sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Così tanto da dire, ma non troppo...

Com mais um mês se aproximando do fim -
Embora seja este o menor deles -
Aqui estou, mesmo com tempo escasso,
Tendo tanto para dizer, mas não muito.
Na verdade, após algumas idas e vindas,
Aeroportos e rodoviárias,
Novas cidades, amigos e vivências,
Certas coisas permanecem guardadas na memória -
As quais, talvez, sejam mais úteis se compartilhadas

Por um lado, muitos esperavam pelo carnaval
Para buscar uma satisfação efêmera,
Outros, contudo, de boa "consciência",
Preferiram procurar o Eterno,
Fora do qual não há salvação.
O Deus Único, Senhor de todos, 
Diante do Qual não há ninguém semelhante,
Visto que é santo e verdadeiro
De modo que Dele estamos separados.
Entretanto, a fim de destruir tal inimizade,
Ele se fez como um de nós para ser Mediador,
Nem do lado A, nem do lado B - mas "AB",
Em Quem temos a plenitude,
Por ser Ele o "tudo em todos".


Ora, se Ele é "tudo em todos",
Não devemos ter quaisquer outros mestres
Pois Um só é o Mestre de todos
E todos somos irmãos.
Sim, Lado A. e Lado C. podem se entender,
Uma vez que o Salvador do Mundo
Se entregou pelos Seus filhos dispersos
Para reuni-los em um povo,
Agregando-os ao Seu grande aprisco,
Do qual jamais se perderão
Pois nada os arrebata da Sua mão. 

Mudando de assunto... o que mais direi?
Faltar-me-ia tempo para falar dos cafés e açaís,
Da fila animada do almoço,
Das aventuras noturnas para lanchar,
Das boas risadas ("han han, tá tranquilo?") e, claro,
Da generosidade de bons amigos. 
Nessas horas faz sentido relembrar
Que "os amigos são nossa riqueza"
E que cada instante é inédito,
Tanto este como os que hão de vir -
Por isso não fecho os meus olhos
"Pra o novo de todo dia".


No entanto, sobram-me outros detalhes
Detalhes que são "muito grandes pra esquecer",
E, portanto, não os ignorarei.
Resumidamente, foram horas na estrada,
Sem deixar as aulas e trabalhos de lado
Mas, ao mesmo tempo,
Investindo no que é permanente,
Seja cantando na chuva
Seja sob o sol quente - muito quente!
No fim de tudo, o que de fato vale
É saber que o Sol da Justiça raiou
E que Sua Luz não pode ser contida.
Sua Luz que resplandece em qualquer escuridão
Manifestando graça, produzindo comunhão...
Coincidência? Acho que não!

Agora, resta-me apenas ressaltar
Que a vida tem que continuar -
Continuar aqui e agora,
Pois eventos são apenas eventos
E a vida não é feita somente deles.
Logo, minha oração é a mesma do poeta:
"Venha o Teu Reino, bem dentro e lá fora
A Tua vontade, pra sempre e agora!"
Dito isso, nada melhor do que saber
Que, embora todos sejamos impotentes,
Ele tem todo o poder no céu e na terra
E, assim, seu propósito permanecerá.
Assim, a adoração será restituída 
Restituída a Quem ela é devida
Alcançando toda tribo, língua, povo e nação
Para que o Único Deus verdadeiro
Seja sempre a nossa eterna satisfação. 






Soli Deo Gloria!

domingo, 31 de janeiro de 2016

About folk and great expectations...

Lá se foi o primeiro mês do ano.

Ontem (por assim dizer), estávamos comemorando a chegada de 2016 e, hoje, já estamos no final de janeiro - mês em que iniciei meus estudos de doutorado na universidade e entrei num curso de francês, como dito no último texto. Em síntese, aquela música que diz que "o tempo passa tão depressa, logo acaba e mal começa" está certa. Quando menos se esperar, já será dezembro - se chegarmos lá, obviamente


Sem mais rodeios, essa postagem pretende ser o resultado de algumas reflexões que tenho feito a respeito de duas canções das quais gosto muito - " 'Til kingdom come " do Johnny Cash (repaginada pelo Coldplay recentemente) e "I will wait", do Mumford and Sons, expoentes da música folk típica da cultura inglesa, a qual foi posteriormente levada também para a América do Norte. Desse modo, alguns trechos das letras têm me chamado atenção há algum tempo, dentre os quais posso citar este:

"I need someone, someone who hears
For You i've waited all these years..." ['Til Kingdom Come, Johnny Cash]

Eu preciso de alguém
Alguém que escute
Por Você tenho esperado todos esses anos.

Antes desse trecho, o compositor diz na letra que "não sabe por que caminho está andando" - "I don't know which way I'm going" - e pede que alguém "segure sua cabeça em suas mãos" - "Hold my head inside your hands" -, o que pode indicar uma situação de confusão e de certo desespero por andar sem saber para onde se está indo. Nesse contexto, ele diz que precisa de alguém "que o escute" e, assim, ele diz que está esperando por esse "alguém" por "todos esses anos", ou seja, mesmo que o autor da música quisesse mostrar sua angústia e provável solidão, ele permanecia esperando por alguém que pudesse livrá-lo dessa condição. Ao pensar nessas coisas, me recordo de um poema bíblico, no qual está escrito: 

"...Eu cri, por isso falei: estou muito aflito!" [Salmo 116, vs. 10]


De modo análogo, o escritor do salmo expressa aqui que, embora ele estivesse em profunda aflição, sua fé em Deus permaneceu firme e, por causa dessa fé, ele "falou" e "colocou para fora" o seu sofrimento. Nos versos anteriores do mesmo salmo, está escrito que "...Tu me livraste da morte, livraste os meus olhos das lágrimas e os meus pés de tropeçar, para que eu ande na presença do Senhor na terra dos viventes" [vs. 8 e 9]. Em outras palavras, o salmista atribui a Deus o seu livramento da morte [provavelmente em sentido físico/natural, embora também tenha significado espiritual], o fim de seu pranto e a firmeza de seus passos, cuja finalidade é "andar diante de Deus na terra dos viventes" - isto é, o ensino aqui é que Deus nos livra do sofrimento para que nós andemos diante Dele, de modo que Ele é [ou deve ser] o alvo supremo de todo aquele que coloca sua fé Nele. Além disso, vale ressaltar que, enquanto vivermos aqui, as aflições permanecerão sendo parte de nossos dias, porém, como o letrista da canção, todos os que confiam em Deus têm "esperado por Ele por todos esses anos", de maneira que essa espera não é uma espera por um "interlocutor hipotético" de uma letra de música, mas sim por Aquele que foi enviado do céu ao mundo para salvar os pecadores e que, após ter voltado para Seu Pai, voltará em glória para "ajuntar os Seus eleitos dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" [Mateus 24, vs. 31]. Não é uma espera inútil; não é uma espera sem uma certeza; é uma espera segura, garantida.


Outra estrofe da mesma canção da qual gosto muito é o refrão propriamente dito, que diz:

"For You I'd wait 'til Kingdom come
Until my day, may day is done
And say You''ll come and set me free
Just say You'll wait, You'll wait for me..."

Por Você eu esperaria até que o Reino venha
Até que meu dia, meu dia acabe
E diga que você virá e me libertará
Somente diga que você esperará, que você esperará por mim. 

Nessa parte, o escritor fala de esperar "até que o Reino venha" ou "até que seu dia termine" - em outros termos, ele fala que ele carregaria essa esperança até o dia da sua própria morte ou mesmo até que esse "reino" viesse. Mas, espere um minuto... De que reino ele estaria falando?

Tenha sido o letrista intencional ou não, existe apenas um "Reino" que está por vir (e que de fato virá), do qual se diz que é "...eterno, que não acabará e que jamais será destruído" [Daniel 7, vs. 14], que "...está preparado desde a fundação do mundo" [Mateus 25, vs. 34], que "...não é desse mundo" [João 18, vs. 36] e que, quando vier, subjugará todos os demais "reinos" através do poder do seu Rei. Esse reino é o reino de Jesus Cristo, o Filho de Deus, cujo nome é "Rei dos reis e Soberano dos reis da terra", o qual já inaugurou Seu reino no mundo desde Sua primeira vinda, pois Ele disse no início de Seu ministério terreno que "...o tempo está cumprido e o reino de Deus é chegado" [Marcos 1, vs. 15] e, pouco depois, que "...o reino de Deus está no meio de vocês" [Lucas 17, vs 21]. Por outro lado, o refrão continua dizendo "...diga que você virá e me libertará...", o que denota o anseio do escritor da canção pela liberdade proveniente desse "alguém" por quem ele espera - de semelhante modo, está escrito que "a própria natureza criada será libertada da escravidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus" [Romanos 8, vs. 21], cuja libertação [ou redenção de nosso corpo] só poderá vir Daquele que é o Redentor, de quem se diz que "...transformará o nosso corpo de humilhação para ser conforme ao Seu corpo glorioso, segundo o Seu poder eficaz..." [Filipenses 3, vs. 21]. Em suma, a única esperança que traz consigo a certeza de redenção é a esperança no retorno de Jesus Cristo - sem Cristo, sem redenção


Quanto à outra música de que falei acima, um dos trechos de que gosto mais diz:

"So take my flesh and fix my eyes
That tethered mind free from the lies..." [I will wait, Mumford and Sons]

Então tome meu corpo/minha carne 
E conserte meus olhos
Que essa mente presa seja livre das mentiras.

Assim como na música anterior, pode-se ver um pedido relacionado a liberdade e a "ajuste" nas frases "conserte meus olhos" e que "essa mente presa seja livre das mentiras", o que implica que ele se percebe em meio a enganos dos quais não pode se libertar sozinho e, por isso, procura um suposto "libertador". Além disso, ao longo da letra, o escritor fala coisas como "You forgave and I won't forget" [Você perdoou e eu não esquecerei] e também se dirige a esse alguém dizendo "...I will wait for you" ou "eu esperarei por você", implicando que esse alguém por quem ele espera [e esperará] é alguém que perdoa, de modo que esse perdão não será esquecido - isto é, ele atribui a esse "alguém" algo que, segundo as Escrituras, só Deus pode fazer, pois está escrito que "...quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?" [Marcos 2, vs. 7] e "...ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, pois no Senhor há benignidade e abundante redenção... E Ele mesmo redimirá Israel de todas as suas iniquidades" [Salmos 130, vs. 7-8]. Deus é quem pode perdoar, e se existe perdão é porque existe culpa e, se existe culpa, é porque existe pecado - ora, sabemos que "todos pecaram" e, por isso, todos precisam de perdão, de forma que esse perdão só pode ser encontrado em Deus. Logo, todo aquele que procura perdão em outro lugar ou acha que não precisa de perdão permanecerá na sua condição de pecador culpado



Por último, queria citar outro trecho da música, onde se lê:

"Raise my hands, paint my spirit gold
Bow my head, keep my heart slow
And I will wait for You..."

Levanto minhas mãos, pinto meu espírito de dourado
Ergo minha cabeça, mantenho meu coração sereno
E eu esperarei por você.

Mãos levantadas normalmente são um sinal de rendição diante de algo que te surpreende ou uma atitude de reverência ou adoração. Nesse caso, considerando a experiência do autor da música, imagino que ele se refira a uma atitude semelhante a "olhar o céu com os braços para cima" como se estivesse manifestando sua gratidão por aquele "perdão do qual ele não se esquecerá" e, assim, ele "ergue a cabeça e mantém o coração sereno" - ora, na verdade, embora os seres humanos ousem levantar suas cabeças diante de Deus como que desafiando a Ele e dizendo "eu não preciso de Você", todas as cabeças estão derrubadas no pó [todos estão sob a condenação Dele] e, por isso, apenas os que receberam o Seu perdão podem olhar para cima [para Ele] com confiança, com o coração sereno e cheio de paz, pois agora Aquele que tinha (e tem) todo o direito de condená-los, livremente lhes concede a Sua bondade, imputando a justiça que Lhe é intrínseca a nós, os injustos, além de lançar sobre Si mesmo [na pessoa de Jesus Cristo, inocente e santo] a culpa e a penalidade que não poderíamos suportar [2 Coríntios 5:21 e 1 Pedro 3, vs. 18]. Resumindo, assim como o letrista falou de "ter o espirito pintado de dourado", quando somos perdoados por Deus, Ele nos faz participantes de Sua própria nobreza e dignidade [mesmo que continuemos criaturas e só Ele seja Deus], removendo nossa corrupção e nos fazendo ser, gradativamente, conformados à imagem de Seu Filho, de modo que o mesmo deleite que Ele tem em Cristo passa a ser nosso. Essa é a chamada "viva esperança", a esperança "na qual fomos salvos", a "bem-aventurada esperança, pela qual aguardamos a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo" [Tito 2, vs. 13]



E você?

Por quem você esperado? Qual tem sido a sua "maior esperança"?
Suas esperanças estão em você mesmo, mesmo que você não possa garantir que permanecerá no próximo dia?
Ou suas maiores esperanças estão Naquele que é o Redentor, Naquele que pode perdoar pecados [os meus e os seus também], cujo Reino virá em breve?
E quanto a esse Reino? Você está convicto de que pertence ao Rei ou estará entre aqueles a quem o Rei subjugará com cetro de ferro?





Pela alegria de esperar Naquele que é a Viva Esperança, 





Soli Deo Gloria!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Le 17 janvier et similaires...

Mais um ano começou e, provavelmente, eu não tenha muito tempo de publicar por aqui – porém, sempre que possível ou necessário, buscarei manter o blog atualizado. Mas, como é de se esperar, “nada como um ano após o outro” e, assim, novas vivências, percepções, reflexões e outras coisas para serem ditas aparecem.

Vamos lá, enquanto se tem tempo ou o computador não para de funcionar.


O título desse texto significa literalmente “17 de janeiro e afins” (traduzido do francês) – e, por falar nisso, essa é a primeira novidade. Retornei às aulas na universidade e, de brinde, comecei a estudar a língua há poucos dias, cuja experiência tem sido bem diferente, visto que nunca me passou pela cabeça a vontade de aprender francês até ano passado (meus idiomas prediletos sempre foram o italiano e o inglês, e ainda o são). No entanto, considerando-se que, como disse o sábio, “o coração do homem planeja o seu caminho, mas Deus lhe dirige os passos” [Provérbios 16, vs. 9], aqui estou eu estudando algo que nunca despertou maior atenção. Espero ter sorte ou, melhor dizendo, “J'espère avoir la chance!”.

Todavia, você pode me perguntar: o que o “17 de janeiro” tem a ver com tudo isso?


Ora, 17 de janeiro será amanhã (se estivermos vivos até lá, será o próximo dia que teremos de viver) e, por outro lado, é o título de uma canção de que gosto muito, da qual alguns pequenos trechos parecem vir a calhar depois dessa última semana, em que presenciei ironias curiosas e fui reconduzido a “velhas esperanças”.

Primeiramente, em uma de minhas aulas da pós-graduação (sobre Sínteses Orgânicas, disciplina de química orgânica relacionada a metodologias de fabricação de moléculas em laboratório bem como à compreensão de reações e processos necessários para tal), ouvi sobre um trabalho de químicos brasileiros no qual a síntese de uma molécula bastante complexa (um determinado produto natural) foi feita de maneira satisfatória, em diversas etapas bem executadas e por um único experimentador [no caso, um estudante orientado pelo coordenador do grupo de pesquisa], coisa rara de acontecer até nas melhores universidades do mundo. Em seguida, o professor elogiou o trabalho e fez menção às palavras do jogador brasileiro ganhador do Prêmio Puskas (o gol mais bonito do ano) que citou o exemplo de Davi e Golias para ratificar sua conquista, já que ele [um jogador de um time de segunda divisão] desbancou jogadores do nível de Lionel Messi [no caso, o melhor jogador de 2015]. Porém, na minha aula, os nomes dos personagens bíblicos não foram citados, embora tenham sido indiretamente apontados – ora, não é politicamente correto falar de Bíblia em nosso mundo multicultural lindo e fofo, onde “todas as opiniões são aceitáveis, exceto a verdadeira”.


Na aula do dia seguinte, tudo ficou claro – entramos na sala e, enquanto se falava sobre “dinheiro”, o mesmo professor afirmou que “dinheiro não é tudo, mas ajuda”, acrescentando a pérola de que “...só não se deve deixar de aproveitar bem o dinheiro para dar para a igreja... até porque sou ateu, e a igreja que se dane!”. Pois bem, no dia anterior, um exemplo extraído do “livro do Deus que não existe” é usado e, então, no outro dia vem o “que se dane a igreja”... Ironia mode on!

Vamos pensar um pouco: por definição, pode-se entender o ateísmo como a descrença em toda e qualquer divindade ou “entidade/força superior” [seja como for essa descrença], de modo que nada “existe” a não ser o mundo material. Nesse sentido, particularmente no nosso mundo “pós-moderno”, somos praticamente doutrinados/persuadidos/coagidos a reconhecer que o ateísmo é o mesmo que “senso comum”, que o “óbvio”, que a “racionalidade” ou a “verdade” [mas tudo não é relativo? Agora eu “buguei”]. Em suma, se Deus é uma grande falácia e, como consequência, tudo o que está relacionado a Ele também é puro “conto da carochinha” (de maneira que ser ateu é ser “pensante”, “intelectual”, “sábio” e “não-alienado”), por que as pessoas se incomodam tanto com um ser que “não existe” e com tudo o que é referente a “Ele”? Ora, se alguém faz uma série de exames para saber se está com câncer e os resultados são todos favoráveis, faria algum sentido a mesma pessoa ser submetida a um tratamento quimioterápico? De modo semelhante, se Deus não existe, a humanidade não deveria nem cogitar a possibilidade da existência [ou da não-existência] Dele e, finalmente, jamais deveria manifestar qualquer modalidade de ódio ou rejeição a Ele, o que me recorda as perturbadoras palavras de G. K. Chesterton: “...se não houvesse Deus, não haveria nenhum ateu”.


Além disso, sempre quando a questão ateísmo x religião entra em jogo, é comum dizer que “a religião é o ópio do povo” [como prescrevia “São Marx”], que “se Deus é bom, porque existe fome na África?”, “todo pastor é ladrão” ou mesmo “quanto mais alguém tiver conhecimento científico, mais razões ele terá para ser ateu”. De início, a afirmação de Marx nada mais é do que uma afirmação religiosa, pois ao criticar a religião [no caso, o cristianismo, que é indissociável da cultura e da sociedade da Alemanha, onde ele nasceu], ele queria colocar uma nova ideologia no lugar, a qual se tornou a “religião” de todo ateu – o “materialismo histórico-dialético”. Por outro lado, citar as mazelas ou problemas sociais como provas da inexistência de Deus [ou mesmo de que Ele não é tão bom e poderoso como se pensa] é como se alguém tivesse um videogame e emprestasse intacto a um amigo e, quando o videogame é devolvido com defeito (porque o amigo deixou o equipamento cair no chão), a culpa cai sobre o dono – o que não faz nenhum sentido.

Finalmente, assertivas como “todo pastor é ladrão” são simplesmente generalizações infundadas ou sofismas [embora muitos que se dizem “pastores” sejam mesmo] bem como “religião só existe até alguém conhecer a ciência” é uma ridícula desonestidade histórica, pois se existe ciência como a conhecemos [especialmente no mundo ocidental], é por causa da religião cristã, da qual surgiram os criadores do “método cientifico” [como Francis Bacon], o movimento medieval da Escolástica [que fez nascer as primeiras universidades na Europa, incluindo Oxford, Cambridge, Sorbonne, Bologna, Praga, Vicenza, Padova, Salamanca etc.], a Reforma Protestante [que trouxe a educação básica gratuita para a população que não era da nobreza, que por meio de traduções da Bíblia influenciou o surgimento do inglês e do alemão como os conhecemos hoje, nos dando universidades como a de Genebra, a Livre de Amsterdam, Harvard, Princeton, Yale etc. e nomes como Kepler, Maxwell, Faraday, Boyle, Dalton, Thomson, Volta, Planck, Heisenberg, Leibiniz, Pascal, Pasteur etc.]... Melhor parar de humilhar, não é? Enquanto os “grandes cientistas de hoje” são pessoas como Richard Dawkins [o papa dos neo-ateus toddynhos das ciências naturais, que disse que “Se existir um Deus Todo-poderoso, eu terei que me dobrar diante Dele”, mostrando que seu ateísmo não é baseado em evidências, mas no seu desejo louco de que Deus não exista] e Peter Atkins [que disse que somos um “belo rearranjo de nada”, o que deve incluir ele próprio, que se gloria de ser ateu e estudou em Oxford, cujo lema é o Salmo 27:1 – DOMINVS ILLUMINATIO MEA ou “O Senhor é a minha Luz”], o cristianismo nos deu nomes como os mencionados. Desse modo, valem muito as palavras de Louis Pasteur e de Werner Heisenberg, que disseram, respectivamente, que “um pouco de ciência nos afasta de Deus; muito, porém, nos aproxima Dele” e que “o primeiro gole no copo das ciências naturais o torna ateu, mas no fundo do copo Deus espera por você”.


Na verdade, olhar para esses exemplos só me faz comprovar as velhas palavras daquele Livro Sagrado antigo, onde se lê: “O tolo diz em seu coração: não há Deus...” [Salmo 14, vs. 1a] e que “...os homens, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, e nem lhe renderam graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu... Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” [Romanos 1:21-22]. Em poucas palavras, as Escrituras dizem claramente que o ateísmo é uma suprema idiotice - porém isso não ocorre por falta de conhecimento ou consciência, mas é uma rebelião voluntária contra o Criador, uma rebelião do coração e não uma conclusão fundamentada em provas razoáveis, uma vez que todos têm conhecimento de Deus mas não O glorificam como tal, de forma que a sua suposta sabedoria não passa de insanidade, insensatez e tolice ou, no português popular, um grande “papel de trouxa”. Mas isso não é o pior de tudo, pois, no final do capítulo citado de Romanos, está escrito que tanto os que praticam essas coisas como os que se simpatizam com elas são dignas de morte – e Deus certamente faz [e fará] Sua palavra valer.

E a música? – você pode me perguntar... O que dela se aplica aqui?


Um dos trechos da canção diz que “...o caminho será escuro, mas Cristo é a Luz do mundo...”. Ora, mesmo que a maioria de nós esteja andando por caminhos escuros (visto que seus corações estão obscurecidos), Cristo diz que “veio como Luz ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” [João 12, vs. 46], de forma que o “caminho nunca será mais escuro se Cristo passar a andar por ele” – isso me dá uma real esperança no fim do túnel [quando me enxergo como um “hopeless wanderer” ou “andarilho sem expectativa”], pois “Nele estava a vida, e a vida era a Luz dos homens, e a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a derrotaram” [João 1, vs. 4-5]. Por fim, outra parte da música diz que “...só a cruz esconderá quem você não é” – isto é, é diante de Cristo que todas as percepções erradas sobre mim mesmo são destruídas (pois “a Luz tudo manifesta”) e, nesse caso, minha “super” auto-estima, a falsa idéia de que o universo existe para “fazer sentido” para mim e a ilusão de que não existe eternidade [logo, nem céu nem inferno] são despedaçadas diante da minha total corrupção inata em comparação com Sua santidade infinita, da realidade de que “...tudo foi criado por Ele e para Ele” [Colossenses 1, vs. 16b] e, obviamente, pelo fato de que “...uns irão para o tormento eterno, e outros para a vida eterna”, vida essa que somente Cristo pode conceder, uma vez que o Pai deu a Ele “...autoridade sobre toda a humanidade, a fim de dar vida eterna a todos quantos Lhe deste” [João 17, vs. 2].

E você? 
Você é um dos que se encaixam no grupo dos “tolos” ou dos “loucos que pensam que são sábios" [mesmo os que parecem “intelectuais”] e, assim, permanece ainda ignorando que Deus é real?
Ou, pelo contrário, essas breves palavras um tanto falhas te ajudaram a enxergar que você precisa se voltar para o Criador e buscar nele vida, vida eterna, pois “...esta é a vida eterna: que conheçam a Ti, só a Ti, como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” [João 17, vs. 3]?


Olhe para Cristo e invoque o Seu nome, pois todo aquele que confia Nele pode até não chegar a viver o próximo “17 janvier”, mas viverá por toda a eternidade.





Pela certeza de que ando na Luz Dele,





Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um museu de novidades [ou Tudo novo de novo]...

2015 está chegando ao fim.

No entanto, antes de findar o ano, gostaria de escrever algumas coisas – coisas que talvez se façam pertinentes num momento em que uma etapa se encerra e outra está prestes a começar. Vamos em frente, sem olhar para trás.



Primeiramente, o título dessa postagem é baseada em versos de duas canções – “Tudo novo de novo”, do Paulinho Moska e “O tempo não para”, de Cazuza. Não irei falar diretamente com base em trechos dessas músicas, mas buscarei refletir a respeito dessas palavras de uma maneira diferente, incluindo o que acredito ser realmente importante.

Um museu de novidades.

Em poucas palavras, essa expressão nos remete à repetição do que já se passou, ainda que haja a aparência de novidade. Ora, todos sabemos que os museus são locais nos quais a história é preservada, particularmente mediante a produção artística, religiosa e intelectual, de modo que falar de “um museu de grandes novidades” parece um contrassenso ou soa no mínimo irônico. Todavia, ao pensarmos mais cuidadosamente sobre a vida humana e sobre o nosso tempo presente, o poeta de fato está certo – as “novidades” que vemos, na verdade, simplesmente assumiram “novas molduras”, mas o quadro é o mesmo. Ou, como foi registrado pelo antigo rei Salomão, um homem conhecido pela sua sabedoria: “...o que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso tornará a ser feito, de modo que não há nada de novo debaixo do sol” [Eclesiastes 1, vs. 9]. Não tem como fugir, “não há nada de novo debaixo do sol”.

Não há nada de novo.


Mas “espere um momento!” – você pode me perguntar. Não há nada de novo? O autor desse blog está enlouquecendo! Basta olhar ao redor para ver que nossa sociedade é aquela em que as novidades surgem por minuto, a passagem do anonimato para o sucesso está à distância de um post e também aquilo que hoje é a “moda do momento” deixa de ser moda no semestre posterior. Tudo se renova muito rapidamente – logo, faz sentido dizer que “não há nada de novo debaixo do sol”? Será que isso não passa de uma filosofia ultrapassada de um livro retrógrado que não deve ser “levado ao pé da letra” e que deve ser superado pelos “novos paradigmas”?

Não, “infelizmente” não.

No fim das contas, o argumento apresentado nesse “livro antigo e retrógrado” é bem mais amplo, pois lá pode-se ler que “uma geração vai e outra vem, mas a terra para sempre permanece” (vs. 4), que “o sol nasce e se põe, e volta ao lugar de onde nasceu” (vs. 5), que “o vento vai para o sul e faz seu giro para o norte, e continuamente vai girando e fazendo os seus circuitos” (vs. 6), que “todos os rios correm para o mar, mas o mar não se enche; para o lugar para onde os rios vão, para lá tornam a ir” (vs. 7) e que “todas essas coisas se cansam tanto, que ninguém o pode declarar; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir” (vs. 8). Ou seja, o escritor do texto mostra, a partir da dinâmica de alguns processos naturais, que as coisas se repetem incessantemente, mas nós não cansamos de vê-las nem de ouvi-lassempre fomos, de certa maneira e desde o princípio, como que “viciados no ‘mais do mesmo’” [ainda que esses fenômenos citados sejam, em si mesmos, dignos de apreciação] e, quanto à “explosão de novidades” que caracteriza o nosso mundo, pode-se ver que ela acaba por revelar que “não nos cansamos de ver nem de ouvir novidades”, assim como os filósofos estóicos e epicureus mencionados no episódio da visita do apóstolo Paulo na Acrópole de Atenas, no Areópago (Atos 17, vs, 16-21). É sempre mais do mesmo... não é isso que queremos ouvir?


Tudo novo de novo.

Por outro lado, ao se aproximar o fim de um ano (logo, o início de outro), temos o hábito de fazer planos para o futuro, promessas de mudar determinadas coisas em nós mesmos bem como de sonhar com novos patamares na vida pessoalé o “tudo novo de novo”, pois provavelmente, nos anos anteriores, fizemos as mesmas promessas, estabelecemos os mesmos projetos e metas e talvez as mesmas aspirações pessoais vieram à nossa mente. No entanto, tenho uma novidade (mais uma) para te contar – não adianta fazermos planos, promessas ou termos determinados anseios, pois em outro lugar do mesmo “livro antigo” se lê que “...qual de vocês, com todos os seus cuidados, pode acrescentar uma hora ao curso de sua vida?” [Mateus 6, vs. 27]. Nem eu, nem você, nem ninguém pode garantir para si mesmo nem o próximo segundo, pois “...os nossos anos se acabam como um conto ligeiro” [Salmo 90, vs. 9] e “...Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; são como a erva que cresce de madrugada; de madrugada, cresce e floresce, mas à tarde corta-se e seca” [Salmo 90, vs. 5-6] – Deus é quem tem poder sobre a vida e sobre a morte, e a parte que nos cabe é a efemeridade e não a segurança própria, de forma que “toda vanglória como essa é maligna” [Tiago 4, vs. 16].


Então – talvez você pensou dentro de si – quer dizer que eu não tenho o controle sobre minha vida? “Minha vida, minhas regras”, ora essa! Não amiguinho – primeiramente, a vida não é sua [pois no mesmo "Livro" se lê que “nEle vivemos, nos movemos e existimos” – Atos 17, vs. 28] e, além disso, uma vez que não é você (nem eu, por consequência) que tem o nome de “Deus” sobre si, as regras que vigoram são as Dele e ponto final, pois está escrito que “...o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que Lhe agrada” [Salmo 115, vs. 3]. Ele está acima, Ele faz tudo o que Ele quer.

Finalmente, refletir a respeito do “tudo novo de novo” sempre me recorda uma outra “novidade” – que chamo de “novidade antiga”, aproveitando o contexto dessa postagem -, a novidade que “nos ilumina a escuridão”, que “devemos ouvir todos os dias porque nos esquecemos dela todos os dias”, que “não perde o seu frescor” e que, onde chega, faz “tudo novo, e novo sempre”. Mas, que “novidade” é essa afinal?


Há poucos dias passamos pelo Natal e, no Natal, é comum resgatar à memória essa referida “novidade” – a “Boa Novidade” ou “Boa Nova”, a novidade que é chamada de “evangelho eterno”, a qual nada mais é que a notícia de que “nasceu na Cidade de Davi o Salvador, que é Cristo, o Senhor” [Lucas 2, vs. 11], o qual salvaria “...o seu povo dos pecados” [Mateus 1, vs. 21], de quem se diz que “...o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz, e aos que estavam assentados na região da sombra da morte, raiou a luz” [Mateus 4, vs. 16], de forma que devemos “atentar, com maior diligência, para as coisas que temos ouvido...” [Hebreus 2, vs. 1], visto que essa mensagem é “...mais doce do que o mel à boca” [Salmo 119, vs. 103] e “...poderosa para salvar a alma” [Tiago 1, vs. 21]. Ditas essas coisas, talvez não estejamos dando a devida importância a essa “novidade antiga” e, assim, ainda que escutemos sobre ela, ignoramos o seu doce e irrecusável convite de ir ao Filho de Deus para ser aliviado por Ele e ser salvo da ira futura, pois estamos convictos de que teremos o amanhã – um amanhã que pode não chegar.

Não espere o amanhã, não “aguarde a banda passar cantando coisas de amor” sem dar ouvidos ao Amor Verdadeiro, amor que consiste não no fato de termos amado a Deus, “mas em que Ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” [1 João 4, vs. 10] – isto é, Deus satisfez a Sua própria justiça ao apaziguar Sua ira em Si mesmo, na pessoa de Jesus Cristo, de modo que “...a palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração...” [Romanos 10, vs. 8] a fim de que você não permaneça rejeitando a Deus, pois para os que rejeitam, a sentença é que “...quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” [João 3, vs. 18] e que “...quem rejeita o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” [João 3, vs. 36].


Atenda ao “convite irrecusável” e olhe para o Salvador, o Deus que se fez homem, nascido de mulher para salvar os pecadores – ou seja, ouça e dê crédito à “Boa Novidade”, pois ela traz consigo a esperança de que “...as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo” [2 Coríntios 5, vs. 17] e que Deus, que está assentado sobre o trono, fará “...novas todas as coisas” [Apocalipse 21, vs. 5], cujas palavras são chamadas de “verdadeiras e fiéis”, uma vez que Ele anuncia “...o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam” [Isaías 46, vs. 10]. Em suma, apenas em união a Ele o “tudo novo” faz sentido, novo que sempre “se renova”, pois “ainda não sabemos o que haveremos de ser, mas guardamos a esperança de que um dia seremos semelhantes a Ele”.




Pela certeza de que tudo se fez novo com Ele,





Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sobre alegrar-se na Esperança [Ou O despertar da Força]

A Ti, que habitas em Luz inacessível
A quem ninguém viu, nem jamais pode ver
E para quem até as trevas são como o dia
Dirijo estas breves palavras.

De um lado, sou disforme e vazio
Visto que o Teu espelho me revela
Que sou tão repleto de mim mesmo
Quanto dissonante de Tua semelhança
E, assim, destituído da Eterna Beleza.
Oh, quão triste será o destino
Destino irrevogável e inclemente
Daquele que ouvir a Voz do alto a dizer-lhe
“Seja feita a sua vontade!
Hoje na terra, amanhã fora do céu”.

Em contrapartida, pelos quatro cantos,
Norte e Sul, Oriente e Ocidente,
E desde tempos bem antigos,
Avança a Velha Novidade, posto que é atemporal.
Por ela, o martírio se faz doce resignação
E a escassez se revela plenitude.
A vida de agora, na verdade, é menos “vida”
Que aquela que há de vir
Pois, um dia, a antiga Nárnia
Dará lugar à Nárnia verdadeira – quem lê, entenda.


Portanto, enquanto estou aqui e agora,
Não tenho todo o tempo do mundo
Nem tenho muito tempo
Pois ele passa depressa, acaba e não recomeça.
Logo, não devo ter aqui herança permanente
Uma vez que a aparência que me cerca
Durará como o dia de ontem –
Deixo, então, o temporal e procuro o eterno,
Como um peregrino em país estranho
Cuja cidadania é a de uma pátria melhor
Arquitetada desde sempre pelo Criador.

Ah, memória vacilante a nossa
A qual perde de vista a verdade verdadeira
De que somos feitura de Alguém
Que não necessita de nada nem ninguém
Único e incomparável
Embora O façamos nosso igual.
Porém, esta é a "maravilha das maravilhas" - 
Brevemente está chegando o Natal
E, assim, lembramos que Ele veio até nós.
Sim! O Eterno entrou no tempo,
O Divino se fez "ser humano",
A Força despertou na forma da nossa fraqueza.

No entanto, esse não é o fim da história.


Tal Força, a "Resplandecente Estrela da Manhã",
Cuja brilho excede toda luz, 
 Seguiu firme por sua órbita,
Para colidir com a "estrela da morte". 
E, quando parecia que o Lado Negro havia prevalecido,
Em três dias a Estrela da manhã raiou - 
A Força Despertou de uma vez por todas!
Ah, glorioso o dia desse Despertar
Pelo qual guardo firme a certeza da felicidade,
Felicidade perpétua, deleite infinito.
A Força um dia rasgará os céus,
Tornando obsoletas todas as falsas "forças".

Por isso, cantarei a esperança, a Viva Esperança
Na qual alcanço a redenção prometida
Ainda que o mundo vá de mal a pior
Por nele se multiplicar a maldade.
Nela me alegrarei, e dela serei arauto,
Indo onde há dor ou falsa segurança,
Onde falta amor ou reina a vil indiferença
Para que povos e línguas, tribos e nações,
 Atendam ao Teu glorioso convite e louvem a Ti
Dizendo: “Eu Te proclamo eternamente,
Porque Te amo, Eternidade!”







Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A Beleza salvará o mundo...

Depois de alguns dias, acho que chegou a hora de escrever novamente.

Dessa vez, a razão pela qual essa nova postagem será escrita não é menos urgente e especialmente "temperada com vinagre", assim como a anterior - apesar de um título lúdico, "fofurinhas" e "frescuras" passarão longe daqui. Sem perda de tempo, vamos em frente.


Inicialmente, esse texto nasceu num momento inusitado - literalmente, num insight - e remete a uma célebre afirmação do escritor russo Fiodor Dostoievski, que certa vez disse que "...A beleza salvará o mundo...". Nesse sentido, vale ressaltar que não sei exatamente sob que contexto a frase foi dita ou escrita, porém pretendo fazer determinadas aplicações a partir dela que me parecem não apenas pertinentes, mas vitais - em outras palavras, creio ser questões de vida ou morte

Desse modo, a primeira aplicação será na esfera da arte, que em sua essência [real essência] está relacionada com duas palavras: criatividade e beleza. Logo, a atividade artística por si mesma aponta que, se o ser humano faz arte, ele faz isso porque ele tem a capacidade de criar - e, se o homem, componente singular do universo (quando comparado com os demais seres vivos e tudo o que existe a seu redor), é capaz de criar coisas, esse fato inevitavelmente aponta para a realidade de que ele [o homem] não deve ter "surgido no nada a partir de eventos naturais aleatórios", mas sim foi criado por um Ser superior a ele. De outra maneira, assim como é absurdo pensar ser razoável e racional defender a tese de que o computador/tablet/smartphone no qual você deve estar lendo esse texto "surgiu do nada sob a influência do nada", é totalmente estúpido olhar para o ser humano e tudo o que está relacionado a ele [suas faculdades e natureza, anseios, sua organização em civilizações, sua produção artística e científica etc.] e negar a realidade de um Criador - seria como receber um iPhone de presente das mãos de Steve Jobs e dizer que ele (Steve) não existe. 


Além disso, ao longo da história da humanidade, a arte sempre foi caracterizada pelo conceito e pela busca minimalista do "belo" - especialmente na arte greco-romana típica da Antiguidade [e também do Médio e Extremo Oriente] e, mais tarde, na arte pujante fomentada nas sociedades ocidentais [particularmente na Europa] por influência do Cristianismo, incluindo também a arte dos árabes por ocasião da expansão do Império Mouro. Apesar das diferenças entre os diversos estilos (barroco, rococó, bizantino, gótico, romanesco etc.), uma coisa sempre estava lá: a Beleza. Beleza mesmo - uma vez que, até hoje, por exemplo, as catedrais góticas inspiram admiração por seu design único e majestoso ou, por outro lado, o bizantino desperta um ar de mistério misturado com muita riqueza de detalhes. Em suma, a arte, por si mesma, primeiramente aponta de modo claro e direto para a realidade de um Criador e, como resultado disso, todos os que fizeram [e ainda fazem] arte baseados nessa convicção buscaram [e têm buscado] a beleza

Mas a questão que permanece é: por que "a Beleza salvará o mundo"? O mundo se tornou algo "feio" para que a beleza o salve?


Para responder a essas perguntas, é necessário resumir o argumento em poucas palavras: o mundo foi criado por um Ser que é totalmente bom em Sua natureza e, por isso, o mundo foi criado muito bom, pois "...não há bom senão um só, que é Deus..." [Mateus 19, vs. 17] e "...viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom..." [Gênesis 1, vs. 31]. No entanto, o homem [uma parte dessa criação perfeita] se rebelou contra Deus e, desobedecendo a Ele, trouxe sobre si mesmo a pior das condenações: a perda da comunhão com o Criador e, assim, a perda da semelhança com esse Criador - ou seja, a beleza que Deus havia colocado no homem foi maculada pelo seu pecado, pois "...todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus..." [Romanos 3, vs. 23] bem como "...por um homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte veio sobre todos os homens..." [Romanos 5, vs. 12 - adaptado]. Sendo ainda mais sucinto, o mundo se tornou feio aos olhos Daquele que é a Suprema Beleza por sua própria rebelião, visto que tudo o que há no mundo se opõe a essa Beleza e, dessa forma, Deus agora restringe o espalhamento incontrolável dessa "feiura" pelo Seu poder para que o caos não seja absoluto. 

Porém, algumas vezes Deus decide entregar os homens a si mesmos [já que, mais do que em qualquer momento da história, eles estão mais vigorosamente anti-Deus] e, como consequência, "certas feiuras" [tão feias que até apresentá-las aqui é vergonhoso] são feitas como se fossem "arte"


Nessa caso, me refiro a um fato [considerado nos nossos círculos de "intelectuais" - ou seriam de "militontos" ou de "canalhas estúpidos pervertidos"? - como "intervenção artística"], no qual homens e mulheres despidos, numa posição animalesca ("de quatro", como se diz no popular) acariciam-se uns aos outros de todas as maneiras mais chulas e despudoradas imagináveis num palco, como se fosse uma exibição de algo a ser apreciado. Sim, é isso mesmo - eu tentei ser o menos ofensivo a quem for ler esse texto (mas, se você quiser ver tudo claramente, as fotos dessa "arte" - arte do satanás, vinda das profundezas do inferno, certamente - estão espalhadas na internet), mas acho que consegui ser claro: a arte, mais do que nunca, se tornou um veículo de toda sorte de pecado e imoralidade e, para os menos informados, quero dizer aqui que isso não é simplesmente "um acidente de percurso", mas algo planejado antecipadamente para ser feito com o propósito de corromper ainda mais a sociedade [os homens já são naturalmente corruptos por causa do pecado, mas essas coisas me fazem até escrever a hashtag #saudadesSodomaeGomorra], tendo como fim último e principal a destruição de toda influência e traço do Cristianismo na civilização ocidental (para saber melhor a respeito, indico conhecer um pouco do "Decálogo de Lenin" e ler "Eros e civilização", de Hebert Marcuse). De certa maneira, Deus tem abandonado a humanidade - e, ironicamente, eu sei que isso é o que ela mais deseja ao mesmo tempo que é o que ela mais deveria temer. Com toda a seriedade, afirmo nesse post que nenhuma falsa sensação de "superação de Deus" ou de "progresso para além das fronteiras opressoras do Cristianismo" poderá compensar todo sofrimento do inferno - sofrimento que será eterno. 



Por falar nisso, ontem estava no laboratório ao qual sou vinculado na universidade e, durante alguns minutos, pude acompanhar dois colegas assistindo um animé baseado na história do "Inferno de Dante" e, em uma das cenas, Lúcifer aparece para uma das personagens dizendo: "...no inferno não existe só sofrimento; aqui existem prazeres inimagináveis que nenhum ser humano poderia cogitar... porém, eu também posso infligir os piores castigos e a pior dor, a quem eu quiser...". Resumidamente, duas mentiras estão presentes nessa citação: primeiro, não há nada de prazer no inferno, pois o inferno é lugar de pranto e ranger de dentes, de "tormento eterno" [Mateus 25, vs. 46] e "onde o seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga" [Marcos 9, vs. 48] e, por outro lado, não é o diabo que aplica as punições no inferno, mas unicamente Deus, pois o próprio satanás sabe que "...será lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre..." [Apocalipse 20, vs. 10]. E, juntamente com satanás, todos os que rejeitaram a Cristo e viveram em inimizade contra Deus também estarão sujeitos ao mesmo juízo divino, pois "...este beberá do vinho da ira de Deus, não misturado, no cálice de Sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro, e a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos..." [Apocalipse 14, vs. 10-11]. Isto é, os que querem "vencer Deus" e "derrotar a religião" já lutam sob a dura e implacável sentença de derrota - derrota eterna, sem volta. 

Finalmente, se "a Beleza salvará o mundo", que Beleza é essa?



Ora, se Dostoievski fala de uma "beleza salvadora", essa beleza só pode ser divina e, dessa maneira, essa Beleza só pode ser a Beleza do próprio Deus, pois Ele diz que "...fora de mim não há Salvador" [Isaías 43, vs. 11]. Em outros termos, "a Beleza que salvará o mundo" ou, por assim dizer, "a Beleza que já salvou o mundo" - tanto dessas ações estúpidas chamadas de "arte" bem como de todo tipo de falso conhecimento tido como verdadeiro e, especialmente, desse fogo eterno que aguarda a todos os que deliberadamente virarem as costas para essa "Suprema Beleza" - é o Seu Filho Jesus Cristo, o "totalmente desejável" [Cânticos de Salomão 5, vs. 16], o "Desejado de todas as nações..." [Ageu 2, vs. 7], Aquele que Deus enviou ao mundo para salvar os pecadores dos seus pecados [1 Timóteo 1, vs. 15 e Mateus 1, vs. 21], Aquele que não conheceu pecado (e, por isso, é a Beleza Sublime e Imaculada) e que foi feito "pecado por nós" [2 Coríntios 5, vs. 21], Aquele que se deu uma vez por todas pelos injustos para que esses injustos fossem assim justificados e, dessa forma, reconduzidos a Deus [1 Pedro 3, vs. 18], o Qual "...os formou para Sua glória..." [Isaías 43, vs. 7]

Diante de tantas distorções do que é belo ou, nas palavras de Paulo, da "mudança da verdade de Deus em mentira" e a subsequente ruína progressiva (ou seria progressista?) da humanidade, o que nos cabe é apenas olhar para Ele, admirando a Sua beleza excelsa, beleza que nenhum príncipe deste mundo poderia cogitar - pois "nele não havia beleza que nos atraísse" - mas, pela Sua própria Luz dentro de nossas trevas, poderemos ver a Ele como Ele é: O mais Belo dos belos, a Beleza antiga e nova, que é mais doce que qualquer prazer, cuja Luz sobrepuja o brilho mais resplandescente - a Alegria soberana e verdadeira.

Embora eu acredite que a maioria continuará "espalhando o feio" por todo lugar, tenho a Esperança de que, de fato, a Beleza triunfará contra toda "feiura", pois Deus diz que fará "...novas todas as coisas...", de modo que "...estas são as verdadeiras palavras de Deus" [Apocalipse 21, vs. 5].



E você? Continuará sendo seduzido por belezas falsas, indo para cada vez mais longe da Verdadeira Beleza?
Além disso, permanecerá desprezando a realidade do sofrimento eterno, achando que o inferno é "legal e divertido", sendo que o fato é que todos os que já estão lá sofrem amargamente por ter tido essa mesma postura insolente enquanto eles podiam ser livrados dessa ira divina e inclemente?

Olhe para Ele e passe a ter a esperança de ser novamente feito semelhante a Ele, pois está escrito que "...quando Ele se manifestar seremos semelhantes a Ele... e que qualquer que Nele tem essa esperança purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro" [1 João 3, 2-3].





Pela alegria de crer na Suprema Beleza,






Soli Deo Gloria!