segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Reminiscências de um feriado...

Já estava na hora de eu voltar aqui.

Após alguns dias (ou melhor, algumas semanas) ausente, finalmente acredito ter algo a escrever – e, dessa vez, a “inspiração” veio de maneira inusitada. Minha expectativa é tão-somente que não sejam palavras inúteis, lançadas ao vento.


O texto tem esse título porque se refere ao último feriado, quando uma das bandas de que gosto veio se apresentar em minha cidade [como parte de uma turnê especial], visto que eles não tocam mais juntos oficialmente. Em outras palavras, no último 12 de outubro, os cariocas do “Los Hermanos” voltaram a Salvador e, obviamente, os que curtem a música deles lotaram o show – na sua maioria, eram jovens e adolescentes que estavam a fim de aproveitar o restante daquele feriado. Logo, gostaria de destacar alguns trechos de letras de algumas músicas deles e tecer comentários que saltaram à minha mente com respeito a essas canções. Vamos em frente.

A primeira canção que queria destacar se chama “Primeiro Andar”, cuja letra diz em dois momentos:

“Eu vou lá, andar... E o que eu vou ver? Eu sei lá...”
“Eu preciso andar um caminho só...”

No início da letra, o autor diz que, embora ele esteja andando numa certa direção, ele não sabe o que irá encontrar pela frente. Fazendo uma aplicação mais concreta da música à vida e à realidade, nem todos nós sabemos para onde estamos indo e, por isso, não temos a mínima noção do que nos sobrevirá ao longo desse “caminho”. Em outros termos, pensar a respeito disso me recorda certas palavras de Jesus Cristo, que disse:

Por mais um pouco de tempo a Luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a Luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo. Creiam na Luz enquanto vocês a têm, para que sejam filhos da Luz. [Evangelho de João, cap. 12, vs. 35-36a]


Nessa passagem, Jesus é claro: a Luz à qual Ele se refere [que estaria por pouco tempo entre aqueles que O ouviam] era Ele mesmo e, por isso, Ele os adverte dizendo para que eles andem na Luz para que eles não sejam capturados pelas trevas, pois “quem anda em trevas não sabe para onde vai” – assim como o autor da música não sabia, em certo momento, o que iria ver pelo caminho. Por fim, Jesus encerra Sua advertência dizendo para que todos aqueles que O escutam creiam Nele, para que saiam das trevas para a Luz, uma vez que Ele é “a Luz que veio ao mundo, para que todo aquele que Nele crê não permaneça nas trevas” [João 12, vs. 46].

Curiosamente, imagino que a maior parte de todos os que estavam cantando essa música no referido show continua sem saber para onde está indo, uma vez que continua a não crer em Jesus e, assim, ainda anda em trevas – embora eles acreditem que tudo está bem. Por um lado, é como se uma centelha de verdade esteja bem nos olhos deles, porém é necessário que, por outro lado, a Verdade se revele a eles plenamente, para que eles alcancem o patamar da segunda frase citada acima, em que o autor diz que ele precisa “andar um caminho só”, indicando que a sua necessidade não é de experimentar várias alternativas igualmente válidas, mas se apegar a uma única alternativa segura. Em suma, eu, você e qualquer pessoa que nunca lerá esse post precisam da mesma coisa – andar “um caminho só” ou, de outra maneira, ir em direção a Deus – e, nesse sentido, foi o mesmo Jesus que disse ser “o Caminho, a Verdade e a Vida” [João 14, vs. 6], sendo também Ele mesmo “ o único Mediador entre Deus e os homens” [1 Timóteo 2, vs. 5].


As outras canções que geraram em mim reflexões se chamam “Morena” e “Paquetá”, as quais mencionarei sequencialmente. Desse modo, uma das frases mais “aclamadas” e mais cantadas pelos fãs do Los Hermanos diz:

“Sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus...” [Morena, álbum “4”]

Primeiramente, a frase acima expressa uma verdade “verdadeira” – como diria o Francis Schaeffer -, ainda que esteja presente numa música dita “secular”. Quem está “em par com Deus” (ou em comunhão com Deus, ou ligado a Deus) está em paz e, por isso, é sereno. No entanto, assim como num parágrafo anterior, acredito que quase todas as pessoas que cantaram intensamente essa frase não podem ser verdadeiramente “serenas”, pois elas, provavelmente, ainda não têm “a paz de estar em par com Deus”. 


Mas você pode me dizer: “Como assim? Quem é você para dizer que aquelas pessoas não estão em paz com Deus? Por acaso você é o ‘dono da verdade’?” 

Eu sei que não sou o “dono da verdade” – a verdade é “verdade” independentemente de qualquer opinião, inclusive a sua ou a minha -, mas, nesse caso, quando o assunto é “Deus”, a nossa opinião não interessa, pois é Deus quem deve falar sobre Si mesmo e, quando Ele fala, qualquer outra voz é imediatamente silenciada.

Sendo bem direto, os homens não têm “a paz de estar em par com Deus” porque eles são pecadores e, por isso, estão destituídos da glória de Deus [Romanos 3, vs. 23]. Um Deus perfeitamente santo e justo não pode habitar com o mal e ter qualquer comunhão com o pecado e, dessa forma, os homens só podem “ter a paz de estar em par com Deus” a partir do momento em que eles são perdoados de seus pecados, ou seja, quando os pecados deles são removidos e colocados sobre Alguém que levará esses pecados no lugar deles. Resumidamente, serenidade é sinônimo de “estar em paz com Deus” e estar em paz com Deus é resultado de ser perdoado, de ser redimido, de ser resgatado de uma condição de corrupção, impiedade e perdição para uma condição de justiça, santidade e vida – e isso só é possível através de Jesus, cujo nome significa “Ele salvará o seu povo dos pecados deles” [Mateus 1, vs. 21].


Por último, quero mencionar um trecho da canção Paquetá, que diz:

“Eu sei, me perdi! Mas eu só me acho em ti...”

Nessa frase, o autor começa afirmando que “sabe que se perdeu” – ainda que não seja claro em que sentido ele afirma isso – e, em contrapartida, também afirma que somente em um determinado “alguém” ele “se acha”. Sempre que penso nessa parte da música, me lembro da história contada por Jesus conhecida como “Parábola do Filho Pródigo” [pródigo = esbanjador], na qual um dos dois filhos de um homem rico pede parte da própria herança e sai para uma terra distante e, nesse lugar, gasta tudo que ganhou de modo devasso e ostensivo. No meio da história, ele fica na miséria e, ao se perceber nessa situação, ensaia um discurso e, então, volta para casa dizendo a seu pai:

“Pequei contra o céu e contra ti, e não sou mais digno de ser chamado teu filho; me faz como um de teus empregados”. [Evangelho de Lucas, cap. 15, vs. 21]

No final da história, o pai prepara uma grande festa por causa do retorno de seu filho, dizendo que “este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado”.


Assim como na canção, o “filho pródigo” se perdeu; porém, a Bíblia apresenta uma sutil mas fundamental diferença – na música, o autor diz que “se acha” num certo “alguém”; mas, na parábola, o filho pródigo “foi achado” pelo seu pai. Isto é, o Evangelho ensina que todos nós nos perdemos por nós mesmos [nós pecamos contra o céu] mas, quando nós “nos achamos”, na verdade fomos “achados” – Deus é quem nos busca antes de buscarmos a Ele, pois está escrito que “o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” [Lucas 19, vs. 10] e que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” [1 Timóteo 1, vs. 15]. Logo, o que falta para qualquer um de nós é, semelhantemente ao poeta da canção, reconhecer que nós nos perdemos e, ao mesmo tempo, saber que só podemos ser “achados” Nele, pois Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, especialmente os piores deles, uma vez que Ele “não veio chamar justos, mas pecadores” [Marcos 2, vs. 17b].


Quais caminhos você tem trilhado? Você está andando em trevas sem direção, ou já descobriu que precisa trilhar “um Caminho só”?
E sobre ser sereno? 
Você realmente tem “a paz de estar em par com Deus” ou permanece sem se arrepender de seus pecados e, por isso, continua sem perdão e, assim, está separado de Deus?
Você se reconhece como perdido por não crer em Jesus Cristo como Aquele que veio ao mundo para salvar pecadores? E, sabendo disso, o que você está esperando para ir a Ele para ser “achado”?



Pela alegria de saber que sou achado Nele,




Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Uma Beleza antiga e nova - uma oração

A Ti, que és eterno mas não distante
Embora sejas em Ti mesmo tão excelente
Venho eu apresentar-me
Sabendo que nada em mim me recomenda a Ti.
Porém, aproximo-me esperançoso e confiante
Pois no Amado fui feito justo ante Tua face
E, por ser Ele meu Mediador e Redentor
Sei que me aceitas apesar de quem sou
E, assim, desfruto do que não via
Mas que pra mim se revelou.

Agora, canto a Viva Esperança
Que nasce enquanto me desaponto
Esperança pela qual anseio ver terra firme
Onde posso ancorar a minha alma.
“Bom é ter esperança”, diz o Santo Livro,
Pois por ela me aquieto
Aguardando a Salvação do Todo-poderoso
O Qual está perto dos que temem Seu nome
Nome que é sobre qualquer outro
Tanto hoje, como também no futuro.

Ó Senhor, cujas obras são grandes
E buscadas por aqueles que nelas se alegram
Não permitas que as Tuas criaturas
Que só existem por existirem em Ti
Retenham-me para longe.
Embora os homens Te substituam
Por “autoimagens” cinicamente divinizadas
Preferirei aquelas “velhas verdades”
Verdades doces e cheias de frescor
Cartas vivas, Boas-Novas de amor.

Beleza antiga e nova, Alegria soberana,
Que o insensato não compreende e nem deseja
Tu és minha satisfação perene.
Luzeiro do mundo, Pão vivo do céu,
Visto e provado por quem em Ti renasceu,
Resplandece nas trevas que me cercam
Para saciar a fome dos que se dizem plenos
Mas que sem Ti são vazios –
Que os Teus filhos dispersos
Sejam todos por Ti chamados e reunidos.

Supremo Criador e Fonte da Vida,
Converte-nos verdadeiramente a Ti
E renova nossos dias como outrora
Para que toda triste história
Seja cheia de Tua graça e glória.
Faz-nos ver a queda de nossas coroas
Porque Teu reino já é chegado -
Reino que destrói todo reino falso
Assim como o raiar do sol
Faz alvorecer toda escuridão.

Em Ti espero, ó Rocha Eterna,
Pois sou débil e vacilante.
Ajuda-me, então, a perseverar e seguir seguro
Apegando-me a Ti, ó Deus imutável.
Manifesta a Tua majestade ao mundo
Pois fomos feitos para contemplá-la
Na face do Teu Filho Unigênito –
Que por meio dEle eles vejam a Ti,
Para Te amarem como és digno de ser amado
E, assim, desfrutem de Ti hoje e para sempre.


 


Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Sobre lembrar de não se esquecer...

Mais uma vez, estou aqui.

No entanto, dessa vez, novamente estarei escrevendo sobre algumas impressões dos últimos dias - assim como no penúltimo texto publicado aqui, embora tenham sido menos dias que aqueles anteriores -, de forma que o post será mais descritivo, ainda que inclua algumas reflexões breves sobre o assunto.

Logo, é hora de olhar para o teclado do computador e "caminhar" com as mãos por ele.


Primeiramente, o título desse texto remonta a um pequeno trecho/verso de uma de minhas canções favoritas de toda a vida - a música "Vou me lembrar", da Banda Resgate. Todavia, não falarei exatamente sobre a canção em si, mas sobre algumas coisas das quais eu "devo me lembrar de não me esquecer". 

Lembrar de não se esquecer.

Antes de falar sobre os acontecimentos em si, é pertinente ressaltar que nós, pessoas do século XXI, fazemos parte de uma geração na qual a informação [e também a desinformação, por assim dizer] é produzida e transmitida quase que em tempo real - muitas, muitas informações, a toda hora, a todo minuto - e, por isso, estamos sem tempo de assimilar tudo que recebemos e, obviamente, desaprendemos gradativamente a refletir e meditar sobre o que lemos, ouvimos e vemos. De certo modo, a multiplicação de todas essas coisas estão exercendo um efeito ruim sobre nós, visto que não paramos mais para pensar e avaliar o que nos cerca e que é comunicado a nós e, portanto, a cada conjunto de novas "informações" [ou "desinformações"] que recebemos, tendemos a ser "levados com a correnteza" sem perceber que estamos sendo tragados por ela - em outras palavras, "quando todos estão pensando da mesma forma, é sinal de que ninguém está pensando". Nesse contexto, estamos dentre aqueles que não apenas se esqueceram do que comeram ontem, mas não se lembram mais dos bons valores dados pelos pais, dos bons conselhos de amigos verdadeiros e, especialmente, de quem somos e para que [ou quem] vivemos - ou deveríamos viver. 


A esse respeito, vale a pena relatar minha última experiência dentro de meu círculo social universitário - no último feriado, eu e mais cerca de 60-70 estudantes participantes do Movimento Estudantil Alfa e Ômega [ou Vida Estudiantil na LAC, ou Agape na Europa etc.] nos reunimos para um "acampamento", cuja temática era "Sem Perder o Rumo". Lá estávamos nós - pessoas diferentes, de contextos familiares, sociais e econômicos diferentes [até mesmo morando em países diferentes, pois havia um "italiano" entre nós] buscando saber ou trazer de volta à memória qual é esse "rumo" do qual não devemos nos perder ou, caso já estivéssemos meio "perdidos do rumo", como voltar a ele o quanto antes. 

Por tudo isso, a primeira coisa a se pensar é: Rumo? Que, como e onde? 

Numa realidade como a nossa, tão intoxicada pela ideia de que "tudo é relativo" e na qual "a 'sua verdade' é a 'sua verdade' e a 'minha verdade' é a 'minha verdade'", falar de um "rumo" a se seguir - como se não houvesse outros "rumos" igualmente válidos - soa intolerante e retrógrado. Mas é isso mesmo que você leu - tudo começa com a constatação de que só existe Um rumo, como diz certa canção da Banda Crombie:

"Um é o Caminho que sigo
Uma Verdade vivida
Uma morte é preciso mas a vida é infinda..." [Um, Crombie]



Ou, sendo ainda mais implacável, usarei as palavras de um certo Mestre:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. [Jesus Cristo, conforme João 14, vs. 6]

De certa maneira, cada um de nós é responsável pelos "rumos" que seguimos ao longo da vida, mas é totalmente leviano e desonesto dizer que todos os rumos [quando estes são absolutamente diferentes entre si] levam ao mesmo lugar ou, como se ouve por aí, "todos os caminhos levam a Deus"... Não levam não, amiguinho - o Único Caminho seguro para Deus é Jesus Cristo, pois enquanto todos os outros ícones espirituais "apontam caminhos" para que os homens sigam, Jesus fez o que ninguém fez: Ele apontou para Si mesmo, Ele disse SER o Caminho. Portanto, enquanto o rumo que estamos seguindo na vida não for esse - ou seja, enquanto não irmos em direção ao Filho de Deus -, estaremos "como ovelhas sem pastor" e "desamparados e sem rumo" [Mateus 9, vs. 36], vivendo "conforme o curso natural da vida" e sendo "escravos de nossas próprias imaginações vãs" [Efésios 2, vs. 2] enquanto acreditamos ser livres. Nesse sentido, esses dias de acampamento me fizeram "lembrar de não me esquecer" da razão pela qual eu fui feito e, sobretudo, de Quem me fez, uma vez que está escrito que "Ele nos criou para a Sua glória" [Isaías 43, vs. 7], de modo que "...tudo o que eu fizer, deve ser feito para a Sua glória" [1 Coríntios 10, vs. 31]. 

No entanto, não basta saber o rumo a se seguir, é preciso saber como seguir esse rumo.


Ora, estamos falando de Deus - Ele não é nosso "coleguinha" da faculdade, nem o nosso pai ou mãe e nem mesmo pode ser equiparado com qualquer ser humano nobre, uma vez que Ele mesmo diz: "...a quem pois vocês me compararão, para que Eu lhe seja semelhante? Diz Aquele que é Santo" [Isaías 40, vs. 25] - e, por isso, o conselho é que devemos viver "de modo digno da vocação com que fomos chamados" [Efésios 4, vs. 1], "como Cristo andou" [1 João 2, vs. 6], "de modo sóbrio, justo e piedoso" [Tito 2, vs. 12] e "como servos de Deus" [2 Pedro 2, vs. 16]. 

Em suma, embora Ele também tenha nos chamado à liberdade - de forma que não mais nos colocamos debaixo de jugo de escravidão [Gálatas 5, vs. 1] e nos desvencilhamos de toda tradição humana, uma vez que essas coisas perecem e são totalmente incapazes de refrear nossas más inclinações [Colossenses 2, vs. 20-23] -, essa liberdade deve ser usada corretamente. Trazendo para o contexto citado, o convívio com pessoas diferentes me ajudou muito a me "lembrar de não esquecer" de que, assim como a minha liberdade não deve ser julgada pela consciência do outro e que eu não devo ser criticado por algo que faço para a glória de Deus [ainda que a pessoa não "goste" disso], eu também devo saber lidar com essas diferenças e não agradar a mim mesmo, e sim buscar o bem do outro. Ora, a graça de Deus é "multiforme" e, por isso, não sou eu - e nem ninguém - quem determina como e onde ela se manifesta, senão Ele mesmo ou, como disse A. W. Tozer: "Coisa terrível é a ideia de que os homens podem servir a Deus do jeito deles". 


Em último lugar, algo de que fui "relembrado de não esquecer" foi sobre o que deve me mover a continuar no "rumo" - pois não é o bastante saber qual rumo seguir nem como colocar isso em prática, mas o motivo pelo qual devo seguir. E, quando o assunto é Deus, somente três coisas "permanecem", mas uma delas é maior que as outras duas - o amor. Mas... espere um pouco: não pense que quando falo de amor estou me referindo a toda essa parafernalha pós-moderna, onde "tudo" é chamado de amor - mais uma vez, "boas intenções" ou novas "construções sociais" não fazem pecados se tornarem virtudes -, porém falo do amor do próprio Deus, que é Amor [1 João 4, vs. 8b]. E, nesse caso, eu direi algo que irá talvez transtornar a sua mente: a Bíblia afirma que "Deus é amor", correto? Contudo, por que Deus é amor? O que faz com que Deus seja amor em Sua essência? 

Você pode estar dizendo aí do outro lado da tela: Deus é amor porque Ele me ama! 
NÃO. Não é por isso. 

A resposta da pergunta é: Deus é amor porque Ele ama a Si mesmo antes e acima de qualquer outra coisa em todo o universo, pois se Deus amasse outra coisa mais do que a Si mesmo - visto que Deus é o Ser mais excelente que existe e, por isso, é o único digno de glória e adoração -, Ele seria um idólatra e isso é inaceitável. Além disso, o fato de Deus amar a Si mesmo antes e acima de tudo mostra que Ele é um ser eternamente feliz e, por isso, apenas quando o ser humano está unido a Ele é que é possível desfrutar de genuína felicidade. Quanto a isso, está escrito que o Pai ama o Filho desde "antes da criação do mundo" [João 17, vs. 24] e que o Filho desfrutava da glória do Pai "antes que o mundo existisse" [João 17, vs. 5]. 


Finalmente, Deus não apenas permaneceu em total felicidade em Si mesmo [Pai, Filho e Espírito Santo], mas Ele provou [e ainda prova] o Seu amor por nós por ter enviado Seu Filho pra morrer por nós, o Justo pelos injustos, o Santo pelos pecadores, o Amado pelos desprezíveis, o Belo pelos repugnantes - e aí está a última lição: visto que Deus me amou dessa maneira, eu também devo amar ao próximo [1 João 4, vs. 11] e, ao amar a meu próximo, eu devo fazer com que ele também conheça esse Amor profundo, esse Amor que salva, seja no meu campus, seja em algum lugar do Brasil ou da América Latina, seja no Caribe ou África, seja na Europa [=D] ou em qualquer outro lugar, para que aqueles que me cercam também sejam levados a amar a Deus como Ele merece ser amado, como disse o John Piper:

"Missões existe porque a adoração não existe" - ou seja, a razão principal para se compartilhar sobre Cristo não é "contabilizar pessoas salvas" nem mesmo levar as pessoas a conhecerem a Cristo para se livrarem do inferno, mas sim proclamar a glória de Deus diante delas para que elas, por meio de Cristo, sejam reconciliadas com Deus e, assim, também vivam para a glória do Seu Criador e Salvador. 


Enfim, em meio a manhãs de oração, música e reflexões interessantes, momentos de aprendizado, muita diversão e talentos revelados, novas e preciosas amizades, oração por sonhos missionários [So1o Europe!], oportunidade de transmitir conhecimento e o resgate de momentos "inolvidables" [Solo Uno, Solo Uno!!!!], resta-me apenas pedir a Deus que me mantenha "no rumo" ou, em outros termos, que me faça permanecer Nele, para que eu dê muito fruto e o Pai seja glorificado. 





Pela alegria de ir "sem perder o rumo",




Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

De quem é [ou com quem está] a Força?

Eis-me aqui, depois de um tempo sem muita inspiração.


Nesses últimos dias, depois de ter voltado de mais uma viagem para fora do país (como relatei no texto anterior), muitas coisas têm permeado a minha mente mas, até este exato momento, não havia tido uma idéia sobre a qual falar aqui - mas essa idéia chegou. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.


O tema desse texto surgiu muito de repente, enquanto estava em casa arrumando a cozinha - isso mesmo, a "inspiração" veio nessas circunstâncias - e está baseada em alguns bordões marcantes da história dos desenhos animados e também do cinema. Espero ter sorte daqui pra frente, já que não sou colunista e nem crítico de arte - de fato, essa não é a minha intenção. 

Primeiramente, acho que a maioria dos leitores irá se lembrar da célebre frase do He-Man, que sempre quando iria fazer algum ato heróico, dizia: "eu tenho a força"! 

Eu tenho a força.

Pensando nessa frase, deve-se notar que ela traduz bem o sentimento geral de todo ser humano acerca de si mesmo, sentimento que tem sido cultivado e alimentado em nossa geração mais do que em qualquer outra - ora, nós não somos parte da "geração auto-estima", da "geração da auto-realização", da "geração empoderada" ou dos "iluminados" que estão construindo o "admirável mundo novo"? Para se certificar disso, basta irmos às livrarias e o que veremos na maioria das prateleiras serão livros para "despertar o poder que existe dentro de você", bem como adentrarmos nas universidades e, assim, ouviremos somente os discursos acalorados dos "defensores dos oprimidos" que estão lutando pelo "poder popular" [seja ele vinculado a etnia, a gênero, a orientação sexual etc.] e, finalmente, até mesmo em muitas comunidades religiosas [inclusive "cristãs"], o que se vê são "reuniões" onde os "gritos de guerra" são "você pode", "você tem", "você é" ou, conforme aquela propaganda do inseticida Baygon - "o poder é seu". 


Então... deixa eu frustar logo as suas expectativas. 

Na verdade, a sua auto-estima não interessa tanto o quanto você pensa, a sua realização pessoal não é a razão de ser do universo, não há nada de tão especial ou virtuoso dentro de você, a dialética de "opressores x oprimidos" não passa de uma jogada política criminosa e, obviamente, o poder não é seu [nem é meu!] e nem de "nenhum de nós". Em outras palavras, WE CAN NOT DO IT. 

Mas como assim? - você pode estar me questionando ao ler esse texto. "Deixe de ser machista, patriarcal e opressor, seu fascista!" - essa talvez seja a sua reação imediata. Ora, partindo-se do pressuposto de que devemos antes ser lembrados das coisas que já ouvimos em vez de aprendermos outras coisas, é pertinente reiterar que este blog é totalmente descompromissado com a bajulação do ego de quem lê [visto que eu mesmo escrevo sempre em tom de auto-confrontação] e, portanto, o que está em jogo aqui não é se o post irá agradar você ou não, mas se o texto levará os leitores a darem importância ao que realmente importa ou, melhor dizendo, a Quem realmente importa. 

Porém, a pergunta não quer calar: "quem tem a força"? A resposta é simples, e já foi dada há alguns séculos, como mostrado abaixo:

Uma vez Deus falou, e duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus. [Salmo 62, vs. 11]


O texto bíblico é muito claro - o poder pertence a Deus e ponto final ou, em outros termos, "Deus tem a força" e não o He-Man. No entanto, não é somente isto que a passagem bíblica aponta, pois está escrito que é Deus quem diz que "o poder" pertence a Si mesmo. Dessa maneira, o poder de Deus não se torna uma realidade somente quando eu reconheço o Seu poder, mas sim que Ele tem o poder sobre tudo e sobre todos independentemente de eu dar ouvidos a isso ou não. Isto é, se alguém que está lendo esse post porventura não acredita em Deus, Ele não passa a ser "menos Deus" ou se torna uma falácia somente por causa dessa atitude de incredulidade, nem tampouco se torna "mais Deus" ou passa a ser uma realidade porque eu afirmo crer Nele - Deus é Deus e o Seu poder é estabelecido por Ele mesmo. Entretanto, há um aspecto crucial no mesmo trecho do salmo: o escritor dá testemunho de que "ouviu Deus dizer" que o poder pertence a Deus, indicando que é necessário que Ele comunique ou revele essa verdade às Suas criaturas para que elas O conheçam e reconheçam o Seu poder, o que remonta às palavras de Cristo, que disse "...ninguém conhece (plenamente) o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar..." [Mateus 11, vs. 27b] e do evangelista João: "...Deus nunca foi visto por alguém; o Filho unigênito, que está junto ao Pai, este o revelou..." [João 1, vs. 18]. 


Por outro lado, esse texto também teve por inspiração o inesquecível bordão do Mestre Yoda, o supremo Jedi da saga Star Wars, que sempre costuma dizer: "que a Força esteja com você". 


Na famosa série de filmes do George Lucas (Star Wars), quando se fala da "Força", existe o "lado bom da Força" - representado pelo Yoda - bem como o "lado negro da Força", representado pelo Lord Darth Vader, o grande vilão da história. Sob certa licença poética, acredito que a vida real tem uma relação com esse conflito retratado nesses filmes, pois, como é possível perceber pela experiência humana bem como a partir de uma avaliação sincera de quem somos e do que fazemos, que nós estamos do "lado negro da Força" - o que, no final das contas, eu posso associar ao que a Bíblia chama de "pecado", que é a transgressão da Lei de Deus, cuja atitude em sua essência consiste em não glorificar a Deus como Ele merece ser glorificado, substituindo a Deus por qualquer outra coisa, inclusive [ou especialmente] nós mesmos. 

Nesse sentido, pecado não é apenas "fazer coisas erradas ou inconvenientes" ou mesmo "cometer atos imorais, hedonistas ou coisas do tipo" - pecado é não glorificar a Deus ainda que façamos coisas lícitas, louváveis, altruístas e mesmo "aparentemente santas", de modo que, por exemplo, se minha suposta "espiritualidade" e "fuga da aparência do mal" é baseada num exibicionismo ou auto-justificação [como se o favor divino pudesse ser comprado por qualquer coisa que pudéssemos dar a Deus ou se nossa aceitação por parte Dele dependesse de nosso esforço religioso], ela é detestável e pecaminosa. Obviamente, aquilo que é explicitamente condenado pelas Escrituras é pecado e "não se fala mais nisso" [não importa a intenção de quem pratica, uma vez que boas intenções não fazem com que pecados se tornem virtudes]; todavia, para nosso maior desespero, o pecado contamina até aquilo de que poderíamos nos gloriar, como o nosso "altruísmo", nossa preocupação com os pobres, nossa "religiosidade irrepreensível" ou mesmo nossas "melhores intenções" espirituais. Não temos saída por nós mesmos. 


Em contrapartida, assim como associei a condição humana ao "lado negro da Força" por causa do pecado, é possível [e coerente] relacionar o "lado bom da Força" [por assim dizer, uma vez que não se trata de dualismo] a Deus, pois Ele não somente tem o poder em Si mesmo, mas Ele é bom e benigno, o que implica a total impossibilidade de Deus usar de Seu poder de maneira injusta ou má - ou seja, qualquer manifestação do poder divino foi, é e será necessariamente santa [incluindo a Sua ira contra o pecado e contra o pecador que permanece no pecado], visto que Ele é santo em todos os seus atributos ou características. Logo, aí é que mora o nosso problema - Deus já determinou um dia em que julgará o mundo com justiça e, sobre esse dia, está escrito que "...o Senhor Jesus será revelado dos céus, com os Seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes, e Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais sofrerão a pena de destruição eterna, sendo banidos da face do Senhor e da majestade do Seu poder..." [2 Tessalonicenses 1, vs. 7-9]. 

Eu não posso imaginar nada mais terrível do que ser eternamente separado da presença de Deus [o que é a única alternativa de desfrutarmos de todo o bem], mas é isso que está reservado a todo aquele que permanece resistindo a Deus, ignorando a mensagem de Jesus Cristo e também o próprio Cristo. Sinto lhe informar, você "não tem força" alguma contra isso, pois "o poder não é seu". 


Contudo, existe uma excelente notícia - a melhor notícia que você poderá ouvir -, pois alguém já suportou essa ira divina, e essa é a sua única esperança, como está escrito:

Mas Deus prova o Seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por meio Dele salvos da ira de Deus. [Romanos 5, vs. 8-9]

Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Deus que se fez homem, quando foi à cruz, tomou todo o cálice da ira de Deus, até a última gota e, então, Ele disse que "estava consumado", terminado e concluído, pois está escrito que Ele "...glorificou o Pai na terra, tendo completado a obra que havia recebido do Pai para fazer..." [João 17, vs. 4] bem como que Ele "...ressuscitou dos mortos, e nos livrará da ira futura..." [1 Tessalonicenses 1, vs. 10b]. Em outras palavras, Jesus é quem "tem a força" para nos livrar de nossa condição de pecado e condenação diante de Deus, pois a Ele foi dada "...autoridade sobre toda a humanidade, para dar a vida eterna a todos os que foram dados a Ele..." [João 17, vs. 2] e que as Suas ovelhas ouvem a Sua voz, O conhecem e O seguem, recebem Dele a vida eterna e que ninguém as tirará das Suas mãos. Parafraseando o Yoda, "a Força está com Deus" e, dessa forma, devemos tão-somente reconhecer nossa fraqueza e confiar Nele, pois "Cristo, estando nós ainda sem forças, morreu a seu tempo pelos ímpios" - todos nós somos fracos em nós mesmos, mas Ele é forte; nós somos ímpios e maus, mas Ele é justo; nós deveríamos morrer sob a ira de Deus, mas foi Ele que sofreu em nosso lugar. 


Diante disso, você tem somente duas opções: ou você estará entre aqueles pelos quais Cristo morreu [os quais estão livres da ira de Deus] ou estará entre os que permanecem rebeldes contra Cristo e, assim, a ira de Deus permanecerá sobre você. Olhe para Cristo, veja a beleza de Seu sacrifício, creia Nele e tenha a vida eterna, pois mais importante do que ser livrado do inferno ou da condenação eterna é ser reconduzido a Quem nos criou, pois Ele, como disse Agostinho, é a "nossa alegria soberana e verdadeira". 





Pela alegria de saber que a Força Dele está comigo,




Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Sobre certas impressões latinoamericanas...

Este será um texto diferente.

Diferentemente do que costumo fazer, este será um breve relato dos últimos dias - dias que jamais sairão de minha memória, dias em que fui, de fato, "um rapaz latinoamericano", como diz certa canção. 

Espero que a leitura valha a pena. 


Primeiramente, tudo começou há cerca de dois anos, quando em um congresso estudantil, na cidade do Rio de Janeiro, foi lançada a idéia de um encontro continental de estudantes chamado "Solo Uno" ou "Only One" [nessa época, ainda se usava os dois nomes], o qual seria realizado no ano de 2015 na Cidade do Panamá, entre os dias 29 de julho e 02 de agosto. O tempo passou e, após muitos desafios, aprendizados difíceis e algumas grandes surpresas, no último dia 28 de julho, no início da madrugada, eu e um grupo de amigos estávamos embarcando para essa grande aventura - a aventura de conhecer um novo país [muitos estavam saindo do Brasil pela primeira vez], de conhecer novas culturas, novas pessoas e, sobretudo, de estar num ambiente voltado para a proclamação de que há um só Deus, o qual deseja que Seus filhos vivam como uma comunidade e se empenhem em prol de uma missão. Na manhã daquela terça-feira, o Panamá era uma realidade. 

No primeiro dia, tudo foi bastante agitado - efetivação de inscrição, alocação no quarto no hotel onde nos hospedaríamos e, em meio a todas essas coisas para se fazer, foi possível iniciar novas amizades, treinar um pouco de inglês, começar a aprender o espanhol [malo, en verdad jajaja] e conhecer alguns lugares mais próximos. No fim do dia, depois de resolver essas primeiras pendências, saí com uns amigos para comemorar o aniversário de uma amiga - a "balada panamenha"! rs - e foi um tempo muito divertido. Em verdade, é bom ver Deus nas pequenas coisas boas da vida, pois como diz uma bela canção, "tudo que existe só existe porque Tu és Senhor". 


29 de julho de 2015 - o grande momento chegava.

Aquela quarta-feira começa com mais de 1600 pessoas de pouco mais de 40 países - 38 países da América Latina e Caribe, além de Estados Unidos, alguns lugares da Europa e outros países, juntas por uma causa, a única causa digna e capaz de unir tantos rostos, idiomas e identidades em torno de um ponto comum: Um Nome, o Nome que é sobre todo nome, diante do qual todo joelho no céu e na terra se dobrará e que toda língua confessará, pois Dele está escrito que "é o Deus verdadeiro e a vida eterna". Resumindo, o lema que erguíamos era a sublime palavra registrada pelo evangelista João, no meu capítulo favorito da Bíblia, que diz:

E esta é a vida eterna: que Te conheçam, a Ti só, como o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. [João 17, vs. 3]

Y esta es la vida eterna: que conozcan a Ti, solo a Ti, como el Único Dios verdadero, y a Jesucristo, a quién has enviado. [Juan 17, vs. 3]

And this is life eternal: that might know Thee, the Only True God, and Jesus Christ, whom Thou hast sent. [John 17, vs. 3]

Um Deus. Uma comunidade. Uma missão. So1o.


Infelizmente, não é possível escrever todos os detalhes do evento nesse post, mas algumas coisas que experimentei não podem ser ignoradas. 

De início, não sou apto para descrever a sensação de ver tantas culturas, pessoas e línguas proclamando a grandeza do mesmo Deus, "o Deus que fez de um só toda a geração dos homens para que estes O buscassem, se porventura pudessem encontrá-Lo, ainda que Ele não esteja longe de nós", no qual todos nós vivemos, nos movemos e existimos. Em inglês, em espanhol, em PORTUGUÊS!, em francês, em holandês e alguns dialetos do Caribe, toda língua estava declarando o senhorio de Cristo, Aquele que veio do céu para revelar Deus ao mundo, mostrando-nos o Seu amor ao morrer por nós quando ainda éramos pecadores e, ao nos justificar pelo Seu sangue, nos salvar da ira futura. Ouvir  e ver brasileiros, panamenhos, colombianos, caribenhos e tantos outros louvando a Deus, cada um com sua identidade, me fez lembrar da visão gloriosa presente no Apocalipse, quando "haverá uma grande multidão, que ninguém poderá contar, de toda tribo, povo, língua e nação, com palmas nas mãos e cantando que 'a salvação pertence ao Senhor, que está assentado no trono, e ao Cordeiro'..." [Apocalipse 7, vs. 9-10]. Sim, Deus é o Deus de todos os povos, e está reunindo Seus filhos que andam dispersos, para reuni-los em um povo.

Além disso, não posso me esquecer de um lugar singelo e especial, por onde sempre passava para tomar um bom café - costarriquenho, colombiano e até austríaco - e, acima de tudo, estar com meus irmãos e amigos para buscar a Deus, aquietando-me diante Dele em oração. Em meio aos dias de congresso, lá estavam muitos jovens, cedo de manhã ou no fim do dia, querendo ouvir a Deus e desfrutar Dele e, dentre tantos momentos, um deles foi muito especial para mim - quando pretendíamos apenas reunir os estudantes do movimento local de meu estado, vieram pessoas de outros estados do Brasil e também do México, Colômbia e Panamá orarem conosco! Embora eu estivesse aflito e inquieto no momento, aquele tempo ficou e ficará vivo em minha mente - foi uma oportunidade preciosa de se viver "uma comunidade".  


Por outro lado, muitas coisas que foram ditas me marcaram muito, porém a frase que está traspassando meu coração como uma flecha inflamada não foi dita em nenhuma das plenárias nem mesmo nos momentos de oração ou em alguma canção - se bem que o concerto de oração do primeiro dia e o concerto de música do quarto dia foram momentos extraordinários [gastar tempo em oração e diante das Escrituras bem como celebrando a Deus com toda a alma através de belas poesias cantadas nos leva para mais perto de Deus] -, mas sim no final de um vídeo em um workshop sobre a Europa e sua realidade espiritual. No final do vídeo, três estudantes alemães aparecem falando em sua língua:

Devolva-nos a mensagem que nossos antepassados levaram até vocês.

A dor da flechada está durando até hoje dentro de mim. Era como se eles conseguissem traduzir tudo o que mais desejo na vida em uma pequena sentença. Eu sei que essa inclinação para a Europa está suscetível a julgamentos - ora, porque ninguém quer ir pra África ou pras lugares carentes aqui no Brasil mesmo? - , mas eu tenho entendido que missões não é filantropia ou, em outras palavras, a relevância ou o valor de minha "ação missionária" não é proporcional à dificuldade social do meu público-alvo. Na verdade, missões não é o propósito final de Deus para os Seus servos nem para a Sua criação, até porque "missões existe porque a adoração não existe" - a razão final de todas as coisas é a glorificação de Deus e, por isso mesmo, missões é o ato de fazer com que todas as pessoas desistam de viver para si mesmas e passem a viver para o Seu Criador e de anunciar a elas que elas precisam de redenção e não exatamente de roupas ou alimento [embora fazer o bem seja parte de uma vida com Deus]. Em suma, mesmo que eu esteja conhecendo novos lugares e tendo a oportunidade de falar sobre Cristo a pessoas desses lugares, eu sei que meu coração pertence a um lugar - como dito acima, eu quero devolver a Mensagem aos contemporâneos que descendem dos antepassados que trouxeram essa Mensagem para mim. 


Finalmente, depois de um ajuntamento inesquecível/inolvidable/unforgetable como So1o Uno, ainda viriam mais uns dias de serviço pelo país - teve gente que foi até pra selva! - em parceria com igrejas locais, o que denominamos genericamente de "Missões Urbanas". Em poucas palavras, foi um privilégio ser acolhido por gente simples mas com grande coração, embora tendo que abrir mão de certos confortos [como algumas horas a mais de sono rs] e vivendo literalmente algumas palavras de Jesus registradas no evangelho de Lucas - comendo daquilo que nos davam, não levando nada conosco e até mesmo sacudindo a poeira dos pés diante daqueles que nem queriam nos receber quando íamos falar sobre o Evangelho. Conversas profundas sobre Cristo e Sua obra, diálogos interessantes com imagens, atividades com crianças e até futebol fizeram parte de todo esse tempo, além de momentos com a igreja que nos recebeu - momentos que nos fizeram saber que, verdadeiramente, quem deixa [ainda que por alguns poucos dias] pai, mãe, bens e o que seja por Cristo, recebe ainda nessa vida muito mais do que aparentemente "renunciou" ou "abriu mão". 

Não sei em detalhes quantas pessoas dentre as que nos ouviram receberam a mensagem de Cristo de bom grado mas, como a nossa tarefa é sermos somente semeadores, minha esperança está em Deus, que tem o poder de resplandecer a Sua luz em meio às trevas de todo homem que está longe Dele, como diz o salmista: "restaura-nos, ó Senhor, Deus dos exércitos; faze resplandecer o Seu rosto sobre nós, para que sejamos salvos". Que Ele se agrade de se revelar em bondade sobre todo o Panamá, toda a Latinoamérica e Caribe e também em todo o mundo, para a Sua glória. 


Agora, só me resta a saudade dos momentos vividos, a vontade de voltar e, especialmente, a saudade dos amigos de que me separei depois que voltei ao Brasil - mas a vida continua ou, como diz uma canção italiana que gosto, "la vita è adesso!"

Só uma missão, só há um Deus, uma comunidade... SOLO UNO!





Pela alegria de pertencer ao Único Deus verdadeiro,




Soli Deo Gloria!