domingo, 25 de novembro de 2018

Ecclesia Deformata et Nunquam Reformanda est...

Esse deverá ser um texto escrito sob indignação.

De fato, faz algum tempo que eu tenho procurado exercitar a serenidade - especialmente nos últimos meses, nos quais meu país se transformou numa "praça virtual de guerra" -, mas agora minha paciência se esgotou.

Parafraseando um notável mestre, "tenho muito o que dizer, e muitos terão que me suportar agora". Porém, se alguém não suportar até o final, pouco me importa.

Enfim, meu desejo é que cada palavra digitada seja como um golpe de azorrague em quem for necessário, seja na mente, na consciência e até mesmo na alma. Num mundo em que quase todos acreditam ter o "direito supremo e inalienável de não serem (nem mesmo se sentirem) ofendidos", alguns bons açoites podem ajudar a desfazer esses caprichos infantis e estúpidos. 

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O título desse texto é uma referência direta a um dos lemas principais da Reforma Protestante, cujo aniversário de 501 anos foi comemorado no último 31 de outubro. Embora eu gostaria de ter publicado esse texto naquela data, somente hoje (praticamente um mês depois) é que organizei as idéias e as publiquei nessa postagem. Para facilitar a compreensão, o lema ao qual me referi diz:

"Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est" ou
"Igreja Reformada e Sempre se Reformando".

Em poucas palavras, a mensagem central que esse moto expressa é a de que a comunidade cristã de fé protestante/reformada (considerando todas as suas peculiaridades) deve estar devidamente firmada em seus fundamentos doutrinários (os quais podem ser sintetizados nos chamados "5 Solas" - Sola Scriptura, Sola Fide, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria - ou concorrem para eles) sem deixar de se reformar continuamente, de maneira a expressar o ensino cristão de crescimento no conhecimento e na graça de Deus. Logo, se o objetivo desse texto fosse uma exposição breve dessa idéia de "fé firmada mas sempre em aperfeiçoamento", não haveria razões para a primeira parte do texto. No entanto, eu ouso dizer que o novo lema que está usurpando o lugar do anterior e se alastrando como um câncer silencioso e metastático é: 

"Ecclesia Deformata et Nunquam Reformanda est" ou
"Igreja Deformada e Nunca se Reformando".

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Talvez algum leitor (se é que alguém ainda lê esse blog) possa estar se perguntando: com que autoridade um anônimo tem a empáfia de proferir tais impropérios contra toda a comunidade cristã protestante sem qualquer critério? Certamente ele deve ser mais um "hater virtual" que quer ser popular através da disseminação de polêmicas!

Eu não tenho tempo para gastar minhas energias e intelecto atrás de coisas inúteis como popularidade - especialmente popularidade na internet.

A minha vida não consiste nessas frivolidades que ocupam as mentes medíocres dos que nada mais fazem a não ser seguir o fluxo do que foi adequadamente denominado por José Ortega y Gasset de "rebelião das massas", cujo processo possibilitou/tem possibilitado a "ascensão da vulgaridade como substituta da excelência" e, como resultado, a opinião se tornou a nova "rainha" do mundo moderno. 

Eu não pretendo ser um desses "formadores de opinião", mas somente externar certas inquietações que talvez sejam pertinentes e suficientemente perturbadoras

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Sem rodeios, o que significa "Igreja deformada e nunca se reformando"? 

Que igreja seria essa? 
Quais seriam essas deformações? 
E quais as reformas que não estão acontecendo?

Em primeiro lugar, segundo a Bíblia e conforme o testemunho da boa tradição teológica cristã ao longo dos últimos 20 séculos, eu estou convicto de que a chamada "Igreja Verdadeira" - expressão referente a todos os que creram no Deus Verdadeiro e seguiram Jesus Cristo em todas as eras - nunca esteve, não está e jamais estará deformada, pois está escrito que:

"...Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela para a santificar, pela lavagem da água (por meio da Palavra),
A fim de apresentá-la a Si mesmo Igreja Gloriosa, sem mácula, sem ruga nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível..." [Efésios 5, vs. 25-27]

Isto é, uma vez que Jesus Cristo é o Salvador e Redentor da Igreja e, por isso, é também o Senhor dela, nada poderá impedi-Lo de conferir a ela tudo o que Ele adquiriu através de Sua morte e ressurreição, de sorte que, em instância última, a Igreja por Ele comprada a preço de sangue sempre foi, é e será como a noiva mais bela, vestida com (Sua) pureza e adornada com (Sua) justiça. Ou seja, embora ainda possam ser vistos no meio dessa igreja muitas debilidades, imperfeições, inadequações, manchas e até mesmo pecados, chegará o dia em que nada disso mais existirá - dia a partir do qual não haverá mais maldição, nem morte, nem pranto e nem dor, uma vez que o pecado já terá sido destruído, pois "...para isso o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo..." [1 João 3:8b]. Aquilo que, à vista de Deus, já está consumado, finalmente estará também ali, diante dos olhos de todos os que forem parte do que Jonathan Edwards poderia chamar de "História da Redenção".

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Isto posto, vamos à quarentena - quem lê, entenda.

Antes de tudo, deve-se ressaltar que esta geração é, sem dúvida alguma, a mais ignorante e enganada a respeito do que é "religião" e de tudo o que diz respeito a ela. A simples menção do termo já desperta os ânimos mais descontrolados e bestiais, cuja histeria é seguida por frases heterodoxas e sutilmente mentirosas do tipo "...religião não se discute, cada um tem a sua!...", "...Deus não tem religião!...", "...espiritualidade não é religião, é harmonia com a natureza e entre as pessoas..." ou "...'Deus acima de todos' ou a sua 'religião' acima das outras'..."? A esse respeito, a verdade é que quem diz que "religião não se discute" está simplesmente usando um artifício covarde para fugir do confronto com realidades que o humilham e incomodam (ora, ninguém gosta de suspeitar que possa estar equivocado a respeito de coisas como céu e inferno, por exemplo), assim como quem diz que "...Deus não tem religião..." está pensando (e querendo fazer com que os outros pensem) que Ele é um Ser modelado à nossa "imagem e semelhança" a depender do "gosto do freguês". Além disso, uma espiritualidade simplesmente imanente não é capaz de resolver as chamadas "questões supremas da existência" (isso só é possível no campo da metafísica e dentro de uma realidade transcendente) e, finalmente, Deus certamente está acima de tudo e de todos (inclusive de todos os que esperneiam como crianças mimadas e gritam aos quatro ventos que "não há religião verdadeira ou superior porque estamos no mundo da 'igualdade'...") e, por isso, haverá de julgar a todos os que não O reconhecerem como o único Deus verdadeiro para que todos temam e tremam diante Dele. 

Os últimos 3 séculos - especialmente desde a Revolução Francesa até nossos dias - têm se caracterizado, dentre outras coisas, pela substituição da "religião" pela política como a "Anima Mater" da realidade e das relações humanas, de tal sorte que, através da política, a realidade existente bem como todas as modalidades de relações sociais não só podem mas devem ser remodeladas ao bel-prazer de quem quiser alterá-las, uma vez que a "utopia futura" do "mundo melhor" (ou de um "novo paraíso artificial") é auto-justificada e quaisquer medidas são válidas para alcançá-la, mesmo que não haja escrúpulo algum na prática delas. Conseqüentemente, essa mentalidade também tem ocupado os ambientes religiosos (de mesquitas a paróquias, dos centros espíritas às dioceses, das abadias até as igrejas tradicionais e modernas) e os tem formatado de acordo com suas "agendas", de maneira que muitas igrejas (nesse texto, me atenho às de raiz protestante ou evangélica) têm abandonado completamente o mandato expresso nas Escrituras de que devem ser "comunidades da Palavra e das ordenanças/sacramentos" a fim de serem "ONGs espirituais" ou "movimentos espirituais engajados para transformação social". Logo, a Bíblia não é mais a lente pela qual o cristão lê o mundo e toda a realidade que o cerca, mas as "ciências sociais" e os "novos paradigmas" se tornam as lentes pelas quais os novos "cristãos" passam a lê-la. Como resultado, a fé se torna subserviente aos "novos modelos de sociedade", às "novas propostas de natureza humana" [i.e., o velho projeto do "novo homem" presente no pensamento comunista] e, ulteriormente, à nova realidade que precisa ser atingida para que a "falsa realidade atual" seja aniquilada - ou seja, a fé se corrompe até que morre irremediavelmente, embora possa conservar uma "aparência de piedade", a exemplo da Igreja de Sardes no Apocalipse 3, que "...tinha fama de que vivia, mas estava morta...". 

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Por outro lado, tenho detectado um problema tão grave quanto o anterior, o qual aparenta ter a mesma raiz, mas se manifesta no outro espectro do universo sócio-político e que também pode estar "deformando a igreja": o problema da "dogmática seletiva"

Nesse caso, recentemente eu fui testemunha [mesmo que não tenha me pronunciado publicamente] de discussões acaloradas nas redes sociais entre cristãos que, devido a determinadas divergências de opinião do ponto de vista político, entraram em conflito público. Mais particularmente, um deles, que demonstrou ser alguém que procura desenvolver uma vida intelectual e que, por isso, falava com propriedade sobre diversos temas nos campos da política, cultura e filosofia [cujas opiniões eram semelhantes às que também adoto], se mostrou, em vários momentos, "dogmaticamente seletivo", visto que ao mesmo tempo que defendia pautas "pró-vida" e outras pautas morais [as quais não são opção para um cristão, a não ser que ele se comporte como um negador da fé que ele professa], difamava a fé de quem discordava mais diretamente dele até por meio de adjetivos como "cínico", "sonso" e "hipócrita". Ora, se um cristão que professa ser ortodoxo, de tradição protestante reformada, se comporta de modo a dar a entender que a fé cristã verdadeira se resume em defender pautas cristãs na esfera pública ou durante um pleito eleitoral mas transgride deliberadamente o mandamento de "...não dirás falso testemunho contra o teu próximo..." [vide Êxodo 20, vs. 16] bem como a severíssima advertência de Cristo no Sermão do Monte de que "...se alguém se encolerizar [sem causa] contra o seu irmão será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão "Raca!" será réu do concílio; e qualquer que lhe disser "Tolo!" será réu do fogo do inferno..." [Mateus 5, vs. 22], onde estaria a sua ortodoxia reformada? Não seria essa uma "ortodoxia deformada"?

Quem prescreve com tanta veemência, inclusive nos seus próprios símbolos de fé e catequese, que "...toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão e para educação na justiça..." tem a obrigação de levar a sério TUDO o que as Escrituras dizem e não apenas o que lhe é conveniente ou aquilo que lhe sirva para exibir a sua "moral superior" a todos os rincões da internet. A fé cristã, a fé da Igreja Verdadeira, não nos dá nem "liberdade de pensamento" [no sentido de que "podemos adotar e defender o que bem entendermos"] nem de escolha do que devemos praticar, pois Jesus ordenou que, enquanto Seu Evangelho fosse proclamado para fazer discípulos de todos os povos, os arautos das Boas Novas deveriam ensinar esses povos a guardar TODAS AS COISAS que Ele nos tem mandado, de forma que todos os que dizem crer no verdadeiro Evangelho não têm para onde escapar. Quem se diz ortodoxo e tradicionalmente dogmático não tem direito algum de agir sem amor [principalmente em redes sociais, pois estará dando razão para o nome de Deus ser blasfemado entre os incrédulos], uma vez que "...o cumprimento da Lei é o amor..." [Romanos 13, vs. 10] e "...se alguém diz que ama a Deus, mas odeia a seu irmão, é mentiroso... pois, se alguém não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" [1 João 4, vs. 20]. Ortodoxia dogmática e moralidade, por melhores que sejam, na ausência do amor e da piedade, não passam de trapos imundos que não servem nem para limpar um chiqueiro. 

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Em contrapartida, esse período político-eleitoral em meu país serviu para revelar muitas coisas que outrora estavam ocultas ou um tanto turvas, pois está escrito que "...não há nada oculto que não seja revelado...". Mas... quais coisas foram essas?

Além do que foi apresentado nos dois parágrafos acima, estou plenamente convencido de que essa foi, de fato, a eleição mais importante da história do Brasil (pelo menos dos últimos 30 anos) - digo não somente por tudo o que permeou as discussões, pelas mudanças significativas na representatividade bem como na cosmovisão políticas ou pelo impacto de seu resultado final, mas, primordialmente, por ter sido como uma fornalha usada na purificação de metais preciosos, de forma que a obtenção do material em sua forma ideal deve implicar necessariamente a eliminação de toda escória e, assim, a imagem do ourives ou do lapidador pode ser refletida nele.

Em síntese, "nunca antes na história da Igreja desse país" foi possível ver tantos hereges, tantos lobos devoradores em peles de ovelhas, tantos cães pestilentos, tantos leões famintos, tantas raposas ardilosas, tantas raças de víboras peçonhentas e moscas contaminadoras de perfumes dando-se a conhecer - famosos ou anônimos, renomados nos círculos religiosos ou tão somente "lacradores-gospel" com seus "textões", tweets, stories do Instagram e atualizações de status no Whatsapp. Sim, lá estavam ELXS [que coisa horrenda com a língua de Luís Vaz de Camões!], defensores da "justiça", combatedores de toda forma de "opressão", zeladores da "ética do Reino" [que reino?] que dizem não se venderem e nem se misturam com as "bancadas dos fariseus moralistas" e com os da "bancada da bala" mas, ao mesmo tempo, se prostituem numa verdadeira suruba com mídias sustentadas por bilionários que patrocinam o "genocídio abortista" e todas as "perversões sexuais frankfurtianas" a ponto de dar inveja em Sodoma e Gomorra. 

Para minha tristeza [mas também raiva, muita raiva], até amigos bem como pastores que eu sempre estimei [pelos quais continuo tendo respeito e consideração pelo bom proceder que ainda conservam] como exemplo de pureza teológica chegaram a dizer para "tirarem o Evangelho" de cenas como uma transmissão ao vivo do discurso do candidato vencedor da eleição presidencial simplesmente por haver uma Bíblia no espaço e pela menção do versículo "...e conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará..." [João 8, vs. 32] por parte do mesmo, enquanto não ouvi nenhuma palavra, nenhuma crítica sensata, nenhum contraponto coerente nem mesmo um tweet diante de algo que será mostrado abaixo:

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Nessa imagem simplesmente vergonhosa, supostos pastores evangélicos se organizaram para um "culto de oração" bastante "fofinho" - dado esse tema ridiculamente comovente - juntamente com artistas e demais personalidades para dar apoio ao candidato que acabou derrotado nas eleições presidenciais bem como mostrar sua "resistência" e "luta" contra o "fascismo", o "nazismo", a "onda conservadora", a "ditadura" ou qualquer outro espantalho utilizado para ludibriar idiotas que não entendem nada sobre política nem conhecem um palmo da realidade do mundo em que vivem, mas são facilmente engodados por discursos onde as palavras "amor", "tolerância", "respeito" e "justiça" aparecem a fim de despertar as paixões juvenis e imaturas de uma geração birrenta e/ou quase insuportavelmente imbecil

No caso, a vergonha dessa imagem reside nos fatos de que uma "pastora-trans" (um homem que agora acredita ser uma "mulher" e que se declara "pastora" - se bem que pastora nem existe na Bíblia para início de conversa) aparece na foto [como se Deus simplesmente tivesse baixado Seus santos padrões para o ministério episcopal às novas tendências apodrecidas sob a sombra do arco-íris] e, especialmente, porque o tal candidato apoiado por esse ninho de serpentes é declaradamente discípulo do filósofo alemão Max Horkheimer [o qual defendia a erotização social massificada através da normalização do incesto entre mãe e filho], além de defensor e proponente do chamado "Socialismo do Século XXI" [o mesmo que tem destruído totalmente a Venezuela a fim de patrocinar o narco-terrorismo global - ver livros "Em defesa do Socialismo" e "Hugo Chavez: o espectro"] e, como todo bom comunista, é mentiroso, corrupto, dissimulado e desinformante. Sem qualquer peso na consciência, todo cristão, por mais bem intencionado que possa ter sido (se bem que muitos são "tutti crentinni" mesmo), na medida em que se comporta de modo omisso diante de tal abominação, está também sendo como os fariseus repreendidos por Jesus, visto que estão "coando um mosquito e engolindo um camelo", ainda que possam levantar os olhos ao céu e orar de si para si, dizendo:

"Ó Deus, graças Te dou 
Porque não sou como os demais homens:
roubadores, ladrões e adúlteros;
Nem ainda como estes fariseus,
'Conservadores moralistas',
'Defensores da ditadura' e 'fascistas'.
Publico na Mídia Ninja duas vezes por semana
E 'lacro' em cada rede social que tenho". 
[Paráfrase de Lucas 18:9-14]

POR FAVOR: TIREM O EVANGELHO DISSO!

Melhor dizendo: não finjam que vocês ainda possuem qualquer resquício de Evangelho dentro de si, pois seus frutos mostram que, assim como no exemplo de Judas Iscariotes, embora digam que "Jesus os escolheu", alguns de vocês são "diabos"

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Diante de tal quadro, me recordo de algumas das palavras mais oportunas das Escrituras para esse momento, conforme escreveu o santo apóstolo Paulo:

"E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós". [1 Coríntios 11, vs, 19]

Nesse verso, o apóstolo afirma categoricamente que é necessário que haja heresias no meio da igreja - ou seja, é necessário que hereges se infiltrem na igreja para deformá-la até o momento em que serão desmascarados - para que os que são de fato servos de Cristo e membros da "assembléia universal dos santos" também sejam manifestos. Em outras palavras, é mister que toda a escória seja lançada fora da Igreja de Cristo, pois somente assim a imagem do Deus que santifica os que Lhe pertencem será perfeitamente refletida sobre ela. Não há como a beleza inefável de Deus, a qual é mais preciosa do que o ouro mais valioso e que o diamante mais brilhante, resplandecer perfeitamente sobre qualquer um de nós de modo tal que passe a ser uma beleza "nossa", enquanto nossas "escórias" continuarem existindo. E, se Ele quer nos fazer conformados à Sua imagem, devemos estar preparados para ser provados como que pelo fogo, todavia Ele nos garante que "...quando passarmos pelo fogo, ele não nos queimará..." [Isaías 43, vs. 2]. Na verdade, Sua Formosura e Graça já nos foram oferecidas no Calvário pela mediação gentil de Seu Filho e, agora que fomos por Ele redimidos, Ele mesmo aperfeiçoará a Sua obra em nós a fim de que sejamos semelhantes a Ele

Ah, como eu anseio pelo dia em que toda a escória da Igreja de Cristo já terá sido tirada!
Oh, anseio ainda mais por permanecer sendo alvo de Sua misericórdia, para que as minhas próprias escórias sejam completamente removidas e eu seja valioso em Suas mãos!

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Minha oração é que, concluindo, Deus se agrade de continuar agindo com benevolência para com a Igreja, a fim de que, embora eu continue a ver uma "igreja deformada e que nunca está se reformando" (a qual, infelizmente, pode até incluir gente que eu não gostaria de ver lá), Deus abra meus olhos para ver o triunfo de Sua obra nos bastidores, como na parábola em que "Seu reino é como um grão de mostarda, a qual é a menor das sementes mas, depois de plantada, se torna a maior das hortaliças, de modo que até as aves do céu vêm buscar abrigo em sua sombra" [Marcos 4, vs. 30-32]. 

Fazendo coro com irmãos do passado, "...santifica Tua Igreja, ó Senhor!...".

Finalmente, relembrando o lema dos amados cristãos morávios, minha esperança é que "...nosso Cordeiro triunfou; vamos segui-Lo!...". 





Pela esperança de que a verdadeira Igreja sempre se reforma,





Soli Deo Gloria!

sábado, 27 de outubro de 2018

Keeping wolves out of my door - a warfare prayer

A Ti, ó Deus dos Exércitos,
Que és poderoso nas batalhas
E que adestra as minhas mãos para a guerra
Elevo a minha oração.
Em face da iniquidade imperante -
Pela qual a esperança nos é roubada,
O amor se nos torna esfriado
E a fé parece ser amortecida e sufocada  -
Acredito não poder encontrar outra consolação.
Todavia, Tu certamente és bom,
Bom para com aqueles que Te pertencem
E que são retos de coração.

Restaura-nos, ó Senhor,
E compadece-Te de minha terra!
Abre os Teus olhos e vê
A desolação do meu povo!
Nosso solo está manchado de sangue inocente.
Tantas são as vítimas
A ponto de nem mesmo as guerras mais sangrentas
Alcançarem cifras tão alarmantes.
Portanto, ergue-Te e faz justiça e juízo,
Para que o homem violento já não cause terror!
Não permitas que o mortal triunfe
E julga as nações ante Tua presença,
Para que estas sejam tomadas de temor
E, assim, reconheçam que são apenas vaidade.
Levanta a Tua santa espada
E mostra que a Força pertence somente a Ti,
Visto que só Tu és Deus de eternidade a eternidade

Bem sei que Tu estás no Teu templo santo
E que desde o céu dos céus
Observas e examinas os filhos dos homens.
Logo, quem poderá escapar de Tua vista?
Façamos nossas casas nos "lugares mais altos"
Ou armemos nossas camas entre os "mortos"
Ali estarão os Teus olhos - em todo lugar.
Se até mesmo as trevas se tornam luz a meu redor
Quando estou perante Tua face,
A não ser que também esteja guardado em Ti
Eu jamais poderei ter meu próprio escape.
Portanto, por Tua palavra sou relembrado,
Que o justo é por Ti mesmo provado
Mas os que amam a injustiça Te são abomináveis,
Sobre os quais o Teu veredicto garante
Brasas ardentes e enxofre incandescente.
Quão gloriosos são os Teus juízos,
Pelos quais os habitantes do mundo aprendem a retidão!
Que eles sejam novamente vistos na minha terra
A fim de que meu povo conheça a Tua redenção.

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Envia-nos Tua Luz e Tua verdade,
Tu que és Luz de Luz e Deus Verdadeiro do Deus Verdadeiro!
Num "tempo de mentiras universais,
No qual é ato de coragem dizer a verdade",
Faz-nos antes buscá-la em amor -
Uma vez que Tu também a amas no íntimo -
Para que a anunciemos com propriedade
E sem nenhum impedimento ou temor.
Faz-nos viver outra vez, ó Eterno,
 E nós invocaremos o Teu nome!
E, quando clamarmos a Ti,
Sê nosso auxílio e libertador,
Visto que salvas todos os que Te invocam
Com coração verdadeiro e sem lábios mentirosos.
Salva-nos não apenas de nós mesmos
E do pecado que nos faz réus condenáveis,
Mas também do engano do mundo
E da malícia de satanás,
O qual tem se disfarçado de "anjo de luz"
"Como nunca antes na história desse país".
Resplandece sobre nós Teu rosto, ó Beleza Suprema,
E então seremos resgatados. 

Os dias têm sido de guerra -
Guerra "antier" e guerra "ieri".
Hoje ainda tem guerra e amanhã também 
- And what warfare it is!
Uma guerra que perpassa os "campi" e as escolas,
As magistraturas e as instâncias legislativas,
Que invade as ruas, praças e avenidas,
Ou até mesmo igrejas e paróquias.
E o que falar do mundo virtual?
Desconectar-se se tornou para mim saúde intelectual!
Pois, para onde lanço o olhar,
Vejo ervas daninhas dentro de boas plantações
E raízes de amargura contaminando corações.
Ah, seja sobre nós a Tua graça, Senhor,
Para que faças por nós as nossas obras
E, assim, Tu nos concedas a paz,
Paz que, muitas vezes, só pode vir "depois da guerra",
Na qual aqueles que lutam com legitimidade
Devem triunfar sobre os que vivem na impiedade. 

Protege a inocência dos pequeninos, ó Deus,
Pois disseste que o Teu reino pertence
Àqueles que são como eles.
Não são poucos os que querem devorá-los
Como uma alcatéia faminta e voraz
Através de suas "agendas" e "planos globais"
- E por que não dizer "mortais"?
Se Tu frustras os intentos das nações
E quebrantas os conselhos dos povos,
Faz notório o Teu zelo para com os indefesos
A fim de envergonhar os perversos.
Humilha também aos que se julgam poderosos
E abate aos que são altivos
Para que só Tu -
Que operas coisas espantosas na terra -
Sejas exaltado entre as nações
E, assim, tragas alívio aos abatidos.  

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Eis que me vejo como mais um "cordeiro entre vários lobos".

Logo, uma coisa Te peço e a buscarei:
Guarda-me de ser engolido por eles,
Pois sem Ti sou fraco e desprotegido.
Mantenha-os "do lado de fora da minha porta",
Pois eles nunca se fartam de sangue alheio
Até que todos já estejam destruídos.
Diferentemente dos exemplos dos filmes de aventura
Nos quais os lobos são alvi-cinzentos ou de cor escura,
Essa alcatéia é "camaleônica"
E, por isso, colorida como o "arco-íris"
Ou mesmo tem seus "50 tons de vermelho" -
Quem lê, entenda!
Guarda não somente a mim, ó Torre Forte,
Mas a todos os meus compatriotas de bom coração,
Filhos dessa terra mãe-gentil,
Minha pátria amada, chamada Brasil,
Que tanto precisa de Tua ajuda e provisão. 
Que o Teu nome e a Tua lembrança
Sejam o latente desejo de nossas almas!
Enquanto outros senhores ainda nos dominam,
Que somente ao Teu nome prestemos a devida honra

No entanto, embora ame a minha nação -
Nação antes de tudo lusitana, indígena e africana,
Mas também asiática, alemã e também italiana,
Dentre tantas outras riquezas e pluralidades -,
Sei que aqui não tenho pátria permanente
E por isso peregrino em busca da que está por vir.
Ainda que queira ver meu país a Teus pés
O quanto antes for possível -
Um país sem corrupção generalizada,
Onde a inteligência esteja restaurada,
A dignidade igualmente restabelecida
E a justiça seja como uma "coroa de vida" -
Meu verdadeiro lar é perto do Pai,
O Qual é meu último rumo e cais
Ele está pronto - "mais pas encore",
"È già adesso" - mas tenho que esperar,
Esperar no Amor, esperar pela sublime manifestação
Daquele que, outrora, por amor foi ao mundo enviado,
Para que todo aquele que Nele crê não pereça
Porém viva eternamente a Seu lado.
Em Ti somente a nossa alma descansa:
De Ti somente vem a nossa salvação

Que Tu ergas os olhos do meu país ao céu,
Para que ele os fite totalmente em Ti
E, ao fazer de Ti o seu único Senhor,
Tenha uma chance de ser realmente feliz.
Faz minha nação esperar apenas em Ti, ó Grande Salvador,
Até que ela possa Te conhecer
E, assim, venha de fato a se arrepender
Visto que Tu és o Justo Juiz.

Brasil, se volte pra Deus! 
Ele está acima de tudo!
Brasil, abre os olhos pra Deus!
Ele é acima de todos!


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Soli Deo Gloria!

sábado, 29 de setembro de 2018

Tanto a Cruz quanto a Espada [ou Oração de um "realista esperançoso"]

Os dias são maus 
E a geração é perversa.
Será que ainda há algum proveito
Em "remir o tempo" ou buscar livramento?
A iniquidade se multiplica 
E o amor de muitos se esfria.
Quem será capaz de perseverar até o fim?
E, mesmo que alguém o seja, 
Não seria isso "vaidade e correr atrás do vento"?
Ó Deus, uma coisa eu peço:
Ajuda-me na minha incredulidade.

A todo mal se concede uma "máscara da beleza"
Para que os ímpios sejam exaltados
E, em contrapartida,
Difama-se o bem e os "bons" são caluniados. 
Promover a vulgaridade é "direito supremo"
Mas a busca da virtude é "ameaça" -
Ameaça à "liberdade", à "democracia", ao "povo", 
Bem como a qualquer outro "espantalho",
Construído para iludir incautos
E inflamar a paixão dos "empoderados". 
Até quando, ó Senhor,
Ocultarás de nós a Tua benignidade?

Grande tristeza é, portanto, para mim,
Contemplar muitos irmãos que, por toda parte,
Seja por ignorância ou por malícia,
Endossam o nefasto canto dos mentirosos dominantes.
Ainda que acreditem estar "do lado do bem"
O "novo bem", que na verdade é o "velho mal" -,
Confundem joio com trigo
[Sem notar a semeadura do inimigo],
Colocam moscas em frascos de perfume
[Maculando o que deveria ser incólume],
Levedam a massa com fermento estragado
Ou guardam "vinho novo em odres velhos"
[Cujos prejuízos jamais serão compensados].
Agora, pois, Senhor, o que posso esperar?

De fato, tenho sofrido dupla aflição,
Tanto pelos irmãos outrora citados
Quanto por alguns outros que,
Embora não estejam de tal modo ludibriados,
Pelo próprio conhecimento inflam o coração.
Disseste-nos que, se alguém acredita ter sabedoria,
Ainda não sabe como convém,
Visto que o conhecimento ensoberbece
Ao passo que só o amor edifica -
Amor sem o qual nada se aproveita
E ninguém pode ser coisa alguma,
Mesmo que seja detentor dos mistérios
Ou da "vida intelectual" tal como nos antigos monastérios.
Somente Tu és sempre verdadeiro
Enquanto todos nós, reles mentirosos,
Até que, por graça livre e soberana,
Recebamos de Ti uma nova mente
E assim, sejamos inteligentes sem sermos orgulhosos
Logo, se tudo o que tenho foi por mim recebido,
De que deveria me gloriar?

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Eis-me então entre a cruz e a espada.
Qual destas devo escolher?
Embora ambas remetam simultaneamente à morte,
Uma é, usualmente, símbolo do "morrer",
A outra, todavia, usada para matar.

Num mundo que "jaz no Maligno",
O qual foi homicida desde o princípio,
Matar sem restrição e sem motivo -
Seja a reputação ou a dignidade,
Seja a esperança ou a própria humanidade
[Pelo fio da espada, na faca ou com muitos tiros] -
É entretenimento por excelência.
Contudo, os "assassinos que estão livres",
Protegidos por seus seguranças armados,
São os mesmos que pedem "paz e amor"
Enquanto sustentam diversos "crimes organizados"
E cinicamente fingem ser contrários a toda violência.
Esse é o nosso mundo -
Um teatro de vampiros,
Ou melhor, um "teatro das tesouras",
Cujas lâminas seguem caminhos opostos
E, exatamente por parecerem contrárias entre si,
Executam o objetivo desejado.
Até quando, ó Senhor?
Será que, algum dia, faremos proezas em Ti
E, assim, nossos inimigos serão finalmente pisados?

Diante da Cruz ou da Espada,
A única solução viável
É não ter que escolher apenas uma delas,
Mas, de um lado, tomar a Espada nas mãos
E, de outro, tomar a Cruz sobre os ombros.
Com a Espada desembainhada,
Atacar os adversários certos
Por meio de golpes mortais,
Bem como defender o que precisa ser defendido
Ainda que me custe a própria vida.
Na Cruz, mortificar tudo o que me é próprio,
Para que a Vida do Redentor crucificado
Se manifeste em meu corpo mortal.
Eis a tênue dualidade!
Estar tanto pronto para matar quanto para morrer,
Tanto para destruir o mal que está fora
Quanto para crucificar o mal que está dentro.
No entanto, para destruir ambos os males,
Eu não posso confiar em mim mesmo,
Uma vez que "olhando pra mim posso saber
Que nada posso fazer".
De onde, pois, viria o meu socorro senão de Ti?

Não posso confiar igualmente em príncipes
Nem em filhos de homens
Nos quais não há salvação.
 Ora, em dias nos quais meu país
Está prestes a "decidir" seus próximos anos,
É possível ver muitos "falsos redentores"
Ou mesmo pessoas bem intencionadas
Sendo tratadas como "salvadores da pátria".
Apesar de saber que Tu usas homens -
Inclusive homens ímpios -
Para cumprir os Teus propósitos eternos,
Minha esperança não pode estar neles
[A fim de não ser maldito aos Teus olhos]
Mas unicamente em Ti,
Que mereces o louvor de todos os povos.
Minha oração é que Tu resplandeças o rosto
Sobre esta terra [que está em trevas],
Para que, na Tua Luz,
Todos possam ser verdadeiramente iluminados.
Levanta-Te, ó Deus, e julga a terra!
Todas as nações - inclusive a minha - pertencem a Ti!
Até quando outros senhores -
Os quais podem ser chamados de "os maus brasileiros"
- Se assenhorearão de nós?


 Sou um realista esperançoso.


De fato, procuro não me enganar com falsos otimismos
Ou, aludindo às palavras de certo filósofo britânico,
Consigo enxergar algumas "vantagens no pessimismo".
Ao mesmo tempo, trago uma viva esperança -
A qual me sustenta frente ao triunfo da impiedade,
Bem como em meio a desilusões políticas
Ou a deterioração de minha sociedade -
Tão viva que vai além dos limites da morte,
Visto que vem Daquele que ressuscitou
 A fim de mudar para sempre a minha sorte. 
Bendito seja aquele "terceiro dia",
No qual a pedra foi de uma vez removida,
Para que o Rei dos Reis,
O Soberano dos Reis da terra
Que exalta os humilhados e humilha os exaltados
Também me ressuscitasse Consigo,
A fim de que, no Último dia -
No qual todo o mal será por Ele vencido
E, a partir do qual, tudo estará redimido -
Todos os meus outros irmãos comigo ressuscitem
A fim de celebrá-Lo para sempre e com gozo infinito

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Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Sobre legionários, embaixadores e um veredicto...

Após cerca de um mês sem qualquer suposta "inspiração", estou aqui.

Embora não pretenda proclamar-me alguém "inspirado" - no sentido próprio do termo -, posso afirmar que, finalmente, acredito ter algumas idéias e reflexões dignas de serem expostas

Minhas últimas semanas foram repletas de responsabilidades acadêmicas mas, nesse momento, deixo de lado a Química de Produtos Naturais para tentar escrever a respeito de assuntos mais comuns a todos - ora, não é a maioria das pessoas que se interessa por quimiotaxonomia, bioatividade de metabólitos especiais ou mesmo por semissíntese de compostos orgânicos

Portanto, let's go to the target! 

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O tema do texto de hoje é uma combinação de reflexões baseadas numa canção da Legião Urbana chamada "Metal contra as nuvens" com certos aspectos relacionados à realidade militar (em particular, no contexto do antigo Império Romano) e demais apontamentos subsequentes. Espero ser bem-sucedido nesse intento!

Inicialmente, é importante destacar que a canção mencionada possui uma letra que é considerada por alguns (especialmente por aqueles que apreciam a banda que a compôs) como uma epopéia em forma de ode - i.e., um tipo de composição literária que apresenta elementos típicos de guerra e batalha numa estrutura de versos cujas rimas se repetem como que "a longa distância" (falo como leigo, pois não sou da área de literatura) - e, por isso, creio que vem a calhar para o propósito dessa postagem. Logo, sem mais perda de tempo, gostaria de começar citando um dos diversos trechos interessantes da referida canção, onde se diz:

"Sei o que devo defender
E, por valor, eu tenho e temo
O que agora se desfaz... [...]
Por Deus, nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais..."

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Em primeiro lugar, o trecho supracitado é antecedido da declaração "...não sou escravo de ninguém / ninguém, senhor do meu domínio...", a qual denota o tom incisivo do autor quanto à sua autonomia frente a uma "tirania hipotética". Isto posto, pode-se notar que, na porção acima, a idéia principal é a de que esse indivíduo que não é "escravo de ninguém" e que "sabe o que deve defender" se vê diante da deterioração da realidade que o cerca, a tal ponto de externar a sua própria solidão a Deus e de dizer (quase que num paradoxo) que "...é a própria fé o que destrói...", cuja conclusão melancólica é que vivemos dias desleais. 

Em certo sentido, é justo e válido afirmar que não devemos nos submeter a qualquer tirania [sejam aquelas abertamente cruéis e despóticas ou, particularmente, aquelas que se apresentam como "fórmulas mágicas de tolerância, liberdade e emancipação popular" mas que não são outra coisa senão que "ditaduras dos oprimidos e ofendidos"assim como que vivemos, de fato, dias desleais - nos quais a "cultura da morte" é o mais novo "direito inalienável", em que há uma "lógica no assalto" [seria a "lógica de Robin Hood" ou simplesmente uma "pseudo-filosofia" da inveja e da canalhice?], onde a antiga "...pureza da resposta das crianças..." está sendo extinta/substituída por uma nova linguagem porca e destruidora expressa em termos como "criança viada" ou qualquer desgraça análoga e, sobretudo, a verdadeira fé [a fé pela qual se alcança redenção e que não destrói, a fé que é seguida de bons frutos em vez de obras torpes que nem se podem mencionar] está sendo corrompida a fim de ser finalmente posta em ostracismo, sendo usurpada por aquilo que posso denominar de "nova religião do pensamento único" ou "nova fé dos céticos iluminados", a qual está em franca expansão desde os últimos séculos e que, nos lugares e contextos onde foi/tem sido proeminente, deixou e ainda deixa o seu rastro de mentiras incontáveis, de sangue inocente derramado, de roubos quase imensuráveis e de destruição massificada e, muitas vezes, irreversível. No entanto, embora muitas vezes eu me sinta como o poeta da canção - sozinho, desamparado, com a esperança desaparecendo como o sol em seu ocaso -, eu sei que não estou totalmente abandonado, pois o Deus a quem talvez o escritor evocou em sua canção [até porque há somente um único Deus verdadeiro] sempre socorre aqueles que O invocam, até mesmo dentro do ventre de um peixe grande ou das covas mais profundas. 

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Outro trecho da canção que gostaria de incluir nesse texto é mostrado a seguir:

"Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha cela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa... 
[...]
Quase acreditei
Que, por honra, se existir verdade,
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo..."

Provavelmente, o significado desse trecho da canção é referente ao contexto do Brasil na época em que ela foi composta e lançada (1991) - um momento político delicado no qual o país experimentava uma inflação altíssima (porém bem menor do que a atualmente vigente na Venezuela) e a iminência do impeachment do presidente eleito cerca de dois anos antes devido a supostos escândalos de corrupção. Em seguida, houve diversas "manifestações populares" favoráveis ao referido impeachment (que se concretizou algum tempo depois) e, já em 1994, medidas econômicas foram elaboradas a fim de se controlar a inflação mediante o nascente "Plano Real", o qual contribuiu para a adesão popular ao presidente que seria eleito nesse mesmo ano. No entanto, a situação atual do Brasil não é muito diferente daquela vivenciada pelo autor [em muitos aspectos, eu diria que é muito pior e lamentável - ora, em vez de ouvirmos canções como essa, as "taquaras rachadas" que se auto-declaram "cantoras" ou quaisquer agressões estéticas semelhantes são elevadas ao patamar de excelência [não deveria ser patamar de "excrescência"?] -, pois em toda parte vemos corrupção sistêmica e terror generalizado [de tal sorte que o "crime organizado" parece ser a coisa mais organizada do país], além da degeneração da inteligência e da identidade nacionais, o patrocínio de obras internacionais e até de "ditaduras amigas" com o dinheiro gerado pelo povo e inumeráveis mazelas que parecem ser tão intrínsecas a nossa realidade de forma que não nos incomodamos mais com elas. 

Em contrapartida, nesse momento específico do país, em que estamos às portas do que creio ser "a eleição mais importante de nossa história", faço alusão aos versos acima ao afirmar categoricamente que, de fato, "existe verdade" [verdade "verdadeira", em contraste com as "pseudo-verdades relativas" ou mesmo com a "pós-verdade"] bem como "existem os tolos" - muitos tolos! - e "existe o ladrão" - mais precisamente, muitos ladrões! -, ladrões esses que são até deificados pelos tolos que "militam em suas militâncias" e se alimentam do roubo das pessoas que dizem defender, de maneira que o que me resta é "guardar o meu tesouro" para estar preparado para prováveis novas mentiras futuras. Na verdade, outrora eu também era parte desses "tolos" aos quais me referi - visto que "já acreditei nas falsas promessas dos tais ladrões" -, todavia hoje o verso bíblico contido no relato da história do cego de nascença curado por Jesus Cristo que diz "...eu era cego, mas agora vejo..." é mais do que oportuno, pois tal "visão" recebida pode ser igualmente considerada um "milagre". 

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Uma das estrofes mais pertinentes da canção para este texto está mostrada abaixo:

"É a verdade o que assombra
O descaso, o que condena
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais... 
[...]
Tenho sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a "terra de ninguém"
Eu sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos..."

Nesta parte da canção, o compositor fala sobre o "assombro causado pela verdade", a "condenação decorrente do descaso" e a "destruição proveniente da estupidez", de modo que o que ele vê é a ausência de coisas que um dia existiram mas que, "right now ou maintenant", não existem mais. Diante desse quadro um tanto desanimador, ele diz ter seus "sentidos dormentes", cuja dormência também parece afetar a sua própria alma [pois "o que o corpo quer, a alma entende"], porém com certo ar de nobreza ele não "joga a toalha" e conserva-se firme, pois "sabe o que deve defender" e, por isso, "resiste" - resistindo com bravura, pois quem deseja ter uma "espada nas mãos" denota saber que está num campo de batalha e que está pronto para matar e também para morrer. De certa maneira, esse mundo em que vivemos é uma "terra de ninguém", especialmente quando todos acham que devem "empoderar-se" para que a mais nova "divindade do panteão pós-moderno" conhecida por "igualdade" seja estabelecida - ora, é evidente que, quando todos acham que devem "mandar em tudo", ninguém manda em nada e, quando ninguém manda, sempre existem os mais espertos que mandam em tudo e dão a impressão de que todos estão "empoderados". 

De modo semelhante ao letrista da canção, muitas vezes eu tenho vívidas impressões de que estou numa "terra de ninguém", na qual "todos querem mandar em tudo e em todos em nome da igualdade entre todos" e onde o descaso condena, a estupidez destrói e a verdade [verdade? e isso existe ainda?] é a única coisa que assombra, entretanto, como nos últimos versos, "eu sei que também devo resistir" e também "quero uma espada em minhas mãos" - contudo, eu não quero nem preciso de uma espada qualquer, pois, diferentemente da maioria das pessoas que me cercam [cuja "luta" é baseada em calúnias, assassinato de reputações, desinformação massificada, "hatred speeches" contra supostos "discursos de ódio" e, sempre que necessário ou por bel-prazer, na morte de todo e qualquer inimigo e/ou empecilho à "causa"], assim está escrito:

"As armas de nossa guerra não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição de fortalezas, anulando sofismas e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo..." [2 Coríntios 10, vs. 4-5]

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Nesse trecho das Escrituras, o apóstolo Paulo afirma que, embora aqueles que seguem a Jesus Cristo estejam nesse corpo (i.e., na "carne"), eles não militam segundo a carne - ou seja, o seu modo de batalhar não é como o modo de batalhar dos que não temem a Deus [os quais, na verdade, estão em constante guerra contra Ele] - e, por isso, as armas de todos os discípulos de Cristo não são como as armas do "mundo que está no Maligno" mas, pelo contrário, são armas que, pelo poder de Deus manifestado através do legítimo uso delas, são poderosas para destruir fortalezas [as quais são "fortalezas de idéias, raciocínios e pensamentos"], de tal modo que todas as falácias podem ser desmascaradas e lançadas ao chão em pedaços assim como toda mentalidade rebelde e "autônoma" de Deus pode ser completamente subjugada aos pés de Cristo, o Senhor de todas as coisas, para Quem tudo existe e em Quem nós vivemos, a fim de que todos [a começar de mim mesmo] Lhe prestem a devida obediência, obediência que só pode ser justa à luz de Sua Palavra revelada e, especialmente, pela mediação de Seu Evangelho, a Boa-Nova de redenção para todos que se arrependem de seus pecados e se voltam para Deus em fé

Como resultado disso, eu não posso deixar de mencionar o seguinte trecho da mesma canção:

"Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então!..."

Nesses versos, o autor faz referência a valores como coragem, honra e perseverança, de maneira que o seu desejo final é que o "inimigo caia". Como às vezes escrevo aqui, eu posso aplicar esse verso tanto para mim mesmo [já que dominar a si mesmo é mais difícil do que conquistar cidades fortificadas, conforme as palavras do sábio rei Salomão] bem como para os demais "inimigos do lado de fora" - os quais só crescem em número e em poder a cada novo dia -, de forma que a única coisa que realmente importa, no fim das contas, é lutar com Deus contra os inimigos dEle, cuja "incursão militar" se dá por meio de embaixadores, como se lê a seguir:

"Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou Consigo mesmo por meio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação,
Pois que Deus estava em Cristo reconciliando Consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos encarregou da palavra da reconciliação,
De sorte que somos embaixadores de Cristo, como se Deus rogasse por nosso intermédio. Rogamo-vos, pois, por Cristo, que vos reconcilieis com Deus...". 
[2 Coríntios 5, vs. 18-20]

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Nessa passagem, o apóstolo Paulo usa uma figura relativa ao contexto do Império Romano, em que numa situação de tentativa de conquista de um determinado reino por outro, o reino invasor inicialmente buscava condições de paz através de embaixadores que enviavam esses termos ao reino a ser invadido, de tal sorte que, se este reino não se submetesse estritamente aos termos propostos por aquele, nada poderia impedir a invasão e a conquista do reino que tentou estabelecer a paz mas, em contrapartida, sofreu resistência. 

Ou seja, Cristo é o Rei do Reino de Deus, o Rei dos reis, o Rei do reino que nunca será destruído, o qual é como uma grande pedra que destrói todos os demais reinos [por mais poderosos que sejam] e se torna como uma grande montanha que enche toda a terra, conforme o relato profético do cap. 2 do livro de Daniel. Logo, o texto acima diz que Deus em Cristo estava reconciliando o mundo Consigo [uma vez que todos são pecadores e estão em inimizade contra Ele] sem levar em conta os pecados dos homens e, portanto, quando a mensagem do Evangelho de Cristo é anunciada pelos "embaixadores do Rei", Deus está levando os "termos de paz" ao "reino dos homens" - ou, nas palavras de Agostinho, à "Cidade dos Homens" - e, caso esses homens não se rendam aos termos de Deus a fim de que Ele mesmo estabeleça a paz com eles, chegará o momento em que Deus invadirá a "Cidade dos Homens" para destruir tudo e todos que não se renderam a Ele e recusaram a paz que Ele poderia concedê-los. Em suma, não é possível ter paz com Deus fora dos termos Dele, os quais estão somente baseados na obra de Cristo, que morreu pelos nossos pecados e, pelo seu sangue, adquiriu eterna redenção para todos os que confiam e põem a sua esperança somente Nele. 

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Desse modo, diferentemente da nossa realidade atual quando pensamos no papel de um embaixador - papel mais diplomático ou conciliador, ao invés de um papel mais "ameaçador" -, um embaixador de Deus é o "porta-voz de um veredicto", veredicto pelo qual Deus faz notória a Sua salvação a quem tem ouvidos para ouvir, mas também anuncia juízo a todos os que recusam deliberadamente a salvação que Ele garante e oferece. Isto é, todos aqueles que "não aprenderem a se render a Deus" cairão diante Dele, pois está escrito que, quando vier o "grande Dia da Ira do Cordeiro", ninguém poderá subsistir, a tal ponto que pedirão para que as montanhas caiam sobre eles para que sejam escondidos da "face Daquele que está assentado no trono" - sem dúvida, eu não posso imaginar nenhum desespero maior do que esse.

Finalmente, por outro lado, para os que "aprenderem a se render" diante Daquele que outrora era "inimigo" mas, agora, pode ser chamado de "Amigo", a "história não estará pelo avesso e sem final feliz", pois, assim como em "As crônicas de Nárnia", perto do final da última estória, a antiga Nárnia desaparece e dá lugar a uma nova Nárnia (a "verdadeira Nárnia", diga-se de passagem), essa "terra de ninguém" passará - ora, "tudo passa, tudo passará" - a fim de dar lugar a "novos céus e nova terra, em que habita a justiça", nova terra sobre a qual descerá dos céus a Nova Jerusalém, a santa cidade, habitação final de todos aqueles que foram reconciliados com o Arquiteto dela, cuja glória a iluminará para sempre. A partir de então, não será mais necessária a luz do sol nem a da lua (pois não haverá noite) e, como diz a canção aqui apresentada, teremos somente "coisas bonitas pra contar", visto que a "eternidade futura" estará "apenas começando". 

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Qual tem sido o seu tipo de fé? Uma "fé que destrói" - à semelhança da fé dos "céticos iluminados" - ou uma fé verdadeira na Verdade?

Em quais promessas você tem acreditado? Nas promessas dos "ladrões disfarçados de defensores dos pobres e oprimidos" [ou dos "lobos em pele de ovelhas"] ou nas promessas do Único que pode cumprir tudo o que promete?

Quais tipos de espada você tem desejado ter nas mãos? Espadas que derramam sangue inocente ou que destroem o mal para que o bem seja louvado?

Finalmente, até quando você continuará sem "aprender a se render" diante do veredicto divino, pelo qual Ele te anuncia a paz a fim de que, crendo Nele, você seja livrado do Seu juízo implacável?




Pela certeza de ter paz com o Rei Supremo,



Soli Deo Gloria!