. 8]. Em seguida, ele conclui seu argumento dizendo que, "...com a língua bendizemos a Deus e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus..." [Tiago 3, vs. 9], afirmando categoricamente que "...de uma mesma fonte não pode sair água amarga e doce..." - ou seja, a língua humana é como uma "fonte agridoce", normalmente mais amarga do que doce, tendo em vista os inúmeros males que são causados por ela ao nosso redor. Em seguida, o escritor bíblico escreve algumas das palavras mais aterradoras sobre o assunto:

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade proveniente da sabedoria. 
Contudo, se vocês têm no coração amarga inveja e sentimento faccioso, não se gloriem disso nem neguem a verdade.
Esse tipo de "sabedoria" não vem dos céus, mas é terrena; não é espiritual, mas é diabólica.
Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa.
Mas a sabedoria que vem do alto é primeiramente pura; depois, pacífica, amável, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.
Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz para os que promovem a paz
[Tiago 3, vs. 13-18]

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Nesses versos, Tiago faz uma pergunta perturbadora: "...quem é sábio e tem entendimento entre vocês?...", cuja resposta é ainda mais inquietante: "...que o demonstre por seu bom procedimento, por obras praticadas com humildade e sabedoria...". Ou seja, a sabedoria e o entendimento, segundo o ensino bíblico, não reside em "discursos vazios" e "palavras ao vento", mas sim é manifestada a partir de um "bom proceder" e de "obras de humildade", de forma que não há sabedoria verdadeira sem que haja, simultaneamente, o zelo pela boa conduta adornado por boas obras provenientes da humildade, visto que "boa conduta" sem humildade não é "boa" de fato, assim como uma humildade sem evidências não é nada mais que uma ilusão. 

Na seqüência do texto bíblico é apresentado o contraponto, segundo o qual se alguém possui "inveja amarga e sentimento faccioso" não deve se gloriar nessas coisas nem negar a verdade, pois toda suposta "sabedoria" coexistente com essas espécies de afeições não vem de Deus, mas "...é terrena, animal e demoníaca..." [vs. 15b] - i.e., as Escrituras apontam claramente a realidade dos dois tipos de sabedoria, a boa e a má, a celestial e a humana, a espiritual e a diabólica, e todo ser humano, sem qualquer exceção, adota para si uma dessas duas modalidades. Não tentemos negar, não façamos de conta que somos "neutros" e estamos "acima do bem e do mal" a esse respeito - se olharmos em nossas próprias consciências de modo honesto, provavelmente muitos irão perceber que abrigam dentro de si inveja, sentimento faccioso [o que pode ser algo como um "partidarismo egoísta"] e se surpreenderão com a veracidade da declaração bíblica, onde se lê que "...onde há inveja e sentimento faccioso, aí há perturbação e toda espécie de males..." [vs. 16]. A esse respeito, não há melhor exemplo do que o "modus vivendi revolucionário", no qual um dos motes é "...colocar todos contra todos em nome da igualdade entre todos...", igualdade que mascara a inveja de quem, por exemplo, não tem nenhum problema com ter muito dinheiro, a não ser que esse dinheiro esteja nas mãos de outros que não sejam "...do partido deles..." - e não apenas dinheiro, mas toda e qualquer dádiva que desfrutamos na vida ou mérito que alcançamos nela, como disse Winston Churchill:

"O socialismo é a filosofia da falência, o credo da ignorância e o evangelho da inveja".

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E a "sabedoria boa"? O que podemos dizer dela?

Eu não posso ousar dizer nada diante das declarações supracitadas, nas quais o apóstolo afirma com maestria e beleza a natureza e os efeitos dessa "boa sabedoria", pois está escrito que "...ela é primeiramente pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia..." [vs. 17]. Pureza, paz, amabilidade, moderação, misericórdia, bons frutos, imparcialidade e sinceridade - características totalmente ausentes na sabedoria do "mvndo moderno", visto que a "incitação explícita à pedofilia em museu é arte" [não critique, seu pedofilofóbico!], cantar gritos de ordem pedindo "morte aos brancos" é promover a paz [pena que Nelson Mandela já está morto e não tem como se defender!], defender uma religião cujos adeptos cortam cabeças de "infiéis", jogam ácido nas pessoas sem razão alguma, explodem bombas em metrôs e aeroportos, assassinam crianças em shows infantis e enforcam homossexuais em praça pública é "combater o ódio cristão", as cusparadas na câmara dos deputados e restaurantes são "atos heróicos", a eutanásia compulsória de um bebê britânico contra o consentimento de seus pais é justificável, os campos de concentração sanguinários [ainda presentes hoje], o Holodomor, a promoção do infanticídio em escala global ["ora, meu corpo, minhas regras!"], a desinformação virulenta para reescrever a história com base na fraude generalizada e a aplicação eficiente da máxima "acuse-os do que você faz, e xingue-os do que você é" são a verdade inquestionável, imune a toda e qualquer posição contrária - mas tudo é relativo, não nos esqueçamos! 

Na verdade, eu poderia até tentar dar detalhes sobre cada componente dessa "sabedoria boa" ou, mais precisamente, da "sabedoria que vem do alto", mas o que é mais importante para mim nesse momento é reiterar que esta sabedoria não vem do homem, não é uma "construção social" nem procede de "forças espirituais imprecisas", mas provém do "alto", termo que na linguagem de Tiago se refere "ao Pai das luzes", em Quem "não há mudança nem sombra de variação" e de Quem "vem toda boa dádiva e todo dom perfeito". E, sabendo-se que Tiago se denomina "servo de Jesus Cristo" em sua epístola, o Pai das Luzes a quem ele se refere é Deus Pai, o Pai de Jesus Cristo, o Criador e Sustentador de tudo o que existe, em Quem todos têm vida, se movem e existem.

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Por outro lado, vale a pena mencionar alguns trechos da música "Let it Be", de The Beatles [fonte de inspiração deste texto]:

"When I find myself in times of trouble
Mother Mary, comes to me
Speaking words of wisdom, let it be..."

Embora os integrantes dos "Beatles", na época dessa composição, fossem muito ligados a religiões orientais (Hinduísmo e Budismo), nessa canção o autor diz que "...quando se percebe em momentos de aflição, ele diz: 'Mãe Maria, vem até mim'...", provavelmente uma referência à Maria, mãe de Jesus, a qual é tida em altíssima estima por todo católico romanista, como todos sabemos. Nesse trecho, ele pede à "Mãe Maria" que ela venha a ele "falando palavras de sabedoria", o que denota a idéia de que, "in times of trouble" ou "em momentos de dificuldade", a sabedoria é uma esperança para quem precisa dela - no entanto, embora a referência a Maria seja respeitosa e relativa à espiritualidade cristã, não há em nenhum lugar das Sagradas Escrituras a afirmação de que a "Mãe Maria" é "...poder de Deus e sabedoria de Deus..." [1 Coríntios 1, vs. 24] ou mesmo que "...em Maria estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência..." [Colossenses 2, vs. 3], porém essas duas citações [e tantas outras análogas] dizem respeito apenas ao "Filho" e não à "Mãe", Filho não primordialmente de Maria [ainda que Ele tenha nascido da Virgem e ela deva ser respeitada por todos, inclusive por mim], mas, sobretudo Filho de Deus, Jesus Cristo, do qual a própria Maria disse em certa ocasião: "...fazei tudo o que Ele vos disser..." [João 2, vs. 5]. 

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Outro trecho que vale a pena inserir é:

"And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow, let it be..."

Neste caso, o trecho é ainda mais interessante, pois o compositor diz que "...quando a noite é nublada, ainda existe uma luz que brilha sobre ele, e que brilha até amanhã...", o que deve indicar que, em situações onde tudo se mostra sombrio e turvo, até mesmo tenebroso e horripilante, ainda há uma luz que continua brilhando em meio às trevas e que continuará a brilhar - certamente não deve ter sido a sua intenção, mas o escritor da letra fez uma alusão notável ao evangelho, pois está escrito que "...Nele estava a vida, e a vida era a Luz dos homens, e a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a derrotaram..." [João 1, vs. 4-5]. Em outras palavras, este "Ele" em quem "estava a vida que era a Luz dos homens", é aquele que "...era desde o princípio, que estava com Deus e era Deus, que fez todas as coisas e sem Quem nada do que foi feito se fez..." [João 1, vs. 1-3]. Isto é, assim como na canção há "a luz que ainda existe e que brilhará até amanhã...", de modo análogo [porém mais excelente] há, no Evangelho, a proclamação da mensagem que diz que Jesus Cristo é a "...Luz que veio ao mundo, para que todo aquele que crê Nele não permaneça nas trevas..." [João 12, vs. 46], onde a expressão "não permaneça nas trevas" indica ser eternamente livrado delas, uma vez que todos os homens, sem exceção alguma, estão mergulhados em trevas enquanto estão separados de Cristo, sem saber para onde estão indo, trilhando caminhos que lhes parecem direitos, "mas o fim deles é a morte" [Provérbios 14, vs. 12], conforme disse o sábio rei Salomão. 

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Finalmente, não poderia deixar de escrever sobre o significado desse mês de outubro - para uns, é apenas mais um mês como qualquer outro, para outros canalhas que amam genocidas e mentirosos salafrários e decoram os muros das universidades federais com seus impropérios, é o aniversário de 100 anos da tragédia bolchevique chamada "Revolução Russa" e, para outros, é um mês em que a proclamação de 95 assertivas na porta de uma catedral alemã se tornou o ponto de partida de um momento muito precioso da história da fé cristã - a Reforma Protestante. De fato, o mais correto seria dizer que houve "reformas protestantes" [dada a multiplicidade de movimentos que coexistiram no século XV e, especialmente, no XVI], todavia o meu destaque pode ser resumido na afirmação de João Calvino, principal teólogo da Reforma, que disse no primeiro capitulo das Institutas da Religião Cristã:

"A suma de toda a sabedoria reside no correto conhecimento de Deus e no correto conhecimento de nós mesmos". [Institutas, tomo I, cap. 1.]

Partindo-se do pressuposto de que Calvino tem razão no que Ele diz [e, de fato, Calvino tem razão!], para existir genuína sabedoria não é suficiente conhecer a Deus "de qualquer jeito" mas "conhecê-Lo como Ele realmente é" - e conhecê-Lo como Ele é é o mesmo que conhecê-Lo da maneira como Ele se revelou em Sua Palavra, a Bíblia [ela mesma!], não importa se você "não pode aceitar certas verdades difíceis de engolir e não de se entender" ou se algum de nós gostaria que Deus fosse "diferente" e "conforme à nossa própria imagem". Deus é o que Ele é e, se algum de nós não se dobra a todo o Seu conselho na Sua Palavra escrita, esse "deus" [doa em quem doer] em quem, talvez, creiamos, é uma mentira, pois está escrito que "...o Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor..." [Deuteronômio 6, vs. 4] e que Jesus Cristo "...é o verdadeiro Deus e a vida eterna..." [1 João 5, vs. 20]

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O outro aspecto da verdadeira sabedoria, segundo o reformador de Genebra, é o "correto conhecimento de nós mesmos". Ou seja, se não conhecemos quem de fato somos, de onde viemos e sobre aquilo que diz respeito à realidade exterior, a sabedoria que acreditamos ter também é falsa - i.e., toda postura de desonestidade intelectual, de desprezo pelo bom conhecimento produzido por outros (simplesmente pelo fato de que esses "outros" são "diferentes") ou de obstinação em face da "verdadeira verdade histórica" é arrogância e tolice ou, nas palavras de Tiago, uma "...sabedoria terrena, animal e demoníaca". Na verdade, eu estou cansado de tudo isso, tanto nos meios acadêmicos e midiáticos, como também políticos e religiosos - até bem próximos de mim, muitas vezes -, pois cada vez mais me convenço do fato de que não há espiritualidade saudável e verdadeiramente conformada à verdade em Cristo Jesus [falo como cristão e para cristãos] sem uma intelectualidade saudável ou, no sentido inverso, é somente com uma intelectualidade saudável que podemos desenvolver a piedade, pois o mandamento bíblico é "...amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu entendimento...", o que implica que o amor a Deus e o pensar corretamente são inseparáveis, conceito que o caro Jonas Madureira denominou "inteligência humilhada". Em suma, a verdadeira sabedoria vem sempre acompanhada de humildade, conforme as palavras do sábio rei, que disse: 

O temor do Senhor ensina a sabedoria, e a humildade antecede a honra. [Provérbios 15, vs. 33]

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Para concluir, acredito ser pertinente citar um trecho do Proslogion, escrito pelo filósofo medieval Anselmo de Cantuária, chamado de Doutor Magnífico [com muita justiça], que escreveu:

"Diz agora, meu coração, todo o meu coração, diz a Deus: procuro o Teu rosto, Senhor, redobramente o procuro. Portanto, agora, Senhor meu, ensina o meu coração sobre onde e como Te encontre. 
Se não estás aqui, Senhor, onde Te procurarei estando ausente? Mas, se estás por toda parte, por que não me apercebo da Tua presença? Sem dúvida, habitas numa luz inacessível. E onde está essa luz inacessível? Ou como terei acesso à luz inacessível? Quem me conduzirá e me introduzirá nela, a fim de nela ver-Te? [...] 
Nunca Te vi. Não conheço a Tua face, Senhor, meu Deus. Que há de fazer, Senhor Altíssimo, que há de fazer este Teu exilado, de Ti tão distante? Que fará o Teu servo ansioso do Teu amor e lançado longe de Tua face?" [Proslogion, I].

Resumidamente - já que Anselmo disse tudo o que era necessário com profundidade ímpar -, o significado destas palavras é que, se Deus não nos ensinar o caminho certo para que possamos encontrá-Lo, todas as tentativas humanas serão frustradas. Se Ele não "dilatar o nosso coração" para que Ele mesmo possa adentrar as nossas almas tenebrosas e trazer a luz que dissipa o nosso pecado e a nossa ignorância - as nossas duas maiores obscuridades, nas palavras de Tomás de Aquino -, permaneceremos privados de toda sabedoria celestial [ainda que acreditemos possuí-la] e dominados pela sabedoria do mundo, a qual Deus tornou loucura por meio do escândalo do Cristo crucificado e que, diante da "fraqueza de Deus", é esmigalhada em pedaços. Portanto, o que nos resta é lembrar de outras palavras do mesmo Tiago, que disse:

"Se alguém tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não o lança em rosto, e ser-lhe-á concedida. Peça-a porém com fé, sem duvidar..." [Tiago 1, vs. 5-6a]

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Até quando, então, continuaremos confundindo a "sabedoria terrena, animal e diabólica" com a "sabedoria que vem do alto"?

Diante do fato de que Cristo, e "Solus Christus", é "poder de Deus e sabedoria de Deus", até quando buscaremos conhecer a Deus por outros meios em vez de através Dele?

Finalmente, sabendo-se que "a sabedoria procede dos lábios do Senhor" e que as Escrituras Sagradas são de Sua inspiração direta, permaneceremos com a cerviz endurecida diante do que ela nos diz - seja desprezando a verdade revelada seja distorcendo-a de acordo com nosso bel-prazer?





Por saber que "Sola Scriptura" contém "the words of wisdom",




Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Neutralidade, originalidade e outras vaidades...

Estou novamente aqui - após dois meses.

Sim, este blog ainda existe - e o meu desejo é que as palavras nele registradas façam jus a essa existência. No mais, enquanto estive ausente, não me ocorreram muitos momentos de inspiração [por assim dizer], porém acredito que, a partir de certos insights pontuais ocorridos, será possível fazer algo que valha o investimento. 

Sem mais atrasos, vamos adiante.

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Este texto será baseado em um pequeno conjunto de idéias relacionadas aos conceitos de neutralidade, originalidade e vaidade, de forma que, inicialmente, os termos serão brevemente apresentados com algumas aplicações subseqüentes de cada um deles e, finalmente, pretendo expor a relação que há entre ambos - espero ter sucesso, afinal.

Neutralidade.

Neutralidade é o substantivo relacionado ao adjetivo "neutro" [ou, na linguagem clássica, é o designativo de substância da palavra atributiva "neutro"], significando basicamente a condição daquele que permanece imparcial ou mesmo "objetividade". Na prática, a neutralidade se manifesta em situações tais como um julgamento de um réu [nesse caso, o juiz deve ser "imparcial" ou "neutro", de modo que deve emitir o seu veredicto sem privilegiar qualquer uma das partes envolvidas], na arbitragem de um jogo de futebol [caso, de certa maneira, análogo ao anterior, visto que o árbitro não pode demonstrar acepção para com um dos times] bem como, por exemplo, numa situação de conflito entre países [a exemplo da Segunda Guerra Mundial, quando os chamados "Aliados" lutaram contra o "Eixo" e países como a Suíça permaneceram "neutros"]. 

Por outro lado, em nossos dias [possivelmente como "nunca antes na história deste país - e do mundo!", parafraseando o demônio Nove Dedos], a neutralidade é alardeada como uma virtude supostamente inquestionável e concretamente possível. Isto é, proclama-se nos textões das redes sociais, em jornais e revistas, nos canais do Youtube, nas salas de aula [ou que, pelo menos, deveriam sê-lo] ou em qualquer outro lugar, em alta voz, abertamente ou nas entrelinhas, que os conceitos que constituem o "novo senso comum" [em outros termos, o "politicamente correto"] são simplesmente "obviedades racionais", sendo auto-justificados automaticamente e imunes a qualquer questionamento ou oposição, uma vez que seus paladinos [assim como os que são influenciados por eles] se dizem "representantes do povo", "defensores das minorias oprimidas", "guardiães do meio ambiente", "protetores dos animais", "a favor dos trabalhadores", "guerreiros da justiça social" e demais títulos genéricos e inócuos que buscam denotar uma falsa "neutralidade", cujo pressuposto é que só é possível existir verdade e bondade onde todos são "neutros". Ou seja, se alguém pertence a um/ou é incluído num determinado segmento social, político, cultural ou religioso [ou seja, se, e somente se for um branco, de descendência européia ou da América do Norte e rico, conservador ou mais alinhado à direita, ocidental e cristão/judeu ortodoxo e praticante], eis então um representante do mal, um sustentador do sistema selvagem, promotor da injustiça social, supremacista racial e ameaça para o progresso do mundo! Ora, ser "neutro é cool" e se aferrar a prerrogativas e a valores retrógrados e obsoletos é coisa de fascista

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Desse modo, resumidamente, a existência de algum pressuposto [qualquer que seja] já implica a ausência de neutralidade, de modo que esta, categoricamente, não é nada além de um mito [no sentido de ilusão, falácia ou fábula]. Aceite isto. 

Originalidade.

Se você, porventura, está lendo esse texto e possui uma boa memória para comerciais de TV, deve se lembrar de uma época em que o Guaraná Antarctica usava o slogan "seja original" ou ainda "o original do Brasil", cuja intenção era convencer o cliente a comprar o produto ofertado por meio do apelo à "originalidade", o que é normalmente atraente às pessoas, já que, à semelhança dos atenienses e freqüentadores do Areópago da época do apóstolo Paulo, a maioria de nós continua "não se ocupando de outra coisa a não ser de saber as últimas novidades". Isto posto, poderíamos conceituar originalidade como o "designativo de substância do atributivo original" ou "o substantivo associado ao adjetivo original", cujo significado é "qualidade do que é inusitado, do que ainda não foi imaginado, inovação, singularidade" ou ainda "capacidade de expressão independente e individual", normalmente relacionado à habilidade criativa. Se pensarmos bem nas palavras presentes nos enunciados acima, a originalidade se revelará algo bastante ousado ou audacioso - ora, singularidade, capacidade de se expressar de maneira independente e imaginação inovadora são características um tanto atrevidas, pois supõem que o possuidor dessa "originalidade" é alguém "diferente das pessoas ou criaturas comuns", "independente de influências externas" e até mesmo um tipo de "criador ex nihilo" - atributos normalmente associados à realidade transcendente ou diretamente a Deus. Ou seja, a não ser que Deus ou qualquer idéia análoga a Ele seja um completo "delírio", a originalidade é, no mínimo, uma cogitação humana assaz pretensiosa

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Em contrapartida, será mesmo que a originalidade existe? 

Será que é possível ser "totalmente inovador" em algum empreendimento, "inteiramente independente" de fatores externos e "exaustivamente singular" enquanto ser humano?

De fato, cada ser humano é, de certo modo, único [pois cada um possui em sua personalidade, aparência, maneira de pensar e modus vivendi atributos/características próprias que o distinguem de todos os demais], no entanto existem muito mais coisas que são partilhadas por todos os seres humanos, sem exceção - todos pertencem à mesma espécie [embora alguns já acreditem ser cavalos ou um gatinho siamês], todos se enquadram nos sexos masculino ou feminino [ideologia de gênero e demais "desconstruções revolucionárias" são uma babaquice cretina - o que você sente a respeito não tem importância alguma, mas apenas a realidade], todos precisam dos mesmos alimentos para sobreviver, apesar dos diferentes gostos culinários e variedades culinárias culturais [quem sobrevive de cenoura e de espinafre são os coelhos e o Popeye, respectivamente - embora eu, particularmente, também goste de legumes e verduras], todos são vulneráveis ao calor e ao frio extremos [não viaje pelo deserto sem muito suprimento de água, pois você não vai se transformar num cacto por se sentir como se fosse um ou, ainda, não visite os Alpes italianos sem estar bem agasalhado, já que também você não é um urso] e, derradeiramente, todos possuem os mesmos questionamentos e inquietações em relação à vida cotidiana, ao que virá no futuro, à descoberta e ao conhecimento do que é a verdade e, desse modo, do propósito das coisas e do que há depois da morte. Ninguém escapa de nenhum desses dilemas, por mais que muitos neguem a relevância deles a todo custo e com toda a veemência. Mais cedo ou mais tarde, você terá que lidar com isso, por bem ou por mal, para bem ou para mal, inevitavelmente. Trocando em miúdos, a originalidade total e absoluta também é uma ilusão, um factóide, nada mais do que um belo sofisma. 

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Vaidade.

Sendo mais direto, vaidade é uma palavra normalmente associada ao cuidado exagerado com a aparência e a beleza estética, todavia este não é o sentido mais acurado da palavra, pois "vaidade" é um termo diretamente relacionado a "vazio", "vácuo" ou "inutilidade", de forma que quando o antigo sábio afirmou "...vaidade de vaidades, vaidade de vaidades! Diz o pregador, tudo é vaidade..." [Eclesiastes 1, vs. 2], ele quis dizer [sob inspiração divina particular] que, no fim das contas, todas as coisas da nossa realidade temporal, visível, tangível, possíveis de serem experimentadas, mensuradas, calculadas e provadas pelos sentidos são restritas ao tempo que passarmos vivos neste planeta e completamente sem nenhum valor permanente - por isso, todas elas são "vãs", "inúteis", corruptíveis ou, na figura usada por ele mesmo, são como "correr atrás do vento". Considerando-se somente um exemplo, uma grande evidência da validade dessa sabedoria é que não houve ninguém, por mais bem-sucedido e próspero que houvesse sido, que levou consigo para o túmulo seu renome, seus grandes feitos e suas riquezas adquiridas em vida, pois tudo ficou para os que ficaram vivos depois dele ou se tornou apenas uma lembrança imprecisa, conforme está escrito:

"...Um homem pode realizar o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas terá que deixar tudo o que possui para alguém que não se esforçou por aquilo. [...]
Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol? 
Durante toda a sua vida, seu trabalho é pura dor e tristeza; mesmo à noite, sua mente não descansa..." [Eclesiastes 2, vs. 21-23]

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Dessa maneira, tendo como base o que já foi exposto, há alguma relação entre os três conceitos rapidamente explanados ou, em outras palavras, será que as famigeradas neutralidade e originalidade "pós-modernas" são inúteis, vazias e vãs? Isto é, elas não passam de vaidades da imaginação humana?

No tocante à neutralidade, abordou-se sucintamente que todos os seres humanos, sem qualquer exceção, vivem com base em pressupostos [ainda que não tenham consciência plena disso ou o queiram negar], de forma que a neutralidade é uma auto-contradição. Além disso, com base no fato de que os já citados "paladinos da neutralidade", em sua prática distintiva [vulgo, em sua militância], são intencionalmente parciais e sectários [uma vez que dividem "todos em nome da união de todos"], cujo sentimento faccioso vem tornando a todos cada vez mais separados uns dos outros, promovendo toda modalidade de "ódio" contra os seus "inimigos políticos e culturais" enquanto vomitam seu veneno ao esbravejarem contra os "discursos de ódio", construindo a própria supremacia ao mesmo tempo que caricaturam o espantalho da "supremacia branca" e outras ações afins, pode-se concluir, inequivocamente, que a neutralidade [em qualquer esfera da vida] é impossível, seja aquela dos referidos "paladinos", seja dos demais

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Contudo, a neutralidade mais enganosa e perigosa, a qual é, coincidentemente, a mais popular entre os seres humanos, é aquela em relação ao mal moral e, em última instância, em relação a Deus - i.e, todos se acham bons em si mesmos ou, no mínimo, neutros em relação a uma maldade intrínseca [essa história de "pecado original" ou de que "eu sou mau por natureza" por causa de uma mulher que comeu um fruto após uma artimanha de uma "cobra falante" é uma piada para alienar idiotas, não é?... eu acredito na ciência!], mas a verdade é que "...não há um justo só na terra, ninguém que só pratique o bem e nunca peque..." [Eclesiastes 7, vs. 20] e que "...da mesma forma que o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram..." [Romanos 5, vs. 12]. Nenhum de nós é neutro em relação ao mal e a Deus - todos pecaram, não há nenhum justo dentre os homens na terra [inclusive eu, inclusive você], de modo que a doutrina do "pecado original" é aquela que é provada como verdadeira todos os dias, pois todos os dias pessoas estão morrendo. Portanto, já que não há neutralidade quanto a Deus, existem apenas duas opções: permanecer sob a condenação divina pela falta de fé em Jesus Cristo [ver João 3, vs. 36], ou ser feito filho de Deus, na medida em que Ele adota, como um Pai amoroso, aos que confessam Seu Filho como Salvador e Senhor [ver João 1, vs. 12 e Efésios 1, vs. 4-5]. Não acredite que eu escrevo essas coisas como se fossem apenas "mais uma perspectiva sobre a vida dentre tantas outras igualmente válidas" - a Palavra de Deus não pode ser tratada como uma "opção dentre várias opções", mas como a "verdade verdadeira", como dizia  Francis Schaeffer. 

E a originalidade?

Nesse sentido, além do que já foi discutido, vale mencionar outras palavras do mesmo sábio, onde se pode ler:

"...Todas as coisas trazem canseira, e o homem não é capaz de descrevê-las; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que não há nada de novo debaixo do sol. 
Haverá algo de que se possa dizer: "vê, isso é novo?" Não! Já existiu há muito tempo, bem antes de nossa época..." [Eclesiastes 1, vs. 8-10 NVI]

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Se um dia você acreditou [como eu acreditei também] ou, talvez, ainda acredita na idéia de que existem "pessoas originais" ou na possibilidade da "originalidade", você está enganado - na vida humana, não é possível atingir um patamar de originalidade absoluta. Por mais inovador que um ser humano possa ser, ou por mais que muitas coisas dos dias hodiernos sejam bastante típicas, sempre haverá um percentual de repetição em tudo aquilo que se faz, que se projeta, que se diz, que se pensa, que se sente, que se cogita ou que se deseja. O ser humano só pode assimilar a realidade por meio de imitação [nesse caso, é necessário uma mediação externa bem como o contato com o mundo externo a si, de maneira que uma "capacidade de expressão independente" não faz sentido algum] e só pode conservar o que apreende da realidade a partir de símbolos [linguagem e língua, conhecimento científico e artístico, valores culturais, religião etc.] que podem ser usados para descrever ou interpretarem a realidade. No entanto, mais importante do que esses pequenos arrazoados filosóficos, é o fato de que, em última análise e sobre qualquer parâmetro, o ser humano só pode conhecer "qualquer coisa de qualquer coisa" por revelação divina, como está escrito:

Pois o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. [Romanos 1, vs, 19]

Isto é, se Deus não possibilitasse ao ser humano a capacidade de conhecer [de forma que o conhecimento daí decorrente não fosse somente possível, mas também verdadeiro e sem equívocos] assim como a possibilidade de que o homem O conhecesse, este não seria em nada diferente de qualquer criatura sem consciência de si ou mesmo seria como uma porta - i.e., em termos técnicos, o que se chama de "epistemologia monergística" [o termo "monergístico" significa, grosso modo, "trabalho de um único"] diz que ninguém conhece nada sobre coisa alguma [muito menos conhece a Deus] a não ser que Ele mesmo assim o queira, até porque Jesus Cristo afirmou explicitamente que "...ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aqueles a quem o Filho o quiser revelar..." [Mateus 11, vs. 27]. Em suma, visto que todos nós dependemos de Deus para conhecer e, assim, para produzir coisas a partir desse conhecimento, somente Deus é "original", pois somente Ele é único e singular em seus atributos [mesmo que alguns desses atributos sejam "comunicáveis", em Deus todos estes são também singulares], somente Ele é independente de qualquer fator externo ou auto-existente e somente Ele criou [e ainda pode fazê-lo] coisas "ex nihilo", sem precisar de nada "pré-existente" para isso, pois uma das promessas do Apocalipse é a de que Ele "...fará novas todas as coisas..." [Apocalipse 21, vs. 5]

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Finalmente, sabendo-se que todo homem é, por natureza, pecador diante de Deus e, por isso, está sob seu juízo [ora, Deus é um ser santo e bondoso e só tolera o mal pela Sua longanimidade, não por conivência] e também que ninguém pode conhecê-Lo sem que haja a intervenção direta de Jesus Cristo como aquele que nos mostra o Deus Pai, não existe neutralidade em relação à verdade quanto àqueles dilemas supracitados - ou nos aproximamos de Deus em arrependimento e fé por meio de Jesus Cristo [o único por meio de quem se pode vir ao Pai] ou, no final de tudo, nos encontraremos com Deus Juiz, que será implacável em sua sentença, não tendo misericórdia de ninguém que desprezou o Seu Filho contumaz e insistentemente. Não existem "caminhos inovadores" ou "novas possibilidades", nem mesmo "religiões modernas originais" que venham superar ou sepultar o "retrógrado cristianismo". Queiramos nós ou não, queria você ou não, gostemos nós ou não, goste você ou não, Deus é real, o pecado atingiu toda a humanidade, todos são igualmente culpados aos olhos de Deus, todos merecem o inferno [começando por mim] mas, contra tudo isso, Deus garantiu um escape permanente para qualquer pessoa que queira vir a Ele - ou seja, Cristo, conforme as sublimes palavras de Charles H. Spurgeon:

"Nada trago em minhas mãos,
Simplesmente me apego à Tua cruz;
Venho nu a Ti, para vestir-me,
Indefeso, busco a graça em Ti!
Sujo, eu corro até a Tua fonte;
Lava-me, Salvador, ou morro!"

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Até quando iremos continuar nos iludindo em nossas vãs imaginações e em nossa suposta "neutralidade" quanto a nós mesmos e no tocante a Deus?

Permaneceremos criar nossos próprios "atalhos" para solucionar nossas inquietudes [ora, seja original!] e ignorar o Único Caminho, sem rogar pela Vida?

Talvez esse texto tenha algum efeito em algum leitor mas, se isso ocorrer, que seja unicamente para que Deus tenha a primazia, como acertadamente disse João Calvino: "...para nós, só a glória de Deus é legítima; fora de Deus só há mera vaidade...".





Pela certeza de que, nEle, tudo é plenitude,




Soli Deo Gloria!