quinta-feira, 11 de abril de 2013

Como dizia Jean-Paul Sartre...

Voltei.

Depois de estar meio sem tempo para escrever aqui, vou falar sobre algo que tenho pensado há algum tempo. Vamos lá, sem mais delongas.


Ultimamente, tenho pensado sobre uma determinada frase atribuída ao filósofo Jean-Paul Sartre [considerado por muitos como o principal ícone do existencialismo], o qual disse certa vez:

"O inferno são os outros".

Frase forte, não? 
Um tanto esnobe e sarcástica.
Entretanto, apesar de tudo isso, não deixa de ser verdadeira - sob certo ponto de vista, claro.


Nos meus posts mais recentes, tenho tratado de um assunto complicado [para os leitores assíduos e mais detalhistas, isso é bem perceptível] mas necessário: a necessidade de se despreocupar com a "paranoia" de ter que agradar a todos ou agradar à "maioria" e estar focado na convicção de que "felicidade é só questão de ser" na medida em que Deus vai conformando a todos os que creem Nele à Sua própria imagem. Os textos "Fora do sistema" e "De onde vem a minha calma" são bem claros em falar dessa temática... Logo, dando seguimento à mesma linha de raciocínio, quero analisar a citação de Sartre sob essa ótica.


O inferno são os outros.

Quando penso nessa frase, a primeira ideia que surge é a de que, se nos tornarmos escravos da necessidade de bajular as pessoas com nossos comportamentos, ideias, princípios e sentimentos, viveremos uma espécie de "inferno" temporal. Conforme a sabedoria "folk" ou popular, "não se pode agradar a todos". Nem mesmo aqueles que defendem ardentemente o pensamento de que "o que importa é estar dentro das convenções do sistema social e antropológico" agradam a todos. Eu, definitivamente, acredito que nasci para desagradar a muitos - sou irredutível em minhas convicções, intenso na hora de defender minhas ideias, irado quando ferido ou contrariado e totalmente despreocupado com o fato dos "outros" gostarem ou não de mim como eu sou [esse blog é um sinal evidente disso]. Por outro lado, sei que preciso ser mais moderado nesse sentido, mas não é você e nem ninguém que deve e pode fazer com que isso aconteça - Deus é quem pode e já está fazendo isso, se é que você ainda não se tocou. 


Além disso, numa sociedade cada vez mais "pseudotolerante" - tanto fora quanto dentro dos ambientes religiosos (os quais deveriam ser acolhedores, e não opressores) - , somos educados (ou seriam obrigados?) a entrar de cabeça nos "modismos" que "ascendem em abril e se espatifam em maio" constantemente. Ou seja: basta surgir uma "nova onda" [na qual todos estão surfando] ou um novo "ponto comum" para o qual todas as "Marias vão com as outras" se dirigem e... Já era. Os que simplesmente são "diferentes" ou que não são "massas de manobra" estão errados - são quase criminosos, às vezes. Chega de tudo isso! Eu prefiro ficar com as sublimes palavras de Jesus, que disse:

Vocês julgam segundo a carne; eu a ninguém julgo. [Evangelho de João, cap. 8, vs. 15].
Não julguem segundo a aparência, mas julguem segundo a reta justiça. [Evangelho de João, cap. 7, vs. 24].

E porque você atenta no argueiro que está no olho de teu irmão e não vê a trave que está em seu olho?
Ou, como dirá a teu irmão: deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no seu?
Hipócrita, tire primeiro a trave de seu olho, e então cuidará em tirar o argueiro do olho do seu irmão. [Evangelho de Mateus, cap. 7, vs. 3-5]


Jesus diz claramente que é lícito julgar ou exercer juízo sobre as coisas e situações, mas esse juízo deve ser baseado na justiça e na verdade em vez de baseado na aparência, no que está por fora. Em vez de acharmos que somos os "melhores melhores do mundo em tudo" e que temos toda a "moral" pra dar lições nos outros (muitas vezes, só criticamos coisas inúteis), devemos nos preocupar com nós mesmos antes. Sabe, é realmente "deixar pra lá" toda essa cultura do "exterior", de "agradar a gregos e troianos", de ser amigo de "espartanos e atenienses", de dar presentes aos "Aliados" e também ao "Eixo" [para os bons em História, está tudo tranquilo...]. Isso é falsidade. Isso é falta de caráter. É o que alguns chamam "farisaísmo" - em referência ao grupo de religiosos que Jesus sempre condenou pela hipocrisia deles. Pensando bem, os "outros" que vivem dessa forma é que estão criando um "inferno" pra si mesmos e, na pior das hipóteses, podem estar caminhando a passos largos para aquele outro inferno que todos devem temer.  


Finalmente, eu estou tranquilo.

Tranquilo porque, apesar dos conflitos inevitáveis que terei de enfrentar na medida em que me relaciono com as pessoas, sei que Aquele a quem eu devo tudo o que tenho e sou já me recebeu, já me aceitou. Ele, que tinha (e ainda tem) todos os motivos para me desprezar, veio ao meu encontro e me acolheu - como o pai da história do filho pródigo. O Único que tem toda a moral para me corrigir (e que faz isso de fato, mas faz para que eu seja participante de Sua glória, conforme se lê em Hebreus 12:10-11 - quanta graça! ) é o mais paciente e amoroso. Portanto, se queremos ser como Ele é - ou se ao menos nos julgamos Seus seguidores - , devemos fazer o que Ele diz:

"Portanto, recebam-se uns aos outros, assim como Cristo os recebeu para a glória de Deus" [Epístola aos Romanos, cap. 15, vs. 7].


Aceitação mútua.
Amor compartilhado.
O reino de Deus manifesto na prática como fruto da mudança do coração.

Minha esperança é saber que Ele é soberano e que, em algum momento, esse "inferno" do qual Jean-Paul Sartre falou vai ser transformado numa comunidade onde reinará a paz, a justiça e o amor - Apocalipse 21:4-7. Sem dores. Sem fardos de bajulação. Apenas Um será  alvo de adoração, atenção e reverência. O Único que é digno de todas as coisas. Mas, para "os outros" que não se importaram com seus próprios vícios e pecados e viveram julgando e condenando, o destino será bem diferente. 

E então? Você está no grupo dos "outros"? Pense e faça algo o quanto antes, caso seja preciso.



Pela satisfação de ser feliz por quem eu sou Nele,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Em memória de/do Salvador...

28 de março de 2013. 

Véspera da chamada "Semana Santa".

Hoje pretendo escrever pouco, pois acredito que temos muito mais em que pensar quando se fala de "páscoa" e "semana santa" do que perder tempo na internet lendo blogs [risos]. Espero que minhas palavras sejam úteis pra quem, porventura, passar por aqui.


Primeiramente, tenho uma interessante curiosidade nesta "semana santa". Amanhã, sexta-feira, é o aniversário de minha querida Cidade do Salvador, a qual completará 464 anos de fundação [desde 29 de março de 1549, dia em que a Coroa Portuguesa representada pela comitiva de Thomé de Souza chegou ao Porto da Barra]. A Cidade do Salvador se tornou a primeira capital do Brasil, posto que ocupou até o ano de 1763, sendo substituída pela cidade do Rio de Janeiro. Conhecida pelas suas belezas naturais, pelo povo alegre e hospitaleiro e por sua religiosidade rica e repleta de sincretismos, Salvador atrai pessoas de todo o mundo todos os anos. Por outro lado, como toda metrópole, apresenta sérios problemas sociais - educação precária, violência, corrupção, falta de mobilidade urbana etc. Entretanto, me concentrando apenas nos pontos positivos, quero fazer menção do aniversário dessa terra que encanta a todos que passam por aqui e que também é o meu lar. Sim, sou soteropolitano com muita alegria, vu velho? Minha cidade é linda como a zorra! [risos]. 


Mas... porque eu falei de uma "interessante curiosidade"?

Bem, vamos lá.

Sexta-feira santa. 
Este é o dia no qual, conforme a tradição cristã e os registros bíblicos, Jesus Cristo foi morto numa cruz. 

Em todo o mundo, a lembrança da morte cruel do homem que, apesar de sua simplicidade e ausência de nobreza, mudou a perspectiva da vida com seus ensinos, práticas e exemplo e dividiu a história em antes de depois de Si, é retomada nos filmes da TV, nas peças e espetáculos teatrais, nas atividades religiosas e outras esferas sociais. Embora a época Páscoa seja também caracterizada pelo consumismo, pela cultura dos ovos de chocolate e pelo "coelhinho", a história da morte de Cristo sempre volta à tona, de alguma forma. 

Ainda não conseguiu perceber a curiosidade?

Vamos acabar com o segredo agora.


 

Em 2013, o mesmo dia do aniversário da Cidade de Salvador é o dia em que recordamos a morte do Salvador. Muito mais importante do que trazer à memória a data de fundação da 3ª cidade do Brasil, é relembrar que Deus se fez como um de nós para dar voluntariamente a Sua vida em favor de criaturas que o desprezaram [e continuam fazendo o mesmo até hoje]. O Eterno, Soberano e Autossuficiente abre mão de sua própria majestade, substituindo a glória de um trono pela vergonha da cruz. O Único que não tinha pecado algum se faz pecado por nós para que, Nele, fôssemos tornados justos aos Seus próprios olhos. Para deixar tudo mais claro, na Bíblia se lê:

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. [Evangelho segundo João, cap. 1, vs. 14].

Àquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus. [II Epístola aos Coríntios, cap. 5, vs. 21]. 

Era desprezado, e o mais indigno entre os homens; homem de dores e experimentado no sofrimento. E, como um de quem escondíamos o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Verdadeiramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si; e nós o considerávamos aflito, ferido de Deus e oprimido.
Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas feridas fomos sarados. [Isaías, cap. 53, vs 3-5].


Finalmente, não posso pensar na Páscoa [no original hebraico "Pessach" ou "passagem"] ou na sexta-feira santa e não me lembrar de alguns belos versos do poeta Stênio Marcius, que diz em uma de suas músicas mais profundas:

"Partiu, fica a paz em mim
Fica a sala com cheiro de jasmim
Vai verter a vida do corpo Seu
Pra levar a culpa de alguém como eu
Pra lavar o sujo do meu próprio eu
Levar-me puro a Deus..." [Alguém como eu - Stênio Marcius]


Ele partiu para a cruz, decidido e sem vacilar. Partiu para sofrer, pois Ele mesmo disse: "...para isso mesmo estou aqui, para esta hora..." [João 12:27b]. Partiu e "foi embora sem mais desculpas" a fim de verter o seu sangue para purificar os meus e os seus pecados. Partiu para levar a minha culpa e para me lavar de mim mesmo. Partiu para que, um dia, eu seja levado puro a Deus, assim como Ele é puro. Ah, que graça maravilhosa! Que bondade incomparável! 

E daí? 
Você vai ficar parado sem dar uma resposta consciente ao amor que Deus mostrou por você? 
Melhor do que vir a Salvador amanhã para curtir a festa de aniversário da cidade será passar a ter a certeza de participar da festa eterna ao lado Daquele que nos ama infinitamente.

Qual é a sua resposta?




Pela alegria de morar em Salvador e de ter o Salvador morando em mim,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 21 de março de 2013

De onde vem a minha calma...

Depois de viajarmos um pouco por "fora do sistema", temos novidades.

Sem mais delongas, o tema desse post poderia ter sido o tema do post anterior mas, por algum motivo, percebo que essa é a hora de escrevê-lo. Vamos em frente.  


Quando pensei nesta postagem me lembrei imediatamente de uma determinada música do grupo Los Hermanos, onde constam os seguintes versos:

"Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar, sim
Mesmo se for só, não vou ceder...
Deus vai dar aval, sim
O mal vai ter fim..." [Los Hermanos - De onde vem a calma]


Primeiramente, para quem me conhece bem, esse post pode parecer uma ironia da minha parte. Não tenho problemas em admitir que sou explosivo, intenso e teimoso em alguns momentos. Fico estressado com muitas coisas mas, às vezes, deveria deixar algumas dessas coisas pra lá e me irritar menos... Mas normalmente isso não acontece. Sofro bastante com aqueles que são "calmos, serenos e tranquilos", pois estes normalmente exigem que nós [os "descontrolados"] entremos na caixinha padronizada deles. Ora, eles são da "maioria"; logo, estão do lado certo, sim? Só que não. Ter autocontrole é bom, certamente, mas não se julgar superior ao outro (não importam os motivos que nos façam pensar que somos melhores) é ainda melhor. Pensando bem, me sinto como a Rita Lee - a "ovelha negra da família".

Logo, faz sentido esse texto se chamar "de onde vem a minha calma"? Esse blogueiro só pode estar surtando... Não, não estou.


Por outro lado, pensando nos versos da música, digo realmente que eu não vou mudar quem sou para satisfazer as expectativas das pessoas. Ora, ao longo da vida, somos condicionados a sermos "atores sociais" - colocamos a nossa bela máscara do dia (mais bonita que qualquer uma que se possa comprar em Veneza), saímos de casa, mostramos aos outros o quanto somos emocionalmente estáveis, educados e sensatos e, quando voltamos pra casa e ficamos sozinhos, arrancamos do nosso rosto o nosso enfeite diário e aí voltamos a ser quem de fato somos. 

Faz um tempo que tenho lutado contra isso e, desde que essa minha luta começou, tem sido cada vez mais difícil cultivar a autenticidade e a transparência. Viver de aparência e de barganhas comportamentais é muito mais fácil e agradável para nossos egos doentes devido ao nosso orgulho. Eu prefiro a subversão e vou ficar assim. Mesmo se for só, não vou ceder às pressões dos outros para que eu seja o "troféu" de exibição deles. Minha motivação para ser melhor amanhã do que sou hoje tem a ver comigo e, principalmente, com Aquele Único que pode e deve fazer todas as mudanças que eu preciso experimentar. 


Deus vai dar aval, sim... O mal vai ter fim.

Sem qualquer pretensão religiosa, o poeta da canção me fez lembrar de algo extraordinário, registrado pelo apóstolo João em sua primeira carta aos cristãos de sua época, na qual se lê:

Vejam quão grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus, Por isso o mundo não nos conhece, porque não conhece a Ele.
Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois O veremos assim como Ele é.
E qualquer que Nele tem essa esperança purifica-se a si mesmo, como Ele é puro. 
[1 João, cap. 3, vs. 1 a 3]


Não pode ser mais claro: Deus nos concedeu um amor incomparável, pois Ele mesmo nos fez Seus filhos. Logo, o mundo onde reina a vaidade, a autoexaltação e a falsidade (e, portanto, não tem nada a ver com Deus), não nos conhece. Além disso, enquanto muitas pessoas - sejam próximas a mim ou não - podem pensar o que quiserem a meu respeito, eu fico com o que Bíblia diz sobre mim - eu sou filho de Deus e ainda não está revelado o que serei no futuro. Eu me apego unicamente à certeza de que eu serei semelhante a Cristo [acredite a "maioria" ou não] quando Ele for visto por todos em Sua vinda. Que esperança maravilhosa! Qualquer que espera o dia em que será semelhante a Quem o resgatou do pecado para a vida eterna está se purificando, assim como Ele é puro. Que consolo sublime! 

Não importam os meus defeitos de agora - a pureza Dele está sendo impressa em meu caráter a cada dia e isso é sobrenaturalmente incompreensível. De fato, isso é uma subversão completa e encantadora. Realmente, Deus vai dar o Seu aval e vai terminar com todas as imperfeições de cada pecador redimido pelo Seu Filho. O mal causado pelo pecado vai ter fim. Logo, só me resta cantar os versos: "...todos os dias Deus restaura o meu ser e toda essa obra é tão grande, eu sei...".


É por isso que eu não estou preso à necessidade de dar satisfações a nada nem a ninguém. Eu sei que cada um de nós deve buscar ter paz com todas as pessoas o quanto for possível mas, se houver divisões em relacionamentos, inimizades ou frustrações da parte dessas pessoas comigo, eu vou continuar seguindo em frente, levando a vida devagar pra não faltar amor e vivendo um dia de cada vez pra não me perder... Eu sei quem eu sou e estou seguro quanto ao que vou me tornar. Desse modo, menciono duas palavras de Jesus que têm me perseguido nos últimos dias:

Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração; e encontrarão descanso para as suas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. [Mateus 11:29-30]

Deixo-lhes a paz, a minha paz lhes dou, não a dou a vocês como o mundo a dá. Não se turbe o coração de vocês, nem se atemorizem. [João 14:27]


A razão pela qual devemos aprender com Cristo é o coração Dele - um coração manso e humilde. Manso porque é longânimo e humilde porque é desprovido de vaidade e de superioridade própria. Logo, o descanso da alma é natural para quem tem um mestre paciente e vazio de si mesmoFinalmente, a paz que vem de Cristo não é dada como é dada a paz do mundo - Cristo dá a Sua paz e pronto. Não existem cobranças desnecessárias. Ele nos dá a Sua própria paz e, dessa forma, os nossos corações se aquietam e a nossa alma encontra alívio. Simplesmente sublime!

Se você ainda não tem essa "calma" que só pode vir Dele, arrependa-se dos seus pecados e creia na morte de Cristo em seu lugar para perdoá-lo de todos eles. Creia que Ele ressuscitou e que um dia voltará - o dia em que todos os filhos de Deus serão semelhantes ao Eterno Filho de Deus. Venha logo, pois nesse caso a vida tem pressa.




Porque Dele vem a minha calma,



Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fora do sistema...

É hora de colocar as novas reflexões em dia.

Depois de um bom tempo apreciando o "doce som do silêncio", preciso falar um pouco novamente - espero, como sempre, que minhas palavras sejam melhores do que um post em branco.


Dessa vez, algumas ideias travaram uma briga saudável em minha mente mas, por fim, decidi do que falaria neste post... Como sabem, gosto de música e, sempre que ouço alguma coisa que me intriga pela sua mensagem, acho válido compartilhar. Bem, vamos logo ao X da questão. Esses dias, navegando pelo Youtube, me deparei com uma música que dizia o seguinte:

"Eu quero estar louco
Eu quero estar certo
Fora do sistema
Longe, eu caminho mais perto..." ---> [Fora do sistema - Banda Resgate]

Antes de tudo, é assim que me vejo. Eu não me encaixo no esquema dominante. Eu não faço parte da chamada "maioria" das pessoas. Eu, definitivamente, estou "fora do sistema".  Sou um paradoxo ambulante - cheio de conflitos e fraquezas e, ao mesmo tempo, acabo sendo inspiração para alguns (como? risos) - e, às vezes, tenho problemas ou boas surpresas com isso. Pelo fato de não ser uma "Maria vai com as outras", já sofri calúnias, ouvi mentiras sórdidas e suportei muitas palavras duras e cruas. Mas eu não me importo: eu continuo a "subverter o mundo" por onde ando e pretendo continuar a fazê-lo. Se você quiser se juntar a essa "subversão", estou aqui para caminhar ao seu lado. Se não quiser, continue sendo parte da "maioria". 


Eu quero estar louco.

Quando ouço isso, me vem à mente uma passagem do Novo Testamento que me deixa completamente sem reação, onde se lê:

"Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens". ---> [1 Coríntios, 1:25]

Na verdade, Deus não pode ficar "louco" - Ele é o padrão de perfeição; nós é que somos tortos. Mas, dentro desse pensamento do versículo, ainda que Deus pudesse "pirar o Seu cabeção" [tomando liberdade para usar esse termo, com temor], Ele ainda seria mais sábio que qualquer um de nós. E mais: ainda que Ele pudesse ser fraco, Ele ainda seria mais forte do que qualquer um de nós. Finalmente, as Escrituras ainda dizem que "se alguém quiser ser sábio neste mundo, torne-se como um louco para ser sábio". Só me resta continuar na minha "piração sábia" ou, parafraseando Renato Russo, "conseguir meu equilíbrio cortejando a insanidade".  


Eu quero estar certo. Fora do sistema.

Não importa o que a "maioria" pensa se a "minoria" está indo na direção certa. Ora, as nossas condutas e valores devem estar baseados no critério da verdade e da justiça, e não na busca de satisfação das expectativas dos outros. Embora seja louvável procurar o bem-comum ao se importar com o outro, nenhum de nós [individualmente] deveria estar preso ou se sentindo culpado por "decepcionar" as pessoas com nosso jeito de ser. Não é a elas que devemos agradar em primeiro lugar - nenhumas delas é Deus. Logo, na medida em que eu continuo "fora do sistema" e excluído de certas "maiorias", eu quero estar certo. Eu quero estar no caminho certo, mesmo que para os outros seja errado. O que importa é a verdade, e não as opiniões. Já dizia o apóstolo Paulo: "... se eu procurasse agradar a homens, eu não seria servo de Cristo" [Gálatas 1:10b]. 


Longe, eu caminho mais perto.

Parece não fazer muito sentido, mas essa frase é muito interessante. Às vezes precisamos fugir pra nos encontrar. Precisamos nos enfraquecer para sermos de fato fortes - de fato, eu estou cansado dessa mentalidade de que, se Deus está comigo, eu não posso ter dificuldades, ou ficar irritado e nem mesmo me entristecer [pois isso é falta de estabilidade emocional]. Chega! Sim, autocontrole faz parte do que a Bíblia chama de "Fruto do Espírito", mas se o fruto é do Espírito, não é você que vai fazer com que eu produza esse fruto e vice-versa. Vamos deixar de querer fazer o papel do Espírito Santo e nos colocar no lugar de seres desesperadamente carentes da graça e da compaixão divina. Logo, na medida em que nos afastamos das exigências e conveniências do "sistema" [que nos dá máscaras de imunidade e fantasias de super-homem], nos aproximamos de Quem devemos estar perto. Eu quero diminuir pra Ele crescer. Eu quero ser quem eu sou e me tornar quem Ele quer que eu seja. 


Nesse sentido, existe uma boa notícia... boa não, espetacular!

As Escrituras dizem que os que se aproximam de Deus e creem Nele estão sendo "...transformados de glória em glória à Sua própria imagem e semelhança..." [2 Coríntios 3:18]. Isso é extraordinário. Não importa se eu estou "dentro ou fora do sistema". Não importa se eu me encaixo no grupo da "maioria" ou da "minoria" - Deus age baseado apenas em Seu poder e vontade e, bondosamente, para o bem dos que confiam Nele. Por mais que tudo pareça piorar por fora, Ele está transformando a minha vida para ser semelhante a Ele. Ainda que o "homem exterior se corrompa, o interior se renova de dia em dia..." [2 Coríntios 4:16]. Por isso eu tenho esperança, apesar de quem sou e do que faço. Ele está fazendo o Seu trabalho sublime! Finalmente, só desejo uma coisa: guardar a fé até quando Ele voltar pois, nesse momento, o "trabalho sublime" estará concluído. Que grandioso!


Você tem certeza de que é alvo desse "trabalho sublime"? Se não, arrependa-se de ter ficado durante todo esse tempo "fora do sistema" de Deus e se volte para Ele. Agora. 




Pela alegria de estar longe do resto e mais perto Dele,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O doce som do silêncio...

Após navegarmos pelos rios tortuosos mas sem perdermos o rumo, vamos para as novidades.

Na verdade, não há nada de novo debaixo do sol, como dizia o sábio rei Salomão - mas, por assim dizer, tenho algumas coisas novas para colocar aqui.


Pelo título do post, eu não deveria escrever ou dizer nada aqui - pois a ideia é falar do silêncio como algo agradável, como se fosse uma bela música... E daí? Por que eu estou insistindo em escrever? Talvez porque o pouco que tenho a dizer acabe inspirando a cada leitor deste texto (a começar de mim) a valorizar mais o silêncio.

Bem, vamos ao que interessa.

Ontem, navegando pelo facebook, vi uma frase que me chamou muito a atenção...


Verdade.
Uma grande verdade.
A frase é autoexplicativa.

Como li certa vez em outro lugar: "...só use palavras quando tiver certeza de que elas serão melhores do que o seu silêncio".

Primeiramente, sabemos que as palavras conferem beleza e graça, trazem a verdade à tona, nos confortam e nos ensinam - quando elas são bem usadas, claro. Por outro lado, elas também podem ferir e machucar trazendo, desse modo, amargura e sofrimento pra quem as ouve. Entretanto, pensando melhor, aqueles que fazem mau uso das palavras também são vítimas de si mesmos, visto que não percebem que o que dizem vem do coração e, portanto, estão cheios de amargura, frieza e insensibilidade


Saindo de minha opinião particular e me prendendo somente ao que a Bíblia diz, pode-se ver que:

"...a boca fala do que está cheio o coração..." [Mateus 12:34b]

"...Não saia da boca de vocês nenhuma palavra torpe, mas apenas a que for útil para promover edificação para os outros, conforme a necessidade, a fim de conferir graça aos que a ouvem..." [Efésios 4:29]

"...a vida e a morte estão no poder da língua..." [Provérbios 18:21a]

"...Pois quem quiser amar a vida e ver os dias bons, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade..." [1 Pedro 3:10]


O que sai da boca vem do coração. Por isso, Jesus afirma em outro trecho dos evangelhos que "...são essas coisas que contaminam o homem...". Portanto, se as nossas palavras são duras, áridas, ausentes de graça e de verdade, estamos nos contaminando - a nós mesmos e aos outros. Logo, a orientação das Escrituras é clara: nós devemos abrir a nossa "linda boquinha" apenas quando o que vamos dizer for edificante, válido, proveitoso e venha trazer graça a quem nos ouve, ao invés de amargura e dor. Fui claro?

Mais do que isso: a vida e a morte estão no poder da língua. Ou seja: as palavras podem trazer vida e podem matar. Não quero aqui defender o pensamento da "confissão positiva" ou "confissão negativa"- isso não tem base nas Escrituras - , mas as palavras deixam marcas profundas que muitas vezes permanecem. E permanecem mesmo. Se forem boas marcas, a lembrança faz bem. Se forem más, a dor sempre volta a aparecer. Portanto, devemos ser cuidadosos com as palavras. Melhor é, muitas vezes, ficar em silêncio e dar um sorriso. Verdadeiramente, um dia sem um sorriso é um dia perdido.



Finalmente, quero relembrar os dois momentos de silêncio [em minha modesta opinião]
mais impressionantes da história.

1. Jesus Cristo, numa conversa com Pôncio Pilatos, depois de dizer que "...todo aquele que é da verdade ouve a Sua voz... [João 18:37b], é questionado por este que diz: "...o que é a verdade?". Jesus não responde a Pilatos. Que silêncio estarrecedor!

2. Na cruz, sofrendo todas as dores possíveis - físicas, emocionais e espirituais, por causa dos pecados cometidos por mim e por você -, Jesus diz as duas palavras mais insanas da história: "Está consumado!" [João 19:30b]. Depois, seguiu-se um total silêncio. 



Tudo havia terminado. Deus prova o Seu amor de forma inquestionável para com homens pecadores. O justo Filho de Deus dá voluntariamente a Sua vida pelos injustos, como você e eu. Não temos outra reação senão nos silenciarmos em admiração diante de tudo isso - um Deus que decide tomar a forma de uma de Suas criaturas a fim de morrer por amor a muitas delas. Ah, isso me lembra um velho hino do século XVIII que diz: "...Incrível Graça, quão doce o som que salvou um verme como eu...". Sem comentários.

Quero encerrar este post recordando algo que vi no filme "O som do coração": A música está em todo lugar, basta fechar os olhos e escutar...



E você? Já ouviu esse "doce som" da graça Dele? 
Se ouviu, simplesmente silencie e se deleite Nele.
Se não ouviu, esqueça tudo ao seu redor e ouça... A Graça está em todo lugar, basta sentir e se render.



Pela doçura de estar em silêncio diante da Graça Dele,




Soli Deo Gloria!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sem perder o rumo...

Sábado, 16 de fevereiro de 2013. 

Aqui estou para tentar escrever algo que está em minha mente desde o final do ano passado mas, por alguns motivos de força maior, só pude expor agora. Mais uma vez, como sempre digo, espero fazer algo válido neste post.

Há uma semana pessoas do mundo inteiro estavam em clima de festa, devido ao feriado de carnaval. No caso do Brasil, víamos os sambódromos lotados e cheios de alegorias, pessoas fantasiadas e muito samba no pé. Outras cidades estavam com suas ruas tomadas de blocos, trios elétricos e muito som. Era um verdadeiro "ziriguidum" [risos]! Mas, como diz certa canção, "todo carnaval tem seu fim". Agora a vida voltou ao normal - trabalho, faculdade, família. Sejamos bem-vindos à realidade, se ainda estamos vivos.


Bem, dessa vez eu não quero falar sobre o carnaval - já fiz isso no ano passado neste mesmo período. Vou ousar um pouco.

Ultimamente, tenho pensado bastante nos versos de uma música onde se diz:

"E é por isso que vou nesse rio torto
Sem fronteiras pra ninguém
Sem perder o rumo vou me encontrar também..." [Rio torto, Palavrantiga]

Sempre que ouço essa música me concentro em duas coisas: nos seus arranjos de metais (muito bonitos, por sinal) e nessa parte da letra que, para mim, poetiza um dos princípios mais importantes da vida: considerando que a vida de cada um de nós seja um "curso de um rio", nem sempre o percurso do seu "leito" é regular - existem pedras, locais de erosão ou assoreamento, quedas d'água, afluentes etc. - e, por isso, os rios se "entortam" ao longo de sua extensão. Traduzindo: a vida nem sempre caminha em linha reta, sem desvios ou declives. Em alguns momentos tudo fica torto mesmo e, como diz um dos meus sábios favoritos, "...o que é torto não se pode endireitar...". Não adianta tentarmos mudar as coisas. Elas são como precisam ser. O que nos resta é saber lidar com isso. Simplesmente. 


Por outro lado, o poeta da música expressa seu desejo de ir "nesse rio torto...". Além disso, ele diz na mesma letra que esse rio é um "rio que corre sem pressa". O que isso quer dizer? Para mim, o poeta não tem medo de aproveitar a vida como ela é ao desfrutar um dia de cada vez, remontando a um dos salmos bíblicos mais belos, onde se lê:

Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. [Salmo 90, vs. 12].

A vida humana é, em certo sentido, um rio sem fronteiras. Não sabemos com exatidão (ou seria precisão? Estatísticos, me ajudem! rs] até onde podemos ir ou, na prática, quais os limites que descobriremos no decorrer dos dias ou aqueles que superaremos. Mas, apesar de não termos esse controle, devemos reconhecer que nossos dias devem ser "bem contados". De acordo com o salmista, não sabemos "contar bem" os nossos dias; logo, ele suplica ao Único que é verdadeiramente sábio para nos ensinar. Eu estou no mesmo barco: não sou capaz de viver com um coração sábio se Deus não me conceder esse coração. Mais do que isso: nem você nem ninguém é capaz disso. Só por Ele.


Sem perder o rumo.

O rio é torto e sem fronteiras, mas não perdemos o rumo. Isso faz sentido? Sim, totalmente. "Insanamente". 

Ao se percorrer um caminho tortuoso e sem fronteiras ou demarcações, espera-se que se perca o rumo em algum momento. Ora, se existem desvios ao longo da caminhada e não existem metas ou alvos a serem alcançados, como manter o rumo? 


O rumo é mantido porque, em última instância, não somos nós que determinamos o caminho pelo qual seguimos. Por mais que sejamos seres conscientes e responsáveis por nossas ações, o mesmo sábio mencionado antes no texto também disse:

O coração do rei é como um rio controlado pelo Senhor; Ele o inclina para onde quer. [Provérbios de Salomão, cap. 21, vs. 1]

Nesse verso, Salomão fala do coração do rei referindo-se a si mesmo (ele era rei do povo israelita nessa época). Isto é, a ideia central dessa passagem é que o coração de todo ser humano é como um rio nas mãos de Deus, e este o dirige como quiser. Nós continuamos tendo um coração [com todos os nossos desejos, valores, vontades etc.], mas Deus o dirige segundo o Seu desejo. Se assim não fosse, Ele não seria totalmente Deus. E, exatamente pelo fato de que Ele é totalmente Deus, podemos estar certos de que os "rios tortos" pelos quais navegamos têm, cada um, o seu rumo certo. 


Finalmente, a música termina dizendo que "...sem perder o rumo vou me encontrar também...". O fim de todo "rio torto" é a descoberta de quem de fato somos, de onde viemos e para onde iremos. 

Nesse sentido, quero dizer que alguns vão "se encontrar" de um jeito e outros vão "se encontrar" de outro jeito. Você sabe onde você vai "se encontrar"? As Escrituras dão somente duas alternativas: "se encontrar" com Deus numa eternidade sem sofrimento ou "se encontrar" sem Deus numa eternidade com tormento [Mateus 25:46]. Antes de tudo, todos nós estamos na segunda opção [Efésios 2:2-3] mas, se crermos de todo o coração em Jesus Cristo como o Filho de Deus que morreu pelos nossos pecados, mudaremos de opção.

 

Deus amou o mundo e deu o Seu Filho para que todo o que Nele crê tenha a vida eterna. Ele não precisa fazer mais nada; agora, nos resta reconhecer o Seu amor e ir ao encontro DEle - somente assim poderemos, de fato, "nos encontrar também". Como li em outro lugar: "...agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente como também sou conhecido". Você quer se encontrar? Não perca seu rumo; encontre-se Nele.



Pela certeza de que estou no Rumo Certo,



Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Sertão vai virar mar...

Um mês se passou e eu estou de volta.

No post anterior, falei sobre o Projeto Férias no Sertão [um trabalho organizado pela Associação Agape Sertão e pelo projeto Plantar Igrejas no Sertão em parceria com a Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo] e todas as expectativas e intenções relacionadas a mais um janeiro em missão. 


Como sempre, todas as expectativas foram supridas, mas muito do que aconteceu me surpreendeu. Nunca me esquecerei dos vários momentos preciosos e divertidos. Entretanto, terei também lembranças muito dolorosas. Enfim, depois que se vai para o Sertão, não se pode permanecer mais o mesmo.


8 de janeiro de 2013, 4:30am.
Aqui se iniciou, oficialmente, minha jornada rumo a Quixaba, sertão pernambucano. 

Após muito tempo de espera, entrei no ônibus que levava a equipe do Projeto Sertão e comecei a encarar a estrada. 
Após cerca de 20h de viagem, chegamos ao nosso destino. E, para tornar a viagem mais legal, no primeiro dia eu fui dormir nas primeiras poltronas do ônibus. Já eram mais de 4h da madrugada.
No primeiro dia, ficamos a maior parte do tempo em treinamento e momentos devocionais incluindo, no final do dia, um bate-papo com a nossa psicóloga Graça [sem trocadilhos teológicos, rs]. 

Por outro lado, a partir do segundo dia de projeto, começamos a atuar em regiões específicas da cidade [bairros de São Sebastião, no centro e no Sítio Barros]. Nossa equipe era dividida em grupos e, por sorte, fiquei no grupo que iria atuar na área mais pobre. 

Mas você pode estar se perguntando: sorte? Que sorte? 

Sim, sorte. Mais do que isso: privilégio. Conhecer aquelas ruas de terra sem iluminação noturna, aquelas casas bem simples e, acima de tudo, conhecer pessoas que, apesar da situação em que vivem, sempre andam com um sorriso no rosto ou jogam futebol no campo de terra como se estivessem no Delle Api [estádio da Juventus de Torino], me relembram o quanto eu devo ser grato pela vida que tenho e, dessa forma, o quanto devo reconhecer o amor e o cuidado de Deus em tudo. 


Nossa rotina foi bem agitada: acordávamos quase sempre às 7h para o café e, logo em seguida, tínhamos o tempo devocional. Em seguida, saíamos pela cidade para o evangelismo e, na medida em que as pessoas com quem conversávamos mostravam interesse em aprender mais sobre o Evangelho, marcávamos um tempo de ensino a posteriori [discipulado]. Voltávamos para o almoço e, após um tempo livre, saíamos novamente para o evangelismo/discipulado toda tarde. Finalmente, as noites também eram preenchidas [exibição de filmes para evangelismo, reuniões de oração, tempo de homens e tempo de mulheres etc.] e, em alguns momentos, realizamos impactos em localidades próximas [Sítio Carnaubinha e Coqueiro Alto]. Nas noites de domingo, nos uníamos à Igreja Batista de Quixaba para o culto - nesse caso, tivemos a oportunidade de servir junto àqueles irmãos nos momentos de louvor. 

Enquanto escrevo este texto, tenho vontade de voltar no tempo e fazer tudo de novo. Nada pode trazer mais satisfação a mim do que a certeza de estar me unindo ao que Deus está fazendo pelo mundo - seja na Itália, seja em Minas Gerais ou no meu querido sertão. Nele vivemos. Nele nos movemos. Nele existimos. 


Diante de tantas coisas que aconteceram neste projeto - evangelismo, discipulado, impactos, Tarde da Beleza para mulheres, trabalhos com a igreja etc. -, minhas lembranças mais valiosas estão nos momentos mais simples [especialmente o futebol com as crianças do Sítio Barros e a Escola Bíblica de Férias/EBF]. Embora eu não seja talentoso com a bola nos pés, foi muito bom me sujar de terra e fazer dois gols pelo meu time no dia do futebol. Detalhe: estava de camisa branca e meias brancas... Sacaram o resultado? Além disso, me fantasiar para tocar as músicas infantis e dar um pouco de alegria àquelas crianças tão sofridas me fez ver que eu posso ser útil para trazer um pouco de Deus para elas. Cada dia era um visual novo. Certamente, se um dia eu voltar ali, serei lembrado por muitas daquelas crianças. Isso é verdadeiramente gratificante. 


Em último lugar, encerramos nosso tempo de projeto com um evento na praça principal da cidade - com música, teatro e pregação. Foi bom ter a oportunidade de fazer com que as pessoas que nos receberam tão bem em suas casas [quase sempre com direito a biscoitos, refrigerante e frutas] ouvissem, mais uma vez, a mensagem de Cristo - aonde o som chegasse. 

Voltamos para o ônibus e pegamos novamente a estrada.
Viajamos cerca de 22h e chegamos em Andaraí/BA, local já conhecido de muitos de nosso grupo. Lá reencontramos algumas pessoas da igreja com a qual sempre fizemos parceira em projetos e ficamos lá no dia seguinte.


28 de janeiro de 2013. Horário de almoço. 
Lembrar disso me corta o coração pois, nesse dia e horário, perdemos alguém muito precioso. 
Não gostaria de me prender a detalhes. 
Quero somente ratificar que a nossa vida é um sopro e que, desse modo, temos de vivê-la intensamente. Mais do que isso: temos de vivê-la intensamente em Deus, por Ele e para Ele. 
A lembrança desta pessoa especial [que agora está perto Daquele a quem serviu com tanta seriedade durante sua vida tão curta] me reacendeu a chama do temor sincero e do primeiro amor. E não somente em mim, mas em todos que a conheceram durante o projeto.
Mesmo com a dor da perda, sabemos que Deus continua no controle de tudo. Sempre.


Após quase um mês fora de casa, estou plenamente convicto de que fiz o que deveria fazer. Por mais que meu coração estivesse triste por não ter retornado à Itália para continuar a fazer missão [ou por ter, mais uma vez, adiado meu retorno a um projeto integral do Brasil Música e Missão/BMM], sei que fiz a coisa certa. Deus esteve o tempo todo em tudo. 

Autoconfrontação. Crescimento pessoal. Valorização da vida que tenho. Amor pelos mais humildes. Resgate das lembranças da infância. Oportunidade de compartilhar Cristo num contexto bem diferente do que estava acostumado. Fazer novos amigos e estreitar os relacionamentos existentes. Poderia falar de várias outras coisas, mas resumo o Projeto Sertão em uma palavra: gratificante. Espero voltar em breve, se assim tiver de ser. 

Meu desejo é somente um: que o Sertão vire mar, quando a Água da Vida no coração de cada nordestino entrar... 




Pela satisfação de levar a Água Viva para o Sertão,



Soli Deo Gloria!