sexta-feira, 28 de abril de 2017

Infinita Highway to Heaven...

Eis-me aqui, novamente. 

Como normalmente tem ocorrido, não venho a esse espaço virtual com tanta confiança de que escreverei algo relevante; porém, em meio a essas desconfianças, espero ser surpreendido "ao longo da longa jornada" até o fim desse texto. 

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Indo direto ao ponto, essa postagem tem por objetivo expor brevemente algumas reflexões a partir de duas canções - "Infinita Highway", da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii e "Stairway to Heaven", do grupo Led Zeppelin -, conforme se vê no título do texto, o qual traduzido seria "Infinita auto-estrada para o Paraíso" ou "Céu", como preferirem. Não buscarei propriamente comentar as duas letras detalhadamente, todavia alguns trechos de uma/ambas das canções serão úteis para o fim proposto. 

Dessa maneira, inicio mencionando o seguinte excerto da canção "Infinita Highway":

"Estamos sós e nenhum de nós 
Sabe exatamente onde vai parar[...]
Mas nós não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir..." 

A música em questão, de modo geral, parece tecer um mensagem do seu autor a uma garota que, segundo ele, "...o faz correr demais os riscos dessa 'highway'...", de modo que, ao falar sobre a solidão e a falta de direção nessa "estrada hipotética" [ora, ela é chamada de "infinita", subentendendo-se que não há "ponto de chegada" a ser atingido], parece indicar que um desses "riscos" consiste na incerteza do destino final do caminho que se percorre/se deseja trilhar. Embora seja apenas uma letra de música, estou convicto de que o que aparece na literatura é reflexo da realidade, visto que a experiência humana prática é prova inconteste de que os seres humanos têm em si um certo "...senso de eternidade ou infinitude..." e, na busca do que consideram ser o caminho [ou estrada] para essa "infinitude", sempre caem em confusões, embaraços, caminhos tortos e atalhos que não os conduzem a lugar algum - ou, em outras palavras, "...nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar...". Porém, assim como na música, os homens normalmente não fazem caso de "seguir um caminho seguro" na busca do "infinito/eterno" e simplesmente acreditam que "não precisam saber aonde vão, mas só precisam ir...", de modo que em sua indiferença e temeridade criam para si mesmos fábulas loucas, ideologias/culturas destruidoras, religiões impiedosas e filosofias inócuas, como se vê em certos sincretismos, no comunismo [que é "camaleônico" por natureza], no Islão e nos sofismas pós-modernos. 

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Outro trecho da canção que ajuda a ampliar o silogismo exposto é:

"...Não queremos lembrar o que esquecemos
Nós só queremos viver
Não queremos aprender o que sabemos
Não queremos nem saber
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da Infinita Highway..."

Inicialmente, vale ressaltar que letras de canções estão mais próximas do campo da poética [ou da literatura mais subjetiva, intimista etc. - não sou das letras, mas acredito estar correto], de modo que as variadas interpretações do que [provavelmente] o autor quis dizer são mais recorrentes ou até mesmo "razoáveis" - ainda que ele tenha intencionado dizer uma coisa em particular. Isto posto, o que me vem à mente quando me deparo com esses versos é que a música se mostra como um diagnóstico válido dos mesmos seres humanos que "não sabem exatamente onde vão parar enquanto percorrem a 'Infinita Highway'...": eles não se importam em relembrar aquilo de que se esqueceram, eles não querem levar a sério o que lhes foi ensinado nos dias passados e desejam apenas viver conforme o próprio bel-prazer do tempo presente ou "...só obedecerem a lei da 'Infinita Highway'..." - i.e., algumas coisas foram esquecidas [cuja lembrança incomoda], alguns conhecimentos foram ignorados [cuja realidade latente perturba] e o "niilismo anarquista" [ou a desordem acompanhada da carência de sentido e propósito] seria o que melhor define a humanidade atualmente. 

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No entanto, apenas especulações filosóficas ou "teorizações escolásticas" não passam de opiniões ou "pontos de vista" - ainda que sejam logicamente coerentes e retoricamente bem construídas. Logo, para que esse texto não seja uma completa fatuidade, cito algumas palavras de fato válidas por si mesmas a respeito:

O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram,
Não o esconderemos de nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o Seu poder e as maravilhas que Ele operou. [...]
Então eles porão a sua confiança em Deus; não esquecerão os Seus feitos e obedecerão aos Seus mandamentos,
Não como fizeram os seus antepassados, obstinados e rebeldes, povo de coração desleal para com Deus, gente de espírito infiel. [Salmo 78, vs. 3-4 e 7-8] 

Nessa passagem bíblica, o poeta afirma que aquilo que ele ouviu, aquilo que seus pais contaram a ele, ele não deixaria de contar a seus filhos - mas, afinal, com que legado ele estava se comprometendo ou, por assim dizer, o que ele queria "conservar"? Como se vê, o compromisso dele não era com seus próprios projetos e ideais, tampouco com invenções ou quaisquer divagações humanas, mas com a proclamação dos "louváveis feitos do Senhor, do Seu poder e das maravilhas que Ele operou", os quais haviam sido esquecidos por aqueles que haviam visto todas essas coisas com os próprios olhos, se fazendo assim ainda mais culpados de rebelião e contumácia. De modo análogo, este blog não tem razão de ser se eu não assumir o mesmo compromisso do poeta dos "hinos de Israel" [ou seja, esse é um espaço no qual os admiráveis feitos do Eterno serão contados, bem como o Seu poder e Suas obras maravilhosas - quem lê, entenda], uma vez que os meus contemporâneos se comportam da mesma maneira que aqueles israelitas de outrora [embora aqueles não tenham visto os mesmos prodígios que estes presenciaram], visto que também se esqueceram de Deus e de temê-Lo com o temor que Lhe é devido e, em troca, fizeram e fazem Dele algo conformado à própria imagem humana, um "Deus ao gosto do cliente" - seja aquele "Deus-garçom" [o qual existe para nos servir de acordo com o que "pagamos" a Ele] ou aquele "Deus-da-Cabana" [o qual não tem um caminho específico para a salvação de ninguém, é efeminado, fraco e que só traz "lições de moral" em vez de ser o Redentor do pecador arrependido e o justo Juiz do pecador impenitente], pois está escrito que Cristo "...não veio chamar justos, mas pecadores ao arrependimento..." [Mateus 9, vs. 13] bem como que Deus "...não terá o culpado por inocente..." [Naum 1, vs. 3]. 

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Desse modo, uma vez que a imagem que é feita na mente sobre Deus é falsa, a maneira como se vive em relação a Ele também é extraviada, seja por meio de uma religiosidade supersticiosa e caricata seja pelo ateísmo prático. Em suma, a tradição com a qual nossa civilização foi construída e pela qual se tornou grande e nobre [a civilização das universidades, do Direito Canônico, da cultura helenística, da moral judaico-cristã, da música erudita, da educação liberal medieval, da arquitetura gótica, da literatura de Dante e Shakespeare, da teologia reformada etc. - apesar dos ônus a ela relacionados], está cada vez mais sendo lançada em ostracismo, a rebeldia diante da transmissão de bons valores é cada vez mais evidente e promovida e, finalmente, "todos estão vivos e é só" - não há nada "além do que se vê", tudo se reduz à matéria e todos só obedecem "às próprias leis", as quais se resumem no famoso lema "NENHUM DIREITO A MENOS". Isto é, cada um procura convencer todos os outros de que todos lhe são "devedores" de toda e qualquer coisa [sabe aquela "dívida histórica"?] e, assim, querem usurpar o lugar de Deus, sendo "rebeldes e obstinados" e de "coração desleal e infiel" para com Ele, já que, em contrapartida, todos são devedores Dele [da vida, do fôlego e de todas as coisas], todavia Ele não deve nada a ninguém, pois "...quem deu primeiro a Ele, para que lhe seja restituído?" [Romanos 11, vs. 35]. 

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Alguém, porventura, pode estar se perguntando: quais são esses "louváveis feitos do Senhor"? Ou ainda: será mesmo que esse "Senhor" existe?

De início, sabendo-se que nesta geração a "inexistência de Deus" ou o "delírio de Deus" é quase um "dogma implícito" ou uma "obviedade lógica", é necessário apresentar algumas razões pelas quais a crença em Deus é razoável. Nesse sentido, lançando mão de um exemplo das ciências naturais, qual seria a probabilidade de reagentes químicos colocados numa prateleira de laboratório levitarem até à bancada de trabalho, juntamente com todas as vidrarias, itens e equipamentos necessários para se executar uma reação que visa a obtenção de um composto específico em detrimento de outros, incluso rendimento satisfatório e pureza elevada no produto final? Se você for um ser pensante, sua resposta será nenhuma ou "praticamente zero", mas, na mente de um ateu naturalista metido a intelectual, TODO O UNIVERSO - incluindo os seres vivos, cuja complexidade é incomparável àquela de um sistema de uma reação química - surgiu nessa "probabilidade zero" e se conserva numa determinada ordem para preservação da vida [de acordo com o que se chama de princípio antrópico] sob a mesma probabilidadeIsto é, embora um químico ateu prescreva essa insanidade, ele jamais vai deixar de planejar seus experimentos nem acredita que suas substâncias de interesse aparecerão puras em seus tubos de ensaio aleatoriamente - a não ser que ele queira perder os investimentos em seus projetos de pesquisa por ineficiência e rejeição ao método científico.

Dessa forma, o mais racional é reconhecer que o universo é produto de uma mente inteligente e, dessa forma, onde existe uma mente inteligente, existe um ente pessoal, que tem a capacidade de criar com alta complexidade e estonteante beleza bem como de sustentar o que foi por ele criado - ora, se você concordou com isso, você se aproximou bastante do Deus revelado nas páginas da Bíblia, pois Ele é "...o criador dos céus e da terra, do mar e de tudo o que neles existe..." [Atos 17, vs. 24] e "...sustenta todas as coisas pela palavra de Seu poder..." [Hebreus 1:3]. Nesse ínterim, se fazem pertinentes outras palavras dos Salmos: "...o tolo diz em seu coração: Deus não existe..." [Salmo 14, vs. 1]. 

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Finalmente, partindo do fato de que Deus é real e cognoscível, quais seriam, então, os Seus "feitos maravilhosos" que devem ser relatados à geração presente e às futuras?

Na verdade, não há como relatar nesse texto todos os feitos de Deus [sejam os registrados na Bíblia, sejam aqueles que aconteceram ao longo da história, como a Criação de tudo ex nihilo, as dez pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho e do Rio Jordão diante dos israelitas nos dias de Moisés e Josué, o sol e a lua parando e até mesmo homens que foram levados ao céu sem terem passado pela morte etc.], mas eu destacaria apenas um deles, o qual é o maior de todos os atos divinos - a Encarnação, o envio do Filho de Deus ao mundo, para se fazer semelhante a nós, criaturas de Sua mão que se desertaram Dele em rebelião, a fim de redimir por Sua morte na cruz e subseqüente ressurreição ao terceiro dia a todos que, em arrependimento e fé, virem a Ele em busca do perdão dos pecados. Nas demais filosofias e religiões, por mais requintadas que aparentem ser, não há nada semelhante ao fato da Divindade se rebaixar, por assim dizer, até o nível da criatura, não por motivo banal, já que "...Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna..." [João 3, vs. 16] e que "...Aquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus..." [2 Coríntios 5, vs. 21]. Fora do Cristianismo, é a criatura que oferece "coisas" à Divindade para buscar ter contato com ela; no Cristianismo, é a Divindade que oferece a Si mesma para restaurar a comunhão da criatura Consigo, e isso a preço de sangue e morte de cruz.

Ou seja, dentre os "feitos louváveis do Senhor", nenhum deles é mais excelente do que aquele pelo qual o Eterno "...reconciliou consigo os homens, não lhes imputando os seus pecados..." [2 Coríntios 5, vs. 19] a fim de "...conduzi-los para Si mesmo..." [1 Pedro 3, vs. 18], o que nada mais é do que Deus preparando para o homem uma "Infinita Highway to Heaven" ou "Infinita Estrada para o Paraíso", visto que Cristo diz ser "...o Caminho, a Verdade e a Vida..." de maneira que "...ninguém vem ao Pai se não por Ele..." [João 14, vs. 6]. Portanto, na etapa de peregrinação da vida presente, ninguém poderá ter certeza quanto à vida futura a não ser que trilhe essa "Highway to Heaven", uma vez que fora de Cristo todos permanecerão "...cansados e sobrecarregados...", ainda que desse modo não se reconheçam [por se apoiarem em sua pretensa auto-justificação], os quais, finalmente, post mortem, não encontrarão mais descanso algum, mas apenas "...pranto e ranger de dentes...", por haverem se enveredado pela "Highway to Hell" ou "Autoestrada para o Inferno".

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Qual estrada você tem percorrido? Aquela que conduz ao Infinito e ao Eterno ou aquela que leva ao Inferno?

Se você se percebeu "completamente enganado" e "correndo pelo lado errado", até quando vai ignorar o conhecimento que te conduz ao Caminho certo? 

Além disso, você pode perceber através desses parágrafos que Deus, na pessoa de Seu Filho, está em busca de te reconduzir a Si mesmo ou, na analogia do post, te fazer andar pela "Infinita Highway to Heaven", visto que Ele "...veio buscar e salvar o que se havia perdido"?

Finalmente, você já se deu conta de que "you will not need to buy a Stairway to Heaven" ou "você não precisará comprar uma auto-estrada/escada para o Paraíso", visto que esta é oferecida gratuitamente?





Pela alegria de percorrer o Caminho da Cidade Celestial,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 31 de março de 2017

A lover of the Light and a Cave - a little prayer

Embora não seja habilidoso com as palavras
Venho a Ti, a Quem elevo a alma.
Não ouso pensar que posso fazê-lo
De qualquer modo, seja por fora, seja por dentro,
Pois Tu estás no céu e eu estou na terra.
Portanto, devo saber a Quem me dirijo,
Para não encher a boca com frivolidades
Visto que o mundo já está farto delas - 
Preserva-me Tu, ó Ensinador de todas as coisas,
No caminho da prudência e da humildade
A fim de não me perder de Ti. 

Sejas Tu gracioso para conosco, Eterno,
Pois, às vezes, nos enredamos em confusões,
Desvarios, até mesmo loucuras vãs
Nas quais somos como que enclausurados. 
Sim, eis que nos lançamos em nossas cavernas
E, tendo somente a escuridão por companhia,
Forjamos nossas próprias realidades
Realidades que não vão além das sombras,
Quando os raios de sol ali brilham.
Ecoa-se, então, o grito: "liberdade, liberdade!"
Mas, quem vai ouvir essa voz? Quem?
No meio das ilusões a nosso redor
Resplandece Tua face, Luz do mundo,
Para que nossas trevas sejam iluminadas.

Em contrapartida, ainda que no "mito antigo", 
A liberdade é alcançada por mérito próprio,
Na vida real, ninguém "se liberta" - mas é libertado.
Sábio é o poeta que disse:
"You can understood dependence
When you know the Maker's hand".
Logo, volto meus olhos para Ti, Destra Fiel,
A fim de relembrar que sou dependente,
Na certeza de que todo aquele que Te contempla
A Ti é atraído, e por Ti é resgatado.
Sim, eu sei que, na solidão da peregrinação,
"Fugindo" dos que me desejam a morte,
E até mesmo nas "covas e cavernas da terra",
Sei que ouvirei a voz do alto a me dizer:
"O que fazes aqui? Sê valente!".

Com a graça que provém de Ti, ó Força minha,
Sei que posso "andar na luz" 
- Mesmo que não haja "luz" alguma - 
Uma vez que "nem as trevas me escondem de Ti".
Logo, se para Ti "luz e trevas são a mesma coisa",
Não há quem de Ti possa escapar -
Rico ou pobre, jovem ou velho,
Branco ou negro, homem ou mulher,
Religioso ou ateu, instruído ou incauto -
Todos sempre estão em Tua presença,
Embora não da mesma maneira,
Pois "Teus olhos estão sobre os justos"
Porém "Teu rosto é contra os que fazem o mal". 
Mostra-Te, pois, a nós, ó Eterno,
Pois "na Tua Luz veremos a luz"

Felizes são aqueles aos quais Tu te revelas,
Pois jamais qualquer poderia conhecer-Te
Se não Te fizesses ser achado de nós.
Portanto, sê auxílio daqueles que Te procuram,
Para que o façam de todo o coração
E não apenas se aproximem com os lábios.
 Contudo, por meio Daquele que enviaste,
Já foste propício a nós, vermes vis,
Inclinados ao mal e amantes das trevas,
A fim de nos converteres a Ti,
Para que sejamos "amantes da Luz".
Doce é este chamado, pelo qual recebemos vida,
Vida plena, vida "ad eternum",
A qual está protegida em Ti
E de modo algum será perdida ou tirada.

No entanto, não terá fim a longa jornada,
Até que se completem os dias determinados
Conforme no Teu livro foi registrado.
"Portami via", pois, para o destino final,
- Até a Cidade Celestial -
Seguro em Teus braços carinhosos.
Por enquanto, sobrevirão pântanos e cansaço,
Montes, vales e falsos atalhos,
Inclusos os inimigos destruidores e os tormentos,
Quando, de repente, tudo estará consumado - 
Onde havia pecado e sofrimento,
A santidade será o eterno ornamento,
Para que a felicidade Daquele que é Santo
Seja a inspiração de nosso canto:
"Regna il Signore, il nostro vanto".


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Soli Deo Gloria!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sinceros, mas errados...

Após cerca de um mês, finalmente pude voltar a escrever.

Embora não acredite de mim mesmo que esteja [por assim dizer] "inspirado", decidi expor algumas idéias que julgo ser importantes e que, quem sabe, serão úteis a algum leitor que, porventura, visitar esse blog. Vamos em frente!

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Inicialmente, é pertinente esclarecer que o título desse texto está baseado num livro [de mesmo nome, se não me falha a memória] escrito por um teólogo e pregador cristão galês do século XX chamado Martin Lloyd-Jones, no qual creio ser abordado algo semelhante ao que pretendo apresentar aqui... Mas, independentemente disso, serei leal às reflexões que tenho feito há algum tempo. Nesse sentido, parafraseando o bordão célebre de "Star Wars", que a "Força" esteja comigo!

Sinceridade.

Sinceridade, de modo bastante simples, é o substantivo relativo ao adjetivo "sincero", palavra de origem latina que significa algo similar a "sem cera", cujo contexto de surgimento mostra que a "cera" em questão era um tipo de material usado em utensílios de decoração luxuosos [vasos de porcelana, por exemplo] para se esconder ou maquiar algum defeito ou dano, de forma que o termo "sincero" carrega consigo o significado de "sem maquiagem", "sem camuflagem" ou "que não esconde a realidade". Dessa forma, para qualquer pessoa de bom senso, a sinceridade se configura como uma das virtudes humanas mais celebradas - ora, quem gosta de ter pessoas dissimuladas e falsas ao redor? No entanto, nem sempre a sinceridade é vista com "bons olhos", particularmente nos exemplos das pessoas "super sinceras" [aquelas que são consideradas/se comportam como "inconvenientes em sua transparência"] ou mesmo daquelas que são corajosas o suficiente para denunciar grandes mentiras e/ou pecados vergonhosos - que o digam os profetas do Antigo Testamento, João Batista, os mártires do cristianismo primitivo, Huss, Latimer, Lutero, Pacepa, Yuri Bezmenov, Olavo de Carvalho, Sérgio Moro e o próprio Jesus Cristo, que disse que "veio ao mundo para dar testemunho da verdade", sendo Ele próprio a Verdade. 

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Erro.

Em primeiro lugar, quando falamos de "erro", pressupõe-se que exista algum referencial do que seja o "acerto" ou o "correto" - de modo mais prático, ainda que vivamos na sociedade mais revoltada com os conceitos de "verdade", "padrão" e "absoluto", a realidade continua sendo a mesma: todos vivem baseados em algum absoluto ou referencial, seja ele auto-justificável ou puramente um reflexo sentimental sem legitimidade. Dessa maneira, o "erro" ou "estar errado" seria, em poucas palavras, não ser/estar conformado a um determinado padrão compreendido como válido e correto. Contudo, gostaria de salientar aqui que, se alguém chegou a este blog, e está supondo que este que vos escreve acredita na idiotice criminosa de que "padrões são puras construções sociais opressoras que precisam ser desconstruídas pela revolução", o orégano deve ser usado somente para temperar alimentos [como aquele "fettuccine bolognese" ou um Subway B.M.T]! Isto é, padrões verdadeiros existem, são indispensáveis para a existência de uma civilização estável e saudável bem como auxiliam na preservação de boas tradições, legados e conquistas de uma sociedade - ainda que nem todo padrão é, por ser padrão, fidedigno e válido em si mesmo.  

Portanto, tendo sido expostos brevemente os conceitos de sinceridade e de erro, como racionalizar ser "sincero e errado" simultaneamente, visto que "sinceridade" é algo intrinsecamente relacionado à autenticidade/verdade e "erro" é exatamente o oposto? 

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Para este fim, é necessário discorrer sobre outro aspecto negativo referente à sinceridade: nem sempre ser "sincero" implica estar em acordo  com aquilo que é justo, louvável, de boa fama, puro, amável e verdadeiro. Por exemplo, muitas pessoas foram [e ainda hoje são] no último século apoiadoras de terríveis atrocidades contra a humanidade, embora estivessem/estejam convencidas de que a causa que defendiam/defendem era/é nobre - ou, de outra maneira, elas foram/são sinceras na luta por aquilo que julgavam/julgam ser certo, porém a sinceridade delas em suas intenções não tornava/torna os crimes menos hediondos do que foram/são [por exemplo, os proponentes e militantes do socialismo nacionalista alemão/Nazismo, do comunismo soviético e os muçulmanos abertamente adeptos da Sharia]. De forma complementar, aquela pessoa que "rouba dos ricos para dar aos pobres" - no estilo Robbin' Hood - não converte o roubo em algo menos pecaminoso e menos digno de punição pelo fato de dar uma "justificativa filantrópica" e acreditar, sinceramente, estar fazendo uma "boa ação". Em suma, a "sinceridade do coração" não pode ser [e nem é] um parâmetro confiável para se avaliar o que é, de fato, bom e justo, ainda que ser sincero seja fundamental na prática do verdadeiro bem. 

Todavia, ainda resta algo ainda mais perturbador para ser dito.

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Considerando o contexto religioso [nesse caso, o cristão, do qual faço parte], a máxima do final do parágrafo anterior também é verdadeira: a "sinceridade do coração" não é critério seguro para a compreensão e a prática da verdadeira religião, apesar de ser sobremodo exaltada nos púlpitos, livros, comentários e conversas informais, como segue:

"Você precisa aceitar a Jesus Cristo, mas tem que ser com coração sincero..."

"Faça hoje mesmo um compromisso de não pecar contra Deus... Mas seja sincero, porque Deus considera a sinceridade de seu coração..."

"Você crê que Deus pode perdoar seus pecados? Mas você precisa crer com sinceridade..."

De início, se faz necessário ratificar que reconheço que Deus é Deus da verdade e, portanto, Ele abomina todo e qualquer tipo de mentira - ora, está escrito que o Diabo "...é mentiroso e pai da mentira..." [João 8:44b], que ficará de fora da cidade celestial "...todo aquele que ama e comete a mentira..." [Apocalipse 22:15c] bem como que todo aquele que diz temer a Ele deve "...deixar a mentira e falar a verdade cada um com seu próximo..." [Efésios 4:25a], visto que aprendeu de Cristo, a Verdade encarnada, a se revestir "...do novo homem, criado segundo Deus em justiça e santidade que procedem da verdade..." [Efésios 4:24]. Entretanto, não é toda modalidade de sinceridade que a Bíblia legitima em suas páginas, pois está escrito que "...enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto..." [Jeremias 17:9a], que "...há caminhos que para o homem parecem direitos, mas o seu fim é a morte..." [Provérbios 14:12] e, finalmente, essas estarrecedoras palavras registradas em Jó:

Como o homem pode ser puro? Como pode ser justo aquele que nasce de mulher?
Pois, se nem em seus santos Deus confia, e se nem os céus são puros aos Seus olhos,
Quanto menos o homem, que é impuro e corrupto, e que bebe a iniquidade como água!
[Jó 15, vs. 14-16]

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Trocando em miúdos, a afirmação de que "...Deus leva em conta a sinceridade do meu coração quando eu O busco ou na minha relação com Ele..." ignora totalmente a exaustiva revelação bíblica de que o homem caiu em deserção e corrupção após o pecado de Adão, de modo que a depravação é de tal natureza que ele não é capaz de avaliar confiadamente sua suposta "sinceridade" nas questões espirituais - ora, se o coração humano [o combinado entre nossas afeições, vontade e intelecto] é enganoso e perverso, como que é possível avaliar a "sinceridade diante de Deus" sem cair em equívoco? Isto é, não é pelo fato de "sentirmos que estamos sendo sinceros com Deus" que podemos confiar nessa "sinceridade"; nossos sentimentos não são confiáveis nem mesmo quando estamos interessados em alguém ou já namorando, quanto mais no tocante a Deus e à vida espiritual, de modo que mais uma vez Jó é certeiro: 

De onde vem, então, a sabedoria? Onde habita o entendimento?
Escondida está dos olhos de todos os viventes, até mesmo das aves dos céus.
A destruição e a morte dizem: aos nossos ouvidos chegou apenas um breve rumor dela.
Deus é quem conhece o caminho; só Ele sabe onde ela habita. [Jó 28, vs. 20-23]

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Finalmente, acredito ser oportuno explicar que não adianta sermos sinceros em "assuntos espirituais" quando essa sinceridade está fundamentada em mentiras - ou seja, acreditar sinceramente em uma mentira não é uma virtude, é um pecado! Nesse caso, as próprias frases que citei demonstram bem esse argumento, visto que:

Quando se diz que "...se deve aceitar a Jesus com coração sincero...", normalmente se evoca uma passagem que diz que "...se confessarmos com a boca que Jesus é o Senhor e crermos no coração que Ele ressuscitou dos mortos, seremos salvos..." [ver Romanos 10:9]. De fato, a confissão de Cristo como o Senhor e a fé na Sua ressurreição são elementos essenciais da verdadeira conversão, porém o texto bíblico não diz que essas coisas são obtidas pelo meu "sincero esforço" ou a minha "decisão sincera", pois também está escrito que "...ninguém pode dizer 'Jesus Cristo é o Senhor', senão pelo Espírito Santo..." [1 Coríntios 12:3b] e que "...a fé vem pelo ouvir, e o ouvir por meio da palavra de Cristo..." [Romanos 10:17], de modo que todo ser humano só pode reconhecer Jesus como Senhor após a ação sobrenatural do Espírito Santo bem como só pode ter fé Nele pela ação da Palavra, da qual se diz que "...é poderosa para salvar a alma..." [Tiago 1:21b]. 

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Por outro lado, a assertiva de que "...a depender de nossa sinceridade diante de Deus, podemos nos comprometer com Ele a ponto de vivermos sem pecado..." pode ser baseada em passagens que nos orientam a "purificação da carne e do espírito" e a "mortificação do pecado" - existem várias, mas uma delas pode ser "...sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive no pecado; pois aquele que nasceu de Deus a si mesmo se protege..." [1 João 5:18]. Nesse sentido, é notório em toda a Bíblia a mensagem sobre o valor supremo da santidade [uma vez que esse é o atributo de Deus do qual todos os outros emanam] e a decorrente demanda de Deus para que sejamos "santos como Ele é santo". Porém, de modo análogo ao caso anterior, as Escrituras não ensinam que alguém seja capaz de viver sem pecado enquanto estiver nesse corpo, nem mesmo o cristão mais piedoso - ora, se fosse possível mortificar todos os apetites e inclinações pecaminosas presentes na natureza humana corrompida, a intercessão de Cristo diante de Deus, o Pai, não seria mais necessária, pois já teríamos justiça própria para apresentar a Deus e, assim, não haveria mais justificação pela fé em Cristo e, finalmente, todo o Evangelho estaria lançado ao lixo. Haveria maior blasfêmia ao Espírito Santo do que esta - a atribuição da redenção, obra total e exclusiva de Deus em Cristo, a outro que não é Ele?

Entendamos de uma vez: sempre precisaremos de um "...sumo-sacerdote que se compadeça de nossas fraquezas..." [Hebreus 4:15], dAquele que é "...advogado junto ao Pai..." [1 João 2:2] para nos defender quando pecarmos ou, como diz no Salmo 30, "...se Tu, Senhor, atentasses para os pecados, quem subsistiria? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido..." [vs. 3 e 4]. Lançando mão da alegoria de O Peregrino e de um pensamento de Liev Tolstoi, sempre estamos sujeitos a "escolher atalhos" no caminho rumo à Cidade Celestial [ou mesmo a voltar atrás, como fez o Vacilante] mas, ainda que tropecemos ou nos desviemos do caminho certo, se sabemos a qual lugar pertencemos, podemos até cair no caminho como um ébrio, mas chegaremos em casa - no caso de Tolstoi, eu acredito, o ébrio anda sozinho para casa até encontrá-la, mas no caso do cristão, é como dizia Lutero: "...não sei por quais caminhos sou conduzido, mas conheço bem o meu Guia...".

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E você? Já parou para pensar que, muitas vezes, você pode ter sido "sincero", mas esteve/estava errado?

Além disso, se você é religioso e confia muito em sua "sinceridade" como parâmetro de espiritualidade verdadeira diante de Deus, até quando vai permanecer "errado" ao se fiar em si mesmo em vez de dar ouvidos e atenção ao que Ele mesmo disse em Sua Palavra?

Finalmente, se você é alguém que tem seus sentimentos como parâmetro do que é justo e certo, até quando vai permanecer "iludido em sua sinceridade vã" e desprezando o convite Daquele que é a Verdade em carne, e que disse que "...se o Filho os libertar, verdadeiramente vocês serão livres?" [João 8:36]





Pela alegria de, embora ainda "errado", ser "sinceramente" livre,





Soli Deo Gloria!