segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Da "burrice presunçosa" ou "Engana-te a ti mesmo!"...

Mais um ano se iniciou.

Desse modo, novas coisas também surgiram - um novo governo (e, com ele, determinadas mudanças já começaram e devem continuar a ocorrer), novos desafios individuais (p. ex., no andamento dos estudos), novas prioridades a serem buscadas e, obviamente, muitas aspirações e desejos a serem alcançados ao longo do ano até o 31 de dezembro.

Todavia, outras coisas continuam as mesmas - torço para o mesmo time de futebol, continuo com os mesmos gostos para arte, música e leitura, ainda tenho fascínio pelas ciências naturais e exatas (especialmente a química, a astronomia e a matemática) e, como não poderia deixar de ser, não têm me faltado motivos para publicar outros textos que não gostaria de ter que escrever

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Porém, como a vida não consiste somente na satisfação das paixões e prazeres mas, igualmente, em tomar atitudes necessárias (ainda que muito árduas e dolorosas), acredito que preciso organizar essas idéias e colocá-las aqui... Espero que valha a pena. 

Há duas publicações compartilhei aqui um texto que não gostaria de ter escrito (contudo, escrevê-lo foi necessário). Agora, novamente, tenho outras razões bastante sérias para escrever um texto nascido na angústia e temperado com uma santa indignação. A esse respeito, é importante destacar que o principal público-alvo dessa postagem é o cristão [genuinamente cristão, reitero] e que, portanto, reconhece a Bíblia como a Palavra de Deus inerrante e suficiente nas matérias do conhecimento de Deus, do homem, da vida, da salvação e da eternidade. Se algum leitor não reconhece essas coisas como verdadeiras (ou, no mínimo, não faz de conta que reconhece), pode continuar a ler o texto caso o mesmo desperte algum interesse, embora o objetivo principal já tenha sido explicitado. 

Sem mais perda de tempo, o título deste texto se refere a uma expressão que descreve, em medida razoável, uma das características mais típicas dessa geração atual - a qual é aqui denominada "burrice presunçosa" - juntamente com uma adaptação da famosa frase do Oráculo de Delfos presente no templo do deus mitológico grego Apolo, a qual originalmente diz "...Γνώθι ςεαυτόν..." ou "...conhece-te a ti mesmo!..."

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Logo, o que seria essa "burrice presunçosa"?
Será mesmo verdade que essa expressão se aplica consideravelmente à sociedade hodierna?
Em caso afirmativo, quais seriam as suas evidências concretas?

A expressão "burrice presunçosa", em termos sucintos, seria uma postura soberba e insolente motivada por uma sabedoria pretensiosa, falsa ou falaciosa - em outras palavras, seria "dar uma de sabichão para disfarçar a própria ignorância" ou "se fazer de inteligente enquanto não se é mais do que uma 'besta quadrada'". Isto posto, basta uma observação cuidadosa das idéias ou modelos sociais que norteiam (ou seria "manipulam?") quase todos os comportamentos, crenças e valores (será que isso ainda existe?) da nossa sociedade/civilização atual para se notar que a estupidez humana [a mesma que foi outrora ironicamente celebrada na canção "Perfeição", da Legião Urbana] tem triunfado sobre quase todos e quase tudo. Ora, num mundo em que já se defende a "lógica do assalto", onde o vento pode ser "estocado" [já que a sua velocidade é diferente a depender da hora do dia!], onde "nascer já significa poluir" (pelo menos na França) e, mais gravemente, onde o genocídio infantil mesmo às vésperas do nascimento já é um "direito inalienável" (conforme lei recentemente aprovada no estado norte-americano de New York), é evidente que a insensatez e a vileza encontram cada vez mais proponentes e adoradores, os quais "andam soberbamente por toda parte" enquanto espalham o seu maldito rastro de roubos, burrice, psicopatia e sangue inocente derramado

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Além disso, o aspecto mais importante para esse texto se refere ao fato de que, mesmo diante do quadro nefasto que foi resumidamente apresentado no final do parágrafo anterioro número daqueles que se consideram "cristãos verdadeiros" mas que estão agindo como se a fé que dizem professar não delimitasse o que deve ser feito diante de (ou crido em relação a) tal quadro ou mesmo como se fossem "ateus práticos" não cessa de crescer à minha volta. Como resultado, acho que estou a me dar conta de que a "burrice presunçosa" supracitada é um "privilégio" não apenas dos estudantes e professores das faculdades de linguagens, ciências humanas e pedagógicas deste país ou mesmo da "mídia mainstream" [embora eu conheça e reconheça muitas pessoas da área das ciências humanas e afins que são muito talentosas ou mesmo "mentes brilhantes"] mas também das igrejasas quais atualmente estão, em grande parte, contaminadas por muitos "burros presunçosos", os quais se gloriam de sua própria estultícia [até porque alguns deles nem devem saber o que significa a palavra "estultícia" ou, se sabem, não percebem que a carapuça serve para si mesmos] e se comportam à semelhança dos "fariseus" [que amam citar como exemplos negativos de religiosidade] ao "...coar mosquitos e engolir camelos...", assim como ao "...exibirem-se como belos sepulcros caiados..." ou "...fazendo daqueles que os seguem duas vezes mais filhos do inferno do que eles mesmos...". Será mesmo que eles ignoram a advertência de Cristo que diz "...Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno?..."? [Mateus 23, vs. 34].

Para ilustrar, gostaria de mencionar um episódio no qual um grupo de cristãos (entre os quais eu estava) recentemente discutiu a respeito do assunto "modéstia na maneira de se vestir" a partir de um texto publicado mais especificamente para jovens e mulheres cristãs, dado o atual contexto do verão e das roupas que normalmente são usadas mais freqüentemente nesta época (quase sempre, menos compostas e mais sensuais). No referido texto, o argumento básico era de que, visto que os homens são muito atraídos pelo que vêem [e, dessa maneira, citando o apóstolo Tiago, "...cada um é tentado pelo seu próprio desejo mau, sendo por este arrastado e seduzido..." Tiago 1, vs. 14], as mulheres cristãs deveriam ser mais cuidadosas na maneira como se vestem, tanto para não levar o outro a pecar lascivamente quanto para não se comportar de maneira leviana e desagradável a Deus - ainda que, hoje em dia, muitas mulheres que dizem servir a Deus vivem à luz da falácia mundana do "meu corpo, minhas regras" e, por isso, são como aqueles a quem o apóstolo Paulo repreende na carta a Tito, dizendo que "...confessam que conhecem a Deus, mas o negam com as suas obras, sendo detestáveis, desobedientes e desqualificados para toda boa obra..." [Tito 1, vs. 16]. Obviamente, isso não implica a ausência de responsabilidade masculina em relação ao controle de seus desejos e cobiças bem como não o isenta de sua culpa, pois todo pecador é responsável pelo pecado cometido e deve reconhecer a sua decorrente culpabilidade.

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No entanto, eu tive o infortúnio de acompanhar diversas argumentações espúrias e idiotices do tipo "...façam um favor ao mundo: excluam esse texto!...", ou "...um homem não tem 'lugar de fala' quando o assunto é o 'sofrimento feminino' em relação ao tipo de roupa que a mulher cristã é condicionada pela religião a usar...", ou "...quem disse que a mulher tem que deixar de usar a roupa que quiser porque o homem não consegue se controlar?..." e até mesmo "...eu me alegro de ser como essas mulheres que não se submetem a tais padrões com a mesma alegria que não compartilho de suas idéias...", sendo essa última frase uma menção absolutamente insolente de uma dessas tais "cristãs" a uma outra que tinha o pensamento mais alinhado com o texto em questão. 

Nessa situação, os argumentos anteriores foram expostos em meio a determinadas réplicas que, apesar de às vezes bem incisivas ou mesmo mais ásperas, desmascararam a completa inépcia dessas tais "cristãs" em perceber a própria ignorância e a extensão da perversão de sua cosmovisão cristã/bíblica por idéias anticristãs e nocivas, uma vez que o ensino bíblico [particularmente de Jesus e dos apóstolos] é de que "...ninguém pode servir a dois senhores, pois amará a um e odiará ao outro, e se dedicará a um e desprezará o outro..." [Mateus 6, vs. 24] e de que "...embora vocês tenham sido escravos do pecado, vocês passaram a obedecer de coração à forma de doutrina que lhes foi transmitida, de sorte que vocês foram libertados do pecado e foram feitos servos da justiça..." [Romanos 6, vs. 17-18]. Portanto, se alguém arroga ser ou se declara servo de Deus e acha "opressivo demais" o simples fato de que Aquele que é supostamente seu "Senhor" possui "padrões de modéstia para o vestuário", tal pessoa não corresponde à sua posição de "servo" ou "escravo" ou, no mínimo, está servindo a um "deus" que não passa de uma projeção de si mesma e que, portanto, não é o Deus verdadeiro. Isto é, se alguém continua obstinado nesses pensamentos, tal pessoa não é mais que um idólatra. 

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No Cristianismo, Jesus é o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores; logo, quem quiser "cantar de galo" achando que pode "mandar no pedaço" ou "fazer o seu próprio reino" terá que se dobrar diante Dele - por bem ou por mal. Em outras palavras, se Jesus é Rei, o Cristianismo não é uma "democracia" na qual todos podem exigir "direitos máximos" e Deus faz o papel do "Welfare State" a fim de ser o provedor de todos os caprichos e chiliques de quem quer que seja - Ele não deve nada a ninguém, Ele ordena e exige o que Ele quer, e a quem é servo só resta a obediência voluntária e satisfeita, visto que "...o Senhor é bom e a Sua benignidade dura para sempre..." [Salmo 136, vs. 1]. Diante disso, vale relembrar as notáveis palavras de Cícero que, ao olhar para sua época, declarou o famoso moto "O tempora, O mores!", que em latim significa "que tempos, e que costumes"!

Mas o pior ainda está por vir

Se você imaginou que ter de lidar com a "burrice presunçosa" de supostas mulheres "cristãs" desinformadas quanto aos males do secularismo atual seria a parte mais odiosa desse texto, você "errou!" [como diria o Fausto Silva] ou "...achou errado, bênção!...", em referência aos meus amigos do "Choque de Crutura" [vide Cru Salvador no Youtube]. No entanto, voltando ao que interessa, nesse mesmo episódio que estou relatando eu tive de "suportar com muita longanimidade um vaso de ira" [quem lê, entenda] que, ao se deparar com um dos meus poucos comentários durante a conversa, onde eu afirmei que

"...quando se trata de doutrina bíblica
não há liberdade de opinião
pois, ou nos submetemos à verdade de Deus
ou adotamos um deus conforme nossa conveniência...",

Em resposta escreveu dois "textões" [típica atitude de quem quer "lacrar"] dizendo que eu era um "ingênuo equivocado" por ignorar completamente o fato de que a tal "verdade bíblica" à qual me referi não pode ser comprovada devido à multiplicidade de interpretações do seu conteúdo e a subseqüente gama de correntes teológicas distintas e muitas vezes antagônicas entre si. Ora, se existem tantas interpretações e linhas teológicas diferentes, essa história de "verdade bíblica" é evidentemente uma "convenção dos tempos de trevas da religião" ou um "pensamento ortodoxo conservador retrógrado", pois "pensadores independentes" não são ingênuos a esse ponto

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Inicialmente, a pessoa que afirmou tais coisas nunca me viu nem sequer uma vez na vida e muito menos participou de qualquer roda de discussão ou de uma conversa numa cafeteria para saber o mínimo a respeito de minhas idéias ou de minhas influências intelectuais e teológicas. Logo, as opiniões contidas acima não passam de especulações desprezíveis e mentirosas, pois eu sei bem que a história do Cristianismo mostra claramente a quantidade de dissensões e disputas pelas doutrinas corretas, bem como as incontáveis idéias ditas "heterodoxas" e heresias que surgiram e têm surgido até hoje, além das variadas filosofias do pensamento cristão [desde a Patrística, a Escolástica, os movimentos pré-Reforma, a Reforma Protestante e todos os segmentos que a compuseram ou a sucederam, os movimentos decorrentes de avivamentos ou mais "escatológicos", o pentecostalismo e o neopentecostalismo (com todas as suas peculiaridades)], dentre outros. Se ao menos houvesse um diálogo saudável entre nós, tal pessoa se certificaria de que não sou um "ingênuo equivocado" como talvez ainda acredite [embora isso não importe muito agora] e, mais do que isso, poderia talvez se dar conta de algo que se chama "doutrina da perspicuidade das Escrituras", segundo a qual a Bíblia é suficientemente clara quanto a todas as doutrinas fundamentais que devem ser conhecidas pelo ser humano - o conhecimento de Deus, do universo criado, do homem e de sua natureza, do pecado e suas conseqüências, do plano de redenção, da natureza, vida e obra de Jesus Cristo, da igreja e, finalmente, do juízo e glorificação eternos. 

Por tudo isso, a existência de múltiplas linhas de pensamento sobre a Bíblia e sobre o que ela afirma não indica que ela não seja confiável como "Palavra de Deus" ou que não existe essa coisa de "verdade bíblica", mas sim ressalta a limitação humana no ato de conhecer a Deus exaustivamente e de compreender os Seus desígnios devidamente, pois está escrito:

Disse ainda o Senhor a Jó: "aquele que contende com o Todo-poderoso poderá repreendê-Lo? Que responda a Deus aquele que O acusa!" 
Então Jó respondeu ao Senhor: "sou indigno; como posso responder-Te? Ponho a mão sobre a minha boca". [Jó 40, vs. 1-3]

Mas como pode o mortal ser justo diante de Deus? Ainda que quisesse discutir com Ele, não conseguiria argumentar nem uma vez em mil.
Sua sabedoria é profunda, Seu poder é imenso. Quem tentou resistir-Lhe e teve paz? [Jó 9, vs. 2-4]

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Por outro lado, é necessário dizer que não existe o que se entende por "pensador independente", pois todo indivíduo que começa a desenvolver o seu intelecto (e, talvez, uma vida intelectual posterior) sempre parte do que já foi produzido e, assim, constrói suas idéias e reflexões. Além disso, considerando-se que todos nós somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus e, dessa maneira, nossa racionalidade e capacidade de adquirir e de produzir conhecimento provêem Dele, todo ser humano só é capaz de pensar e aprender alguma coisa pela providência divina, visto que também está escrito que "...o Senhor é quem dá a sabedoria; da Sua boca vem o conhecimento e o discernimento..." [Provérbios 2, vs. 6]. Qualquer coisa diferente disso é conversa para iludir trouxas. 

Contudo, é possível que alguém até afirme que "Deus dá sabedoria ao homem" ou que "Deus conhece todas as coisas" sem ter a correta compreensão das implicações dessas declarações, pois se é Deus quem nos concede sabedoria por ser o possuidor dela, toda suposta "sabedoria" que negue a verdade divina ou a realidade bem como qualquer postura de contumácia ou incredulidade diante do que o próprio Deus testifica como sendo verdadeiro não passa de tolice ou, nos termos desse texto, de "burrice presunçosa". Nesse sentido, vale ressaltar que Deus "assume o risco" [por assim dizer, obviamente] de permitir que seja dito que "...a Tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos Teus juízos dura para sempre..." [Salmo 119, vs. 160] e que "...toda palavra de Deus é pura, e é escudo para os que confiam Nele... Nada acrescentes às Suas palavras, do contrário Ele te repreenderá e tu serás achado mentiroso..." [Provérbios 30, vs. 5-6], de modo que se esse tal "livro sagrado" chamado Bíblia não for deveras a palavra revelada pelo Deus único e verdadeiro, Ele se mostrou fraco [por não ser capaz de preservar o Livro no qual se lê que veio por inspiração Dele] e irresponsável [por permitir que Seu nome fosse relacionado indevidamente com um livro não confiável]. Apesar disso, para quem é do tipo que pensa que a Bíblia "contém a Palavra de Deus, mas não o é", que "muitas coisas que estão escritas são contextuais e produtos de construção social das épocas antigas" ou que "a interpretação da Bíblia deve ser feita à luz dos avanços das ciências naturais, sociais e históricas, pois o nosso conhecimento do mundo é bem mais amplo que aquele dos escritores bíblicos", estes argumentos não são razoáveis - mas isso não faz diferença. No fim das contas, "Deus sempre será verdadeiro e todo homem mentiroso" e, por isso, não convém responder a indagações de pseudointelectuais enfatuados para me igualar a eles em sua imbecilidade e insensatez. 

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Em terceiro lugar, é sempre pertinente salientar o que está escrito na epístola do apóstolo Tiago, como mostrado a seguir:

Quem é sábio e tem entendimento entre vós? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com humildade e mansidão de sabedoria.
Contudo, se tendes no coração amarga inveja e sentimento faccioso, não vos glorieis disso nem mintais contra a verdade.
Pois essa sabedoria não vem dos céus, mas é terrena; não é espiritual, mas é diabólica.
Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa.
Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, amável, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. 
[Tiago 4, vs. 13-17]

Em outra publicação, eu usei essa mesma passagem bíblica para falar sobre a distinção entre a sabedoria carnal e a sabedoria que vem de Deus mas, apesar dessa "aparente repetição", não conheço melhor trecho para ratificar que aqueles que são, de fato, sábios segundo a sabedoria divina, o demonstram pelo seu proceder por meio de obras realizadas com humildade, de tal modo que a atitude constante de um sábio é "suspeitar de si mesmo ao invés de suspeitar da verdade". Mais do que em qualquer outra época da humanidade, é cada vez mais comum ver pessoas que sempre "suspeitam de tudo" e que acham que podem dar "opinião sobre tudo", mas que jamais duvidam de si mesmas. Tudo é passível de crítica, de dúvida, de descrédito ou de desprezo, exceto as suas próprias idéias e inquirições. Nesse contexto, são perfeitamente aplicáveis as palavras do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho que, no filme baseado em seu livro "O Jardim das Aflições", disse que "...somente os idiotas procuram ter idéias próprias; os sábios desejam ter as idéias verdadeiras...", de maneira que a aquisição da sabedoria sempre envolve a consciência do que é atribuído ao filósofo grego Sócrates, i.e., de que "...tudo que sabemos é que nada sabemos..."No mais, o texto diz que, se alguém traz no coração inveja ou sentimento faccioso [ou ambição egoísta], não deve se gloriar nisso nem negar a verdade, pois a "sabedoria" que é acompanhada dessas más obras e afeições é terrena e não celestial, animal e não espiritual, demoníaca e não divina, uma vez que não pode existir nada além de perversidade e confusão onde há inveja e espírito contencioso. 

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Em contrapartida, a sabedoria que vem do alto, do céu - i.e., de Deus por meio de Cristo, o qual foi feito para nós da parte de Deus "nossa sabedoria" - é, antes de tudo, pura [santa, sem contaminação, sem mácula, assim como o Deus que a concede], mas também pacífica [não promove perturbação, mas alívio e refrigério], amável [expressa amor por Deus e, conseqüentemente, possibilita o amor entre os que a experimentam], tratável [produz humildade, espírito ensinável e mansidão tanto em quem compartilha como em quem aprende], cheia de misericórdia e de bons frutos [é abundante em generosidade, compaixão e boas obras], sendo sem parcialidade nem hipocrisia [não promove partidarismos e nem é falaciosa ou falsa]. 

Destarte, eu não quero ser alguém que, na contramão da mensagem do Oráculo de Delfos, se esquece de "conhecer a si mesmo" para "enganar a si mesmo" ao formar no imaginário uma concepção mentirosa a respeito de si, embora o verso "...engana-te a ti mesmo!..." esteja sendo endossado por cada vez mais pretensos "sábios dos tempos modernos", os quais acreditam estar iluminando a si mesmos com uma luz da qual Cristo disse que "...se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas!..." [Mateus 6, vs. 23]. Em outros termos, aquele que possui uma sabedoria que é biblicamente chamada de diabólica está agindo de acordo com aquele de quem vem essa tal "sabedoria" e, assim, revela-se como alguém que não pertence a Deus e que, logo, não O têm como Pai, assim como os judeus do capítulo 8 do evangelho segundo João, dos quais Jesus diz que "...tinham o diabo por Pai e queriam satisfazer a vontade dele..." [João 8, vs. 44], bem como diziam que eram filhos de Deus e que O conheciam, porém Jesus disse que eles eram mentirosos, que eles O desonravam e que, se fossem de fato filhos de Deus, eles O amariam em vez de desejarem matá-Lo [João 8, vs. 42, 49 e 55]. 

Ora, se "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria", quem não O teme jamais poderá começar a ser sábio e, nesse caso, ninguém poderá temê-Lo verdadeiramente sem confiar em Sua Palavra a ponto de guardá-la no coração para não pecar contra Ele. De modo análogo, se "...não há sabedoria, nem discernimento, nem conselho que possa se opor ao Senhor..." [Provérbios 21, vs. 30], qualquer atitude de descrença e de ceticismo diante daquilo que Deus disse [i.e., diante de Sua palavra] não prevalece, pois está escrito que "...Ele conhece os pensamentos dos sábios, os quais são fúteis..." [Salmo 94, vs. 11] e que "...Ele apanha os sábios na própria astúcia deles..." [Jó 5, vs. 13] - em suma, Ele torna louca a pretensa "sabedoria" dos que se julgam "instruídos" e se gloriam de sua "vasta formação", pois até "...a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens..." [1 Coríntios 1, vs. 25]. 

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Finalmente, recordarei aqui o relato do apóstolo Paulo que, ao escrever aos cristãos de Corinto [importante cidade do mundo helenístico antigo em virtude de seu comércio portuário, de sua filosofia e sua religiosidade], afirmou que 

"...Quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente nem com muita sabedoria para lhes proclamar o Evangelho de Deus.
Pois nada decidi saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado. [...]
Minha mensagem e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do poder do Espírito,
Para que a fé de vocês não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus..."
[1 Coríntios 2, vs. 1-2 e 4-5]

A partir dessa passagem, o ensino bíblico é muito claro: Paulo, o apóstolo de descendência israelita, da tribo de Benjamim, fariseu de fariseus e irrepreensível quanto ao zelo da Lei divina [e que, além de tudo, era cidadão romano e profundo conhecedor da cultura greco-romana], ao se deparar com uma comunidade politeísta e onde a filosofia florescia por todos os lados, não quis "dar uma de super-intelectual" nem exibiu sua eloqüência aos moradores daquela cidade quando lhes pregou o Evangelho, pois seu único interesse entre aqueles que "buscavam sabedoria" era Jesus Cristo - e este crucificado. Paulo poderia sim usar de outra abordagem em sua mensagem [como fez brilhantemente no Areópago de Atenas, conforme consta nos Atos dos apóstolos], todavia aqui ele afirmou enfaticamente que "...sua mensagem não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria...", indicando que testemunhar de Jesus Cristo não é a mesma coisa que "...fazer um discurso convincente..." ou que "...lançar mão de uma boa oratória, mas repleta de sofismas....", porém envolve a demostração notória do poder do Espírito Santo, pois somente dessa maneira a fé "...se firmará no poder de Deus em vez de na sabedoria humana...". Nesse sentido, o mesmo Jesus Cristo declarou que Deus "...ocultou essas coisas dos sábios e entendidos e as revelou aos pequeninos, porque assim foi do agrado do Pai..." [Mateus 11, vs. 25-26], de modo que, embora a verdadeira piedade implique uma intelectualidade saudável e que se aperfeiçoa no conhecimento de toda verdade, os mistérios do reino de Deus não são adquiridos por iluminação própria, mas conforme Cristo disse a Pedro após sua confissão: "...não foi carne ou sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus..." [Mateus 16, vs. 17]. Ou seja, nenhum de nós pode aprender nada sobre nada [e, especialmente, nada sobre Deus] sem que Deus no-lo revele, na medida em que Ele concede de Sua própria luz para que as trevas nas quais todos nós estamos [quando ausentes Dele] sejam derrotadas e, sabendo-se que Jesus Cristo é a Luz do mundo, somente aqueles que O seguem "deixarão de andar em trevas para possuírem a Luz da vida" [João 8, vs. 12].

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E quanto a nós? 

Será que não temos nos comportado como "burros presunçosos", nos gloriando em nossas pretensões sem perceber que "toda vanglória desse tipo é maligna"?

Além disso, temos nos dado conta de que o autoengano é mais sutil e perigoso do que normalmente se imagina? Será que estamos "enganando a nós mesmos" sem dar o devido valor à verdade de Deus - ou seja, à Sua palavra?

No mais, a sua sabedoria tem se revelado celestial ou demoníaca?

Finalmente, caso você tenha percebido maus frutos advindos de sua "intelectualidade", até quando vai permanecer sem arrependimento e no engano, sem reconhecer que "Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus", de sorte que Deus escolheu salvar os que nEle crêem pela "loucura da mensagem da cruz", a qual "destrói a sabedoria dos sábios e aniquila a inteligência dos instruídos"?





Pela certeza de que Nele sou verdadeiramente sábio,




Soli Deo Gloria!

sábado, 22 de dezembro de 2018

O Extraordinário entre nós...

O ano está terminando mas ainda separei um tempo para escrever aqui.

Diferentemente do texto anterior (o qual foi propositadamente severo), espero conseguir ser mais sereno dessa vez.

Logo, é hora de escrever antes que o ano acabe.

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Esse texto conterá reflexões relacionadas ao Natal (visto que, neste  momento em que escrevo, estamos a 3 dias do 25 de dezembro) juntamente com algumas considerações referentes a uma canção do compositor Paulo Nazareth chamada "O Extraordinário em nós", a qual inspirou o título dessa postagem.  

Inicialmente, é importante fazer determinados esclarecimentos a respeito do Natal [como o conhecemos no "mundo ocidental"] para elucidar alguns impasses bem como resgatar valores a ele associados, dado o fato de que quaisquer símbolos que representem alguma "oposição" ou "ameaça" ao "novo mundo" ou à "nova ordem" [i.e., o que pode ser chamado de "nova ordem mundial"] a ser estabelecido(a) no "porvir" estão sendo destruídos ou corrompidos pelos seus "paladinos", a fim de serem substituídos por qualquer outra coisa inócua e sem substância. 

Portanto, o primeiro lembrete necessário a respeito do Natal é que a palavra "natal" está relacionada a "nascimento", "natividade" ou "natalidade"numa menção direta ao "Advento"termo usado pelos cristãos para se referir ao nascimento de Jesus Cristo. Desse modo, o conceito de Natal não pode ser dissociado do Cristianismo em nenhuma medida, uma vez que a figura central é o menino da manjedoura, cujo nascimento é considerado o marco divisor das eras no contexto do Ocidente - ora, o tempo é didaticamente dividido em A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo)embora hoje já se está utilizando o termo "Era Comum" em vez de "Era Cristã", para (provavelmente) evitar "ofender" quem quer que seja ou "não incluir" alguma "minoria" qualquer

Além disso, ainda que seja mais lógico considerar ou supor que Jesus Cristo não tenha nascido [de fato] no período do calendário hebraico/judeu equivalente ao mês de dezembro - em virtude das descrições contidas nos Evangelhos - bem como apesar de se atribuir ao Natal um certo ar "pagão" [em razão da hipotética substituição de celebrações pagãs ou simbologias religiosas pela celebração do nascimento do "Filho de Deus" nas nações ditas "cristianizadas"], deve-se salientar que o Natal talvez seja um dos momentos mais simbolicamente essenciais para a identidade ocidental, de sorte que celebrá-lo não é em si pecaminoso simplesmente pelos fatores supracitados, mesmo que a não-celebração consciente também não é errada ipso facto - ou seja [digo isso aos cristãos], cada um deve estar seguro em seu próprio ânimo, não julgando quem o faz ou desprezando a quem não o faz, sabendo sobretudo que "...tudo que não provém de fé é pecado..."

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Em contrapartida, existem dois aspectos dessa época que, embora também não sejam errados por definição, podem se tornar um subterfúgio para depreciação do Natal ou, por outro lado, acabam por ser enfatizados como uma característica principal, de maneira que Jesus Cristo é transformado em um mero adereço pictórico ou é alegorizado em frases de efeito sem qualquer eficácia como "...Jesus precisa nascer nos corações para que sejamos pessoas melhores em um mundo melhor, não para sermos religiosos...". Neste caso, me refiro tanto à compra e troca de presentes quanto às ações solidárias tão comuns nesse período do ano.

De um lado, a famigerada mobilização [por vezes imoderada] para as compras de Natal tanto pode evidenciar uma face "consumista e materialista" de nossa sociedade [ainda que seja saudável e válido compartilhar presentes com os familiares, amigos ou colegas de trabalho] como pode ser instrumentalizada em desculpas falaciosas do tipo "...Para quê existe o Natal? Isso é coisa do capitalismo!...", as quais para nada servem senão para tentar desmoralizar o valor e o significado do Natal e expressam a idéia errônea e mentirosa de que qualquer coisa que possa ser vinculada ao capitalismo (seja legitimamente, seja de modo ilegítimo) é automaticamente maléfica ou desprezível tão-somente porque o capitalismo é "selvagem", "instrumento de opressão" ou outro espantalho fabricado pelos discursos dos que esbravejam contra ele enquanto usam iMac, passam férias em Nova York, Santorini ou Paris e, claro, possuem contas secretas nos paraísos fiscais e/ou na Suíça assim como roubam sem culpa pelo fato de que "roubar para o 'Partido' é um bem necessário à causa"

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Por outro lado, gostaria de ratificar que toda ação solidária é válida e benéfica em algum sentido e, obviamente, deve ser estimulada, em virtude do fato de que o ser humano possui dignidade intrínseca decorrente de sua imago Dei e, portanto, tomar atitudes que objetivem dignificar o semelhante ou, no mínimo, conferir um pouco de alegria a quem constantemente tem de lidar com o sofrimento e privação, é louvável e expressa o caráter amoroso de Deus bem como o ensino geral das Escrituras, as quais dizem que "...os que atendem ao clamor do pobre são bem-aventurados...", bem como que os "...misericordiosos são bem-aventurados, pois alcançarão misericórdia..." e que "...se alguém ver seu irmão necessitado de bens do mundo e, tendo como ajudá-lo, fechar o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?...", de modo que "...não devemos amar de palavra nem de língua, mas por obras em em verdade...". Todavia, o que sempre percebo nessa época é que o valor e importância do Natal são reduzidos a "fazer o bem", a "ajudar o próximo" ou a "lutar por um mundo melhor", de tal modo que o "ser humano solidário", juntamente com suas "boas obras", usurpam o lugar de preeminência que não lhes pertence, pois este é [e deve ser] somente de Jesus Cristo, assim como diz uma velha canção:

"...Eu sei o sentido do Natal
Pois na história tem o seu lugar:
Cristo veio para nos salvar!
O que Ele é pra mim?..."
[Nas estrelas - Vencedores por Cristo]  

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Isto é, o Natal não é sobre nós nem mesmo sobre as nossas "boas obras" em favor dos outros - até porque, como dizia Martinho Lutero, "...devemos nos arrepender não somente de nossas más obras, mas também de nossas 'malditas boas obras'..." -, mas é sobre Jesus Cristo e as obras Dele relatadas nas Escrituras. Em última instância, não existem obras que mereçam ser chamadas de "boas" a não ser unicamente as obras de Jesus Cristo, pois, no tocante à salvação, as únicas obras aceitáveis a Deus são aquelas realizadas pelo Seu Filho [o Qual cumpriu toda a Lei e satisfez todas as exigências da justiça divina] e, além disso, até mesmo as "boas obras" que são demandadas dos seguidores de Jesus Cristo como evidência da salvação foram "...preparadas de antemão por Deus..." e são feitas "...por intermédio Dele...", de modo que não há qualquer espaço para vanglórias inúteis ou vãs presunções para que "...quem se gloriar, glorie-se no Senhor..."

Conseqüentemente, a "assertiva natalina" de que "...Jesus precisa nascer nos corações para que sejamos pessoas melhores ao invés de religiosos..." também é uma falácia, pois não há possibilidade de sermos "transformados em pessoas melhores" [lançando mão dessa idéia] sem que Deus seja o "agente" dessa "transformação" e, dessa forma, só é possível ser "alguém melhor" [i.e., que realize as boas obras que Deus designou] tornando-se "religioso" - no caso, alguém autenticamente religioso e que siga a verdadeira religião, denominada de "pura e imaculada para com Deus Pai" e que [curiosamente] consiste em "...visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se da contaminação do mundo...". Em suma, somente Deus redime pecadores para restaurar neles a Sua própria imagem e, para que esse processo seja realizado, todos são reconciliados com Ele [ou religados a Ele], o que nada mais é do que aquilo que os antigos chamavam de "verdadeira religião", a qual envolve o exercício da misericórdia para com o outro bem como a vida de piedade e retidão

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No entanto, a tentativa de trazer de volta a realidade de que o Natal é digno de ser celebrado, posto que é símbolo essencial da identidade da civilização ocidental [a qual ainda preserva coisas boas essencialmente devido à sua sólida base judaico-cristã], e que, acima de tudo, o Natal tem seu significado subsistente em Jesus Cristo, se torna cada vez mais uma "verdade inconveniente" - em alguns casos, até uma questão de "vida ou morte". 

Recentemente, na lindíssima cidade francesa de Strasbourg/Estrasburgo (localizada na região franco-germânica da Alsace-Lorraine), ocorreu mais um ataque terrorista que chocou o mundo, dado o fato de que o terrorista [europeu de origem marroquina e seguidor do islamismo] realizou seu ataque no meio do "Marché de Noël" [ou "Mercado de Natal"] da cidade - os quais são comuns por toda a Europa nessa época, especialmente nas regiões de população germânica, escandinava ou britânica -, assassinando 4 pessoas e ferindo mais de 10. Em particular, esse ocorrido me deixou muito preocupado no momento, pelo fato de que tenho uma amiga francesa que é dessa cidade, porém felizmente nada ocorreu com ela nem com membros de sua família [ainda que as mortes que ocorreram sejam lamentáveis]. Ou seja, chegamos ao tempo em que até os "mercados de Natal" são ofensivos aos "pobres terroristas" que são tratados como "imigrantes necessitados de abrigo", de sorte que esses "símbolos cristãos não-inclusivos" devem ser destruídos e, nas piores situações, os próprios "infiéis ocidentais" devem ser igualmente destruídos

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Ora, de modo concomitante à barbárie mencionada acima, já existem casos em que as tradicionais canções de Natal tem sido adaptadas nas escolas infantis para que o nome "Jesus" [Jésus, Gesù, Jesu etc.] não apareça - pois isso pode "ofender" as crianças "não-cristãs"! - assim como de que não se pode mais montar "presépios" em espaços públicos  [ou os mesmos não incluem o "menino Jesus" na manjedoura] porque "o Estado é laico". Resumidamente, faço eco às sábias e ousadas palavras de George Orwell, o qual afirmou que "...em tempos de mentiras universais, dizer a verdade é um ato de coragem...", pois parece cada vez mais concreto que o poder de "mandar e desmandar em tudo e todos" está nas mãos daqueles que querem a eliminação/perversão não apenas do Natal, mas de tudo que possa ser relacionado a Deus ou ao Cristianismo. 

Todavia, isso não é tudo que vale a pena ser dito. 

Na verdade, o que há de mais importante é ir até onde tudo começa - muito antes do Anno Domini ou, em outras palavras, do "primeiro Natal".

De acordo com os escritos dos profetas de Israel - mais particularmente, dos profetas de Judá - que compõem o Tanakh dos judeus ou o Antigo Testamento cristão, existem profecias datadas a partir de cerca de 700 anos antes do Anno Domini que preanunciaram a vinda do "Messias" [ou Cristo], as quais destacam inclusive a "concepção virginal" por parte daquela que Lhe daria à luz bem como a região exata de Seu nascimento, como está escrito:

"Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel". [Isaías 7, vs. 14]

"Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre as milhares de Judá, de ti é que me sairá Aquele que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade". [Miquéias 5, vs. 2]

Logo, desde que esses oráculos haviam sido revelados por Deus ao povo hebreu, eles foram tornados mais conscientes da realidade da promessa do Messias que deveria vir para reinar no meio deles e que seria o "Emanuel" ou "Deus presente", embora Ele viesse a nascer de uma virgem numa pequena vila do território de Judá [ou Judéia]. Contudo, outras profecias indicariam que esse "Messias prometido" não seria enviado apenas para reinar sobre os descendentes naturais de Israel, mas sim "até os confins da terra", pois também está escrito nos profetas que:

"O povo que estava em trevas viu uma grande luz; e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. [...]
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. [Isaías 9, vs. 2, 6-7]

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E até mesmo nos Salmos se lê passagens como:

"Nos Seus dias floresça a justiça, e haja abundância de paz enquanto durar a lua. 
Domine Ele de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra. 
Inclinem-se diante Dele os Seus adversários, e os Seus inimigos lambam o pó. [...]
Todos os reis se prostrem perante Ele, e todas as nações O sirvam". 
[Salmo 72, vs. 7-9 e 11]

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Os versículos citados comunicam claramente que o "Primeiro Natal" [i.e., o nascimento do Messias] seria como uma "grande luz" para um povo que "habitava nas trevas" e na "região da sombra da morte", a qual resplandeceria através de "um menino que nasceria" e de "um filho que seria dado", o Qual teria o domínio sobre os ombros, um domínio que se estenderia e que jamais teria fim, pois o Seu reino seria "estabelecido desde agora e para sempre" de acordo com o "zelo do Senhor dos Exércitos". Além disso, Aquele que haveria de nascer de uma jovem virgem é prefigurado como o Rei em cujos dias "floresceria a justiça e haveria abundância de paz", como Aquele que "dominaria de mar a mar e até as extremidades da terra", de modo que os Seus inimigos "se inclinariam diante Dele para lamber o pó" e, finalmente, "todos os reis se prostrariam em Sua presença e todas as nações O serviriam"Ou seja, o Natal é a proclamação da chegada do Rei de todo o universo ao mundo, do Senhor dos céus e da terra à "Cidade dos Homens", do Eterno à dimensão limitada do tempo, do Criador que se encarnaria para assumir a humilhada condição humana para ser "o mais humilhado entre os homens", do Deus Santo que seria chamado de "amigo dos pecadores" e que daria a própria vida por eles.

Entretanto, ainda que o futuro do pretérito esteja sendo usado com freqüência no texto, eu não estou tratando de coisas que ainda devem acontecer ou que estão por vir pois, embora na linguagem profética se lê que "...o zelo do Senhor dos Exércitos fará isso..", agora o que deve ser dito é que "...o zelo do Senhor dos Exércitos já começou a fazer isso...", pois o "menino já nasceu" e o "Filho já nos foi dado". Jesus Cristo, de Belém da Judéia, embora seja chamado "Nazareno" por ter sido criado em Nazaré da Galiléia, já foi enviado ao mundo - o Rei do universo já veio até nós, o Senhor dos céus e da terra já habitou a Cidade dos Homens, o Eterno já experimentou o que é estar no tempo, o Criador se fez como uma de Suas criaturas para ser o mais rejeitado por elas, o Deus Santo já se misturou com os pecadores a fim de chamá-los ao arrependimento e perdoá-los dos seus pecados assumindo em Si mesmo a punição que eles deveriam receber. Porém, esse que outrora foi um "menino" numa manjedoura é hoje glorificado no céu, uma vez que ressuscitou dos mortos para justificar a todos os que Nele crêem e para garantir a última e definitiva esperança deles: a vitória sobre a morte e a restauração da Sua imagem neles

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Finalmente, eu poderia dizer que o real sentido do Natal é o advento do Filho de Deus ou a presença do "Extraordinário entre nós", com o Qual tenho aprendido que "o que há de revelar quem sou lá no fundo" não é necessariamente "o que ficou pra trás" [incluindo os meus pecados pregressos, já que estes foram por Ele expiados] nem mesmo a minha "conta bancária", assim como que "se a vida aqui for por inteiro" - i.e., se a fruição de uma vida de real satisfação e alegria, a qual consiste em conhecer a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo, se inicia desde já -, esse é o "começo do extraordinário em nós para sempre", pois todo aquele que tem prazer em Deus durante sua vida terrena será conduzido à presença Dele no tempo designado para desfrutá-Lo para sempre - o que poderia haver de mais extraordinário que isso?

Por tudo isso, minha oração é que Ele - que veio ao mundo para nascer como um de nós, viver entre nós, morrer por nós e ressuscitar para nós -, sempre me lembre que, assim como Ele foi enquanto esteve em nosso meio, eu também sou [guardadas as devidas proporções] um "personagem de outro Reino" e "peregrino por inteiro aqui", visto que quando fui salvo por Ele da "Cidade da Destruição" para ser guiado pelo caminho rumo à "Cidade Celestial", a minha pátria verdadeira se mostrou ser outra em lugar da minha de origem [ainda que eu ame o Brasil bem como as minhas origens luso-italianas], pois está escrito que:

"...A nossa cidadania/nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo...". [Filipenses 3, vs. 20]

Agora, o que todos devem aguardar não é o Seu advento como um bebê judeu [cuja vinda tentou ser impedida por um decreto governamental que ordenava o assassinato de todos os bebês judeus de menos de 2 anos de idade - qualquer semelhança com a "cultura da morte" promovida pelos movimentos abortistas atuais não é mera coincidência!que nascerá para morrer pelos homens pecadores, mas sim a Sua manifestação gloriosa para resgatar o Seu povo redimido para Si mesmo e julgar a todos os que não deram ouvidos ao Seu Evangelho. Destarte, "o que há de revelar quem realmente sou" [tanto para mim mesmo, quanto para os demais] será a contemplação real do "Extraordinário entre nós" mais uma vez - ou seja, a visão beatífica de Jesus Cristo, que nos transformará para nos fazer semelhantes a Ele, de modo que "saberemos o que haveremos de ser", pois "quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois O veremos como Ele é"

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E quanto a você? 

Qual tem sido (ou é) o real sentido do Natal? 
O que mais importa são as nossas "boas obras" ou as "boas obras" de Jesus Cristo?

Você dá valor aos símbolos que dão identidade à sua civilização ou os tem desprezado em virtude de discursos falaciosos e idéias perniciosas?

Finalmente, o que você fará quando o "Extraordinário" estiver novamente entre nós? Se alegrará com a Sua vinda ou estará aterrorizado ao tentar inutilmente escapar de Sua ira?




Pela esperança de que o Extraordinário voltará para nós,




Soli Deo Gloria!

domingo, 25 de novembro de 2018

Ecclesia Deformata et Nunquam Reformanda est...

Esse deverá ser um texto escrito sob indignação.

De fato, faz algum tempo que eu tenho procurado exercitar a serenidade - especialmente nos últimos meses, nos quais meu país se transformou numa "praça virtual de guerra" -, mas agora minha paciência se esgotou.

Parafraseando um notável mestre, "tenho muito o que dizer, e muitos terão que me suportar agora". Porém, se alguém não suportar até o final, pouco me importa.

Enfim, meu desejo é que cada palavra digitada seja como um golpe de azorrague em quem for necessário, seja na mente, na consciência e até mesmo na alma. Num mundo em que quase todos acreditam ter o "direito supremo e inalienável de não serem (nem mesmo se sentirem) ofendidos", alguns bons açoites podem ajudar a desfazer esses caprichos infantis e estúpidos. 

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O título desse texto é uma referência direta a um dos lemas principais da Reforma Protestante, cujo aniversário de 501 anos foi comemorado no último 31 de outubro. Embora eu gostaria de ter publicado esse texto naquela data, somente hoje (praticamente um mês depois) é que organizei as idéias e as publiquei nessa postagem. Para facilitar a compreensão, o lema ao qual me referi diz:

"Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est" ou
"Igreja Reformada e Sempre se Reformando".

Em poucas palavras, a mensagem central que esse moto expressa é a de que a comunidade cristã de fé protestante/reformada (considerando todas as suas peculiaridades) deve estar devidamente firmada em seus fundamentos doutrinários (os quais podem ser sintetizados nos chamados "5 Solas" - Sola Scriptura, Sola Fide, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria - ou concorrem para eles) sem deixar de se reformar continuamente, de maneira a expressar o ensino cristão de crescimento no conhecimento e na graça de Deus. Logo, se o objetivo desse texto fosse uma exposição breve dessa idéia de "fé firmada mas sempre em aperfeiçoamento", não haveria razões para a primeira parte do texto. No entanto, eu ouso dizer que o novo lema que está usurpando o lugar do anterior e se alastrando como um câncer silencioso e metastático é: 

"Ecclesia Deformata et Nunquam Reformanda est" ou
"Igreja Deformada e Nunca se Reformando".

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Talvez algum leitor (se é que alguém ainda lê esse blog) possa estar se perguntando: com que autoridade um anônimo tem a empáfia de proferir tais impropérios contra toda a comunidade cristã protestante sem qualquer critério? Certamente ele deve ser mais um "hater virtual" que quer ser popular através da disseminação de polêmicas!

Eu não tenho tempo para gastar minhas energias e intelecto atrás de coisas inúteis como popularidade - especialmente popularidade na internet.

A minha vida não consiste nessas frivolidades que ocupam as mentes medíocres dos que nada mais fazem a não ser seguir o fluxo do que foi adequadamente denominado por José Ortega y Gasset de "rebelião das massas", cujo processo possibilitou/tem possibilitado a "ascensão da vulgaridade como substituta da excelência" e, como resultado, a opinião se tornou a nova "rainha" do mundo moderno. 

Eu não pretendo ser um desses "formadores de opinião", mas somente externar certas inquietações que talvez sejam pertinentes e suficientemente perturbadoras

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Sem rodeios, o que significa "Igreja deformada e nunca se reformando"? 

Que igreja seria essa? 
Quais seriam essas deformações? 
E quais as reformas que não estão acontecendo?

Em primeiro lugar, segundo a Bíblia e conforme o testemunho da boa tradição teológica cristã ao longo dos últimos 20 séculos, eu estou convicto de que a chamada "Igreja Verdadeira" - expressão referente a todos os que creram no Deus Verdadeiro e seguiram Jesus Cristo em todas as eras - nunca esteve, não está e jamais estará deformada, pois está escrito que:

"...Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela para a santificar, pela lavagem da água (por meio da Palavra),
A fim de apresentá-la a Si mesmo Igreja Gloriosa, sem mácula, sem ruga nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível..." [Efésios 5, vs. 25-27]

Isto é, uma vez que Jesus Cristo é o Salvador e Redentor da Igreja e, por isso, é também o Senhor dela, nada poderá impedi-Lo de conferir a ela tudo o que Ele adquiriu através de Sua morte e ressurreição, de sorte que, em instância última, a Igreja por Ele comprada a preço de sangue sempre foi, é e será como a noiva mais bela, vestida com (Sua) pureza e adornada com (Sua) justiça. Ou seja, embora ainda possam ser vistos no meio dessa igreja muitas debilidades, imperfeições, inadequações, manchas e até mesmo pecados, chegará o dia em que nada disso mais existirá - dia a partir do qual não haverá mais maldição, nem morte, nem pranto e nem dor, uma vez que o pecado já terá sido destruído, pois "...para isso o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo..." [1 João 3:8b]. Aquilo que, à vista de Deus, já está consumado, finalmente estará também ali, diante dos olhos de todos os que forem parte do que Jonathan Edwards poderia chamar de "História da Redenção".

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Isto posto, vamos à quarentena - quem lê, entenda.

Antes de tudo, deve-se ressaltar que esta geração é, sem dúvida alguma, a mais ignorante e enganada a respeito do que é "religião" e de tudo o que diz respeito a ela. A simples menção do termo já desperta os ânimos mais descontrolados e bestiais, cuja histeria é seguida por frases heterodoxas e sutilmente mentirosas do tipo "...religião não se discute, cada um tem a sua!...", "...Deus não tem religião!...", "...espiritualidade não é religião, é harmonia com a natureza e entre as pessoas..." ou "...'Deus acima de todos' ou a sua 'religião' acima das outras'..."? A esse respeito, a verdade é que quem diz que "religião não se discute" está simplesmente usando um artifício covarde para fugir do confronto com realidades que o humilham e incomodam (ora, ninguém gosta de suspeitar que possa estar equivocado a respeito de coisas como céu e inferno, por exemplo), assim como quem diz que "...Deus não tem religião..." está pensando (e querendo fazer com que os outros pensem) que Ele é um Ser modelado à nossa "imagem e semelhança" a depender do "gosto do freguês". Além disso, uma espiritualidade simplesmente imanente não é capaz de resolver as chamadas "questões supremas da existência" (isso só é possível no campo da metafísica e dentro de uma realidade transcendente) e, finalmente, Deus certamente está acima de tudo e de todos (inclusive de todos os que esperneiam como crianças mimadas e gritam aos quatro ventos que "não há religião verdadeira ou superior porque estamos no mundo da 'igualdade'...") e, por isso, haverá de julgar a todos os que não O reconhecerem como o único Deus verdadeiro para que todos temam e tremam diante Dele. 

Os últimos 3 séculos - especialmente desde a Revolução Francesa até nossos dias - têm se caracterizado, dentre outras coisas, pela substituição da "religião" pela política como a "Anima Mater" da realidade e das relações humanas, de tal sorte que, através da política, a realidade existente bem como todas as modalidades de relações sociais não só podem mas devem ser remodeladas ao bel-prazer de quem quiser alterá-las, uma vez que a "utopia futura" do "mundo melhor" (ou de um "novo paraíso artificial") é auto-justificada e quaisquer medidas são válidas para alcançá-la, mesmo que não haja escrúpulo algum na prática delas. Conseqüentemente, essa mentalidade também tem ocupado os ambientes religiosos (de mesquitas a paróquias, dos centros espíritas às dioceses, das abadias até as igrejas tradicionais e modernas) e os tem formatado de acordo com suas "agendas", de maneira que muitas igrejas (nesse texto, me atenho às de raiz protestante ou evangélica) têm abandonado completamente o mandato expresso nas Escrituras de que devem ser "comunidades da Palavra e das ordenanças/sacramentos" a fim de serem "ONGs espirituais" ou "movimentos espirituais engajados para transformação social". Logo, a Bíblia não é mais a lente pela qual o cristão lê o mundo e toda a realidade que o cerca, mas as "ciências sociais" e os "novos paradigmas" se tornam as lentes pelas quais os novos "cristãos" passam a lê-la. Como resultado, a fé se torna subserviente aos "novos modelos de sociedade", às "novas propostas de natureza humana" [i.e., o velho projeto do "novo homem" presente no pensamento comunista] e, ulteriormente, à nova realidade que precisa ser atingida para que a "falsa realidade atual" seja aniquilada - ou seja, a fé se corrompe até que morre irremediavelmente, embora possa conservar uma "aparência de piedade", a exemplo da Igreja de Sardes no Apocalipse 3, que "...tinha fama de que vivia, mas estava morta...". 

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Por outro lado, tenho detectado um problema tão grave quanto o anterior, o qual aparenta ter a mesma raiz, mas se manifesta no outro espectro do universo sócio-político e que também pode estar "deformando a igreja": o problema da "dogmática seletiva"

Nesse caso, recentemente eu fui testemunha [mesmo que não tenha me pronunciado publicamente] de discussões acaloradas nas redes sociais entre cristãos que, devido a determinadas divergências de opinião do ponto de vista político, entraram em conflito público. Mais particularmente, um deles, que demonstrou ser alguém que procura desenvolver uma vida intelectual e que, por isso, falava com propriedade sobre diversos temas nos campos da política, cultura e filosofia [cujas opiniões eram semelhantes às que também adoto], se mostrou, em vários momentos, "dogmaticamente seletivo", visto que ao mesmo tempo que defendia pautas "pró-vida" e outras pautas morais [as quais não são opção para um cristão, a não ser que ele se comporte como um negador da fé que ele professa], difamava a fé de quem discordava mais diretamente dele até por meio de adjetivos como "cínico", "sonso" e "hipócrita". Ora, se um cristão que professa ser ortodoxo, de tradição protestante reformada, se comporta de modo a dar a entender que a fé cristã verdadeira se resume em defender pautas cristãs na esfera pública ou durante um pleito eleitoral mas transgride deliberadamente o mandamento de "...não dirás falso testemunho contra o teu próximo..." [vide Êxodo 20, vs. 16] bem como a severíssima advertência de Cristo no Sermão do Monte de que "...se alguém se encolerizar [sem causa] contra o seu irmão será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão "Raca!" será réu do concílio; e qualquer que lhe disser "Tolo!" será réu do fogo do inferno..." [Mateus 5, vs. 22], onde estaria a sua ortodoxia reformada? Não seria essa uma "ortodoxia deformada"?

Quem prescreve com tanta veemência, inclusive nos seus próprios símbolos de fé e catequese, que "...toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão e para educação na justiça..." tem a obrigação de levar a sério TUDO o que as Escrituras dizem e não apenas o que lhe é conveniente ou aquilo que lhe sirva para exibir a sua "moral superior" a todos os rincões da internet. A fé cristã, a fé da Igreja Verdadeira, não nos dá nem "liberdade de pensamento" [no sentido de que "podemos adotar e defender o que bem entendermos"] nem de escolha do que devemos praticar, pois Jesus ordenou que, enquanto Seu Evangelho fosse proclamado para fazer discípulos de todos os povos, os arautos das Boas Novas deveriam ensinar esses povos a guardar TODAS AS COISAS que Ele nos tem mandado, de forma que todos os que dizem crer no verdadeiro Evangelho não têm para onde escapar. Quem se diz ortodoxo e tradicionalmente dogmático não tem direito algum de agir sem amor [principalmente em redes sociais, pois estará dando razão para o nome de Deus ser blasfemado entre os incrédulos], uma vez que "...o cumprimento da Lei é o amor..." [Romanos 13, vs. 10] e "...se alguém diz que ama a Deus, mas odeia a seu irmão, é mentiroso... pois, se alguém não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" [1 João 4, vs. 20]. Ortodoxia dogmática e moralidade, por melhores que sejam, na ausência do amor e da piedade, não passam de trapos imundos que não servem nem para limpar um chiqueiro. 

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Em contrapartida, esse período político-eleitoral em meu país serviu para revelar muitas coisas que outrora estavam ocultas ou um tanto turvas, pois está escrito que "...não há nada oculto que não seja revelado...". Mas... quais coisas foram essas?

Além do que foi apresentado nos dois parágrafos acima, estou plenamente convencido de que essa foi, de fato, a eleição mais importante da história do Brasil (pelo menos dos últimos 30 anos) - digo não somente por tudo o que permeou as discussões, pelas mudanças significativas na representatividade bem como na cosmovisão políticas ou pelo impacto de seu resultado final, mas, primordialmente, por ter sido como uma fornalha usada na purificação de metais preciosos, de forma que a obtenção do material em sua forma ideal deve implicar necessariamente a eliminação de toda escória e, assim, a imagem do ourives ou do lapidador pode ser refletida nele.

Em síntese, "nunca antes na história da Igreja desse país" foi possível ver tantos hereges, tantos lobos devoradores em peles de ovelhas, tantos cães pestilentos, tantos leões famintos, tantas raposas ardilosas, tantas raças de víboras peçonhentas e moscas contaminadoras de perfumes dando-se a conhecer - famosos ou anônimos, renomados nos círculos religiosos ou tão somente "lacradores-gospel" com seus "textões", tweets, stories do Instagram e atualizações de status no Whatsapp. Sim, lá estavam ELXS [que coisa horrenda com a língua de Luís Vaz de Camões!], defensores da "justiça", combatedores de toda forma de "opressão", zeladores da "ética do Reino" [que reino?] que dizem não se venderem e nem se misturam com as "bancadas dos fariseus moralistas" e com os da "bancada da bala" mas, ao mesmo tempo, se prostituem numa verdadeira suruba com mídias sustentadas por bilionários que patrocinam o "genocídio abortista" e todas as "perversões sexuais frankfurtianas" a ponto de dar inveja em Sodoma e Gomorra. 

Para minha tristeza [mas também raiva, muita raiva], até amigos bem como pastores que eu sempre estimei [pelos quais continuo tendo respeito e consideração pelo bom proceder que ainda conservam] como exemplo de pureza teológica chegaram a dizer para "tirarem o Evangelho" de cenas como uma transmissão ao vivo do discurso do candidato vencedor da eleição presidencial simplesmente por haver uma Bíblia no espaço e pela menção do versículo "...e conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará..." [João 8, vs. 32] por parte do mesmo, enquanto não ouvi nenhuma palavra, nenhuma crítica sensata, nenhum contraponto coerente nem mesmo um tweet diante de algo que será mostrado abaixo:

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Nessa imagem simplesmente vergonhosa, supostos pastores evangélicos se organizaram para um "culto de oração" bastante "fofinho" - dado esse tema ridiculamente comovente - juntamente com artistas e demais personalidades para dar apoio ao candidato que acabou derrotado nas eleições presidenciais bem como mostrar sua "resistência" e "luta" contra o "fascismo", o "nazismo", a "onda conservadora", a "ditadura" ou qualquer outro espantalho utilizado para ludibriar idiotas que não entendem nada sobre política nem conhecem um palmo da realidade do mundo em que vivem, mas são facilmente engodados por discursos onde as palavras "amor", "tolerância", "respeito" e "justiça" aparecem a fim de despertar as paixões juvenis e imaturas de uma geração birrenta e/ou quase insuportavelmente imbecil

No caso, a vergonha dessa imagem reside nos fatos de que uma "pastora-trans" (um homem que agora acredita ser uma "mulher" e que se declara "pastora" - se bem que pastora nem existe na Bíblia para início de conversa) aparece na foto [como se Deus simplesmente tivesse baixado Seus santos padrões para o ministério episcopal às novas tendências apodrecidas sob a sombra do arco-íris] e, especialmente, porque o tal candidato apoiado por esse ninho de serpentes é declaradamente discípulo do filósofo alemão Max Horkheimer [o qual defendia a erotização social massificada através da normalização do incesto entre mãe e filho], além de defensor e proponente do chamado "Socialismo do Século XXI" [o mesmo que tem destruído totalmente a Venezuela a fim de patrocinar o narco-terrorismo global - ver livros "Em defesa do Socialismo" e "Hugo Chavez: o espectro"] e, como todo bom comunista, é mentiroso, corrupto, dissimulado e desinformante. Sem qualquer peso na consciência, todo cristão, por mais bem intencionado que possa ter sido (se bem que muitos são "tutti crentinni" mesmo), na medida em que se comporta de modo omisso diante de tal abominação, está também sendo como os fariseus repreendidos por Jesus, visto que estão "coando um mosquito e engolindo um camelo", ainda que possam levantar os olhos ao céu e orar de si para si, dizendo:

"Ó Deus, graças Te dou 
Porque não sou como os demais homens:
roubadores, ladrões e adúlteros;
Nem ainda como estes fariseus,
'Conservadores moralistas',
'Defensores da ditadura' e 'fascistas'.
Publico na Mídia Ninja duas vezes por semana
E 'lacro' em cada rede social que tenho". 
[Paráfrase de Lucas 18:9-14]

POR FAVOR: TIREM O EVANGELHO DISSO!

Melhor dizendo: não finjam que vocês ainda possuem qualquer resquício de Evangelho dentro de si, pois seus frutos mostram que, assim como no exemplo de Judas Iscariotes, embora digam que "Jesus os escolheu", alguns de vocês são "diabos"

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Diante de tal quadro, me recordo de algumas das palavras mais oportunas das Escrituras para esse momento, conforme escreveu o santo apóstolo Paulo:

"E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós". [1 Coríntios 11, vs, 19]

Nesse verso, o apóstolo afirma categoricamente que é necessário que haja heresias no meio da igreja - ou seja, é necessário que hereges se infiltrem na igreja para deformá-la até o momento em que serão desmascarados - para que os que são de fato servos de Cristo e membros da "assembléia universal dos santos" também sejam manifestos. Em outras palavras, é mister que toda a escória seja lançada fora da Igreja de Cristo, pois somente assim a imagem do Deus que santifica os que Lhe pertencem será perfeitamente refletida sobre ela. Não há como a beleza inefável de Deus, a qual é mais preciosa do que o ouro mais valioso e que o diamante mais brilhante, resplandecer perfeitamente sobre qualquer um de nós de modo tal que passe a ser uma beleza "nossa", enquanto nossas "escórias" continuarem existindo. E, se Ele quer nos fazer conformados à Sua imagem, devemos estar preparados para ser provados como que pelo fogo, todavia Ele nos garante que "...quando passarmos pelo fogo, ele não nos queimará..." [Isaías 43, vs. 2]. Na verdade, Sua Formosura e Graça já nos foram oferecidas no Calvário pela mediação gentil de Seu Filho e, agora que fomos por Ele redimidos, Ele mesmo aperfeiçoará a Sua obra em nós a fim de que sejamos semelhantes a Ele

Ah, como eu anseio pelo dia em que toda a escória da Igreja de Cristo já terá sido tirada!
Oh, anseio ainda mais por permanecer sendo alvo de Sua misericórdia, para que as minhas próprias escórias sejam completamente removidas e eu seja valioso em Suas mãos!

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Minha oração é que, concluindo, Deus se agrade de continuar agindo com benevolência para com a Igreja, a fim de que, embora eu continue a ver uma "igreja deformada e que nunca está se reformando" (a qual, infelizmente, pode até incluir gente que eu não gostaria de ver lá), Deus abra meus olhos para ver o triunfo de Sua obra nos bastidores, como na parábola em que "Seu reino é como um grão de mostarda, a qual é a menor das sementes mas, depois de plantada, se torna a maior das hortaliças, de modo que até as aves do céu vêm buscar abrigo em sua sombra" [Marcos 4, vs. 30-32]. 

Fazendo coro com irmãos do passado, "...santifica Tua Igreja, ó Senhor!...".

Finalmente, relembrando o lema dos amados cristãos morávios, minha esperança é que "...nosso Cordeiro triunfou; vamos segui-Lo!...". 





Pela esperança de que a verdadeira Igreja sempre se reforma,





Soli Deo Gloria!