terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sinceros, mas errados...

Após cerca de um mês, finalmente pude voltar a escrever.

Embora não acredite de mim mesmo que esteja [por assim dizer] "inspirado", decidi expor algumas idéias que julgo ser importantes e que, quem sabe, serão úteis a algum leitor que, porventura, visitar esse blog. Vamos em frente!

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Inicialmente, é pertinente esclarecer que o título desse texto está baseado num livro [de mesmo nome, se não me falha a memória] escrito por um teólogo e pregador cristão galês do século XX chamado Martin Lloyd-Jones, no qual creio ser abordado algo semelhante ao que pretendo apresentar aqui... Mas, independentemente disso, serei leal às reflexões que tenho feito há algum tempo. Nesse sentido, parafraseando o bordão célebre de "Star Wars", que a "Força" esteja comigo!

Sinceridade.

Sinceridade, de modo bastante simples, é o substantivo relativo ao adjetivo "sincero", palavra de origem latina que significa algo similar a "sem cera", cujo contexto de surgimento mostra que a "cera" em questão era um tipo de material usado em utensílios de decoração luxuosos [vasos de porcelana, por exemplo] para se esconder ou maquiar algum defeito ou dano, de forma que o termo "sincero" carrega consigo o significado de "sem maquiagem", "sem camuflagem" ou "que não esconde a realidade". Dessa forma, para qualquer pessoa de bom senso, a sinceridade se configura como uma das virtudes humanas mais celebradas - ora, quem gosta de ter pessoas dissimuladas e falsas ao redor? No entanto, nem sempre a sinceridade é vista com "bons olhos", particularmente nos exemplos das pessoas "super sinceras" [aquelas que são consideradas/se comportam como "inconvenientes em sua transparência"] ou mesmo daquelas que são corajosas o suficiente para denunciar grandes mentiras e/ou pecados vergonhosos - que o digam os profetas do Antigo Testamento, João Batista, os mártires do cristianismo primitivo, Huss, Latimer, Lutero, Pacepa, Yuri Bezmenov, Olavo de Carvalho, Sérgio Moro e o próprio Jesus Cristo, que disse que "veio ao mundo para dar testemunho da verdade", sendo Ele próprio a Verdade. 

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Erro.

Em primeiro lugar, quando falamos de "erro", pressupõe-se que exista algum referencial do que seja o "acerto" ou o "correto" - de modo mais prático, ainda que vivamos na sociedade mais revoltada com os conceitos de "verdade", "padrão" e "absoluto", a realidade continua sendo a mesma: todos vivem baseados em algum absoluto ou referencial, seja ele auto-justificável ou puramente um reflexo sentimental sem legitimidade. Dessa maneira, o "erro" ou "estar errado" seria, em poucas palavras, não ser/estar conformado a um determinado padrão compreendido como válido e correto. Contudo, gostaria de salientar aqui que, se alguém chegou a este blog, e está supondo que este que vos escreve acredita na idiotice criminosa de que "padrões são puras construções sociais opressoras que precisam ser desconstruídas pela revolução", o orégano deve ser usado somente para temperar alimentos [como aquele "fettuccine bolognese" ou um Subway B.M.T]! Isto é, padrões verdadeiros existem, são indispensáveis para a existência de uma civilização estável e saudável bem como auxiliam na preservação de boas tradições, legados e conquistas de uma sociedade - ainda que nem todo padrão é, por ser padrão, fidedigno e válido em si mesmo.  

Portanto, tendo sido expostos brevemente os conceitos de sinceridade e de erro, como racionalizar ser "sincero e errado" simultaneamente, visto que "sinceridade" é algo intrinsecamente relacionado à autenticidade/verdade e "erro" é exatamente o oposto? 

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Para este fim, é necessário discorrer sobre outro aspecto negativo referente à sinceridade: nem sempre ser "sincero" implica estar em acordo  com aquilo que é justo, louvável, de boa fama, puro, amável e verdadeiro. Por exemplo, muitas pessoas foram [e ainda hoje são] no último século apoiadoras de terríveis atrocidades contra a humanidade, embora estivessem/estejam convencidas de que a causa que defendiam/defendem era/é nobre - ou, de outra maneira, elas foram/são sinceras na luta por aquilo que julgavam/julgam ser certo, porém a sinceridade delas em suas intenções não tornava/torna os crimes menos hediondos do que foram/são [por exemplo, os proponentes e militantes do socialismo nacionalista alemão/Nazismo, do comunismo soviético e os muçulmanos abertamente adeptos da Sharia]. De forma complementar, aquela pessoa que "rouba dos ricos para dar aos pobres" - no estilo Robbin' Hood - não converte o roubo em algo menos pecaminoso e menos digno de punição pelo fato de dar uma "justificativa filantrópica" e acreditar, sinceramente, estar fazendo uma "boa ação". Em suma, a "sinceridade do coração" não pode ser [e nem é] um parâmetro confiável para se avaliar o que é, de fato, bom e justo, ainda que ser sincero seja fundamental na prática do verdadeiro bem. 

Todavia, ainda resta algo ainda mais perturbador para ser dito.

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Considerando o contexto religioso [nesse caso, o cristão, do qual faço parte], a máxima do final do parágrafo anterior também é verdadeira: a "sinceridade do coração" não é critério seguro para a compreensão e a prática da verdadeira religião, apesar de ser sobremodo exaltada nos púlpitos, livros, comentários e conversas informais, como segue:

"Você precisa aceitar a Jesus Cristo, mas tem que ser com coração sincero..."

"Faça hoje mesmo um compromisso de não pecar contra Deus... Mas seja sincero, porque Deus considera a sinceridade de seu coração..."

"Você crê que Deus pode perdoar seus pecados? Mas você precisa crer com sinceridade..."

De início, se faz necessário ratificar que reconheço que Deus é Deus da verdade e, portanto, Ele abomina todo e qualquer tipo de mentira - ora, está escrito que o Diabo "...é mentiroso e pai da mentira..." [João 8:44b], que ficará de fora da cidade celestial "...todo aquele que ama e comete a mentira..." [Apocalipse 22:15c] bem como que todo aquele que diz temer a Ele deve "...deixar a mentira e falar a verdade cada um com seu próximo..." [Efésios 4:25a], visto que aprendeu de Cristo, a Verdade encarnada, a se revestir "...do novo homem, criado segundo Deus em justiça e santidade que procedem da verdade..." [Efésios 4:24]. Entretanto, não é toda modalidade de sinceridade que a Bíblia legitima em suas páginas, pois está escrito que "...enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto..." [Jeremias 17:9a], que "...há caminhos que para o homem parecem direitos, mas o seu fim é a morte..." [Provérbios 14:12] e, finalmente, essas estarrecedoras palavras registradas em Jó:

Como o homem pode ser puro? Como pode ser justo aquele que nasce de mulher?
Pois, se nem em seus santos Deus confia, e se nem os céus são puros aos Seus olhos,
Quanto menos o homem, que é impuro e corrupto, e que bebe a iniquidade como água!
[Jó 15, vs. 14-16]

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Trocando em miúdos, a afirmação de que "...Deus leva em conta a sinceridade do meu coração quando eu O busco ou na minha relação com Ele..." ignora totalmente a exaustiva revelação bíblica de que o homem caiu em deserção e corrupção após o pecado de Adão, de modo que a depravação é de tal natureza que ele não é capaz de avaliar confiadamente sua suposta "sinceridade" nas questões espirituais - ora, se o coração humano [o combinado entre nossas afeições, vontade e intelecto] é enganoso e perverso, como que é possível avaliar a "sinceridade diante de Deus" sem cair em equívoco? Isto é, não é pelo fato de "sentirmos que estamos sendo sinceros com Deus" que podemos confiar nessa "sinceridade"; nossos sentimentos não são confiáveis nem mesmo quando estamos interessados em alguém ou já namorando, quanto mais no tocante a Deus e à vida espiritual, de modo que mais uma vez Jó é certeiro: 

De onde vem, então, a sabedoria? Onde habita o entendimento?
Escondida está dos olhos de todos os viventes, até mesmo das aves dos céus.
A destruição e a morte dizem: aos nossos ouvidos chegou apenas um breve rumor dela.
Deus é quem conhece o caminho; só Ele sabe onde ela habita. [Jó 28, vs. 20-23]

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Finalmente, acredito ser oportuno explicar que não adianta sermos sinceros em "assuntos espirituais" quando essa sinceridade está fundamentada em mentiras - ou seja, acreditar sinceramente em uma mentira não é uma virtude, é um pecado! Nesse caso, as próprias frases que citei demonstram bem esse argumento, visto que:

Quando se diz que "...se deve aceitar a Jesus com coração sincero...", normalmente se evoca uma passagem que diz que "...se confessarmos com a boca que Jesus é o Senhor e crermos no coração que Ele ressuscitou dos mortos, seremos salvos..." [ver Romanos 10:9]. De fato, a confissão de Cristo como o Senhor e a fé na Sua ressurreição são elementos essenciais da verdadeira conversão, porém o texto bíblico não diz que essas coisas são obtidas pelo meu "sincero esforço" ou a minha "decisão sincera", pois também está escrito que "...ninguém pode dizer 'Jesus Cristo é o Senhor', senão pelo Espírito Santo..." [1 Coríntios 12:3b] e que "...a fé vem pelo ouvir, e o ouvir por meio da palavra de Cristo..." [Romanos 10:17], de modo que todo ser humano só pode reconhecer Jesus como Senhor após a ação sobrenatural do Espírito Santo bem como só pode ter fé Nele pela ação da Palavra, da qual se diz que "...é poderosa para salvar a alma..." [Tiago 1:21b]. 

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Por outro lado, a assertiva de que "...a depender de nossa sinceridade diante de Deus, podemos nos comprometer com Ele a ponto de vivermos sem pecado..." pode ser baseada em passagens que nos orientam a "purificação da carne e do espírito" e a "mortificação do pecado" - existem várias, mas uma delas pode ser "...sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive no pecado; pois aquele que nasceu de Deus a si mesmo se protege..." [1 João 5:18]. Nesse sentido, é notório em toda a Bíblia a mensagem sobre o valor supremo da santidade [uma vez que esse é o atributo de Deus do qual todos os outros emanam] e a decorrente demanda de Deus para que sejamos "santos como Ele é santo". Porém, de modo análogo ao caso anterior, as Escrituras não ensinam que alguém seja capaz de viver sem pecado enquanto estiver nesse corpo, nem mesmo o cristão mais piedoso - ora, se fosse possível mortificar todos os apetites e inclinações pecaminosas presentes na natureza humana corrompida, a intercessão de Cristo diante de Deus, o Pai, não seria mais necessária, pois já teríamos justiça própria para apresentar a Deus e, assim, não haveria mais justificação pela fé em Cristo e, finalmente, todo o Evangelho estaria lançado ao lixo. Haveria maior blasfêmia ao Espírito Santo do que esta - a atribuição da redenção, obra total e exclusiva de Deus em Cristo, a outro que não é Ele?

Entendamos de uma vez: sempre precisaremos de um "...sumo-sacerdote que se compadeça de nossas fraquezas..." [Hebreus 4:15], dAquele que é "...advogado junto ao Pai..." [1 João 2:2] para nos defender quando pecarmos ou, como diz no Salmo 30, "...se Tu, Senhor, atentasses para os pecados, quem subsistiria? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido..." [vs. 3 e 4]. Lançando mão da alegoria de O Peregrino e de um pensamento de Liev Tolstoi, sempre estamos sujeitos a "escolher atalhos" no caminho rumo à Cidade Celestial [ou mesmo a voltar atrás, como fez o Vacilante] mas, ainda que tropecemos ou nos desviemos do caminho certo, se sabemos a qual lugar pertencemos, podemos até cair no caminho como um ébrio, mas chegaremos em casa - no caso de Tolstoi, eu acredito, o ébrio anda sozinho para casa até encontrá-la, mas no caso do cristão, é como dizia Lutero: "...não sei por quais caminhos sou conduzido, mas conheço bem o meu Guia...".

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E você? Já parou para pensar que, muitas vezes, você pode ter sido "sincero", mas esteve/estava errado?

Além disso, se você é religioso e confia muito em sua "sinceridade" como parâmetro de espiritualidade verdadeira diante de Deus, até quando vai permanecer "errado" ao se fiar em si mesmo em vez de dar ouvidos e atenção ao que Ele mesmo disse em Sua Palavra?

Finalmente, se você é alguém que tem seus sentimentos como parâmetro do que é justo e certo, até quando vai permanecer "iludido em sua sinceridade vã" e desprezando o convite Daquele que é a Verdade em carne, e que disse que "...se o Filho os libertar, verdadeiramente vocês serão livres?" [João 8:36]





Pela alegria de, embora ainda "errado", ser "sinceramente" livre,





Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Saudade do que ainda não vi...

20 de janeiro de 2017. 

Neste primeiro mês do ano, finalmente tive um tempo para vir aqui e [tentar] escrever algo novo. Neste caso, espero que as idéias que têm fervilhado na mente sejam úteis para quem vier a ler o que será escrito a partir delas... Logo, como se diz na França, "on y va!" ou " vamos lá!".

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O título desse texto faz uso de uma pequena frase extraída da letra da canção "Índios", da Legião Urbana [que já foi base para outro post]; mas, dessa vez, não farei uma análise da música em si, contudo procurarei falar sobre a questão da "saudade" em suas variadas instâncias, inclusive algumas mais ignoradas pela maioria - espero ter sorte nesse desafio. 

Saudade.

Saudade é uma palavra particular do idioma português [o qual, segundo Miguel de Cervantes, escritor espanhol e autor do clássico "Don Quijote de la Mancha", era o idioma mais sonoramente bonito que ele conheceu e que, infelizmente, nesses nossos dias nefastos, tem sido assassinado na internet, nas músicas e até mesmo dentro da academia - não é verdade, "amigxs"?] que expressa o sentimento de "ausência", "carência" ou de "falta" associado ao desejo de ter essa "ausência"/"carência" solucionada, entretanto sem verbete análogo em nenhuma das línguas mais comuns no Ocidente. Por exemplo, em inglês, a expressão para saudade de alguém é "I miss you", que em espanhol é "Te extraño", e que em italiano e francês é, respectivamente, "Tu mi manchi" e "Tu me manques", as quais destacam somente o sentimento de tristeza pela ausência/falta do outro - ora, não existe nenhuma expressão correspondente a "matar a saudade" em nenhum desses idiomas, fato que torna a expressão "saudade" singular. 

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Em primeiro lugar, quando se fala sobre saudade, pelo menos no sentido português da palavra, deve-se salientar a ascensão de uma mistura de sentimentos bons e ruins, os quais unem o pesar decorrente do fato de não se estar experimentando/vivenciando uma determinada situação anterior prazerosa [uma viagem, a companhia de alguém amado, um evento marcante etc.] a uma espécie de alegria somente por se ter um vislumbre dessa boa lembrança passada. Por outro lado, existem modalidades de "saudade" que realçam ainda mais essa dicotomia de emoções, particularmente aquelas em que lembramos de pessoas que já faleceram mas que, enquanto vivas, nos eram muito valiosas [o pai, a mãe, irmãos, esposa/marido etc.]. Isto é, a saudade é algo comum ao ser humano, embora os mais insensíveis dentre nós não a manifestem ou mesmo a experimentem. 

Além disso, a saudade é um tipo de emoção que pode impulsionar atitudes um tanto "arriscadas" ou "impetuosas" por parte daqueles que a sentem e que não conseguem mais suportá-la, especialmente quando envolve relacionamentos - por exemplo, quando alguém tem muitos amigos que moram longe de sua cidade ou em outros países ou, em particular, quando se está apaixonado, a saudade parece incontrolável e, dessa forma, o momento mais aguardado é aquele do "reencontro", no qual a angústia e a ansiedade serão ao menos atenuadas, como diz uma certa canção chamada "Sobre a saudade":

"Vem me acompanhar de perto
E amanhecer chovendo o dia
No silêncio, na demora
Quem nunca provou de sua companhia?

Vem da falta que me faz
Do perfume, da canção
Chega assim sem avisar
Só dá trégua quando eu te encontrar..." [Sobre a saudade, Crombie]

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No entanto, não pretendo falar apenas desses aspectos da saudade, visto que a frase temática do texto fala de ter "saudade do que ainda não se viu". 

Mas, como é possível sentir saudade do que não se conheceu ou experimentou?

Nesse sentido, o que eu relaciono aqui ao conceito de "saudade do que ainda não se viu" tem seu ponto de partida com aquilo que o teólogo francês João Calvino chamou de "sensus divinitatis" ou "senso da divindade", segundo o qual todo ser humano [sem qualquer exceção, em nenhuma época da história] possui o senso do divino em si/na consciência - ou, em outras palavras, todos sabem dentro de si mesmos que Deus é real, ainda que muitos relutem com toda a veemência contra esse testemunho interno e/ou vivam como se Ele não existisse. Na verdade, a própria oposição odiosa à idéia da realidade de Deus, imbuída da busca por "descreditá-Lo" ou "eliminá-Lo" da vida humana, atesta claramente que existe um Deus, um único Deus, embora os seres humanos façam para si mesmos "muitos deuses", como está escrito:

"Deus fez cada coisa formosa a seu tempo; Ele também colocou dentro do coração deles o senso da eternidade...". [Eclesiastes 3, vs. 11]

"Porque todos os deuses dos povos são ídolos inúteis; mas o Senhor fez os céus". [Salmo 96, vs. 5]

"Porque Nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também disseram alguns dos seus poetas: Dele também somos geração". [Atos dos Apóstolos 17, vs. 28] 

"Pois, ainda que existam, seja no céu, seja na terra, os assim chamados 'deuses', como de fato há muitos 'deuses' e muitos 'senhores',
Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, do Qual são todas as coisas e por Quem vivemos, e um só Senhor, Jesus Cristo, mediante o Qual todas as coisas existem e em Quem existimos". [1 Coríntios 8, vs. 5-6]

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Porém, você ainda pode estar se perguntando... O que será que esses textos bíblicos tem a ver com "saudade do que não se viu"? Isso realmente faz algum sentido?

Inicialmente, partindo-se do pressuposto de que "somos todos geração de Deus" no que se refere à criação [Ele nos criou à Sua imagem e semelhança], o que é "gerado" traz consigo traços e características que são provenientes "dAquele que gerou" e, assim, cada um de nós tem resquícios dessa imagem divina. Por outro lado, o fato de Deus ter nos criado não indica carência em Deus - como se Ele precisasse de companhia para não "se sentir só ou incompleto" -, pois Deus é totalmente satisfeito em Si mesmo, uma vez que é chamado "Senhor dos céus e da terra" e "...nem é servido por mãos humanas, como se necessitasse de algo, mas Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração, e todas as coisas..." [Atos dos Apóstolos 17, vs. 25]. Em outras palavras, Deus não tinha qualquer obrigação ou necessidade de criar nenhum ser humano [e, por extensão, nada], de forma que nossa existência é devida a Ele, do que se infere que todo ateu só pode negar a Deus porque foi criado [e é sustentado] por Ele, como dizia G. K. Chesterton: "...se não houvesse Deus, não existiria nenhum ateu..."

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Desse modo, uma vez que o "senso da eternidade" está posto no coração humano - conforme as palavras de Herman Dooyeweerd, que disse que "...todo ser humano é um ser religioso", implicando que "...se ele não se voltar para o verdadeiro Deus, ele colocará um deus falso no lugar..." - bem como que todos os homens foram criados por um Deus que é único e possuem sua existência e vida Nele, conclui-se que o fato da maioria dos homens viverem como se Deus não existisse [ou deliberadamente "lutando contra Ele" e tudo que a Ele remete] indica que há um problema na criatura: ela está em rebelião ante a seu Criador, rebelião que começou com o pecado chamado "original" e que, por imputação representativa, passou a todos nós, sem exceção. Ora, apenas o fato de que estamos sujeitos à morte prova que o pecado dos primeiros seres humanos criados por Deus [Adão e Eva] também é "nosso" pecado, de alguma maneira, pois "...por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado entrou a morte, por isso a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram..." [Romanos 5, vs. 12]. 

Ditas essas coisas, pode-se perceber que todo ser humano, em suas variadas formas, busca para si algum tipo de "sentido para a vida" ou "redenção", que consistiria na revogação ou suplantação das consequências do pecado ou, de modo mais simples, cada um busca algo que o torne satisfeito e pleno, o que denota indubitavelmente que o homem é um ser carente de algo superior a ele. Dessa forma, somente algo que seja em si mesmo totalmente pleno pode satisfazer esse anseio da alma humana, o qual é como a saudade da letra da música, que "só dará trégua" quando o homem encontrar aquilo que poderá satisfazê-lo completamente. 

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A esse respeito, vale citar as palavras escritas pelo apóstolo Paulo a seguir:

"Naquele tempo, é verdade, não tendo conhecimento de Deus, servistes àqueles que, por natureza, não são 'deuses',
Mas, agora, tendes/tendo conhecido a Deus, ou antes sois/sendo conhecidos de Deus..." [Gálatas 4, vs. 8-9a]

O texto mostra, a partir do exemplo desses novos cristãos que habitavam a região da Galácia que, anteriormente, quando não conheciam a Deus, eles haviam servido a deuses que, na verdade, não eram "deuses", mas somente "...arte e imaginação de homens...", até que, num momento, eles passaram a conhecer a Deus [ou, nas palavras de Paulo, "sendo antes conhecidos por Ele"]. Portanto, até o momento em que Deus não é revelado a nós [ou "se revela a nós"], sempre permaneceremos colocando "deuses ilusórios" no lugar do "Deus verdadeiro" - sejam divindades convencionais, sejam coisas/pessoas que passam a ser "divinizadas". Logo, é necessário que Deus intervenha no curso de nossa vida de maneira que Ele se dê a conhecer a nós e, como resultado, voltemos nosso olhar para Aquele "...em quem vivemos, nos movemos e existimos..." e de Quem "...somos todos geração...". 

Porém, na verdade, Ele já interveio no curso da história inteira.

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Deus, o Pai, na "plenitude dos tempos", enviou Seu Filho Unigênito ao mundo - Aquele que disse, dentre tantas afirmações estarrecedoras, coisas como "....quem vê a mim, vê o Pai...", "...eu e o Pai somos um...", "...antes que Abraão existisse, Eu Sou..." etc. bem como fez coisas que só a Deus se atribuiria, a exemplo de ressuscitar mortos, curar leprosos, cegos e paralíticos, expelir espíritos malignos e mesmo perdoar pecados - a fim de que todos os homens, aos quais Ele concedeu por criação o "sensus divinitatis", pudessem não apenas ter uma noção imprecisa e incerta dessa "divindade", mas a contemplasse como de fato é, pois está escrito que Jesus Cristo, o Nazareno, é "...a imagem do Deus invisível..." assim como é "...o resplendor da glória de Deus e a expressa imagem de Seu ser...". Ou seja, não é mais necessário buscar a chamada "satisfação" em vários lugares diferentes como que por "tentativa e erro", porque também está escrito que Deus deseja que nós O busquemos e O encontremos, mas devemos "...buscá-Lo de todo o coração..." e Ele será achado por nós. Sim, Aquele que tem em Si "...o manancial da vida...", que "...em cuja Luz, nós vemos a luz" e que "...alumia as nossas trevas..." pode ser achado, pois "...Ele não está longe de cada um de nós...".

Finalmente, para aqueles que já O encontraram [ou, de maneira mais correta, que foram encontrados por Ele] resta a esperança de que, após uma jornada de perdas e ganhos e de sofrimentos e alegrias, nada mais poderá separá-los da presença visível e constante Dele, com plenitude de alegria e delícias perpétuas. Mas, enquanto isso, permanece aquela já mencionada "saudade do que ainda não se viu" - embora nenhum de nós tenha uma noção total de como deve ser o "céu", por assim dizer -, como se já tivéssemos pertencido/vivido essa realidade futura, ainda que para nós ela seja somente isso - um futuroEssa "saudade do que ainda não se vê" é tão-somente o anseio por "dar um fim" à separação que mais inquieta a alma daquele que ama a Deus e que também é amado por Elecomo disse Agostinho, "Ó Deus, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não descansa em Ti" ou nas palavras de uma canção que diz:

"Meu Lar, feito sobre a Rocha
É casa aberta pra gente ficar 
É canto que eu vi, bem antes de estar
É perto do Pai, meu rumo e meu cais..." [Meu Lar, Palavrantiga]

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Em suma, as palavras da canção denotam que para aquele que tem essa "saudade", o céu é um lugar que já foi "visto antes de se estar nele", sendo "o rumo e o cais" daquele que o deseja, pois está escrito de alguns que assim viveram que "...morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas as viram de longe, e creram nelas, e as abraçaram, confessando que eram estrangeiros e peregrinos na terra, de modo que os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria... Mas, se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar, entretanto, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a celestial..." [Hebreus 11, vs. 13-16a]. Isto é, ainda que existisse aquela saudade da pátria natal, nada para eles era mais valioso que aquela "outra pátria", pátria da qual Deus é o construtor, preparada por Ele mesmo para aqueles que aguardam ansiosamente por ela, cuja "saudade" é, de certa maneira, o desejo de "matar o que está matando", como no caso daquele que quer encontrar a pessoa amada para "matar a saudade", porém não apenas por alguns dias, senão que para toda a eternidade.

Ora, uma vez que todos nós provavelmente já sentimos [ou mesmo estamos com saudade de algo ou alguém agora mesmo], já paramos para pensar se tivemos/temos aquela "saudade do que ainda não se viu"?

Como está seu anseio pela eternidade? Você não dá a menor importância para isso, pensa de vez em quando ou realmente anseia por aquilo que é eterno mais do que por qualquer outra coisa?

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No mais, uma vez que ninguém escapará da eternidade - seja no céu, seja fora dele -, como está seu anseio por Aquele que pode garantir a você aquela eternidade que produz "saudade" em quem ainda não a viu?





Pela alegria de ter saudade pelo que ainda não vi,





Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O que você vai contar [para seus netos]?

Após quase dois meses de ausência, finalmente pude voltar aqui.

Nesse tempo, estava muito atarefado com outras coisas e, realmente, não consegui dar atenção ao blog. Talvez, por outro lado, faltou inspiração mesmo. Mas, na verdade, não é isso que importa agora.

De fato, este deve ser o último texto do ano [para alegria de muitos!] e é preciso "trabalhar enquanto é dia, pois a noite logo vem, quando ninguém pode trabalhar".

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O título desta postagem é inspirado numa propaganda de TV "não muito recente", a qual falava sobre a idéia de "aproveitar bem a vida" e "curtir os amigos e os bons momentos", cujo final trazia a pergunta "o que você vai contar para os seus netos?", indicando que uma vida sem boas aventuras ou lembranças agradáveis será "sem graça" quando estivermos mais próximos da morte. Na verdade, nem todas as coisas das quais a propaganda falava eram de fato "boas" em si, mas acredito que esse senso de "ter o que transmitir" para as gerações futuras é mais do que urgente.

Nesse sentido, uma observação honesta e cuidadosa [ainda que rápida] de nosso mundo nos permitirá concluir que "nunca antes na história" [parafraseando um nobre canalha, carinhosamente apelidado de "nine fingers"] houve tão pouco respeito e apreço pela tradição, pela herança cultural, familiar, religiosa, civilizacional, literária, artística ou qualquer espécie de legado que nos remeta aos "tempos passados" - ora, a moda é "fazer revolução", é "desconstruir padrões", é "ser diferente", é "quebrar o tabu", é a onda do "meu corpo, minhas regras" com todo tipo de jargão infantil que não passa de histeria auto-hipnótica de quem acha que "seu cabelo é o novo poder social" bem como que o DCE de sua universidade é o "supra-sumo intelectual" do país e o "detentor da verdade e da moral"... Mas a verdade e a moral são construções sociais dos cristãos euro-americanos fascistas! Enfim, adaptando uma citação do filósofo Sir. Roger Scruton - esse sim, digno de ser mencionado como "nobre" -, não vou perder meu tempo dando atenção a quem só merece riso ou desprezo, pois o que interessa é: em uma época em que tudo que tem sustentado nossa sociedade e civilização está sendo destruído à velocidade da luz, "o que eu vou contar 'para meus netos'"? ou, em outros termos, o que eu tenho feito para preservar o que recebi de bom dos meus antepassados? 

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Desse modo, creio que podemos aprender com a tradição israelita/judaica [que também é estendida à tradição cristã] ao mencionar o seguinte trecho dos Salmos, onde se lê:

Não me abandones, ó Deus, agora que estou velho e de cabelos brancos, para que eu possa falar de Tua força aos nossos filhos e do Teu poder às gerações futuras. [Salmo 71, vs. 18]

Nesse salmo, o rei Davi [que o escreveu] já estava idoso e, portanto, ao longo deste texto faz declarações como "...em Ti está a minha confiança desde a minha mocidade..." (vs. 5), "...desde o ventre materno dependo de Ti; Tu me sustentaste desde as entranhas de minha mãe..." (vs. 6) e "...desde a minha juventude, ó Deus, Tu tens me ensinado, e até hoje eu anuncio todas as Tuas maravilhas" (vs. 17), as quais mostram claramente que, aquilo que ele havia aprendido a respeito de Deus a partir de sua infância foi conservado por ele até a sua velhice, de modo que o seu interesse era que isso fosse preservado para que seus descendentes também tivessem o mesmo conhecimento que ele tinha

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Ora, nossos dias estão cada vez mais perversos e tenebrosos, pois comemorar o Natal já tem se tornado um "discurso de ódio islamofóbico" em alguns países da Europa [enquanto isso, o Islam através de seus "embaixadores" continua sendo a causa de mortes, estupros, atentados e toda sorte de crimes na Europa e na América do Norte - ah, e o que dizer dos efeitos nefastos do Islam no próprio Oriente Médio?], tradicionais canções cristãs de Natal estão tendo suas letras mudadas para "não ofender os imigrantes muçulmanos" na Noruega, os "jogos públicos de estupro coletivo" feitos por imigrantes africanos e árabes na Alemanha e na Suécia tem sido tolerados [mas, o que pode ser mais perverso do que alguns tweets denunciando esse tipo de crime bárbaro?] em nome da "tolerância e respeito ao diferente"... E o que dizer de todos os ataques meticulosamente engendrados contra a estrutura convencional de família, a perversão infantil pela erotização precoce intencional feita pela mídia e pelos meios de educação públicos e, obviamente, a desonestidade e desinformação generalizadas expressas na adulteração da história em prol de uma determinada hegemonia ideológica e culturalIsto é, gradativamente todos os símbolos e ícones que são associados ao divino, à Bíblia e ao legado cultural cristão estão sendo eliminados do Ocidente e, dessa maneira, se faz pertinente levar a sério a missão de "contar para os filhos, netos e quem mais estiver ao alcance" sobre o que já nos tem sido dado há 2000 anos [o que pode chegar perto de 4000 anos, contando com a herança judaica].

Mas... o que exatamente devemos "contar"? 

Embora eu tenha destacado algumas situações recentes específicas que mostram o ataque direto a tudo que aponta para o cristianismo e às suas tradições instiladas na sociedade ocidental [cuja importância deve ser salientada], meu objetivo principal é me deter ao conteúdo do próprio texto bíblico, o qual nos informa sobre o que devemos "contar" para a nossa gerações e para aquelas que virão: a força e o poder de Deus.

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Força e poder.

Inicialmente, força é uma palavra relacionada à capacidade de realização e de resistência [na física, essa capacidade é relativa ao conceito de trabalho, sendo matematicamente representada através de um ou mais vetores, de modo que possui intensidade, direção e sentido]. Nesse contexto, poder é um termo usualmente referente à idéia de autoridade, habilitação para algo, controle e domínio. Portanto, quando as Escrituras falam a respeito da "força e do poder de Deus", elas querem nos dizer que Deus tem capacidade plena para realizar todo o trabalho/obra que quiser [inclusive com "intensidade, direção e sentido" específicos] bem como que Ele é livre para exercer controle total sobre toda a realidade a Ele exterior, de forma que não há qualquer disputa entre Deus e qualquer outra criatura no universo quanto ao domínio absoluto sobre tudo o que existe, pois "...o Senhor estabeleceu o Seu trono nos céus, e o Seu reino domina sobre tudo" [Salmo 103, vs.19].  

Nesse caso, quando o salmista suplica a Deus para que "não o abandone a fim de que ele possa proclamar a força e o poder divino à geração presente e às futuras", ele afirma seu anseio de fazer com que todos os que o cercavam enquanto ele estava vivo bem como alguns dos que ficariam vivos após sua morte pudessem conhecer a Deus como Ele de fato é - um Deus forte, poderoso, soberano e que não é afetado pelas circunstâncias mas sim as governa em Sua providência, de modo que em seguida ele escreve:

Tua justiça chega até as alturas, ó Deus, Tu, que operas grandes coisas. Quem é semelhante a Ti, ó Deus? [Salmo 71, vs. 19]

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Justiça elevada. Grandes obras. Deus incomparável.

Pensar nessas três assertivas - "justiça elevada", "grandes obras" e "Deus incomparável" parece bastante oportuno há 3 dias do Natal, pois talvez esse seja um dos momentos que mais expressam com perfeição a união desses três conceitos, pois é no Natal que lembramos com mais vivacidade que, num dado momento da história, o "mistério que esteve oculto desde todos os séculos e por todas as gerações", o "grande mistério da piedade", foi então "manifestado na carne" - sim, o Verbo Eterno, que estava no princípio com Deus e era Deus, sem O qual nada do que foi feito se fez, em quem estava a Vida, que trazia consigo a Luz verdadeira que ilumina a todo homem, o Qual, embora esteve no mundo, não foi conhecido pelo mundo, que veio para os Seus e foi rejeitado por eles, mas que concedeu o poder de serem feitos filhos de Deus a todos os que crêem em Seu nome, que habitou entre nós de modo que vimos a Sua glória, sendo cheio de graça e de verdade, de Quem recebemos plenitude e "graça sobre graça" e que nos fez conhecer o Deus que nunca foi visto por alguém. Ele, chamado Cristo [que significa ungido, escolhido], ao nascer da virgem Maria naquela estalagem em Belém da Judéia, em meio aos animais e sem qualquer ostentação, recebeu o nome Jesus, pois "Ele salvaria o Seu povo dos pecados deles". Ou seja, o "Deus incomparável" veio à terra em forma humana, como um bebê judeu, para realizar a maior das "grandes obras" do Eterno - a redenção dos pecadores que outrora andavam "como ovelhas sem pastor, desgarrados e errantes" - a fim de que a "justiça elevada" desse Deus fosse satisfeita, justiça pela qual nenhum pecado deixou ou deixará de ser punido bem como nenhum pecador arrependido de seus pecados deixou ou deixará de ser perdoado. 

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Finalmente, ainda que o Natal seja um período onde normalmente trocamos presentes, ornamentamos nossas casas com os enfeites típicos, viajamos de férias ou fazemos a ceia com a família - tudo isso é lícito e tem o seu valor -, o Natal ["Navidad", "Noël", "Natale", "Christmas" etc.] é algo maior e mais significativo do que isso, pois [embora Jesus possa não ter nascido no dia 25 de dezembro] é nesse momento que somos levados a recordar a gloriosa intervenção divina - por assim dizer, claro, já que a história não ocorre à parte de Deus - por meio da qual uma virgem [ou provavelmente "jovenzinha", no original] concebeu por obra do Espírito de Deus "...que a envolveu com a Sua sombra..." e, assim, ocasionou a manifestação de um anjo que anunciou a alguns pastores...

Não temais! Eis que vos trago boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: hoje, na Cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. [Lucas 2, vs. 10-11]

... a qual foi acompanhada de uma grande multidão do exército celestial, que louvou a Deus dizendo:

Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem Ele concede o Seu favor. [Lucas 2, vs. 14]

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Em suma, Deus manifestou o Seu favor aos homens de uma maneira singular através da Encarnação, de modo que incontáveis anjos O louvaram por tal ato de misericórdia. Eis a "velha notícia" que é sempre "nova" quando me lembro dela [a qual estão buscando extinguir da minha civilização a todo custo, ou mesmo desvirtuá-la como fazem com a Páscoa], notícia essa que devo desejar compartilhar com alegria e zelo, não apenas mediante esse post e nessa época do ano, mas ao longo de toda a vida - pois, se não houvesse Natal [ou melhor, se não houvesse a Encarnação] não haveria qualquer esperança quanto a experimentar "vida eterna" e, com ela, o fim de todo o mal, pois por intermédio dela Deus... 

"...Ergueu uma poderosa salvação para nós... salvando-nos de nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam, para mostrar sua misericórdia aos nossos antepassados e lembrar Sua santa aliança: [...] resgatar-nos da mão de nossos inimigos para O servirmos sem medo, em santidade e justiça diante Dele, todos os nossos dias... por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o Sol Nascente, para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz..." [Lucas 1, vs. 69, 71-72, 74-76 e 78-79]

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E você? Se identifica com essas palavras? Se identifica com o Salvador revelado nelas?

Se sim, o que você vai esperar para começar a contar para seus contemporâneos sobre a força e o poder de Deus, manifestos plenamente por meio da Encarnação do Verbo?

E, caso você já tenha família (filhos, netos etc.) e também se identifica com o que leu aqui, você vai se esquecer de que está escrito que devemos ensinar essas coisas aos filhos e aos filhos de nossos filhos "...deitando e levantando, colocando-as nos umbrais das portas e atando-as até mesmo ao próprio corpo..." para que eles saibam que "o Senhor é o nosso Deus, o Deus único, a Quem devemos amar de todo coração, alma e forças"?




Pela alegria de ter o que contar ao mundo,




Soli Deo Gloria!