terça-feira, 30 de março de 2021

Relicários de um não tão "admirável mundo novo"...

Depois de um razoável período ausente, enfim pude retornar aqui. 

De fato, desde o Natal (data da última publicação) tenho andado bastante atarefado e, além disso, não me surgiram idéias que fossem deveras dignas de um novo texto - mas somente até agora. E, como normalmente se dá, a "inspiração" é mais latente quando vem acompanhada de indignação - neste caso, bastante indignação. Talvez eu nunca estive tão repleto de razões para estar verdadeiramente irado, enfurecido e sem paciência alguma para frescuras ou idiotices e, por essa razão, é muito provável que alguém que acesse esse texto sem a intenção de lê-lo já esteja irritado com essas primeiras linhas. Tais sentimentos não me importam - nem quaisquer outros -, pois esse texto não é um editorial da 'Foice de São Paulo' nem prefácio de uma coleção de contos eróticos da Maria Flor [cuja histeria e beleza são de dar vergonha alheia em baratas voadoras entontecidas por algum inseticida]. 

Desse modo, aqueles que não encaram de frente a própria insensatez (ou nem mesmo consideram fazê-lo), que são presunçosos em sua burrice e cujo prazer é exibir as supostas virtudes para disfarçar uma falsa piedade devem sair daqui o quanto antes se quiserem continuar em paz com sua existência patética e medíocre. Contudo, se alguém desejar ir até o fim, possivelmente me odiará mais do que houvera pensado - e que bom que seja assim! Nada poderia ser mais vergonhoso para mim do que ter o apreço daqueles que não possuem nenhuma robustez ou nobreza de alma e que, como dizem os versos da canção "Espelhos Mágicos" do Oficina G3, "nada vêem além de si mesmos". No mais, vamos ao que interessa - até porque este espaço é muito curto para ser desperdiçado com menções a coisas e, acima de tudo, a pessoas inúteis. 

O tema desse texto está baseado na combinação de duas referências: a canção chamada "Relicário" (conhecida no Brasil nas vozes de Cássia Eller e Nando Reis) e a famosa distopia de Aldous Huxley "Admirável Mundo Novo". Se não me falha a memória, eu escrevi há algum tempo outro texto no qual mencionei brevemente esta obra, porém sem fazer comentários mais precisos sobre ela pelo fato de, na época, não ter o conhecimento mínimo para tal. Dessa vez, estou melhor familiarizado com a temática geral do livro e, como resultado, pretendo expor as indignações supracitadas através das pistas dadas pelos versos da música bem como por algumas idéias contidas na narrativa distópica ou referentes a ela. 
Entretanto, antes de irmos ao assunto propriamente dito, é importante destacar que "relicário" é um termo que se refere ao "lugar ou a algum objeto onde são guardadas relíquias de santos ou  artefatos sagrados". Portanto, seu significado é essencialmente religioso, de maneira que tais bens ou tesouros são tidos em alta conta por aqueles que constituem os ambientes religiosos correspondentes. Sabe-se, por exemplo, que os católicos-romanos possuem um apreço particular por esse tipo de artefato sacro [conforme suas tradições] e, desse modo, tais relíquias são preservadas com todo o zelo em catedrais, monastérios e basílicas por todo o mundo - a título de curiosidade, eu mesmo já tive a oportunidade de visitar igrejas na Itália e na França nas quais supostamente se encontram restos mortais de escritores do Novo Testamento (p.ex., Basilica di San Marco, Venezia) ou mesmo a coroa de espinhos usada por Jesus Cristo no dia de sua crucificação (La Sainte-Chapelle, Paris). 
Dito isso, tenhamos em mente que a tese central que pretendo desenvolver aqui é que "existe um 'mundo novo não tão admirável' em construção (ou seria desconstrução?), no qual todos desejamos ter nossos 'relicários de estimação' para colocar neles nossas próprias 'relíquias'  a fim de que sejamos admirados e recebamos glória" - assim como muitos têm feito ao longo dos séculos até hoje. Ora, todo assunto que põe em xeque a glória de Deus produz em mim o mesmo sentimento de Jesus enquanto expulsava os vendilhões do templo [visto que está escrito que "o zelo por Tua casa me consumiu" - João 2:17], de tal modo que necessitarei de mansidão como talvez nunca precisei antes - embora eu não queira nada disso. Como dissera Lutero, "a paz, se possível; a verdade, a qualquer preço". 
Nesse sentido, eu gostaria de começar o desenvolvimento do argumento citando um pequeno verso da canção já citada que diz: 
               "...O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou..."
Sem considerar as reais intenções do autor ou o contexto imediato da letra, creio que as primeiras impressões ou imagens que esse trecho evoca em quem o lê são de inquietação, dúvidas e perplexidade diante de determinada situação que, aos olhos do escritor, parece óbvia - apesar de todos ao seu redor estarem completamente desatentos para tal realidade. Mais explicitamente, "algo está acontecendo" à vista de todos, de forma que pode-se notar claramente uma inversão absoluta do que poderíamos chamar de "ordem natural das coisas". Contudo, parece-me que o tom usado pelo compositor quer dar a entender que tudo "está ao contrário" de tal modo que ninguém é capaz de repará-lo - i.e., todos fomos subjugados a uma condição na qual não há mais qualquer vestígio de normalidade ou sanidade, havendo apenas uma "loucura triunfante generalizada" ou um "império mundial da histeria". Embora certamente o poeta não teve essa intenção, ouso dizer que, se minha análise acima está correta (como creio estar), tais versos são uma descrição exata e irrefutável do que o mundo está vivendo nos últimos 12 meses. Quem tem olhos para ver, veja. 

Desde o fim do primeiro trimestre de 2020, a vida humana em todo o planeta foi mudada radicalmente por ocasião do surgimento (ou disseminação dolosa) do vírus chinês e sua subseqüente propagação e, como resultado, todas as esferas das relações interpessoais, familiares, de trabalho e demais aspectos da realidade foram forçadamente adaptados ao famigerado "novo normal". A higienização do próprio corpo (em particular das mãos) bem como de todos os pertences se tornou um 'ato litúrgico' e tão indispensável quanto as refeições diárias, o uso de máscara/focinheira facial (a despeito de todas as controvérsias no tocante à sua eficácia e aos riscos reais de danos à saúde respiratória e cerebral) foi consagrado a símbolo máximo de "virtude moral" e de "empatia para com o próximo" [ao ponto de secretários de saúde, sob o pretexto de "salvar vidas", incitarem o "banimento social" de quem não utilizá-la] e, como sobremesa desse "manjar turco", os mini-ditadores se multiplicam diariamente por toda parte como "greemlins" às primeiras borrifadas de água (ou de álcool em gel). Tais mudanças foram (e estão sendo) assimiladas por grande parte da população mundial (em particular, no Brasil) sem qualquer reflexão sobre o assunto [conforme as técnicas de subversão psicológica explicadas por Pascal Bernardin em 'Maquiavel Pedagogo'], o que reverbera a conhecida regra da relação entre "senhores" e "escravos" nos tempos antigos: "não me faça perguntas; simplesmente obedeça". 

Para reforçar isso, basta que nos lembremos de como foi o mês de fevereiro do ano passado - milhões de pessoas nas ruas e nos sambódromos durante o carnaval, eventos presenciais em diversos lugares, pessoas viajando para passar o tempo com familiares e amigos etc. - até que no dia 11 de março de 2020, com uma simples declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Sacanagem (ou Organização Maoísta da Saúde)/OMS, iniciou-se a remodelagem total (e, provavelmente, irreversível) de todos os comportamentos humanos em todo o planeta. Após a praga chinesa ser declarada uma "pandemia" [o que é cada vez mais questionável ou mesmo fraudulento], nunca mais fizemos as coisas como as fazíamos dias antes de tal declaração, visto que deixamos de abraçar e de cumprimentar devidamente os amigos, nunca mais entramos em locais fechados (e mesmo andamos ao ar livre) sem um pedaço de pano na cara que serve apenas como um meio de falsa proteção, perdemos o direito de nos divertir, fomos impedidos de trabalhar para sustentar nossas famílias e, finalmente, estamos diariamente sendo assediados em nossa liberdade religiosa e de culto público, bem como de ir e vir e até mesmo de existir - embora tudo seja "para nossa segurança" e "com base na ciência". Ironicamente, essa foi a mesma tática usada pelos nazistas enquanto espalhavam seu terror nos anos do Terceiro Reich e que é aplicada "com maestria" até hoje em ditaduras comunistas (p.ex., na China), de modo que, se eles dizem que é "para nosso bem", não devemos "questionar" mas "obedecer". Ora, quem mais poderia saber o que é melhor para nós senão esse panteão de demiurgos iluminados? 
 


Todavia, embora o verso da canção citada acima expresse uma constatação aparentemente solitária [como se apenas o poeta "reparasse que o mundo está ao contrário"], eu tenho sido testemunha de que, assim como nos dias do profeta Elias [sem ignorar as devidas e imediatas aplicações do texto bíblico correspondente], Deus tem conservado os seus "sete mil" que não têm se prostrado diante dos ídolos mais recentes de nosso tempo, a saber, a "empatia vaidosa" e a "ciência sem consciência". Tais idólatras, no auge de sua "insolência falsamente solidária", não somente exibem suas "virtudes higienistas" diante de quem quiser ver [e, assim, "já têm recebido a recompensa" que buscam], mas igualmente se constituem juízes dos vivos ["olha só, os dois estão sem máscara!"] e até dos mortos ["fulano esteve em manifestação contra o lockdown antes de ser internado e falecer por 'complicações devidas à Covid-19'"], ao ponto de usurparem o lugar que pertence apenas a Jesus Cristo - como dizem as Escrituras e o Credo Apostólico. 

Nesse ínterim, o maior dos males deste momento em questão não se têm manifestado, sobretudo, através das "pessoas comuns" (so to speak) - auto-consagradas a patamares de autoridade comportamental e ética, a fim de policiar toda e qualquer atitude exterior que "viole os protocolos de segurança" -, mas a proliferação exponencial ["pandêmica?"] de ditadores de 'pequeno, médio e grande porte' por nossas cidades, sejam fardados ou engravatados em seus gabinetes [mas sempre de máscara, claro!]. De fato, não há mais como contar, e muito menos caracterizar devidamente, as inúmeras atrocidades que se sucedem diariamente somente no Brasil - pessoas são ameaçadas com armas de calibre 12 pelo "crime" de jogar vôlei, trabalhadores ambulantes sofrem confisco de seu ganha-pão com requintes de crueldade até vomitarem de desespero, atletas são presos nas orlas marítimas por cometerem a hediondez de "pedalar sem máscara" e, finalmente, cidades inteiras entram em colapso como resultado de medidas desumanas de confinamento absoluto (como no interior de São Paulo). Se, por algum motivo, há alguém que esteja lendo esse texto mas que não acordou para o que está acontecendo [ou pior, está percebendo e não sente indignação alguma perante tamanha perversidade], é muito provável que as últimas centelhas de afeição natural que lhe restavam já não mais existam - i.e., você se tornou o exemplo vivo da genial constatação do francês François Rabelais, que disse: "a ciência, sem consciência, não passa da ruína da alma". Em outras palavras, quando os seres humanos deificam um falso conceito de amor [que não é fundamentado na verdade e na bondade], tal "amor" é apenas a "simpatia hipócrita dos demônios". 

Não se apresse, porém, em me ofertar aplausos em sua mente ou em mostrar esses parágrafos a alguém que você julga estar precisando desse tipo de "exorcismo" - eu estou falando de você. 


Por outro lado, a fim de ratificar e ampliar o argumento central supracitado, vale destacar o seguinte trecho (o qual soa até mesmo 'profético') do livro "Admirável Mundo Novo", onde se lê:

"...Pessoas atordoadas por entretenimento bobo, privadas de linguagem, incapazes de refletir sobre o mundo, mas felizes com sua sina..." 

Esse trecho do livro descreve com precisão espantosa e irrefutável a sociedade atual, embora Huxley estivesse inicialmente apresentando uma realidade distópica em sua obra. Logo, pode-se deduzir que, de certo modo, algum tipo de "espírito profético" o impeliu a escrever tais coisas, posto que ele já estava mostrando o que iria acontecer ao ser humano num futuro próximo. As pessoas a nosso redor (e muitos de nós, igualmente) estão, mais do que nunca, "atordoadas por distrações estúpidas e idiotizantes" - a exemplo dos programas de humor sem qualquer graça e repletos de feiura e imoralidade, telejornais que não passam de propaganda enganosa e de instrumentos de dissonância cognitiva e/ou "reality shows" que não tem relação alguma com a "realidade" e que para nada servem senão para nos afastar dela. Como resultado, já não sabemos mais dominar (ou sequer conhecemos minimamente) o instrumento mais importante para que apreendamos a realidade tal como ela nos é dada [sejam as coisas fora de nós, seja a consciência de nós mesmos] - estamos, lastimavelmente, "desprovidos de linguagem". Portanto, "não temos sido mais capazes de refletir sobre o mundo", de tal modo que nos resta tão-somente a histeria coletiva presunçosa, através da qual aqueles que são mais espertos do que nós (e que normalmente nem sabemos que existem ou que ignoramos) já nos têm controlado total e exaustivamente - mas apenas enquanto lhes formos úteis. Finalmente, pode-se notar que não é mais necessário usar de truculência a todo momento para que as massas sejam dominadas de forma eficaz e permanente mas, pelo contrário, o que se percebe a olhos vistos é que as pessoas, de modo crescente, têm desejado e até implorado por esse tipo de dominação em troca de "conforto e segurança". 

Dessa maneira, como que num 'anacronismo às avessas', a maioria de nós parece assumir o pathos e o ethos do personagem de Dostoiévski em "Memórias/Notas do subsolo" que dissera "...contanto que eu tome o meu chá, o mundo pode se destruir por inteiro lá fora..." - ou, numa versão pós-fraudemia, "...contanto que eu tenha o iFood para pedir minha comida, a NetFlix para me divertir e o meu salário garantido, os outros podem morrer lá fora...". Neste último caso, "se a morte for 'por COVID' é até melhor", pois assim será possível mostrar aquela "empatia vaidosa" e pedir aos outros que #fiquememcasa, pois nenhuma celebridade ou milionário deve ser exposto a germes quando for à praia, ao shopping, ao cinema ou ao parque. Como dizem por aí, "o choro é livre!" - só você e eu que não. 



Diante de tudo isso, será que estamos buscando encher nossos "relicários" com coisas semelhantes a estas? 
Será que, igualmente, já fomos 'abduzidos' pelo "mindset" desse "admirável mundo novo pós-pandemia" a fim de corroborar as "profecias distópicas" citadas acima?  
Em contrapartida, esses novos "padrões de comportamento" seriam realmente virtuosos ou não passariam de "pecados gloriosos com verniz de piedade"? 
E, nesse caso, quais seriam as verdadeiras "relíquias" que deveríamos guardar com zelo para que jamais as perdêssemos? 

Inicialmente, é importante salientar que todos nós, sem exceção, tendemos a condenar os outros ao mesmo tempo que cometemos os mesmos pecados que condenamos neles (vide Romanos 2:1-3), de forma que, diante de Deus, todos são indesculpáveis devido às suas transgressões. Nenhum de nós está, neste sentido particular, num patamar superior a qualquer outro ser humano, visto que Coram Deo não há como ter olhos altivos ou quaisquer prerrogativas de mérito, pois está escrito que "a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado" [Gálatas 3, vs. 22] e que "todos estão debaixo do pecado" [Romanos 3, vs. 9]. Portanto, quando nos lembramos de que o único referencial digno em relação ao qual devemos nos avaliar mutuamente é Deus (assim como Ele se revela nas Escrituras), é impossível que nossa soberba e estultícia não sejam esmigalhadas em pedaços para que, assim, não ousemos ter um conceito elevado demais de nós mesmos e saibamos devidamente como pensar a nosso respeito e dos outros. 

Desse modo, embora esse texto esteja denunciando - com uma dose severa de acidez da qual não me arrependo - a degeneração crescente da saúde mental, da inteligência e da bondade humanas em razão das mudanças sociais e psicológicas decorrentes da praga chinesa (i.e., do Partido Comunista Chinês e seus aliados mundo afora), estou ciente de que sou sujeito a ter meus "relicários", nos quais posso estar entesourando minhas "relíquias" a fim de, muitas vezes, sacralizá-las e, com isso, buscar honra e prestígio diante dos outros enquanto acredito estar "buscando a glória que vem só de Deus" [vide João 5, vs. 44]. De fato, a vida de todos os homens, desde o dia em que Adão e Eva pecaram no Éden até esse momento exato, consiste na mais tola e abominável 'usurpação de papéis', mediante a qual cada um de nós, mais aberta ou mais disfarçadamente, têm desejado "ser como Deus" e "conhecer o bem e o mal" da maneira que só Ele conhece ao passo que, como afirmara Pascal, "fazemos Deus conforme a nossa própria imagem". Isto é, temos sido ávidos em "vencer disputas" de ordem teológica ou religiosa [p. ex., "calvinismo x arminianismo" ou "catolicismo romano x protestantismo/fé reformada" etc.] ou, por outro lado, temos desenvolvido uma mentalidade (a qual já é a dominante) pela qual nada, nem um único mínimo detalhe da normalidade da existência, que represente qualquer conceito ou símbolo "ofensivo" aos edificadores do "não tão admirável mundo novo", deve ser tolerado - especialmente as "pessoas ofensivas" ou "não-essenciais" -, o que evidencia a mesma raiz do "pecado original", pois apenas os que desejam (e acreditam que possam) ser "como Deus" e que julgam "conhecer o bem e o mal" tanto para si mesmos quanto para o universo inteiro agem como se estivessem "acima do bem e do mal" assim como do próprio Deus. Ora, neste caso, tal "admirável mundo novo" pode ser adequadamente chamado de 'inferno', posto que sabemos exatamente quem foi que desejou "estabelecer seu trono acima de Deus e ser semelhante ao Altíssimo" [ver Isaías 14, vs. 13-14]. 



Nesse sentido, pode-se dizer que, quanto às três primeiras perguntas, muitos de nós têm aproveitado a situação de comoção mundial em virtude da peste chinesa para acumular suas "relíquias de empatia e solidariedade" nos "museus e santuários virtuais das redes sociais", tendo em vista a própria "beatificação" sob os auspícios dos "sacerdotes da religião do novo normal". Sem dúvida, essa é possivelmente a 'religião' que mais cresce no planeta, uma vez que ela passou a ser seguida, como que num lapso, por ateus, muçulmanos, judeus, espíritas, sincréticos e, majoritariamente, por cristãos (e de todos os segmentos). Ora, qual é o grupo social mais vulnerável à manipulação emocional por influência de narrativas que explorem o "amor ao próximo", a "preocupação com quem se ama", o "respeito às autoridades" e o "medo de morrer e de provocar a morte de outrem", senão a comunidade cristã? Se refletirmos bem, nenhum de nós quer carregar o fardo de "desobedecer a Deus" bem como ousar colocar em risco a própria segurança, a dos parentes e amigos para ser uma "ameaça" à ordem e à saúde públicas, de maneira que nos tornamos mais suscetíveis que os demais a adotar quaisquer idéias, hábitos e condutas que nos sejam sugeridos [sejam esses benéficos ou não, baseados em fatos ou enganosos] como "indispensáveis" para os fins correspondentes. Logo, com a faca e o queijo nas mãos, os únicos beneficiários de todo este cenário [i.e., os mega-bilionários donos do dinheiro mundial, as 'tiranetes de gabinete' espalhadas pelo planeta e a ditadura chinesa] estão "deitando e rolando" sobre nossa "estupidez com verniz de benevolência" enquanto pisam nos cadáveres dos que têm morrido pelo mundo - não importando a causa. Como tenho dito, "não se trata de saúde, mas de controle" - um controle total, indestrutível e irreversível sobre os comportamentos, a normalidade da vida, as dinâmicas sociais em escala supranacional e, finalmente, sobre a natureza e a alma humanas. 

Finalmente, a pergunta mais importante a ser respondida é: o que realmente deve ser entesourado por nós? 
Quais boas obras são, de facto, "boas obras" e, por isso, dignas de serem tratadas com o devido apreço? 
Em outros termos, a quem pertenceria o "relicário" com as verdadeiras "relíquias de grande valor" e que permanecerão eternamente no "verdadeiro admirável mundo novo"? 

Tais respostas não poderiam ser dadas com a devida seriedade e exatidão sem levarmos em conta o atual período do ano - e.g., a Semana Santa -, no qual pessoas em todas as partes do mundo, seja por tradição cultural ou como fruto de uma real compreensão de seu significado, se recordam dos últimos dias de Jesus Cristo até sua paixão, morte e posterior ressurreição no Domingo de Páscoa. Foi numa semana semelhante a essa que Jesus nos revelou a resposta de todas essas perguntas, cujas palavras se encarnariam Nele naqueles mesmos dias, como mostrado a seguir:

"...É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. 
Em verdade, em verdade lhes digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Quem ama a sua vida a perderá; mas quem odeia a sua vida neste mundo irá guardá-la para a vida eterna. [...]
Agora a minha alma está angustiada, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não, pois foi precisamente com este propósito que eu vim para esta hora. Pai, glorifica Teu nome!
Então veio uma voz do céu: já O tenho glorificado, e novamente O glorificarei..." 
[João 12, vs. 23-25 e 27-28]



Nesse trecho dos Evangelhos, o ensino de Jesus é claro: a glorificação do Filho do Homem (i.e., a Sua glorificação) consistiria em Sua crucificação, a qual se daria na "Good Friday" (a sexta-feira santa). Ou seja, o "grão de trigo" que deveria "cair na terra e morrer para dar muito fruto" era uma metáfora de Jesus sobre Si mesmo, visto que, nas palavras dos profetas, Ele "derramaria a Sua vida na morte" [Isaías 52, vs. 12] e "veria o fruto do trabalho de Sua alma e ficaria satisfeito" [Isaías 53, vs, 11]. Desse modo, é à luz do que Ele mesmo faria ao consumar a obra que o Pai lhe confiara que nos é dito que "aquele que quiser salvar a sua vida a perderá, e aquele que odeia a sua vida nesse mundo a guardará para a vida eterna". 

As Escrituras nos ensinam, portanto, através das palavras do próprio Cristo, que toda tentativa de nossa parte em buscar "salvar a nossa vida" - seja espiritualmente, seja fisicamente (o que passou a ser a maior obsessão humana desde 2020) - é absolutamente inútil, pois o mesmo Jesus disse que "nenhum de nós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar uma hora à duração de sua vida" [Mateus 6, vs. 27].  Eu temo que, embora continuemos a nos reconhecer como cristãos, não estejamos andando em conformidade com Cristo ou no "padrão da vida em que fomos batizados", caso nossas maiores prioridades sejam "colocar álcool em gel a toda hora e por todos os lugares" [como se fosse uma "água-benta" ou alguma "unção neopentecostal" a fim de afastar "maus agouros" ou "germes malignos"], nunca sair de casa sem "focinheira" e jamais "promover aglomerações" ao invés de "desprezar a própria vida neste mundo para preservá-la para a vida eterna". É evidente que cuidar da integridade física e da saúde são implicações indiretas da obediência ao sexto mandamento ("não matarás/assassinarás"), todavia quem se declara discípulo de Jesus precisa estar ciente de que deve "buscar as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à destra de Deus" [Colossenses 3, vs. 1] bem como "pensar nas coisas de cima, e não nas que são da terra" [Colossenses 3, vs. 2], pois todo cristão "já morreu" - e não foi por causa do vírus chinês, mas pela sua união com Cristo - e a sua vida "está escondida com Cristo em Deus" [Colossenses 3, vs. 3]. Mais precisamente, todas as "coisas da terra" que são boas e dignas de serem desfrutadas só podem ser usufruídas devidamente em Deus e para Ele e, como resultado, sempre que superestimamos alguma coisa [até a nossa saúde e a segurança de nossos semelhantes] acima ou em lugar de Deus nos comportamos como idólatras, ainda que tal idolatria seja envernizada com "doses periódicas" de "empatia piedosa". Em suma, nossos relicários podem estar repletos de "novas relíquias" que nos parecem sacras e até providas de "poderes milagrosos" - quem imaginou que um "pano no rosto" pudesse ser capaz de matar um organismo nanométrico e mortal? -, contudo tais "tesouros" estão sendo "ajuntados na terra" e, irremediavelmente, serão destruídos "pela traça e pela ferrugem". 

Dessa forma, se tudo o que podemos acumular para nós mesmos, nos poucos dias que temos debaixo do sol, por mais valioso que pareça a nossos olhos e diante dos outros, será consumido e se mostrará desprovido de real dignidade e excelência, quais "tesouros" de fato permanecerão para sempre? A quem pertenceriam tais tesouros e em qual "relicário" eles estariam guardados?

Na continuidade do trecho bíblico destacado, Jesus expressa abertamente a sua angústia por ocasião do que lhe estava prestes a sobrevir e, de modo resoluto e por meio de um surpreendente artifício retórico, declara que havia vindo precisamente para "aquela hora" - a hora do sofrimento atroz, da condenação injusta, da rejeição máxima por parte dos Seus, da traição "daquele que comia do mesmo prato" e, pior do que tudo, do "abandono" de Seu Pai conforme Ele mesmo diria: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" [Salmo 22, vs. 1 e Marcos 15, vs. 34]. É exatamente aí, na atitude de perfeita obediência de Jesus para com o Pai, que descobrimos a solução para as perguntas finais desse texto, pois a "hora em que o Filho do Homem seria glorificado" (vs. 23) é a mesma "hora" referida por Jesus ao dizer "Pai, glorifica o Teu nome!" (vs. 28a), cujo pedido foi imediatamente atendido segundo a voz que disse "já o tenho glorificado, e novamente o glorificarei" (vs. 28b). 

Desse modo, os "tesouros" que não perecem debaixo do sol (ao contrário, permanecem para sempre) são aqueles que manifestam a glória de Deus e, em particular, residem na pessoa de Cristo, pois está escrito que "Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" [Colossenses 2, vs. 3] e que o "mistério do Evangelho", que outrora estava oculto mas agora estava sendo revelado, é descrito como as "insondáveis riquezas de Cristo" [Efésios 3, vs. 8]. Diante de tal sublimidade, todos os tesouros e relicários humanos, por mais que possuam valor e artefatos preciosos [apesar de, em muitos casos, não possuírem valor algum, exceto uma aparência de religiosidade vazia], não passam de "esterco", "lixo", "escória" e "refugo" [ver Filipenses 3, vs. 8]. Portanto, se existe algum "relicário" cujas "relíquias" realmente são e continuarão a ser perenemente valiosas, este não é outro senão o próprio Evangelho, o qual provém do Deus Eterno e diz respeito a quem Ele é e ao que Ele realizou através de Seu Filho - o "Servo Sofredor" [Isaías 53] e também "o mais notável entre os homens" [Salmo 45, vs. 2], chamado de "blasfemador" [Marcos 14, vs. 64] embora seja Aquele que nos revelou o Pai [João 1, vs. 18], enviado ao mundo para salvar os pecadores [1 Timóteo 1, vs. 15] mas que breve voltará "para julgar os vivos e os mortos em Sua vinda e Seu reino" [2 Timóteo 4, vs. 1]. 

Não há, sem dúvida, um período mais oportuno para meditarmos sobre quais coisas realmente possuem valor eterno do que uma semana como essa, posto que há quase 2000 anos se consumou a obra redentora Daquele que é chamado de "Sumo Bono" ou "Bem Supremo" da alma e para quem todos fomos criados, o nosso único "lugar de descanso", "em Quem vivemos, nos movemos e existimos" [Atos 17, vs. 28] e de onde vem " toda boa dádiva e todo dom perfeito" [Tiago 1, vs. 17]. Abandonemos, pois, o quanto antes, toda e qualquer pretensão de "fazer um nome para nós mesmos" à semelhança dos homens de Babel [Gênesis 11, vs. 4] - principalmente mediante uma "falsa ciência" instrumentalizada por tiranos insaciáveis por nosso sangue -, uma vez que o fim reservado para os que assim procederem é a "confusão de línguas" [e a loucura total daí decorrente] e, finalmente,  o "abandono da fé em troca de tolices", como nos adverte o apóstolo Paulo [1 Timóteo 6, vs. 20-21]. Sejamos satisfeitos apenas com Cristo e Sua glória, pois Ele é quem "destrói a sabedoria dos sábios e aniquila a inteligência dos inteligentes" [1 Coríntios 1, vs. 19], "envergonha as coisas fortes" [vs. 27], "reduz a nada as coisas que são" [vs. 28] e que "foi feito da parte de Deus para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção, a fim que 'quem se gloriar, glorie-se no Senhor'..." [1 Coríntios 1, vs. 30-31]. 



E quanto a você? 

Onde você tem juntado os seus tesouros? Ou melhor, o que você tem considerado como de fato precioso?
Você tem sido enredado por futilidades de modo a se perder da realidade e de si mesmo e, mesmo assim, continua "feliz com a sua sina"?

Você tem construído seus próprios "relicários" a fim de ostentar suas "virtudes" aos olhos dos outros sem se dar conta de que "tudo aquilo que não é eterno é eternamente inútil"?

Finalmente, sabendo da importância dessa semana para a humanidade [e igualmente para a todo o universo], até quando você continuará sem dar ouvidos à voz do Salvador, o Qual te chama para "segui-Lo e morrer com Ele" para que, posteriormente, você viva para sempre com Ele no "Admirável Mundo" que Ele preparou a todos os que Nele crêem?




Pela certeza de que meu tesouro está guardado Nele,




Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Blowin' in the winter...

Passados quase dois meses, estou de volta.

Seja pela falta de inspiração ou pelas responsabilidades do dia-a-dia (que foram em maior número nessas últimas semanas, devido à elaboração de um novo artigo de meu doutorado e com algumas aulas de línguas estrangeiras em parceria com amigos), faltou-me tempo para vir aqui. Todavia, creio que agora tenho muitos motivos para escrever e, como normalmente acontece, o texto deverá ser uma combinação de intensa indignação [e até mesmo fúria] com uma serena esperança – nesse caso, a Grande e Única Esperança que, em verdade, nunca morre.

Sigamos em frente e que, mais uma vez, as próximas linhas não sejam inúteis.

O tema desse texto será desenvolvido a partir de uma famosa canção do artista norte-americano Robert Allen Zimmerman (ou Bob Dylan) chamada “Blowin’ in the wind" (que traduzido significa “Soprando no/ao vento”) e terá como fio condutor o Natal e seu real significado - uma vez que, daqui há poucos dias, será 25 de dezembro. Por outro lado, pretendo incluir ao longo desta postagem certas situações particulares deste ano de 2020 que merecem uma atenção urgente e séria, a fim de que aqueles que se derem conta delas saiam de sua posição de apatia e reajam enquanto ainda é possível – sem perder, porém, a confiança de que, mesmo que não haja mais soluções factíveis para as realidades que irei expor, pode-se [e deve-se] “crer contra a esperança” ou, de outra maneira, “crer em face da ausência dela”.

Entretanto, antes de começar a falar propriamente do tema do texto, é importante antecipar que a abordagem não deverá ser feita lançando-se mão de todos os versos da música citada, mas a partir da relação de trechos específicos da letra com os tópicos fundamentais do texto – i.e., o ano de 2020 com seus absurdos totalitários e incontáveis crimes à luz da realidade do Natal e do que ele nos revela, a saber, o Advento de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Não existe Natal sem Ele - o nascido da virgem Maria na plenitude dos tempos, enviado ao mundo para salvar os pecadores, ressuscitado dos mortos ao terceiro dia e recebido nos céus até que, nalgum dia futuro (o qual é cada vez mais iminente), se cumpra o segundo Advento e, assim, nas palavras do profeta Isaías, Ele “...trague a morte para sempre e enxugue as lágrimas de todos os rostos...” [Isaías 25, vs. 8] para que, enfim, se diga: “...eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos; Ele nos salvará...” [Isaías 25, vs. 9].

Em primeiro lugar, quando se pensa em alguma coisa que está “soprando ao vento” ou “se espalhando pelo vento", a primeira imagem que nos vem à mente é de fugacidade ou transitoriedade (i.e., algo que nos escapa ao olhar e/ou pelas mãos) bem como de velocidade e intensidade (no caso de um vendaval, um ciclone ou um furacão). Tendo isso em mente, aquilo que “sopra ao vento” ou é “levado pelo vento” pode ser disperso por toda a parte em poucos instantes, removido com facilidade de seu estado inicial ou anterior e até mesmo destruído de forma irreversível (se, parafraseando outra canção, o “vento for levando tudo embora”) - a não ser que se refaça/restaure posteriormente o que fora perdido. Portanto, sabendo-se que tais imagens evocam as realidades da efemeridade e da finitude, seria razoável utilizá-las para se falar de uma “Grande Esperança” que não acaba? Não há melhor forma de responder senão apropriar-me de uma expressão cara aos cristãos pentecostais: “é mistério”! De fato, espero revelar esse “mistério” a todos os que, pacientemente, continuarem lendo até o fim. 

A fim de começar a desvelar esse enigma, pode-se dizer que o ano de 2020 tem sido, em muitos sentidos, marcado por algo do tipo que também está "soprando ou se espalhando pelo vento" – isto é, o SARS-CoV2 (causador da assim chamada COVID-19) ou, mais apropriadamente, o vírus (do Partido Comunista) chinês. A esse respeito, em particular, parece-me que mais de uma dentre as características citadas no parágrafo anterior podem ser simultaneamente observadas, seja a sua propagação “pandêmica” [considerando-se que os dados constantemente divulgados pelos veículos da grande mídia referentes à infecção pelo vírus sejam verdadeiros, ainda que tal narrativa já esteja sendo questionada de forma séria e contundente, dado os altos percentuais de ‘falsos positivos’ relacionados aos testes via PCR], seja o seu poder destrutivo. Não me refiro propriamente à sua letalidade real, a qual é consideravelmente baixa [p.ex., no Brasil, esta tem sido inferior a 3%, sem considerar os ‘falsos positivos’ nem as inúmeras adulterações de causa mortis a fim de se inflar os dados de supostos mortos pela doença] mas, sobretudo, aos efeitos de manipulação comportamental, histeria sanitária, ignorância generalizada mascarada(!) pela 'credibilidade científica' e, mais gravemente, a diversos danos psicológicos, depressão, aumento de casos de suicídio, desemprego, miséria e um totalitarismo global de fazer inveja a todos os maiores e mais cruéis imperadores do passado bem como a figuras da estirpe de Josef Stalin ou Mao Tse Tung e, até mesmo, ao próprio satanás - que talvez esteja aprendendo, como "nunca antes na história deste planeta", a por em prática novas maneiras de ser maligno sob o disfarce da busca do “bem da humanidade”. 


Não obstante a seriedade do que foi mencionado acima, eu estou certo de que há uma questão ainda mais delicada (para dizer o mínimo) e sutil em todo o decurso desses acontecimentos. Tal questão se refere à remodelagem gradativa e crescente do imaginário humano, em especial nos países ocidentais de raízes judaico-cristãs, de um paradigma central para toda a realidade histórica: a substituição do nascimento de Cristo (i.e., do Advento) como o marco divisor da cronologia da história humana por outros construtos ou símbolos. Nesse ínterim, pode-se citar o uso cada vez mais recorrente da expressão “Era Comum” em lugar de “Era Cristã” na literatura e em materiais didáticos bem como (a partir desse ano) de sentenças do tipo “o mundo pós-pandemia”, “a vida antes e depois da COVID” ou ainda o "decálogo da COVID-19" etc., as quais passaram a ser amplamente empregadas como instrumentos de guerra semântica, cujo objetivo não é outro senão a usurpação sorrateira de um dos símbolos mais fundamentais do legado cristão para a sociedade humana – e.g., o fato de que o “ponto de inflexão” da história se deu com a Encarnação do Verbo, descido do céu para “se fazer carne e habitar entre nós”, de tal modo que devemos nos lembrar que a realidade e a nossa existência não dizem respeito, em última análise, a nós nem ao que fazemos, mas sim a Ele e ao que Ele fez. 

Em todo esse contexto de "ressignificação simbólica" e "uniformização do pensamento", nenhum segmento social escapa de seus efeitos - incluindo os cristãos, que em tese reconhecem o natalício de Jesus como um dos episódios principais da história (juntamente com Sua morte, Sua ressurreição e ascensão). Não obstante isso, infelizmente eu tenho presenciado muitos de dentro da comunidade cristã, em todas as partes, assimilarem "falácias linguísticas" ou "conceitos inócuos" semelhantes aos anteriores sem nem ao menos notarem os resultados dessa assimilação em sua maneira de entender o mundo no qual estão, de modo que sua imaginação moral, seu discernimento dos comportamentos humanos no decorrer do tempo e até mesmo sua teologia também são afetados. Ora, se a linguagem que usamos para descrever e apreender os diferentes aspectos da realidade e da vida é um compêndio de sofismas e de falsificações, nossa tendência será de formar a nossa visão do mundo (e, conseqüentemente, de Deus e de tudo o que é religioso) sob bases falaciosas e/ou fraudulentas. Logo, se as concepções que adotamos a respeito do que constitui a vida e as relações humanas/sociais (bem como nossa imagem de Deus e da espiritualidade/religião) não são igualmente verdadeiras e fidedignas, tudo o mais estará comprometido. 

Dessa maneira, quando um cristão não vê problema algum em acreditar que, depois de 2020, a realidade possa ser descrita em termos de "A.C./D.C." (e.g., "antes da COVID/depois da COVID", em vez de continuar sendo entendida como "antes e depois de Cristo") ou passa a absorver todo a aparato da propaganda massificada e manipuladora presente em todos os lugares (jornais, redes sociais, outdoors, comerciais etc.) sob o guarda-chuva da "ciência" e da biopolítica, ele precisa ser despertado de seu estado de letargia intelectual e espiritual para que perceba a extensão da ignorância à qual está sendo submetido. Nesse processo, será necessário estar pronto para desenvolver a autoconsciência de sua condição de miséria e estupidez, pois somente os que possuem a real compreensão do que sabem, do que não sabem e, especialmente, de que "ainda não sabem como convém saber", estão aptos a adquirir uma sabedoria verdadeira.

Por outro lado, em virtude desse tal vírus chinês (do qual já se tem notícia de ao menos uma nova cepa que pode ser supostamente mais contagiosa que a primeira variante, ainda que não se possa afirmar nada a respeito), “soprado pelo vento” há cerca de 1 ano desde os primeiros casos na China, nem mesmo o Natal conseguiu se desvencilhar do "cancelamento" orquestrado pelos detentores do poder – tudo, é claro, em nome da “saúde pública”, da “segurança sanitária” e, acima de tudo (e todos), da “ciência”. As populações de várias cidades em diversos países ocidentais, onde as medidas de engenharia e controle social (i.e., de “contenção do contágio”) vêm sendo aplicadas com mais rigor e de modo mais "eficaz" – leia-se ditatorial (ou “ditadorial”, caso prefiram) -, estão se vendo obrigadas, através de um “terrorismo higienista” nunca visto, a abrir mão de celebrar com suas famílias e entre amigos um dos momentos mais significativos da história (e do próprio universo) para que, hipoteticamente, não morram em frente à mesa da Ceia ou, numa situação ainda pior, transmitam o vírus para os avós e se transformem em “assassinos”. Ora, nada poderia ser mais eficaz para controlar o ser humano de modo ilimitado e irrestrito do que explorar o seu “medo da morte” – seja a sua própria, seja a dos que lhe são caros e amados -, especialmente quando se pode colocar o peso da culpa. 

Entretanto, já se tem demonstrado, por meio de diferentes pesquisas científicas sérias, que a taxa de sobrevivência dos que foram infectados pelo vírus é, em todas as faixas etárias (incluindo os famigerados “grupos de risco”), superior a 94% (no mínimo) juntamente com a eficácia de diferentes tipos de tratamento precoce (profilático ou terapêutico), a exemplo do protocolo HCQ/AZYT/Zn/IVM do Dr. Vladmir Zelenko nos EUA e do uso do plasma hiper-imune na Itália. Desse modo, por que permitiríamos que o que talvez possa ser o único momento de alegria desse ano sombrio seja roubado por pessoas perversas que não se saciarão até que tenham se fartado com o máximo de sangue inocente possível - embora ainda alardeiem que são os verdadeiros “salvadores do mundo”? Será que nossa inteligência e nossa alma já estão tão irremediavelmente corrompidas e apáticas ao ponto de rejeitarmos Aquele que “veio em nome de Seu Pai” para aceitarmos a qualquer que “venha até nós em seu próprio nome" - o que não é outra coisa senão trocar o Cristo verdadeiro por algum “anticristo”? 

De fato, eu temo que, assim como fez Esaú diante de Jacó ao trocar o seu direito de primogenitura (e as bênçãos dele decorrentes) por um guisado de lentilhas, muitos de nós (em particular, os cristãos) sejamos profanos e imorais ao ponto de sacrificarmos a recordação concreta do nascimento de Cristo [e tudo o que ele significa para nós e para a realidade cósmica] em troca de nossas "lentilhas" de proteção sanitária e de "crédito social" - não exatamente o sistema de controle feito pelo regime comunista chinês, mas sim aquela "aura de intelectualidade" pela qual se evita dar a cara a bater em meio a gritos ensandecidos de "negacionista, revoltado antivax, obscurantista, terraplanista e astrólogo ad hitlerum". Ou seja, à semelhança dos membros do Sinédrio dos dias de Jesus que, embora cressem Nele, "amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus" e não confessavam sua fé publicamente, temos sido uma grande massa de covardes medrosinhos, com nossos frascos de álcool em gel na mochila, limpando tudo a todo momento e usando uma focinheira (vulgo máscara) acompanhada, muitas vezes, de um ridículo escudo facial de plástico em todos os lugares em que andamos (inclusive na praia!) até que, ao contrário do que lemos nas obras de C. S. Lewis, não tenhamos mais rostos - e nem alma.


Na contramão dessa paranóia coletiva, é mais que oportuno citar um dos episódios mais curiosos e emblemáticos do século XX: a “Trégua de Natal de 1914”, ocorrida no meio da I Guerra Mundial, promovida por soldados dos exércitos britânico e alemão [incluindo talvez soldados franceses]. A guerra havia começado, os diferentes combatentes estavam nas trincheiras e nos campos de batalha e, assim, a Europa passava a ser palco do maior conflito da história até então – cujo terrível saldo foi de alguns milhões de mortos. Nesse contexto, promulgou-se uma espécie de “trégua” por parte do papa da época, a qual deveria acontecer pelo menos na “noite em que os anjos cantaram” . Na véspera do dia 25 de dezembro de 1914, alguns soldados alemães começaram a se reunir para passar um tempo juntos cantando e, do lado britânico, o líder do exército ergue um bandeira escrito "Merry Christmas" para que os alemães a vissem, cuja resposta foi com outra bandeira que exibia a frase "Thank You!"... Desse modo, o que parecia improvável aconteceu: os líderes de ambos os exércitos se encontraram enquanto os demais olhavam através das trincheiras num clima tenso e, no fim das contas, os soldados britânicos e alemães se uniram, celebraram o Natal e até fizeram uma barbearia improvisada para cuidar uns dos outros. Assim, pôde-se comprovar que nem mesmo a guerra foi capaz de impedir que, naquele Natal de 1914, homens de lados opostos nos campos de batalha pudessem partilhar algo em comum - a saber, a recordação do nascimento do "Príncipe da Paz", enviado ao mundo para dar fim à inimizade entre os homens e seu Criador a fim de que, mediante tal reconciliação, os homens pudessem parar de "fazer guerra" contra Deus, 'depondo suas armas' diante de Sua majestade para, então, ser 'acolhidos em seu abraço paterno'. Em outros termos, a I Guerra Mundial 'acabou' naquele Natal de 1914 [mesmo que por apenas algumas horas], o que alude a um dos versos da música que inspirou esse post - como mostrado a seguir:

"...How many times must the cannonballs fly / Before they're forever banned?..."
que, traduzido, significa:
"...Quantas vezes as balas de canhão devem 'voar' / Antes que elas sejam para sempre banidas?..."

Naquela noite de 25 de dezembro, há pouco mais de um século, aqueles soldados mostraram ao mundo da época [e a nós também em 2020] que não deve haver motivo justo para deixar de se  trazer à memória e festejar o Advento de Cristo - mesmo que, infelizmente, a guerra não tenha terminado ali em definitivo. Deve-se salientar, porém, que não pretendo fazer qualquer tipo de apologia ao 'desarmamentismo' ou ao 'pacifismo' característico da pós-modernidade [cujos principais frutos são o aumento da criminalidade organizada em escala mundial - com perdas humanas análogas ou piores que aquelas de uma grande guerra - e a emasculação "quasi-hegemônica" dos homens], mas tão-somente reverbero que aquela "Trégua de Natal" foi uma espécie de "banimento das balas de canhão" - mesmo que temporário -, decorrente da consciência da solenidade de um símbolo que aponta para uma manifestação de suprema sacralidade, posto que está escrito que o Anjo Gabriel, ao anunciar o nascimento de Jesus a Maria, lhe revelou que "...o Ente santo que de ti haverá de nascer será chamado Filho de Deus..." [Lucas 1, vs. 35]. Todavia, dada a nossa ausência de brio e de senso do que é realmente santo, muitos dentre nós não farão como os soldados citados anteriormente, mas, ao contrário, nos submeteremos a quaisquer tiranias e abusos de autoridade arbitrários por amarmos, acima de tudo, o nosso conforto e segurança, abandonando a oportunidade de estarmos juntos com familiares e amigos bem como de ajustar a nossa "imaginação litúrgica" a partir da "história de Deus expressa na história de Cristo". Diante de tal realidade, a minha oração é a mesma registrada pelo profeta Isaías - coincidentemente (?) chamado de "profeta messiânico" -, que registrou:

"...Ó Senhor, Deus nosso, outros senhores têm tido domínio sobre nós, mas nós adoramos apenas ao Teu nome..." [Isaías 26, vs. 13] 


Antes de ir para a parte final do texto, outros versos da música que me parecem pertinentes em relação ao que já tenho tratado aqui são:

"...How many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, n' how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn't see?..."

Que traduzido é:

"...Por quantos anos algumas pessoas podem existir
Até que se permita que sejam livres?
Sim, e quantas vezes um homem pode virar a cabeça
E fingir que simplesmente não vê?..."

De modo simples e direto, o que o autor parece destacar é a combinação de dois fatos: 1) a apatia e a infelicidade existencial de quem vive sem liberdade por tempo indeterminado e 2) a indiferença de quem vê essa realidade aprisionadora e, simplesmente, “finge que não vê”. Ao olharmos para a civilização ocidental de modo intelectualmente honesto, concluiremos que ela se tornou, ao longo dos séculos, a expressão social mais vívida e factível da liberdade e do florescimento humanos, dadas as suas raízes culturais e filosóficas remetentes ao mundo greco-romano e, de modo muito mais determinante, aos efeitos profundos do cristianismo bem como de muitos princípios judaicos em sua moral, ética e organização civil. Em contrapartida, os últimos séculos vêm sendo marcados por uma alteração radical e irônica desse paradigma, pois o surgimento já citado dos mais terríveis tiranos da história humana [incluindo os que estão entre nós] é, em grande medida, produto de ideais alicerçados no mote “liberté, egalité et fraternité”. Destarte, a conclusão óbvia (e ofensiva, para variar) é que a luta pela “igualdade universal” não produz mais liberdade e sim o oposto – i.e., o totalitarismo de alguns poucos sobre o resto da humanidade, chamado cinicamente de “democracia” pelos seus proponentes - e, com isso, não pode haver fraternidade alguma, exceto aquela entre os compadres (ou ‘companheiros’) que mandam em tudo e todos, sem nunca dar satisfações a outrem e cujos crimes são, quase sempre, mantidos impunes, visto que as “não tão-supremas cortes” são igualmente ou mais criminosas que eles. 

Conseqüentemente, as últimas gerações vêm sendo, em diferentes partes do mundo, compostas por milhões (e até bilhões) de pessoas que simplesmente “existem, mas não vivem", visto que suas vidas se tornaram propriedades de um "Estado-deus" ou tão-somente instrumentos úteis nas mãos de alguns dos homens mais abastados do planeta, cujo maior fetiche é "brincar de Demiurgo" enquanto o próprio dinheiro não acaba - o que talvez dure mais tempo que suas próprias "existências". No entanto, mais lamentável que tal realidade em si é a atitude de vários de nós que, à semelhança do “homem que vira a cabeça e finge que simplesmente não vê” o que está ao redor, são indiferentes e apáticos frente ao que lhes está escancarado aos olhos, o que pode ser um claro sintoma de uma existência analogamente vazia e sem vida - embora possa se dizer constantemente, fazendo “soprar aos quatro ventos”, que devemos “cuidar da saúde e salvar vidas”, esquecendo-se contudo de que, parafraseando os evangelistas sinóticos, “não adianta ao homem ganhar a saúde do mundo inteiro e perder a sua alma”. Ora, “o que o homem poderia dar em troca de sua alma” ou, como está em voga, qual vacina poderia ser eficaz para impedir que sua vida se lhe escape como “um sopro ao vento” no dia em que esta encontrar seu fim? 


Finalmente, ainda me restam algumas linhas a escrever que anseio ser proveitosas.

Dentre as figuras mais presentes em minhas últimas reflexões está a clássica imagem contida no romance “Dom Quixote de la Mancha” do escritor espanhol Miguel de Cervantes - que possivelmente afirmou que ‘o português é a língua mais sonoramente bela que existe’ -, na qual o personagem principal (o cavaleiro denominado Dom Quixote) é considerado louco por confundir os “moinhos de vento” com dragões ou gigantes, contra os quais ele teria lutado sozinho até que os houvesse vencido. Porém, apesar desse trecho pitoresco da narrativa [do qual deduzir-se-ia que o ‘Cavaleiro da Triste Figura’ era um fidalgo sem juízo], o mesmo personagem afirma, em outro lugar da estória, a máxima “yo sé quien soy” [“eu sei quem sou”], indicando que, algumas vezes, os que parecem mais loucos e que aparentemente podem estar combatendo inimigos considerados “imaginários” – o 'Grande Reset' é ‘teoria da conspiração’, não se pode duvidar do “consenso científico”, “você é tão burro quanto aos que fizeram a Revolta da Vacina?” et cetera – são os únicos que estão atentos ao curso dos eventos que os circundam, uma vez que quem tem a correta “consciência de si” certamente está mais habilitado a ter a correta percepção da realidade. 

Nesse sentido, ninguém pode desenvolver a autoconsciência de forma legítima e genuína sem que, antes, possua referenciais absolutos a partir dos quais esse desenvolvimento possa ser feito de tal maneira que alcance o seu devido fim. Em outras palavras, só é possível conhecer a si mesmo e ter ciência desse conhecimento através de um fundamento confiável para tal, de maneira que, como seres humanos, só podemos conhecer quem de fato somos [bem como adquirir a autoconsciência daí decorrente] ao voltarmos o olhar para Aquele que nos criou – melhor ainda, ao darmos atenção ao icônico vocativo “Ecce Homo!” (i.e., Eis o Homem!), proferido por Pôncio Pilatos quando este estava diante de Cristo há poucos instantes da crucificação. Tais palavras ainda “sopram ao vento” – e sem a necessidade dos 'moinhos de Dom Quixote' - mesmo que já tenham se passado quase 2000 anos e, dessa forma, é apenas na contemplação do ‘Deus que se fez como um de nós’ que, enfim, podemos começar a saber quem somos, tanto individualmente quanto coletivamente. Para isso, fez-se necessário antes de tudo que este Deus, sempiterno e outrora imaterial, assumisse um “corpo que lhe fora preparado”, a fim de que fosse participante de nossa condição e, sendo totalmente justo e dando Sua vida pelos injustos, pudesse reconduzi-los a Si mesmo. Eis aqui o Natal!

Os últimos trechos da música que acredito serem importantes para a conclusão desse texto – se é que alguém teve paciência para ler até esse momento – são mostrados a seguir:

“…How many roads must a man walk down / Before you call him a man? […]

Yes, n’ how many times must a man look up / Before he can see the sky?

How many ears must one man have / Before he can hear people cry?

Yes, n’ how many deaths will it take ‘till he knows / That too many people have died?...”

A primeira frase, que diz “…quantas estradas um homem deve trilhar até que ele seja chamado de ‘homem’?...” parece transmitir uma idéia de que o reconhecimento de alguém como “homem” (seja no sentido de ser humano, seja quanto à sua maturidade) está diretamente ligado ao quanto tal ‘homem’ realizou ou experimentou durante a vida - ou seja, o autor traz à tona que um homem “dá testemunho de si mesmo” ou “mostra que sabe quem é” por meio de situações reais e não de abstrações. A esse respeito, a realidade do Natal vem trazer à tona que “o Verbo que estava com Deus e era Deus” seria aquele que “se tornaria semelhante a Seus irmãos em todas as coisas” [Hebreus 2, vs. 17] e “embora fosse Filho, aprenderia a obedecer por meio daquilo que sofreria” [Hebreus 5, vs. 8], de sorte que Jesus Cristo é, par excellence, o Homem que trilhou “quantas estradas Lhe foram necessárias”, tendo dado um verdadeiro testemunho de Si mesmo de que “havia sido enviado por Deus Pai” e que “viera para fazer a vontade Dele e não a Sua própria” [João 6, vs. 38], por cuja obediência a “maldição do primeiro Adam” - que se rebelou no “jardim de delícias” - foi revertida pela bendita submissão do “último Adam” – desde o “jardim das aflições” até o Calvário. 

A segunda e a terceira frases destacadas, que dizem "...e quantas vezes um homem deve olhar para cima até que ele veja o céu?... E quantos ouvidos um homem deve ter até que ele possa ouvir as pessoas chorarem?...", podem ser conectadas com o verso do parágrafo acima, já que também contêm a figura do 'homem' no eixo central. Nesses trechos, o autor intenciona mostrar que, para enxergar aquilo que está sempre presente [e, neste caso, acima de todos nós], muitas vezes temos que olhar atentamente, sem distrações ou negligência - o que me lembrou uma frase que, certa vez, li num cartaz de um evento sobre astronomia enquanto visitava uma pequena cidade no norte da Lombardia/Itália, a qual dizia "...guardare il cielo per capire la terra..." [ou " olhar o céu para compreender a terra..."]. De modo análogo, a pergunta subsequente a respeito dos "ouvidos que devem ouvir o choro alheio" também reitera o mesmo raciocínio, pelo qual somos compelidos a atentarmos para a dor e a aflição dos nossos semelhantes assim como Deus o fez, pois está escrito que "...Ele se lembrou de nós em nossa humilhação... e nos livrou de nossos inimigos..." [Salmo 136, vs. 23-24], o que foi igualmente mencionado no 'Benedictus' [o Cântico de Zacarias, pai de João Batista, o mesmo que "preparou o caminho do Senhor"], onde lemos que "...o Deus de Israel visitou e redimiu o Seu povo, e promoveu uma poderosa salvação para nós... salvando-nos de nossos inimigos e de todos os que nos odeiam para mostrar Sua misericórdia..." [Lucas 1, vs. 68-69 e 71-72]. Isto é, a expressão máxima do "amor de Deus que dura para sempre" é vista em todo o seu esplendor no Natal, quando o Eterno 'deixa a eternidade para entrar no tempo' e o "...Sol da Justiça nasce do alto sobre os que habitavam em trevas e na sombra da morte..." [Lucas 1, vs. 78-79] por meio do nascimento de um bebê que teria uma manjedoura como seu primeiro berço. Eis o "Grande Mistério da Piedade"!

No último trecho da música mostrado acima, o qual diz “...e quantas mortes serão necessárias para que ele saiba que morreram pessoas demais?...”, nota-se que o autor lança mão da imagem mais dramática que nos é concebível [e.g., a realidade da morte] para despertar a atenção e as emoções de quem ouve a música na direção da compaixão, bem como para longe da frieza e da insensibilidade perante o mal em todo o seu horror e miséria. Tal reflexão normalmente nos faz pensar numa ocasião de guerra (como supracitado), numa epidemia de alta letalidade (o que não é o caso da COVID-19, a despeito da narrativa dominante) ou nalguma grande catástrofe natural (como tsunamis ou terremotos).

Este ano, mais do que nunca na história humana, tem sido o ano da “compaixão de pose” - nas redes sociais, nos jornais, nos programas de televisão e por onde temos caminhado. Embora a humanidade já esteja na terra há alguns bons milênios, nossa geração de “iluminados benevolentes” e “especialistas da dor humana” – vulgo “coronalovers” – têm se constituído juízes de todos os demais seres humanos no tocante a “lamentar as vidas perdidas por causa da pandemia” [quando esses “outros” não “sentem como eles dizem que todos devem se sentir”], como se por toda a história ninguém teve de aprender a lidar com a dor da morte e com diversos tipos de doenças letais [incluindo outras pestes e epidemias] mas, agora, enfim, eles estão aí para nos ensinar a encarar a morte com aquele “sentimentalismo barato” aliado àquela “demagogia revolucionária” típica da liderança da UNE ou de alguma facção terrorista ao estilo BLM ou Antifa. Mas “quem são eles” - ou “quem eles pensam que são” - para se julgarem aptos a ensinar o mundo inteiro sobre a realidade mais dura da vida enquanto jogam “Free Fire”, celebram o aumento de seguidores no Tik Tok ou, ainda pior, fazem parte do corpo editorial da Folha de São Paulo [ou do Antagonista] ou apresentam o Jornal Nacional? O mais triste em tudo isso é, para mim em particular, ter de admitir que irmãos de fé parecem estar seduzidos por uma “piedade exibicionista”, segundo a qual é mais importante “parecer estar condoído” com as mortes pela COVID-19 em lugar de cultivar o amor ao próximo sem desejar “ser vistos pelos homens e glorificados por eles” pois, assim, “a recompensa já terá sido conquistada” - a qual, infelizmente, não será da parte do Pai que está nos céus.

Ora, se nos confessamos como cristãos, devemos lembrar que o amor consiste “...não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” [1 João 4, vs. 10] e que “...se Deus nos amou de tal maneira, também devemos amar uns aos outros...” [1 João 4, vs. 11], de maneira que é somente à luz do amor de Deus manifestado a nós que poderemos amar uns aos outros devidamente. Ou seja, é “vivendo por meio de Cristo”, o qual nasceu para nos redimir de nossos pecados, que verdadeiramente amaremos o próximo para a glória de Deus e o bem de outrem, ao invés de usarmos a “aparência de piedade” para alardear os nossos pecados gloriosos. 

Entretanto, pior do que a morte em si é a causa por trás dela, a qual é denominada na Bíblia de pecado, dado que “...o salário do pecado é a morte...” [Romanos 6, vs. 23]. De fato, essa é a suprema razão pela qual o Natal existe, pois naquela “noite feliz”, em que os pastores nos arredores de Belém estavam cuidando dos rebanhos, o anúncio do anjo foi de “...boas-novas de grande alegria para todo o povo, pois na Cidade de Davi nascia o Salvador, que é Cristo, o Senhor...” [Lucas 2, vs. 10-11]. A virgem havia concebido e, finalmente, Emanuel viera para ser “Deus conosco", de modo que “a resposta” dos milhares e milhares de anjos da milícia celestial “soprou ao vento” ao ecoar a doce canção [vide Lucas 2, vs. 14]:

“Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens aos quais Deus concede sua bondade”!

Ao longo do Antigo Testamento, o povo de Israel [e todos os não-israelitas que se voltaram para o Deus Único e foram agregados ao “povo da aliança”] ergueu sua voz em clamor como se cantassem “...O Come, O Come Immanuel / To ramsom captive Israel...” até que, dos céus, o Espírito Santo “envolveu Maria com a Sua sombra” a fim de gerar em seu ventre Aquele sobre quem o “Espirito do Senhor” estaria durante toda a Sua vida e até Sua morte, pois está escrito que Cristo se ofereceu a Deus como um sacrifício imaculado “pelo Espírito eterno” a fim de “purificar a nossa consciência... para servirmos ao Deus vivo” [Hebreus 9, vs. 14]. O Natal e toda a sua beleza humilde, na qual se vê os magos do Oriente seguindo a “Estrela de Belém” [que supostamente ‘apareceu’ essa semana pela conjunção entre Júpiter e Saturno] até encontrar o Rei que nascera na Judéia para adorá-Lo com seus tesouros, finalmente tem seu propósito plenamente manifestado quando aquele menino, que “estaria destinado a causar a queda e a elevação de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações seria revelado” [Lucas 2, vs. 34-35] é rejeitado pelo Seu povo, tratado como o pior dos malfeitores e é crucificado entre dois deles. Na cruz, Deus Pai consuma o Seu plano de redenção ao “despertar a espada sobre o Pastor das Ovelhas” e, ao mesmo tempo, uma espada “transpassa a alma de Maria” – mas, felizmente, a história não havia terminado. 

Após três dias, o mesmo Espírito, que como uma "brisa suave" havia envolvido o ventre daquela jovem virgem judia  para trazer o Filho de Deus ao mundo, soprou como um "vento poderoso" e vivificou o "Filho do Homem", fazendo rolar a grande pedra do sepulcro e ressuscitando Aquele que seria o "Primogênito dentre os mortos". Não estou certo se o Bob Dylan já tenha pensado nessas coisas que expus aqui, mas, independentemente de qual seja a situação dele, o que cabe a nós é dar a devida importância à "resposta de Deus" diante de nossa rejeição a Ele, a qual está "soprando ao vento" há cerca de 20 séculos, na medida em que a Sua voz é ouvida por meio da proclamação do Evangelho, desde o Dia de Pentecostes - no qual Deus "soprou" sobre os discípulos no Cenáculo e os revestiu do poder do Espírito Santo para que, assim, nascesse o Corpo de Cristo, que é a Igreja - até os nossos dias. Por fim, apesar de que, provavelmente, a tendência é que a oposição e a hostilidade contra os que seguem fielmente a Jesus Cristo seja cada vez maior e mais severa com o passar dos anos, a minha viva e grande esperança é que, mesmo que matem o meu corpo (seja por decapitação pelas mãos de um jihadista, através da fome ou mesmo sob o pretexto de "imunização" contra um vírus mortal), jamais poderão destruir a minha alma, pois "a minha vida está escondida com Cristo em Deus" [Colossenses 3, vs. 3] e, sabendo que Ele ressuscitou para não mais morrer, todos os que foram "gerados de novo pelo Espírito Santo" e estão unidos a Cristo também ressuscitarão um dia para não mais morrerem - assim, todo dia será uma comemoração do nosso "Novo Natal", quando nascemos de Deus para, finalmente, habitarmos com Ele, onde a morte já terá sido derrotada e aquela alegra anunciada pelos anjos no "Gloria in Excelsis Deo" será nossa de uma vez para sempre.

E você? Será que tem dado ouvidos ao real sentido do Natal (que "sopra pelo vento" há 2000 anos)?

Você tem real consciência de si mesmo? Quais têm sido seus referenciais para saber quem você realmente é?

Além disso, será que você tem sido um "falso sábio" e tem ignorado os "loucos" que têm visto os reais inimigos que você tem ignorado por parecerem "loucura" ou "conspiração"?

Finalmente, à Luz do nascimento do Filho de Deus, que foi feito Homem como nós no Primeiro Advento, qual será a sua resposta? Você continuará querendo salvar a sua própria vida (como se fosse possível fazê-lo) ou reconhecerá que somente Ele pode ser o seu verdadeiro Salvador - desde esta vida presente e também na vida futura após o Segundo Advento?



À Sabedoria de Deus, a Adonai, à Raiz de Jessé, à Chave de Davi, à Estrela da Alva, ao Rei das Nações e ao Emanuel, 



Soli Deo Gloria!