segunda-feira, 25 de junho de 2012

Por que as verdades tem autonomias?

Bem... vamos começar.


Primeiramente, o que é a verdade?



Sendo bastante simples, a verdade é aquilo que é, por si mesmo, legítimo, digno de crédito, autêntico, genuíno. Desse modo, a verdade independe do que eu penso ou do que deixo de pensar. A verdade não é invalidada se eu desacredito dela pois, de acordo com sua própria definição, ela é válida por si mesma. No mesmo sentido, a verdade não é verdade somente porque eu ou você acreditamos nela ou a defendemos. A verdade é "verdade" e ponto final. A verdade existe independentemente das opiniões, já dizia a minha quase-irmã Eluane. 

Mas não é assim que as coisas têm funcionado. Na verdade (risos), desde muito tempo que as "verdades têm autonomias". 


Hoje, provavelmente como nunca antes na história, a verdade se tornou a "verdade de cada um". Ou seja, a verdade foi transformada em "várias verdades" e, como resultado dessa pluralização, nós perdemos o senso de "verdade x mentira", de "certo x errado", de "bom x mau". Ora, não é "verdade" que aquilo que pode ser bom e apreciável para mim pode ser terrivelmente ruim e desprezível pra você? Por exemplo, eu sou corintiano e gosto de ser assim mas, se você não é corintiano, certamente você acha tudo isso um completo desatino, quase uma estupidez... certo? Sendo bastante sincero, não vejo problema algum no fato de pessoas torcerem para times de futebol diferentes, por exemplo - a diversidade é que faz o futebol ser divertido - mas, em contrapartida, esse princípio do "é bom para você, mas não é bom para mim" ou do "faz sentido para você, mas não faz o menor sentido para mim" talvez seja o sinal mais evidente do principal problema de cada ser humano: o desconhecimento da verdade e a aversão profunda por ela. 


Exatamente. As "verdades" estão cada vez mais "donas de seus próprios narizes" ---> melhor, os homens estão se achando cada vez mais donos de si mesmos e estão moldando, a seu bel-prazer, seus compêndios de "verdades", pelas quais "matam por amor", subornam em nome do "populismo político" ou se deixam subornar em troca de "pequenos privilégios" e, de modo vergonhoso para mim (como cristão), pedem ofertas especiais ou fazem megacampanhas  nas igrejas em nome de "cruzadas evangelísticas" ou "obras sociais" [tendo em vista, quase sempre, o enriquecimento próprio e ilícito] e, em âmbito mais restrito, demonizam o que não é do seu gosto pessoal (a música dita "secular", a literatura clássica e filosófica, certos tipos de alimentos e bebidas etc.), e sacralizam a sua "cultura religiosa" (a música gospel, a literatura de seu segmento religioso, as suas roupas dos cultos e reuniões de domingo etc.). Nós amamos nos sentir mais coerentes do que os outros. Amamos "ter a razão" em tudo. Amamos nos enganar e fingir brincar de Deus, que é o único que, verdadeiramente, está "acima de toda razão" [créditos ao Lucas Souza].


Por outro lado, precisamos reconhecer algo: a realidade da verdade está impressa em nossa consciência. Por mais que a "liberdade de pensamento" e a "tolerância" sejam alguns dos deuses desta sociedade, sempre estamos em busca da verdade. Precisamos de "verdades" para que a nossa vida tenha alguma razão de ser. Pensando bem, até aqueles que dizem que a vida não tem sentido algum e que não é possível se conhecer a verdade sobre alguma coisa de forma completa - os agnósticos e niilistas, por exemplo - não escapam da realidade da verdade, pois essa é a verdade deles (do ponto de vista ontológico, eu não posso conhecer nada perfeitamente e, por isso, a vida é sem sentido). Os que dizem que todos estão "errados" devem estar "certos" disso, não é? Portanto, não há como escapar. Embora as "verdades" sejam cada vez mais "autônomas", o ponto em comum é que todos os homens, sem exceção, acreditam em alguma verdade - seja ela qual for, seja ela uma verdade ou até mesmo uma mentira.


Finalmente, quando penso sobre a verdade, me lembro de um discurso registrado no Evangelho segundo João, onde se diz:

"Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: tu dizes isso de ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?
Pilatos respondeu: porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes  entregaram-te a mim. O que fizeste?
Respondeu-lhe Jesus: o meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse desse mundo, os meus servos pelejariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui. 
Disse-lhe, pois, Pilatos: logo tu és rei? Jesus respondeu: eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos: o que é a verdade?" (João 18:33-38a)

A pergunta de Pilatos é, provavelmente, a pergunta mais transformadora que pode existir. Se alguém encontra a resposta para essa pergunta, certamente a mudança será radical. A pergunta paira no ar... o que é a verdade? Que verdade é essa da qual Jesus disse que daria testemunho? Quem se atreve a me dizer? 


Na "verdade", foi Jesus mesmo quem já deu a resposta, quando falou: Eu sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6)



Ou seja: Jesus veio testemunhar de Si mesmo, pois Ele é a verdade (que afirmação estarrecedora, não? Muito audaciosa, eu diria!)... Um homem afirmando ser A VERDADE... Realmente, é além da minha compreensão, da sua compreensão, da compreensão de qualquer um. Todo o intelectualismo morre. Todos os anos de academia, PhD's., estudos e reflexões morrem. Jesus diz ser a verdade e que todos os que são da verdade (isto é, todos os que pertencem a Ele) ouvem a sua voz. Se alguém ainda não ouviu a voz de Jesus Cristo, esse alguém está na mentira. Simples assim. A única alternativa para este drama é Jesus ser um grande mentiroso ou um lunático pois, se Ele é quem diz ser, não há como ficar indiferente. Não; não são as verdades que têm autonomias... é A VERDADE que tem TOTAL SOBERANIA, pois está escrito: "...seja Deus sempre verdadeiro e todo o homem mentiroso...". (Romanos 3:4).




Pela verdade e em nome da verdade,



Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

The most beautiful of sciences...

18 de junho de 2012.

Talvez a maioria não saiba, mas hoje se comemora do dia do Químico.

Ora, como alguém com formação acadêmica em Química e, atualmente, mestrando na área de Química de Produtos Naturais (isso mesmo ---> eu não estudo teologia, nem literatura, nem filosofia ou algo parecido, apenas gosto de escrever sobre essas coisas aqui), não poderia deixar esse dia passar em branco. Logo, inicialmente, desejo um feliz dia do Químico a todos os estudantes, profissionais e professores (atuais e futuros) e, obviamente, a todos os que amam a mais bonita de todas as ciências --- que os físicos, biólogos e matemáticos me perdoem, mas a Química... é a mais incrível de todas.


A Química está em tudo o que existe no mundo material (o universo é formado por átomos, os quais se unem - ou não, a depender do tipo de entidade química - para formar moléculas e, como resultado, essas moléculas estão por toda parte). A Química está no ar que respiramos, nos alimentos que ingerimos (inclusive os orgânicos - ora, quem disse que a química se refere apenas aos produtos industriais?), na calçada em que caminhamos, no combustível de nosso carro, na poltrona do avião em que viajamos de vez em quando, nas flores que vemos nas árvores, no mar que contemplamos da janela do ônibus a caminho da universidade e, logicamente, em nosso organismo. Sim - nós somos, sob determinado ponto de vista, um aglomerado de átomos, moléculas e íons em plena e misteriosa atividade a cada momentum. Seja você físico ou historiador, biomédico ou nutricionista (certo, Ingra?), músico ou teólogo, poeta ou psicólogo: a química está em você de modo irreversível. E mais: agradeça todos os dias porque a coisa funciona assim.


A Química, desde seus primórdios históricos, tem ajudado o homem em sua sobrevivência. A descoberta do fogo, o uso das plantas e ervas para fins terapêuticos e medicinais, o trabalho com madeira e com metais e até mesmo o surgimento da alquimia (com seu aspecto espiritualizado e esotérico) apresentam significativa importância para a história e, de certa maneira, implica marcas ainda presentes nos nossos dias. De fato, não conseguimos viver sem o fogo pra esquentar os alimentos ou nos aquecer em um inverno rigoroso. A pesquisa com plantas e outros seres vivos (o que pode ser denominado de bioprospecção tecnológica) é fundamental para a indústria farmacêutica. A indústria de jóias não existiria sem a manipulação dos metais preciosos. É impossível imaginar a sociedade sem a química - sendo bastante ousado, eu poderia dizer que a Química é a ciência mais importante para o mundo. Mais uma vez, desculpas aos demais. 


Do ponto de vista didático, a Química é normalmente dividida em algumas áreas - química analítica, físico-química, química inorgânica e química orgânica. Embora isso facilite a compreensão e as diversas aplicabilidades da química, sempre defendo em minhas conversas com colegas da faculdade (ou com quem, porventura, dialoga comigo a respeito) que a química é uma só. Todas as áreas se relacionam. Mais do que isso: as sub-áreas de cada uma dessas áreas se mostram cada vez mais interdependentes na medida em que a ciência atual é reformulada (interdisciplinaridade). Dentre essas áreas, a química orgânica é a minha paixão pois, ao ver tamanha complexidade numa química feita basicamente com 6 elementos da tabela periódica (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e fósforo), minha reação imediata é de admiração e espanto. Na verdade, a molécula do DNA já é um exemplo suficientemente indecifrável para mim. Me faltaria tempo e caracteres para falar da beleza dos terpenos, dos policetídeos, dos compostos fenólicos, das proteínas (e as enzimas? elas são fantásticas!) e de tantos outras classes de substâncias classificadas como orgânicas... Ou seja, ou o acaso é soberanamente inteligente ou "acaso" é um outro nome para Deus.


Finalmente, eu poderia ficar restrito às diversas comprovações científicas que apontam para a existência de Deus - por exemplo, as constantes antrópicas - (e, mais do que isso, de um Deus consideravelmente próximo àquele revelado nas páginas da Bíblia) mas, dessa vez, não vou me aventurar numa jornada apologética meio "sem futuro" (como se diz na minha cidade da infância). Quero simplesmente me ater a uma passagem das Escrituras Sagradas, onde se lê (Evangelho segundo João, cap. 1, vs. 1-5 e 14):

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por Ele e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
...
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade".



O Verbo descrito na passagem é Jesus Cristo. Jesus Cristo é Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Jesus Cristo (isso mesmo, TODAS AS COISAS - inclusive eu, você e tudo o que há no universo ---> por que não dizer, então, que Jesus é o Químico Sintético por excelência?). Sem Ele, nada existiria. 

Porém, o mais louco de tudo isso é que...

O Verbo eterno, o Deus Supremo, o Criador de tudo o que existe (seja visível ou não) se fez carne - sim, Deus tomou a forma humana, Deus se fez em átomos, moléculas e íons, em aminoácidos, lipídeos e ácidos nucleicos, dentre outras substâncias - e habitou entre nós (o verbo original para habitar é "tabernaculou" entre nós ---> ou seja, Deus montou acampamento entre os homens, fez a sua barraca para ser como um de nós). A Sua glória foi vista. Uma glória incomparável, pela qual a Graça e a Verdade foram plenamente manifestas. Jesus: 100% humano e 100% Deus. Simplesmente. É absolutamente incompreensível.


Mas, afinal, por que Deus escolheu tomar essa forma?
A resposta mais clara e simples é: para nos revelar Deus, pois está escrito que "...ninguém jamais viu a Deus; o Filho, que está junto ao Pai, este O revelou..." (João 1:18).


Entretanto, por que a revelação de Deus para conosco teve de envolver tal atitude?
A resposta também é simples: foi esse o plano de Deus desde sempre pois, dessa forma, os homens seriam confrontados com a realidade da divindade do modo mais concreto e indesculpável e, tão somente por esta causa, seriam atraídos por Deus para Ele mesmo (João 6:44 e 12:32).


DEUS SE FEZ NA FORMA DOS ELEMENTOS QUÍMICOS QUE ELE MESMO CRIOU.


DEUS, NA FORMA HUMANA EM JESUS CRISTO, TAMBÉM MORREU A FIM DE SALVAR OS PECADORES.

DEUS, AO TERCEIRO DIA, RESSURGIU DOS MORTOS NO MESMO CORPO EM QUE "TABERNACULOU" ENTRE NÓS, PORÉM GLORIFICADO.




Sabendo de algo tão estarrecedor, o que fazer?


Uma sugestão imperativa é: arrependa-se e creia no Evangelho. 


Acredite na melhor das boas notícias - Deus se fez como um de nós, viveu uma vida à semelhança da que vivemos, morreu tomando sobre si mesmo a punição que eu e você merecíamos e hoje está vivo. Jesus Cristo - o Deus encarnado, o Deus feito em moléculas, átomos e íons por amor de mim e de você - é a melhor notícia que eu posso te dar. 



Logo, pela mais bonita das ciências,



Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Reflexos de uma vida incomum...

Voltei.

Depois de um final de semana "InComUn" e incomum também (para entender essa sutil diferença, leia o post anterior) - com muita diversão, conversas profundas na madrugada (não é, Cássia e Alice?), tocando violão com os amigos, tirando fotos em baixo d'água (não é Deyse Frozen?), aprendendo mais sobre intimidade com Deus, comunhão com o outro e unidade com Deus e com seus propósitos - , estou de volta.


É muito bom parar um pouco no meio do stress diário, ter a oportunidade de viajar e conhecer mais um pouco do Brasil e, de bônus, experimentar tudo o que eu mencionei anteriormente... 

...Mas a vida continua. A vida incomum continua. 

A "vida incomum" é agora. A "vida incomum" não acontece de feriado em feriado, de acampamento em acampamento. A "vida incomum" é agora porque Aquele que a concede está trabalhando desde sempre e continuará a fazê-lo, porque Ele mesmo declarou:

"E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também". (João 5:17)

"E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e continuarei a fazê-lo, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja". (João 17:16)

Deus Pai está trabalhando. Deus Filho está trabalhando. Ora, visto que Jesus disse que "...tudo quanto o Pai faz o Filho o faz igualmente..." (João 5:19), a única conclusão sensata é que não há distinção entre o Pai e o Filho no final das contas... Ou seja: o Pai é Deus, o Filho também é Deus. Eu não posso imaginar a cena. Você também não pode. Ninguém pode. É exatamente isso: um carpinteiro da Galiléia se declara igual ao Deus eterno, aquele de quem os judeus temiam tão somente dizer o nome. Isso é verdadeiramente INCOMUM.


Mas é suficiente ter todos esses conceitos na mente e somente na mente?

Tomando como base o que as Escrituras ensinam, digo que não. 

De fato, fazer boas coisas não é tudo. Na verdade, fazer boas coisas não pode persuadir Deus nem nos habilitar a manipulá-Lo (quanta pretensão, não é?)... Pode, no máximo, impressionar os homens pois, como as Escrituras dizem: "...o homem vê o que está diante de seus olhos..." (1 Samuel 16:7). Nós, curiosamente, nos vangloriamos do que fazemos, de nossa performance espiritual, de nossa própria busca de intimidade com Deus, comunhão com o outro e por unidade com Deus e igualmente nos concentramos nas aparências mas, como se diz por aí, "as aparências enganam". Buscar essas coisas é lícito e saudável (trocando em miúdos, isso faz toda a diferença em nossa caminhada com Deus) mas, antes de tudo, devemos nos focar e sermos satisfeitos em quem Ele é para nós e no que Ele fez e faz em nosso favor. Nada pode ser mais precioso do que o próprio Deus e, consequentemente, nada é mais crucial para nós do que nossa satisfação Nele.


Por outro lado, as Escrituras dizem que fomos salvos pela GRAÇA, por meio da FÉ (a qual não vem de nós, mas é um dom de Deus) para a PRÁTICA das boas obras que Deus preparou de antemão (Efésios 2:8-10). Não há vida incomum sem implicação no dia-a-dia. Se, de fato, fomos regenerados pelo Evangelho de Cristo e, por isso, somos seguramente salvos e propriedade exclusiva de Deus (1Pedro 2:9), isso vai se refletir no nosso modus vivendi, no nosso modo de pensar, em quem somos na essência. "...A vida que agora vivo NA CARNE vivo-a NA FÉ DO FILHO DE DEUS..." (Gálatas 2:20). Eu vivo pela fé no Filho de Deus na carne. Eu vivo pela fé em Cristo assim mesmo como sou - humano, limitado, frágil, um miserável pecador redimido pela Graça e carente dela. Isso também é assustadoramente incomum. 


Comunhão e unidade. Palavras cujos significados se misturam e se completam. Não há comunhão sem unidade e vice-versa.

Comunhão é mais do que "experimentarmos os minutos durante o lanchinho depois do culto ou depois do quebra-gelo". Comunhão é mais do que curtirmos a piscina no tempo livre. Comunhão ou Koinonia é profundidade, é se deixar vulnerável para o outro, é pensar no outro antes de pensar em si mesmo, é se alegrar simplesmente porque o outro está feliz. Embora seja muito bom viver momentos divertidos com os amigos (e a Koinonia também envolve isso), o aprofundamento é a melhor maneira de comprovar se, legitimamente, existe uma comunhão genuína. Como diz uma bela canção:

"...Da multidão dos que creram era só um o coração e a alma...
Uma só mente, uma semente...
Somente uma esperança brotando dentro da gente..." 
(Unidade e diversidade - Guilherme Kerr Neto)

Isso é comunhão.

Unidade? Eu reconheço a minha absoluta incapacidade de descrever a sublimidade desse termo. A única resposta para isso é João 17 - a acrópole da unidade bíblica.


Isso é unidade.

Esses são os reflexos de uma vida InComUn... é o cerne de vida incomum, vivida somente em Cristo, por Ele e para Ele (1Coríntios 8:6).

Parafraseando o Apóstolo Paulo, encerro esse post dizendo:

"...Agora, pois, permanecem a intimidade, a comunhão e a unidade; estas três, mas a maior delas é a glória de Deus...".

Intimidade. Comunhão. Unidade. No fim das contas, isso só faz sentido se a glória de Deus se sobrepõe a tudo - inclusive a mim e a você. Ele é quem deve crescer, Ele é quem deve ser exaltado. Vida incomum só é incomum porque a glória de Deus é mais incomum do que qualquer coisa que você e eu poderíamos imaginar.



E, mais uma vez, pela vida InComUn,



Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

In-com-un...

Caros leitores remanescentes,

Depois do último texto ter sido deveras ácido e impopular, eu não vou mudar muito de ideia e continuarei a exprimir meu lado intelectualmente corrosivo (risos) nesse novo post... Mas, sinceramente, pretendo que meu radicalismo e minha expressividade sejam relevantes pra quem ler. 

Bem, vamos lá.


Estamos próximos de mais um feriado prolongado (algo típico dos brasileiros, que amam mais um dia de folga - ora, como brasileiro, eu também aprecio e aproveito esses momentos mais livres). Porém, esse é mais um daqueles feriados dos quais, normalmente, poucos entendem o significado - eu mesmo, na verdade, não sei porque esse período do ano é chamado de Corpus Christi (se alguém souber a história referente a essa data e quiser falar sobre isso aqui no blog, eu agradeceria muito). No fim das contas, tudo isso se torna, simplesmente, em mais um tempo livre estendido, no qual o nosso objetivo máximo é aliviar o estresse do dia-a-dia de trabalho, vida estudantil (dentre outros afazeres) e, enfim, parar por alguns momentos e "viver do ócio". 

No meu caso, eu estarei saindo de minha rotina acadêmica e me deslocando (ou seria "me deslogando"? rs) pra um lugar bem tranquilo a fim de aproveitar o feriado com muitos amigos num acampamento para universitários (não é nada disso que você está pensando) - um tempo de muita diversão, diálogos interessantes, boa música e, claro, procurando conhecer mais Àquele que é razoavelmente lembrado pelo seu "corpus" mas que, em contrapartida, está vivo e reina sobre tudo (Romanos 14:9). 


Por falar nisso, eu gostaria de fazer alguns destaques em relação ao título deste post.

Talvez você comece me corrigindo o português, pois o correto é dizer "incomum" e não "incomun", não é? Mas a minha intenção foi, de fato, escrever "errado", para que o post faça mais sentido. 

Incomum é uma palavra derivada do latim incommune e significa, basicamente, "não comum" ou "fora do comum". Fazendo um paralelo com o tema "mediocridade" do texto anterior, "ser incomum" pode ser exatamente o oposto de "ser medíocre". Entretanto, ser incomum é algo incomum pois, como já foi dito aqui, a mediocridade nos persegue a cada minuto ou, sendo ainda mais drástico, ela está em cada ato, cada gesto, cada respiro e sorriso nosso. Provavelmente, a única atitude não-medíocre de nossa parte é o reconhecimento de nossa própria mediocridade (Lucas 18:13). 


Em determinado sentido, não há ninguém incomum. Todos nós somos seres humanos. Todos, de certa forma, temos os mesmos traços de caráter - sejam bons ou ruins, do ponto de vista humano -, temos as mesmas aspirações (ainda que cada um procure satisfazê-las de formas diferentes) e, logicamente, temos as mesmas carências. Embora, devido ao nosso orgulho e necessidade de autoafirmação, tenhamos um apego compulsivo por "ser original" e por "ser diferente" (ou, pelo menos, parecer isso), continuamos a ser quem somos: seres humanos únicos, porém humanos como os demais. Me lembro de certa música, que diz: "...tanto clichê deve não ser..." Será? Pode ser.

Na verdade, a nossa busca desesperada por aparentar uma originalidade e por exibir uma "incomunidade" ratifica, de modo bastante irônico, que somos iguais aos outros:  medíocres, inflados em si mesmos, "autojustificadores", ávidos pelos holofotes e por estar no centro das atenções... enfim, comuns. 


Pensando bem, o que há de mais "incomum" em nossa sociedade (ou uma das coisas mais raras) é a compreensão, por nossa parte, de que somos todos iguais, embora diferentes. Os diversos movimentos sociais (sejam minoritários ou não) almejam a atenção e o respeito de todos - até mesmo por meio de uma pseudo-tolerância - e, por outro lado, nas relações do cotidiano, também procuramos o mesmo: proeminência, primazia, relevância, destaque, glória. Amamos nos achar nossos próprios "deuses" e, nesse engano desprezível, perdemos tempo e não nos focamos naquilo que, de fato, interessa - a consciência de que somos uma COMUNIDADE de seres humanos criados para conhecer a Deus e, como resultado desse conhecimento "incomum", vivermos uma vida incomum (Mateus 16:24-26).

Mas, como assim? Conhecer a Deus implica uma vida incomum?

Conhecer a Deus implica uma vida incomum porque, no esquema de Deus, viver é resultado do morrer. Isso mesmo! Você não está lendo coisas. Viver segundo Deus começa com a morte. 

Sabendo que fomos criados por Deus à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26-27), temos, de algum modo, sinais de sua obra criadora em nós (pensamos, temos vontade, somos criativos, temos consciência etc.). No entanto, após o episódio do Éden de Gênesis 3 (no qual o homem pecou conscientemente e, dessa maneira, é responsável por sua situação atual de condenação diante de Deus - Romanos 3:9-20), todos nós morremos. Mais do que a morte física, a vida de Deus saiu de nós porque o pecado passou a nos escravizar (João 8:34) e nos tornamos amantes de nós mesmos e seguidores do príncipe das potestades do ar (uma nomenclatura associada a satanás) - ver Efésios 2:2-3. Na contramão dessa situação catastrófica, Jesus aparece e diz que, se alguém quiser segui-Lo, deve negar a si mesmo e tomar a cruz. É mais do que negar os seus projetos de vida, é mais do que negar os seus desejos. VOCÊ deve desaparecer do mapa. EU também devo desaparecer do mapa, pois "aquele que quiser salvar a sua vida a perderá e quem perder a sua vida por amor de Mim a salvará". Simplesmente. Do ponto de vista de Deus, é preciso morrer pra viver. 


Mas, como isso funciona?

Simples: todos nós estamos mortos se estamos sem Deus (Efésios 2:11-12), pois Ele é o autor da vida (Atos 17:24-25). Por outro lado, a Escritura diz que "...Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou..." (2 Coríntios 5:15). Essa é a mensagem de Deus: Ele nos criou, nós o rejeitamos por achar que podíamos ser nossos próprios "senhores" e nos tornamos "zumbis" e, há alguns bons séculos, Ele (por meio de Seu Filho Jesus) deu Sua vida para que os homens voltem à vida para viver Nele e por Ele. Pode haver algo mais "incomum" do que  viver Naquele que é o Criador e Supremo Maestro do universo? "Nele vivemos, nos movemos e existimos", já dizia o Apóstolo Paulo a respeito de Cristo - citação inicialmente usada pelos poetas gregos em referência a Zeus, principal divindade do panteão grego. 

Finalmente, a vida "incomun" com Deus envolve INtimidade, COMunhão e UNidade (conhecê-Lo acima de tudo, caminhar com outros que o conhecem e torná-Lo conhecido àqueles que não O conhecem - tudo isso em comunidade, vivendo a nossa humanidade). O esquema é esse: reconheça que você está morto em si mesmo e que a única saída pra esse dilema é crer no poder de Deus em te dar essa vida incomum porque, embora você não perceba, ela é o que você mais precisa. (Efésios 2:4-7).


Pense nisso, pois a vida InComUn é a maior aventura que você pode experimentar!




Pela vida incomum Nele,



Soli Deo Gloria!


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Viciados em mediocridade...


Você não está no blog errado. O título do post é esse mesmo.

Depois de um texto mais lúdico, no qual fiz referências a cidades ideais e reinos imaginários (como Pasárgada, Nárnia e Atlântida) como figuras do céu e da eternidade [embora tenha também ressaltado a questão da tolice do homem em querer ser seu próprio Deus], minha intenção neste post é ser mais ácido, áspero, sem meias palavras mesmo. Já que não pretendo me candidatar a prefeito da minha cidade (esse ano é ano eleitoral nos municípios do Brasil), não tenho que estar preocupado com a retaliação e a impopularidade que deverão me seguir depois deste texto. Não é pressão psicológica; você ainda pode sair deste blog, antes de começar a se revoltar contra mim ao ler o que está por vir. Eu não estou brincando.


Mediocridade. Tenho pensado nessa palavra há um bom tempo e, depois de um período de reflexão, cheguei à seguinte conclusão: eu, você, nossos pais, nossos familiares, os colegas da escola, da faculdade e até as pessoas da igreja [infelizmente, acho que principalmente essas últimas] somos viciados em mediocridade. Todos são. TODOS. Nós amamos ser medíocres e nos orgulhamos de nossa própria mediocridade (o que é ainda mais medíocre). Curiosamente e enganosamente, a mediocridade nos dá prazer, sensação de plenitude, de superioridade e de retribuição diante dos outros por aquilo que, supostamente, fizeram contra nós. Porém, como todos são medíocres, todos constituímos um ciclo vicioso de mediocridade – no qual os nossos defeitos e mazelas de caráter se manifestam em toda a sua força e, como resultado, transmitimos uns aos outros a contaminação e a amargura que permeia as nossas mentes e corações. Sinceramente, nada é mais venenoso e maléfico (pelo menos, do ponto de vista das relações humanas) do que a mediocridade. Entretanto, nós somos os peçonhentos da história. Ainda dá tempo de você desistir de ler o texto até o final. Sério.

A mediocridade está em toda parte. Nas discussões repugnantes das CPIs (ou na falta de discussão, já que os criminosos estão preferindo ficar calados ultimamente) e nos programas de TV do domingo, nas brigas de torcidas organizadas por causa de algo que deveria trazer diversão e nas reclamações por causa da pia cheia de pratos e talheres sujos [na verdade, você deixa a pia limpa e ouve reclamações e, se não faz, ouve do mesmo jeito!], nas disputas por herança de família e no complexo de superioridade moral tão comum entre os religiosos. A mediocridade nos acompanha ao longo do quarteirão e, na próxima esquina, ela estará nos esperando. Por outro lado, os outros são seguidos por ela na medida em que também andamos e, quando eles nos encontram na esquina da rua seguinte, lá está ela. “Mediocridade. Mediocridade” - sejamos ateus ou hinduístas, racionalistas ou panteístas, cristãos ou budistas, esse é o nosso mantra de cada dia. Mediocridade – essa é a nossa palavra de ordem. Mediocridade – esse é o lema natural da vida humana. Mediocridade.


Mas, o que é mediocridade?

Sem me prender ao dicionário, poderia definir mediocridade como “aquilo que é negativamente mediano, banal, trivial, desprezível etc.”. Logo, ser medíocre é ser médio, é ser como os demais, é não ter diferencial, é ser descartável – ora, se algo é descartável, ele serve apenas por um breve momento e, depois de usado, é jogado no lixo. Os medíocres são dignos do mesmo destino; desse modo eu, por mim mesmo, sou igualmente descartável e sem qualquer importância. Mas você também é. Os seus ídolos também são. Os seus maiores referenciais também. Todos nós somos, por nós mesmos, descartáveis. Por outro lado, se você conseguiu chegar até esse ponto do texto, você é um leitor sobrevivente, visto que conseguiu ler um monte de palavras “medíocres” escritas por um blogueiro ainda mais “medíocre”. Nada mais, nada menos.

Em contrapartida...

Por que “dar importância” a essas palavras medíocres? Será que é possível tirar algum proveito disso tudo? 

Talvez.

Pois, sempre que penso em mediocridade, me lembro de uma história narrada no evangelho segundo Lucas, a qual está relatada abaixo:

“Jesus disse também essa parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu, e o outro publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças Te dou, por que não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador! Digo-lhes que este foi justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exaltar, será humilhado e, qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado”. (Lucas 18:9-14)


O fariseu dessa história é um exemplo-mor de mediocridade, pois ele olhava para o mundo ao seu redor e se julgava superior a todos e, para ratificar sua mediocridade, ele tentava fazer seu “pé-de-meia moral” diante de Deus, como se Ele fosse manipulável por homens - mas a nossa realidade religiosa atual não é diferente. Nós também, quase sempre, confiamos em nós mesmos, nos justificamos conforme nossos próprios padrões e desprezamos os outros - ora, os outros são mundanos, pervertidos, pecadores que matam, roubam, bebem, fumam, vão à balada, usam tatuagem, gostam de “heavy metal” e não usam roupas decentes e nós, por outro lado, somos santos, usamos vestes recatadas, não fumamos, nem bebemos, vamos todo domingo à igreja, não ouvimos “música do mundo” nem mesmo “rock gospel” e seguimos as tradições de nossa denominação. Vestimo-nos de nosso personagem a cada ida à igreja e, quando voltamos pra casa, voltamos a ser quem somos. Assim como os fariseus, temos nossos momentos de sepulcros caiados – mas, se agora nos lembrarmos do que a Bíblia diz, saberemos exatamente qual é a mensagem de Jesus a esse respeito (vide Mateus 23).


Em tudo isso, o mais medíocre, em minha opinião, é o pensamento comum no meio religioso (particularmente cristão) de que Deus se agrada primordialmente naquilo que intencionamos fazer para Ele, visto que acreditamos que, se intencionarmos fazer qualquer coisa para a glória de Deus, essa atitude automaticamente glorificará a Deus e, consequentemente, Ele se agradará de nossa conduta. Embora eu acredite, sem qualquer sombra de dúvida, de que tudo que eu faço (seja comer, beber, ver um filme, jogar futebol, estudar química orgânica, ouvir blues, conversar sobre filosofia, namorar, viajar para outro país ou outra coisa qualquer) pode e deve ser feito para a glória de Deus – ver 1 Coríntios 10:31 -, não faz o menor sentido dizer que a glória de Deus está subordinada às minhas intenções. Como já escrevi em outro texto, a glória de Deus deve determinar o que eu devo intencionar fazer ou não fazer, e não o inverso. Porém, os medíocres (como eu) pensam que podem encaixotar Deus por se julgarem bons, justos, mais íntegros e “mais santos” do que os demais. Com o perdão da gíria, nós somos realmente muito idiotas, na moral!


Entretanto, na contramão da mediocridade surge o publicano, o qual, por um lado, também era medíocre (ele mesmo se vê como pecador) mas, por outro, ele tem a atitude correta: ELE RECONHECEU QUE ERA MEDÍOCRE. Mais do que isso: o reconhecimento por parte dele foi tal que ele se julgava indigno de olhar para o céu – o que pode ser considerado, em sentido conotativo, como uma atitude de temor sincero de Deus e humilhação – e, por ver a sua situação de real desespero, batia no peito e clamava por compaixão [diferente de nós, que batemos no peito inflados de orgulho e autossuficiência]. Ele grita para Deus: “Tem misericórdia de mim, que sou pecador!” [Lucas 18, vs. 13] e, de um modo sublime e inspirador, Jesus diz que este homem foi justificado para sua casa (enquanto o fariseu continuou injusto diante de Deus) porque “...todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado e todo aquele que se humilhar será exaltado...” [Lucas 18, vs. 14]. Que lindo! Os humildes são exaltados, os que se vêem como nada são cobertos de dignidade, os que reconhecem que são totalmente injustos por si mesmos são declarados justos. Como diz certa música: “...isso é a Graça e nada posso fazer...”. Nada, nem mais nem menos. Ele fez tudo que devia ser feito - Romanos 3:23-28.


Finalmente, a melhor forma de encerrar esse texto é citar uma linda música, na qual o poeta reconhece sua própria mediocridade e diz:

“Eu canto pra Ti... Sei onde estou... Olhando pra mim posso saber que nada sou... Eu grito pra Ti, ó Deus, vem me socorrer... Olhando pra mim posso saber que nada posso fazer...”

Exatamente isso.



Pela consciência de minha mediocridade e de Sua sublimidade,



Soli Deo Gloria! 

sábado, 26 de maio de 2012

Vou para o reino de Nárnia...


Mais uma semana desse maio chega ao fim e, dessa vez, pretendo escrever sobre algo mais cotidiano... Espero me inspirar daqui pra frente.

A situação caótica em que algumas cidades do país se encontraram (ou ainda se encontram) devido às paralisações de rodoviários e professores (como em Salvador/BA), trens e metroviários (na capital paulista) – sem contar os transtornos do trânsito, das chuvas, do descaso da saúde pública e da violência – tornou essa semana uma semana peculiar. Não tão positivamente peculiar (pelo menos sob os aspectos mencionados), mas, de qualquer sorte, completamos mais uma semana vivos - motivo suficiente para sermos mais gratos por aquilo que temos. De fato, por mais que nossas críticas contra os serviços públicos sejam normalmente pertinentes (metrô lotado ou a falta do metrô, poucos ônibus circulando pela cidade para atender à população etc.), a ausência total desses serviços é ainda mais prejudicial. Surpreendentemente, até aquilo que é ruim ou inadequado tem seu lado bom. Na verdade, as coisas “ruins” acabam contribuindo para o nosso bem-estar; enfim, para o nosso bem. 


Mas... Como as coisas ruins podem ser benéficas? (talvez seja essa a sua pergunta agora – uma pergunta perfeitamente lógica).

Vamos começar.

Nós não gostamos do caos. Não gostamos de desordem (o que diriam os amantes da termodinâmica agora?). Não gostamos quando as coisas saem do nosso controle e, por isso, somos inseridos numa situação de desconforto. Não gostamos de ver nossos planos frustrados, nem mesmo de mudar de ideia por causa de imprevistos (eu que o diga)... Gostamos de ter o controle, gostamos da ordem e da lei (enquanto elas nos agradam, é claro), do conforto e da “sombra com água fresca”... Mais do que isso, não aceitamos quando as coisas acontecem de uma maneira diferente daquela que planejamos e, na pior das hipóteses, transferimos a “culpa” ou a responsabilidade para os outros, para a sociedade e até para Deus. Ora, às vezes não dizemos: “Ai meu Deus, por que isso teve que acontecer? Por que vai chover logo no dia de minha prova do concurso da Petrobras? E essa greve na minha universidade? Eu preciso terminar meu doutorado...” Me desculpem a postura enfática, mas a melhor resposta para essas perguntas é: as coisas acontecem como devem acontecer e, como nenhum de nós se chama “Deus”, não temos direito de contestar nada. Simples assim.


No entanto, você pode ainda me questionar: “...essa sua afirmação é muito drástica e sem fundamento... por que eu devo concordar com isso?” Ótimo, você está indo no caminho certo. É bom ser questionador, desde que os questionamentos tenham como alvo a descoberta das verdadeiras razões por trás das coisas. Eu também sou questionador e, nesse sentido, meu objetivo é sempre compreender as coisas como de fato são, mesmo que essa compreensão seja restrita aos limites de minha humanidade. Sem mais delongas, vamos às respostas.


Hoje mesmo, pouco tempo antes de começar a escrever esse texto, li no mural do facebook de uma colega – Clarinha, obrigado! rs - o seguinte registro atribuído ao profeta Isaías (o qual está presente no livro do Antigo Testamento que leva o seu nome):

“Ai dos que querem esconder profundamente o seu propósito do Senhor! Fazem as suas obras às escuras e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? Vocês pervertem tudo, como se o oleiro fosse ao barro e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe”. (Isaías 29:15-16)

Quando li esse texto bíblico, a primeira coisa que me veio à mente (eu até comentei na postagem) foi a soberania total de Deus. E, se a soberania Dele é total, somente Ele tem soberania. Nem eu, nem você, nem nenhum homem, por mais poderoso e influente que seja, é soberano. No fim das contas, os títulos relativos aos monarcas, faraós, imperadores, príncipes, ditadores e senhores feudais ao longo da história são um imenso sofisma, uma falácia, uma fábula para boi dormir... Como essa minha amiga mesma disse, “é uma burrice tentar ser Deus”, pois enganar a si mesmo é coisa de gente insensata e inconsequente.



Ou seja, só Deus é soberano e, como resultado, Ele é quem controla as coisas e, de um modo chocantemente insano, gerencia e determina a ordem em todo o “caos” que nos cerca – as greves, a violência urbana, a seca no sertão, o problema da saúde pública, a desestruturação da família, a inversão de valores, a injustiça social, a corrupção na política, as catástrofes naturais, a crueldade com as crianças e idosos e, finalmente, o pior caos que existe: o nosso coração perverso e desesperadamente corrupto, como disse o profeta Jeremias em seu livro (17:9). Como também está escrito: “...o Senhor estabeleceu o seu trono nos céus e o seu reino domina sobre tudo...” (Salmos 103:19). Tudo é TUDO.

Além disso, o “caos” sempre vai nos acompanhar porque, enquanto nós vivermos por aqui, conviveremos com a imperfeição ou, como poetizou Renato Russo: “...o caos segue em frente com toda a calma do mundo...”. E, se o caos segue em frente passo a passo, a cada novo dia enfrentaremos dissabores - mas momentos bons também existirão. Logo, o que nos resta é estar atentos para aproveitá-los e, se formos prudentes, olharemos para as coisas ruins com outro olhar – pois um grande sábio disse certa vez:

“No dia da prosperidade, desfrute do bem, mas, no dia da adversidade, considere; porque também Deus fez este em oposição a aquele, para que o homem nada ache que tenha de vir depois dele” (Eclesiastes 7:14).


Deus fez todas as coisas – as que são boas e as que nos parecem ruins – para não cairmos na presunção de esperar que o futuro seja como gostaríamos que ele fosse. Jesus disse certa vez que “basta a cada dia o seu próprio mal” e, nesse sentido, nos ordenou a buscarmos o reino de Deus antes de qualquer outra coisa e, dessa forma, as outras coisas nos seriam acrescentadas. Isto é, eu não tenho que pensar em correr desesperadamente atrás das coisas para desfrutar delas, mas sim devo ter minha mente completamente direcionada para o que de fato importa: o reino Dele, a vontade Dele, o conhecimento Dele. O resto é bônus.

Finalmente, quero dizer que o “caos” vai acabar um dia. Está escrito: “...eis que faço novas todas as coisas. E ele me disse: escreve, pois estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Apocalipse 21:5). Chegará o dia da mudança para Pasárgada, onde “se é amigo do Rei e onde a ternura é a ordem e a lei...”, o dia em que o “reino de Atlântida” não será apenas uma lenda ou uma lembrança presente nas ruínas de Pompéia/Itália, em que o “reino de Nárnia [e Cair Paravel]” estará fora das crônicas de C. S. Lewis ou além dos acordes e versos de Jorge Camargo e Gladir Cabral... E, sabe de uma? A melhor notícia que eu poderia te dar é que o passaporte está garantido, pois o próprio Rei pagou o preço dele com seu próprio sangue para nos levar para lá, para perto Dele (Efésios 1:7-9, Colossenses 1:12-14, 1Pedro 1:18-20 e 3:18a).


Entretanto, é necessário que você reconheça que você é indigno de participar dessa viagem (mais do que isso, que você merece ser enviado para outra viagem bem diferente, uma viagem sem volta e para um sofrimento sem fim, a exemplo da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra – Romanos 9:29 e Salmos 103:10) e que é também incapaz de fazer qualquer coisa que te faça merecer ou alcançar esse passaporte. Arrependa-se e acredite no amor Dele, na bondade Dele manifesta na morte de seu Filho (Marcos 1:15 e Romanos 5:6-8), pois o “País de Aslam” é o destino seguro de todos os que se arrependem, negam a si mesmos e passam a viver, se mover e existir Nele.



Pela esperança infalível no Reino,



Soli Deo Gloria! 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Como é que se diz "eu te amo" hoje em dia...

Eu gosto de perguntas.

Se você é um leitor atencioso deste blog, você deve ter percebido que eu gosto de brincar com as perguntas. As perguntas são um aspecto fundamental da construção de nossos conceitos, valores e ideias. Sem perguntas não há reflexão e, dessa forma, não existem conclusões. Verdadeiramente, como um certo comercial de TV bastante inteligente apresenta, "não são as respostas que movem o mundo; são as perguntas".


Portanto, o título deste post não poderia deixar de ser uma pergunta.

"Como é que se diz "eu te amo" hoje em dia?" Essa era a pergunta de um poeta descendente de italianos que se tornou ícone do rock brasileiro em meados dos anos 80, dada a sua capacidade de dizer coisas que ninguém tinha conseguido dizer àquela geração desiludida com a sociedade à sua volta, com a política, desiludida consigo mesma. Seu nome era Renato Manfredinni Jr. (mas conhecido por todos como Renato Russo), cuja vida conturbada por drogas, álcool e uma liberdade sexual desenfreada tornaram a sua vida curta - a morte bateu à sua porta aos 36 anos de idade, na madrugada de 11 de outubro de 1996... A música brasileira perdia um poeta rock 'n roll e a juventude brasileira perdia um de seus maiores influenciadores mas, como é notório, sua poesia inteligente, profunda, bela e às vezes depressiva (é verdade) permanecem na memória daqueles que viveram essa época, alcançando até mesmo aqueles que nasceram depois de sua morte. De fato, a boa arte é um legado por si mesma.



Mas, "como é que se diz 'eu te amo' hoje em dia?" Quem se atreve a me dizer?

Primeiramente, nunca se falou tanto em amor, em amar ao próximo, em tolerância, em combate aos preconceitos e às variadas formas de discriminação como atualmente... As diversas organizações e os movimentos de determinados segmentos sociais têm, impetuosamente e (até mesmo) "intolerantemente", lutado por respeito, igualdade de direitos, igualdade de salário etc. As pessoas, de uma forma ou de outra, refletem em suas ações [embora com uma roupagem quase sempre egoísta e partidarista] que precisam e anseiam por respeito, por aceitação, por igualdade... elas precisam de amor, elas anseiam por amor. 

Por outro lado, o amor é o conceito (se é que eu posso limitar o amor a isso) mais banalizado, barateado e deturpado de nossos dias. Não é nada incomum se ouvir na TV - seja em novelas, filmes ou mesmo em casos reais, por exemplo - que o namorado matou a ex-namorada por "amor", que alguém cometeu suicídio por "amar" alguém que o rejeitou, que uma mãe abandonou um filho para o "bem" dele [já que não teria condições de criá-lo, o deixou na beira no rio] e até mesmo aquilo que é essencialmente pecado tem sido chamado de "amor" - o adultério e as demais relações sexuais ilícitas, o orgulho, a vaidade e as "boas ações" em nome de meu status... Existe uma música bem atual que diz que "amar não é pecado" mas, na verdade, o mais correto é dizer que "o pecado não pode ser amor", pois "Deus é amor" (1 João 4:8b) - logo, tudo que é gerado do amor deve ser puro, verdadeiro, legítimo e benigno... Ora, tudo que vem Dele é bom e perfeito (Tiago 1:17 e 1 Timóteo 4:5), de modo que nada que é pecaminoso pode ter origem no Amor não sendo, por tudo isso, uma manifestação de amor. 


Mas... o que é o amor? Onde ele está? 

Sinto lhe informar, mas eu não sei definir o amor, porque eu não sou capaz (e quem se ousaria a ser?) de definir DEUS. DEUS É AMOR. Essa é a definição mais simples e mais inatingível de amor que eu conheço. Nem eu, nem você nem ninguém tem, por mais perspicaz e sábio que seja, uma ideia que possa se aproximar do real sentido dessas três palavras... DEUS É AMOR. Isso é absolutamente chocante, incompreensível em sua plenitude, grandioso, sublime, elevado, perfeito, nobre, inspirador, consolador e terrível. Deus é amor. Eu não sou o amor, você não é o amor. Todo amor verdadeiro, puro e genuíno só pode ter origem Nele... Você não pode saber o que é o amor sem saber quem Deus é e, de um modo bastante drástico e fidedigno, você não pode saber quem Ele é se Ele não quiser se revelar a você (Mateus 11:27, João 1:18). Simples assim.

Deus é amor. Deus também é eterno. Logo, o  amor é eterno (1Coríntios 13:8). O amor também é o cumprimento da Lei (Romanos 13:10), visto que os dois principais mandamentos são "amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de todas as forças" e "amar ao próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:37-40). O amor é o "caminho mais excelente". O amor é o que há de mais valioso e que, ao mesmo tempo, vai permanecer no fim das contas. Como diz o Palavrantiga:

"...o amor se revela a mim como uma bandeira, Verdade e Graça, um mandamento e é nossa canção..." [música "Amor que nos faz um"]

"...tudo que eu fizer de fé ou esperança, se não estiver no amor não irá permanecer... embora seja grande, não é obra eterna... esse é o dom que durará pra sempre..." 
[música "Um"]


Mas a pergunta continua no ar... Como é que se diz "eu te amo" hoje em dia?


No auge do Orkut (risos) havia uma comunidade chamada "Te amo não é bom dia" [e, de fato, é verdade], embora Renato Russo tenha dito que a forma de se dizer "eu te amo" hoje em dia é "eu te amo" mesmo... Certamente ele queria dizer com isso que o amor verdadeiro fala por si mesmo, sem precisar de muito enfeite. Ser simples torna os gestos de amor mais belos, realmente.


Mas a minha resposta é diferente.


Quando penso nessa pergunta, a única resposta que vem em minha cabeça é que a forma de se dizer "eu te amo hoje em dia" é a mesma forma desde a criação do mundo, pois está escrito: 


"...Não foi com coisas corruptíveis, como prata e ouro, que fomos resgatados da nossa vã maneira de viver que por tradição recebemos de nossos antepassados, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de nós... por meio Dele vocês creem em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu glória, para que a nossa fé e esperança estivessem em Deus..." [1 Pedro, capítulo 1, vs. 18-21]


"...Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
Porque apenas alguém morrerá por um justo, pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores". [Romanos 5:6-8]


Podemos expressar o amor de diversas maneiras, mas nada se compara a essa demostração de amor do próprio Deus: dar a vida do Seu Filho por pecadores indignos, maus, perversos no coração, corruptos no caráter - melhor, Jesus se deu espontaneamente "...pelos pecadores, dos quais eu sou o principal..." (1 Timóteo 1:15 e João 10:18). A forma mais elevada de se dizer "eu te amo" hoje em dia já foi dita antes da fundação do mundo - o cordeiro morto, o sangue derramado, a vida de um justo em favor de injustos. 




Não são necessárias novas formas de se dizer "eu te amo" hoje em dia, pois Ele já disse isso há muito tempo e o que Ele fez é perfeito e suficiente. Realmente, os Beatles estão certos em dizer que "...tudo o que precisamos é de amor...", só que é mais do que isso: precisamos conhecer e nos render àquele que é Amor, a Quem deu a prova mais impressionante de Ser Amor. 


All I need is love. All you need is love. All we need is His Love!






Soli Deo Gloria!