Como de costume, eis-me aqui novamente após um longo período ausente.
Dessa vez, em contraste com a publicação do último Natal - a saber, um poema cuja métrica foi sutilmente inspirada em Os Lusíadas, de Camões -, esse texto será fundamentalmente argumentativo e terá como ponto de partida um "trocadilho" que faz referência à famosa obra "Crime e Castigo" (escrita por Dostoievski) culminando no significado da Páscoa, visto que estamos próximos do fim do período da Quaresma e a Páscoa está se aproximando.
Logo, sem perda de tempo, façamos o que interessa - e que, mais uma vez, Deus me ajude!
Para começarmos, o "trocadilho" mencionado acima consiste na seguinte afirmação: "o Brasil se tornou o país do 'crime sem castigo' e do 'castigo sem crime'", cuja mensagem aponta para a prevalência da impunidade para com os malfeitores e da injustiça contra os inocentes - a qual se opõe radicalmente ao que Dostoievski procurou transmitir em seu livro. Muito embora o meu objetivo não seja fazer relações mais profundas e minuciosas entre esse clássico da literatura russa e este texto, é importante compreender o contexto do título utilizado neste "ensaio" para que haja clareza e inteligibilidade. Que os admiradores da boa literatura perdoem minha obtusidade!
Diante disso, algumas perguntas podem (ou devem) ser feitas:
Há evidências de que tal "trocadilho" é verdadeiro e fidedigno? Quais seriam essas evidências? Por que nos indignamos frente à realidade de que, muitas vezes, "o crime compensa"? E por que desejamos que os maus sejam "castigados"? Por fim, é razoável ter esperança de que "todos os crimes" serão devida e finalmente punidos e o que isso teria a ver com a Páscoa?
Se quiser saber todas as respostas, procure ler o texto até o final - e que, ao longo dessa longa jornada, eu obtenha êxito em encontrá-las e transmiti-las.
Com respeito às duas primeiras perguntas, qualquer pessoa que possua o mínimo de "vergonha na cara" e até "três neurônios em funcionamento" está ciente da infinidade de fatos que comprovam que, em muitos lugares do mundo (e no Brasil em particular), os criminosos possuem "passe livre" para fazer o que bem entendem e, como resultado, se orgulham de sua própria perversidade, tendo em vista que eles "escapam da punição que lhes cabe" e as suas vítimas sofrem cruel e injustamente.
Nesse sentido, o que dizer dos terroristas anistiados ao longo dos anos 1970/1980 que se tornariam políticos poderosos e viriam a mudar a ordem social de toda a América Latina? E quanto aos narcotraficantes que assolam cidades, estados e até países inteiros por meio do terror e do extermínio e ainda são vistos como "vítimas dos usuários"? E os ladrões de aposentados que ganham "mesadas" exorbitantes (i.e., propina, dinheiro ilícito) e podem até estar usando da corrupção para beneficiar times de futebol? Será que podemos nos esquecer dos "contratos milionários" envolvendo juízes que deveriam ser bastiões da justiça mas apenas a destroem? Na verdade, falta-me tempo e espaço para falar dos "exploradores da elite global" que traficam crianças para se "aproveitarem delas", assim como dos bárbaros bestiais cuja "religião" é BASEADA na pedofilia e em todo tipo de imoralidade, na escravidão dos "infiéis" e no seu subsequente genocídio e de tantos outros exemplos de iniquidade que se multiplicam para quem tem "olhos para ver" e "ouvidos para ouvir". Por tudo isso, não é somente no Brasil que testemunhamos muitos "crimes sem castigo" seguidos de inúmeros "castigos sem crime", de modo que o trocadilho (o qual pode ser atribuído ao prof. Olavo de Carvalho) é uma descrição precisa da realidade atual.
É notório, no entanto, que nem sempre a impunidade triunfa - e graças a Deus por isso! - e, como prova dessa verdade, é prazeroso relembrar que Nicolás Maduro (um crápula da pior espécie) está "passando férias ininterruptas" em Nova York depois de uma "visita de cortesia" de militares norte-americanos e que Ali Khamenei - juntamente com tantos outros vermes assassinos como ele - já está ARDENDO NO MÁRMORE DO INFERNO graças a Israel e aos Estados Unidos! De fato, nem o Maduro ganhou uma "viagem de férias" tão "caliente" como esta e, em face desses "lampejos de justiça", é possível ter esperança em "tempos de refrigério" (não poderia haver melhor contraste!) bem como aguardar que muitos outros tenham o mesmo "destino quente como o verão do Caribe".
No tocante às duas perguntas seguintes às anteriores, é possível supor que a nossa revolta diante dos "crimes que compensam" bem como o desejo pela "devida retribuição" sejam tão-somente frutos de convenções sociais ou um constructo cultural, de forma que estariam excluídos quaisquer "fundamentos externos" aos fenômenos em si e que fossem simultaneamente absolutos ou transcendentes. Ou seja, se tendemos a pensar que certas coisas são "ilícitas em si mesmas" e, por isso, quem as pratica merece a justa paga por seus atos, talvez não agiríamos (ou agiremos) dessa maneira se adotássemos (ou adotarmos) uma mentalidade diferente. Logo, tal pensamento acaba por produzir uma ideia de "equivalência de valor" entre todas as culturas e seus respectivos padrões morais/de conduta, o que na prática resulta (inevitavelmente) em caos e desordem, uma vez que a ausência de um "referencial supremo" que determine o bem e o mal será "suprida" por "diferentes referenciais" conflitantes e, consequentemente, não haverá referencial algum para definir tanto o bem quanto o mal.
Entretanto, a verdade é que, consciente ou inconscientemente, a nossa ira diante da injustiça e o nosso anseio por justiça confirmam que todos, sem exceção, pensamos e agimos a partir de princípios absolutos, tais como "o mal praticado merece ser compensado" ou "o bem precisa prevalecer". Mas o que explicaria a noção que temos de "bem vs. mal"? Por que o "mal é mau" e exige uma "retribuição à altura" e, ao mesmo tempo, "o bem DEVE vencê-lo"?
Todas essas questões podem ser (e são) respondidas com base no fato de que o mundo - e.g., toda a realidade e a existência - não subsiste(m) em si mesmo(as), mas em Deus (que é o Seu Criador e Sustentador). Sem Deus, como dizia o próprio Dostoievski, tudo seria permitido - ou seja, caso não existisse um Ser soberano que deve(sse) ser obedecido e a Quem todos prestaremos/prestaríamos contas um dia, não haveria(m) limites para nossos impulsos e inclinações. Ironicamente, enquanto desejamos autonomia e autossuficiência por todos os meios possíveis (sobretudo a indiferença ou até a rebelião contra Deus), não conseguimos nos situar na realidade nem encará-la sem lançarmos mão das bases que Ele mesmo estabeleceu (como a noção de "certo vs. errado" e a busca por justiça contra o mal), o que escancara uma "dupla inconsistência": desejamos que os "crimes" não fiquem "sem castigo" (exceto os nossos próprios!) enquanto rejeitamos o Único que pode julgá-los justa e cabalmente.
No que se refere à pergunta final, pode-se inferir que a simples suspeita de que "haveria/há uma esperança" concernente à punição definitiva de todos os "crimes sem castigo" é um indício de que em nós, independentemente de quais crenças e/ou visão de mundo tenhamos, reside um senso de que todas as coisas, em algum momento, precisam ser "postas em seus devidos lugares". É verdade, porém, que existem diversas perspectivas sobre quais "lugares devidos" seriam esses, mas todas elas possuem um elemento comum: todos reconhecemos que existe "algo de errado com o mundo" (como escreveu Chesterton) e é necessário resolver isso, de maneira que a esperança de que essa "solução" um dia chegará nos impulsiona a buscá-la por todos os meios que julgamos possíveis ou razoáveis - o que pode ser, muitas vezes, bastante "maquiavélico" (quem lê, entenda).
Por falar nisso, ao compararmos brevemente o pensamento dos dois autores aqui mencionados a partir de "O Príncipe" (de Maquiavel) e do próprio "Crime e Castigo", percebemos um notável contraste: em O Príncipe, notamos que "os fins justificam os meios", de forma que se um determinado objetivo a ser alcançado é tido como "válido", "necessário", "justo" e "bom", tudo o que se faz em prol dele é igualmente "válido, necessário, justo e bom" (ainda que não o seja); em Crime e Castigo, todavia, podemos dizer que Raskólnikov (protagonista da obra) é um "exemplo concreto das ideias equivocadas de Maquiavel" pois, embora ele se achasse um homem "acima da moral" (o que, no caso de "fins nobres", justificaria quaisquer de suas ações), seu crime foi seguido de um enorme "castigo na consciência" resultante do senso de culpa, o qual tornaria a sua vida, por muito tempo, quase insuportável. Por outro lado, vale mencionar que a jornada de Raskólnikov não termina em isolamento e condenação, pois ele encontraria um tipo de "redenção mediante o sofrimento e o amor" através do exemplo da personagem Sonia Marmeládova - o que não ocorre com/em o "Príncipe".
Diante disso, se existe um "vencedor" entre esses autores quanto à influência sobre a mentalidade e a conduta humanas (especialmente nos últimos 3 séculos), este é Maquiavel, tendo em vista que um número cada vez maior de pessoas está convencida de que "tudo quanto existe é mau" e de que somente elas têm o direito e o poder de trazer a "salvação" ao mundo e à sociedade. Ora, os que querem "globalizar a Intifada" (carinhosamente chamados por mim de "porcostinos", cujo apelido não tem nada a ver com aquele "time sem mundial" da Zona Oeste de São Paulo) afirmam que lutarão por isso "por TODOS OS MEIOS NECESSÁRIOS" - e já estão fazendo! Além disso, os adeptos da "religião dos porcostinos" já estão dominando a política de vários países anteriormente cristãos e, sem dúvida, buscarão expandir o seu controle nesses países "por TODOS OS MEIOS NECESSÁRIOS", sobretudo "usando a própria democracia para derrubá-la". Por fim, os comunistas (i.e., os "maquiavélicos" par excellence) têm destruído TODAS AS NAÇÕES pelas quais têm passado há mais de 100 anos, usando INFINITAS ESTRATÉGIAS de subversão social e de concentração de poder, de tal modo que não nos faltam inimigos à espreita e, por isso mesmo, devemos combater implacavelmente a todos os que "desejam controlar tudo e todos em prol de um mundo melhor", uma vez que "pessoas boas não desejam controlar a vida dos outros".
Nesse sentido, não é suficiente apenas possuir a "esperança" de que "tudo deve se resolver algum dia", mas é ainda mais imprescindível compreender os meios pelos quais essa esperança deve ser cultivada bem como os caminhos (ou O Caminho) ao qual essa "esperança" nos conduz(irá), como outrora escreveu certo sábio: "...há caminho que ao homem parece correto, mas o fim dele conduz à morte..." [Salomão em Provérbios 4, vs. 12].
Mas o que tudo isso (Crime e Castigo, Maquiavel etc.) teria a ver com a Páscoa e o seu significado?
O que um feriado religioso - tanto cristão quanto judaico, embora com suas respectivas particularidades - tem a ver com a história de um assassino corroído pela consciência da culpa após se dar conta de que sua "pretensa superioridade" o havia levado à degeneração moral?
E o que a Páscoa teria a nos ensinar sobre "crimes sem castigo" bem como "castigos sem crime"?
Considerando que algum leitor não conheça a Páscoa com detalhes, sabemos que as origens desse feriado/dessa festa remontam ao período da escravidão do povo hebreu no Egito, o qual terminou por volta dos anos 1400 a.C. durante os dias de Moisés, conforme o relato do Êxodo (Antigo Testamento cristão) ou do Shemot (Torá judaica). Logo, a Páscoa é, inicialmente, uma celebração do povo de Israel que recorda a libertação deles da tirania do Faraó por meio de várias demonstrações do poder divino - e.g., as conhecidas "10 pragas", mediante as quais Deus "castigou" os egípcios bem como os seus "deuses" e revelou-Se como o "único Deus verdadeiro" -, a qual deveria ser constantemente comemorada para que aquele povo nunca se esquecesse do que Deus fizera por amor a eles. Por tudo isso, é evidente que a Páscoa possui raízes fundamentalmente religiosas (neste caso, uma base monoteísta), de forma que ignorar essas evidências históricas é falsear a realidade - o que, em certo sentido, já é um "castigo" para a nossa inteligência e a nossa imaginação moral.
Além disso, tendo em vista que a Páscoa também é uma comemoração cristã - muito embora a Páscoa dos judeus (i.e., Pessach, Passover) e a Páscoa dos cristãos (i.e., Pascha, Easter etc.) apresentem diferenças entre si -, vale mencionar que o advento de Jesus Cristo foi determinante para que a antiga festa dos hebreus adquirisse um novo significado, segundo o qual Cristo seria/é o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" [Evangelho de João 1, vs. 29]. Ou seja, assim como naquela "primeira Páscoa" houve o sacrifício de cordeiros sem defeito (cujo sangue fora o "sinal de salvação" para os filhos primogênitos), Cristo seria/é um "sacrifício definitivo" em prol da salvação dos homens, cujo sangue seria/é o pagamento pelos pecados deles. Consequentemente, o cristianismo corrobora ainda mais o caráter religioso da Páscoa, de tal modo que esta jamais existiria se Cristo não tivesse sido "castigado" a fim de "trazer paz, justiça e redenção" a todos os "criminosos" que Nele cressem - independentemente de quão culpados sejam ou se sintam.
Nesse sentido, se a "experiência de redenção" de Raskólnikov em "Crime e Castigo" envolve o amor e o sofrimento que ele mesmo (em certa medida) teria de cultivar em contraste com sua vida de impiedade pregressa, a "Redenção com R maiúsculo" não depende nem provém, em medida alguma, de quem que se beneficia dela, mas unicamente Daquele que redime - a saber, do próprio Cristo, a respeito de Quem o próprio Dostoievski afirmou em certa ocasião:
"...Se alguém me provasse que Cristo está fora da verdade, e se realmente ficasse estabelecido que a verdade está fora de Cristo, eu preferiria Cristo à 'verdade'...".
Em outras palavras, o autor russo afirma ousadamente que "toda verdade só é verdadeira em Cristo" e, como resultado, qualquer "verdade" que não seja "de acordo com Cristo" não é (e nem pode ser) verdadeira em hipótese alguma, de sorte que "preferir Cristo à verdade" - numa clara "ironia paradoxal" - consiste em "preferir Cristo à mentira disfarçada de verdade". Diante disso, a oposição deliberada ou a indiferença com relação a Jesus Cristo podem ser entendidas como um testemunho público do que o apóstolo Paulo chama de "operação do erro" [vide 2 Tessalonicenses 2], por meio da qual o próprio Deus julga (ou julgará) a todos os pecadores impenitentes - i.e., "criminosos contumazes" que "darão crédito à mentira" em razão de sua "rejeição ao amor da verdade" [vs. 10-12]. Em suma, por ser perfeitamente santo e justo, Deus odeia o pecado (e todo o mal resultante dele) com tamanha intensidade e firmeza que, a fim de mostrar esse "santo ódio", priva os pecadores obstinados de toda porção de graça que poderia salvá-los dessa condição e, com isso, o destino deles não pode/poderá ser outro senão a condenação eterna - o único "castigo digno" para todos os que "cometem crimes" contra um Deus infinito.
De fato, a correlação mais clara e abrangente entre a Páscoa e todos os temas abordados neste texto foi elaborada há quase 2000 anos, nas palavras do mesmo Paulo em sua epístola aos Romanos:
"...Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus,
Sendo justificados gratuitamente por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
A Quem Deus ofereceu como propiciação, por meio da fé, pelo seu sangue, para demonstração da Sua justiça, visto que Deus, na Sua paciência, deixou de punir os pecados anteriormente cometidos,
Para demonstração da Sua justiça no tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus..." [Romanos 3, vs. 23-26]
Nesse trecho do Novo Testamento (chamado por muitos de "Acrópole das Escrituras", como um símbolo de seu máximo valor para a doutrina da salvação), Paulo diz categoricamente que TODOS NÓS SOMOS CRIMINOSOS e, assim como Raskólnikov, carregamos o pesado e insuportável fardo da culpa, de forma que fomos castigados com o "banimento da glória de Deus" e, por isso, somos desesperadamente carentes dela [vs. 23]. Todavia, Deus interveio em nosso favor trazendo-nos uma "justiça gratuita" - i.e., como no caso de um juiz que absolve um réu confesso sem que este pague fiança ou forneça qualquer tipo de compensação, mas sim porque um inocente assume o custo de seu delito - através da pessoa e da obra de Jesus Cristo, o Qual foi oferecido por Deus como um "sacrifício" (e.g., um "cordeiro pascal") para que a Sua própria justiça fosse satisfeita e demonstrada, visto que todo crime exige uma punição à altura e, por isso, alguém precisaria assumir a devida punição pelos pecados cometidos e que, até então, haviam sido tolerados [vs. 24-25]. Logo, os "crimes" que tinham ficado "sem castigo" por causa da paciência de Deus viriam a ser lançados sobre Cristo - o único "verdadeiramente inocente" -, a fim de que Deus se mostrasse simultaneamente justo (por não fazer "vista grossa" diante do pecado) e justificador de todos os que confiam/confiassem em Cristo, cuja justiça infinita lhes é/seria, enfim, atribuída [vs. 26].
Resumidamente, a mensagem central da Páscoa consiste na intervenção direta de Deus, o Juiz de toda a terra [ver Gênesis 18, vs. 25b], para "salvar criminosos que mereciam tão-somente um castigo eterno", uma vez que Ele mesmo assumiu a natureza humana ao encarnar-Se na pessoa de Jesus, o Qual padeceria o "castigo mais cruel" de toda a história sem que houvesse nenhum "crime" que O tornasse merecedor de tal sentença. Assim, é na Páscoa que vemos, num homem crucificado entre dois transgressores [Evangelho de Marcos 15, vs. 28 e Isaías 53, vs. 12], o supremo "CASTIGO SEM CRIME" para que os crimes dos "verdadeiros bandidos" ficassem "sem castigo" - a saber, apenas para os que, à semelhança de Raskólnikov, "confessam" a sua miséria e reconhecem a sua necessidade de redenção.
Em contrapartida, ainda resta uma pergunta a ser respondida: e quanto aos "crimes" (ou os pecados) cometidos depois do nascimento e da morte de Cristo?
Sabendo-se que há inúmeras atrocidades que não foram punidas pela "justiça humana" ao longo de todos esses séculos e que igualmente estão sendo "toleradas" por Deus (por assim dizer), o que garante que os vários "Raskólnikovs" dentre nós serão "eternamente absolvidos" de seus "crimes" e que, em contraste, os demais serão adequadamente condenados?
A resposta está no "clímax da Páscoa": a ressurreição de Jesus Cristo.
Sem dúvida, aqueles que participaram ativamente da condenação de Jesus Cristo à morte agiram de modo "sumamente maquiavélico", visto que se valeram de "todos os meios que lhes estavam ao alcance" para atingirem o "fim desejado": matar o Filho de Deus e Rei dos Judeus. A propósito, a respeito destes está escrito (profetizado):
"...Os reis da terra se levantam, e os PRÍNCIPES conspiram unidos contra o SENHOR e o Seu Ungido..." [Salmo 2, vs. 2]
Assim, a partir do momento em que Cristo passou a ser uma ameaça aos poderes religioso (fariseus, saduceus etc.) e político (herodianos, romanos etc.) da época, estes passaram a conspirar contra Ele de todas as formas a fim de "eliminar a ameaça" até que, ao "chegar a ocasião oportuna", um dos próprios discípulos de Jesus, Judas Iscariotes, viria a traí-lo por 30 moedas de prata e o entregaria nas mãos dos "piores criminosos" que talvez já existiram, os quais mostrariam toda a sua malícia, iniquidade e vileza ao julgá-Lo injustamente, açoitá-Lo, ridicularizá-Lo e, no fim, crucificá-Lo. No entanto, os "poderosos" não foram/são os únicos culpados de todas as injustiças inomináveis cometidas contra Cristo, mas também todos os que gritaram "...Crucifica-O, crucifica-O! [...] Que o Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!" [Evangelho de Mateus 27, vs. 22-23 e 25] e, por extensão, todos os pecadores de todo povo, tribo, língua e nação - incluindo você e eu.
Porquanto, com a morte de Jesus naquela "Sexta-Feira Santa", pode-se supor que todos os "seres maquiavélicos" do universo - sejam os "príncipes do mundo", sejam os "principados e potestades" e, sobretudo, o "príncipe do poder do ar" [vide Carta aos Efésios 2, vs. 2 e cap. 6, vs. 12] - teriam "129 milhões de motivos para comemorar" durante o restante da sexta-feira e por todo aquele "sábado silencioso"... Todavia, para a completa frustração deles, o Domingo estava chegando.
A "chegada do Domingo" traria a remoção da pedra selada pelos romanos à entrada do sepulcro onde Jesus fora colocado e, consequentemente, o espanto e terror dos soldados que a vigiavam diante daquele susto e, de modo particular, dos anjos que lhes apareceram e os fizeram cair como mortos [Evangelho de Mateus 28, vs. 2-4]. Aquele "primeiro dia da semana" nos arredores de Jerusalém (por volta dos anos 29-34 A.D.) seria o marco de uma "virada de chave" que mudaria a história de tudo o que existiu, existe e existirá de modo cabal e definitivo: o Deus-Homem, que fora morto pelas mãos de homens ímpios, havia ressuscitado dos mortos para nunca mais morrer [Atos dos Apóstolos 2, vs. 23 e Romanos 6, vs. 9] e, pela Sua ressurreição, garantir a vitória final sobre o mal, o pecado e a morte para todos os que Lhe pertencem (e, em última instância, para toda a Criação), uma vez que esse "Deus-Homem ressuscitado" regressará do céu (onde hoje está assentado à direita de Deus Pai) para julgar o mundo com justiça [Atos 1, vs. 10-11 e cap. 17, vs. 31].
Com a chegada desse "Dia de Juízo", os "criminosos" que não haviam sido apropriadamente "castigados" (e muitos outros, em termos mais gerais) desejarão a morte ao ponto de implorar aos montes e às rochas para que caiam sobre eles [Apocalipse 6, vs. 15-16] a fim de se esconderem "...da face Daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro..." - isto é, morrer parecerá melhor do que ter de encarar a justiça de Deus e a indignação de Cristo, uma vez que não há como se "escapar de Deus" quando Ele deseja nos achar por causa de nossos pecados [vide Números 32, vs. 23]. Por outro lado, os que pertencem a Cristo serão finalmente vindicados nesse Dia e, assim, todos os males e injustiças sofridas por eles serão recompensados com triunfo e glória eternos, o que também incluirá a justa retribuição a todos os seus inimigos (os quais são, sobretudo, inimigos do próprio Cristo), como está escrito:
"...É JUSTO DIANTE DE DEUS que Ele pague com tribulação os que lhes atribulam,
E para vocês, que são atribulados, lhes dê ALÍVIO, bem como a nós, quando o Senhor Jesus se revelar do céu com Seus anjos poderosos em chama de fogo,
PUNINDO os que não conhecem a Deus e os que NÃO OBEDECEM AO EVANGELHO..."
[2 Tessalonicenses 1, vs. 6-8]
e
"...Graças Te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és e que eras, porque ASSUMISTE TEU GRANDE PODER e COMEÇASTE A REINAR...
Então veio a Tua ira, e o tempo de... dares RECOMPENSA a TEUS SERVOS, os profetas, AOS SANTOS e AOS QUE TEMEM O TEU NOME, aos pequenos e grandes, e de DESTRUÍRES OS QUE DESTROEM A TERRA..."
[Apocalipse 11, vs. 17-18]
Em poucas palavras, esses dois trechos do Novo Testamento ensinam que é justo que os inimigos da Igreja de Cristo SOFRAM O MESMO que fizeram e intentaram contra ela e, em contrapartida, que os discípulos de Jesus obtenham alívio de todas as suas aflições - o que se tornará realidade com o Segundo Advento de Cristo e a consumação do Reino de Deus na história [e.g., Apocalipse 11, vs. 15].
No entanto, não serão apenas os "crimes sem castigo" praticados contra a Igreja que serão punidos, mas também 1) cada centavo roubado do povo para fins de poder político ou enriquecimento ilícito, 2) cada inocente assassinado pelo "tribunal do crime", 3) cada menina violada e/ou explorada em escravidão sexual para o "prazer" de animais pedófilos por todo o mundo, 4) cada vítima que padeceu os horrores do terrorismo e/ou de ditaduras totalitárias e genocidas, 5) cada cidadão preso injustamente por causa de calúnias, difamações, falsas narrativas ou sob leis injustas e paranoicas e, por fim, 6) todos os que promoveram toda forma de falsa piedade/religião "em nome de Deus" ou da "busca da verdade", já que "...Deus não terá por inocente aquele que tomar o Seu nome em vão..." [ver Êxodo 20, vs. 7]. Isto é, em Sua primeira vinda, Cristo viria para ser CASTIGADO PELOS NOSSOS PECADOS sob o peso da ira do Seu Pai [ver Isaías 53, vs. 10a], embora não houvesse cometido crime algum - contudo, em Sua segunda vinda, Ele é Quem CASTIGARÁ a todos os "criminosos" que outrora estavam "sem castigo", o qual será eterno e inescapável [Evangelho de Mateus 25, vs. 46]. Assim, é por meio da destruição do mal e de todos os malfeitores que Deus consolará a todos os que confiam Nele, de tal modo que, se Cristo não tivesse ressuscitado, tal consolo seria uma ilusão - bem como toda "esperança de justiça". Porém, como dizem os cristãos gregos,
CHRISTÓS ANESTI, ALITHOS ANESTI!
CRISTO RESSUSCITOU, VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU!
E quanto a você?
Você se identifica com a "primeira fase do Raskólnikov" - um homem que se achava "acima do bem e do mal", cujos objetivos justificariam quaisquer "crimes"? Ou, ao contrário, você se vê afligido pelo peso da culpa e, assim como ocorre na "segunda fase de Raskólnikov", já reconhece que precisa de ajuda e até mesmo de "redenção"?
Além disso, você também é como eu - alguém que se enfurece com a impunidade e a injustiça e anseia, ardentemente, que tudo isso chegue ao fim um dia? Se esse for o caso, em que (ou em Quem) estaria a sua esperança quanto ao "triunfo final do bem sobre o mal"?
Finalmente, já que estamos na época da Páscoa, será que você tem dado (ou já deu) a devida atenção ao real significado dessa data? Se ainda não, até quando desprezará o que Deus fez em favor dos pecadores ao enviar Jesus Cristo ao mundo?
Em suma, você preferirá arrepender-se de seus pecados a fim de ser perdoado pelo "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" hoje ou, em sua rebeldia, continuará a acreditar que poderá permanecer de pé diante do "Cordeiro irado" que um dia virá julgar os pecadores não-arrependidos?
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