Após mais um período ausente, creio que é hora de escrever novamente.
Os últimos meses têm sido muito atarefados por ocasião do encerramento do doutorado (que já está quase concluído, excetuando alguns trâmites burocráticos) e do trabalho. Todavia, não há como conter certas indignações, como os poucos que lêem este blog bem sabem. Assim, visto que não posso (e nem devo) agir do modo que muitas vezes eu gostaria, eu prefiro escrever - ora, não há necessidade de se consertar os dentes após a leitura de um texto, mesmo o mais duro e contundente deles.
Portanto, sigamos em frente e que uma justa medida de amabilidade me ajude até o fim.
Primeiramente, esse texto é dirigido a cristãos (especialmente a evangélicos/protestantes). Entretanto, se algum leitor que não professa a fé cristã (independentemente de seu segmento) ou qualquer outra religião se interessar em continuar a leitura, fique à vontade - espero, assim, contribuir com algo útil e proveitoso para todos os que dedicarem um tempo para este texto, sejam quais forem suas convicções religiosas ou valores pessoais.
Conseqüentemente, como resultado da Reforma Protestante (se algum "Zé Cruzadinha" vier dizer que é "revolução", aconselho que estude o tema calado e com seriedade e, só depois, ouse falar algo decente) - que foi, na verdade, um movimento multifacetado, embora tivesse um cerne comum bastante definido -, diversos segmentos cristãos surgiriam na Europa Ocidental: o luteranismo, o calvinismo (que se tornou mais influente/espalhado posteriormente), o anglicanismo (calvinista em sua confissão, porém liturgicamente distinto das igrejas reformadas continentais), o anabatismo e outros grupos minoritários (jansenistas, menonitas etc.). Nesse contexto, vale ressaltar dois acontecimentos essenciais que determinarão, a partir do século XVII, todo o curso do cristianismo chamado "protestante": a) a controvérsia ocorrida nos Países Baixos/Holanda entre a Igreja Reformada (i.e., calvinista) e os remonstrantes (discípulos, em sua maioria, de Jacó Armínio (de onde vem o nome arminianismo) e b) o nascimento do movimento puritano (e.g., puritanismo) nas Ilhas Britânicas, o qual foi caracterizado por um interesse mais ávido por uma "reforma total" da Igreja inglesa e que influenciaria de modo duradouro os congregacionais, os presbiterianos (em particular), os batistas (aos quais pertenço) e até mesmo muitos anglicanos. Assim, após todo esse pano de fundo, podemos seguir para o tema central deste texto: a exposição da "santa ignorância do pau oco" e como ela pode ser substituída por uma "santa sabedoria sem fingimento", como diria o meio-irmão de Jesus na epístola de Tiago.