quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Neutralidade, originalidade e outras vaidades...

Estou novamente aqui - após dois meses.

Sim, este blog ainda existe - e o meu desejo é que as palavras nele registradas façam jus a essa existência. No mais, enquanto estive ausente, não me ocorreram muitos momentos de inspiração [por assim dizer], porém acredito que, a partir de certos insights pontuais ocorridos, será possível fazer algo que valha o investimento. 

Sem mais atrasos, vamos adiante.

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Este texto será baseado em um pequeno conjunto de idéias relacionadas aos conceitos de neutralidade, originalidade e vaidade, de forma que, inicialmente, os termos serão brevemente apresentados com algumas aplicações subseqüentes de cada um deles e, finalmente, pretendo expor a relação que há entre ambos - espero ter sucesso, afinal.

Neutralidade.

Neutralidade é o substantivo relacionado ao adjetivo "neutro" [ou, na linguagem clássica, é o designativo de substância da palavra atributiva "neutro"], significando basicamente a condição daquele que permanece imparcial ou mesmo "objetividade". Na prática, a neutralidade se manifesta em situações tais como um julgamento de um réu [nesse caso, o juiz deve ser "imparcial" ou "neutro", de modo que deve emitir o seu veredicto sem privilegiar qualquer uma das partes envolvidas], na arbitragem de um jogo de futebol [caso, de certa maneira, análogo ao anterior, visto que o árbitro não pode demonstrar acepção para com um dos times] bem como, por exemplo, numa situação de conflito entre países [a exemplo da Segunda Guerra Mundial, quando os chamados "Aliados" lutaram contra o "Eixo" e países como a Suíça permaneceram "neutros"]. 

Por outro lado, em nossos dias [possivelmente como "nunca antes na história deste país - e do mundo!", parafraseando o demônio Nove Dedos], a neutralidade é alardeada como uma virtude supostamente inquestionável e concretamente possível. Isto é, proclama-se nos textões das redes sociais, em jornais e revistas, nos canais do Youtube, nas salas de aula [ou que, pelo menos, deveriam sê-lo] ou em qualquer outro lugar, em alta voz, abertamente ou nas entrelinhas, que os conceitos que constituem o "novo senso comum" [em outros termos, o "politicamente correto"] são simplesmente "obviedades racionais", sendo auto-justificados automaticamente e imunes a qualquer questionamento ou oposição, uma vez que seus paladinos [assim como os que são influenciados por eles] se dizem "representantes do povo", "defensores das minorias oprimidas", "guardiães do meio ambiente", "protetores dos animais", "a favor dos trabalhadores", "guerreiros da justiça social" e demais títulos genéricos e inócuos que buscam denotar uma falsa "neutralidade", cujo pressuposto é que só é possível existir verdade e bondade onde todos são "neutros". Ou seja, se alguém pertence a um/ou é incluído num determinado segmento social, político, cultural ou religioso [ou seja, se, e somente se for um branco, de descendência européia ou da América do Norte e rico, conservador ou mais alinhado à direita, ocidental e cristão/judeu ortodoxo e praticante], eis então um representante do mal, um sustentador do sistema selvagem, promotor da injustiça social, supremacista racial e ameaça para o progresso do mundo! Ora, ser "neutro é cool" e se aferrar a prerrogativas e a valores retrógrados e obsoletos é coisa de fascista

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Desse modo, resumidamente, a existência de algum pressuposto [qualquer que seja] já implica a ausência de neutralidade, de modo que esta, categoricamente, não é nada além de um mito [no sentido de ilusão, falácia ou fábula]. Aceite isto. 

Originalidade.

Se você, porventura, está lendo esse texto e possui uma boa memória para comerciais de TV, deve se lembrar de uma época em que o Guaraná Antarctica usava o slogan "seja original" ou ainda "o original do Brasil", cuja intenção era convencer o cliente a comprar o produto ofertado por meio do apelo à "originalidade", o que é normalmente atraente às pessoas, já que, à semelhança dos atenienses e freqüentadores do Areópago da época do apóstolo Paulo, a maioria de nós continua "não se ocupando de outra coisa a não ser de saber as últimas novidades". Isto posto, poderíamos conceituar originalidade como o "designativo de substância do atributivo original" ou "o substantivo associado ao adjetivo original", cujo significado é "qualidade do que é inusitado, do que ainda não foi imaginado, inovação, singularidade" ou ainda "capacidade de expressão independente e individual", normalmente relacionado à habilidade criativa. Se pensarmos bem nas palavras presentes nos enunciados acima, a originalidade se revelará algo bastante ousado ou audacioso - ora, singularidade, capacidade de se expressar de maneira independente e imaginação inovadora são características um tanto atrevidas, pois supõem que o possuidor dessa "originalidade" é alguém "diferente das pessoas ou criaturas comuns", "independente de influências externas" e até mesmo um tipo de "criador ex nihilo" - atributos normalmente associados à realidade transcendente ou diretamente a Deus. Ou seja, a não ser que Deus ou qualquer idéia análoga a Ele seja um completo "delírio", a originalidade é, no mínimo, uma cogitação humana assaz pretensiosa

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Em contrapartida, será mesmo que a originalidade existe? 

Será que é possível ser "totalmente inovador" em algum empreendimento, "inteiramente independente" de fatores externos e "exaustivamente singular" enquanto ser humano?

De fato, cada ser humano é, de certo modo, único [pois cada um possui em sua personalidade, aparência, maneira de pensar e modus vivendi atributos/características próprias que o distinguem de todos os demais], no entanto existem muito mais coisas que são partilhadas por todos os seres humanos, sem exceção - todos pertencem à mesma espécie [embora alguns já acreditem ser cavalos ou um gatinho siamês], todos se enquadram nos sexos masculino ou feminino [ideologia de gênero e demais "desconstruções revolucionárias" são uma babaquice cretina - o que você sente a respeito não tem importância alguma, mas apenas a realidade], todos precisam dos mesmos alimentos para sobreviver, apesar dos diferentes gostos culinários e variedades culinárias culturais [quem sobrevive de cenoura e de espinafre são os coelhos e o Popeye, respectivamente - embora eu, particularmente, também goste de legumes e verduras], todos são vulneráveis ao calor e ao frio extremos [não viaje pelo deserto sem muito suprimento de água, pois você não vai se transformar num cacto por se sentir como se fosse um ou, ainda, não visite os Alpes italianos sem estar bem agasalhado, já que também você não é um urso] e, derradeiramente, todos possuem os mesmos questionamentos e inquietações em relação à vida cotidiana, ao que virá no futuro, à descoberta e ao conhecimento do que é a verdade e, desse modo, do propósito das coisas e do que há depois da morte. Ninguém escapa de nenhum desses dilemas, por mais que muitos neguem a relevância deles a todo custo e com toda a veemência. Mais cedo ou mais tarde, você terá que lidar com isso, por bem ou por mal, para bem ou para mal, inevitavelmente. Trocando em miúdos, a originalidade total e absoluta também é uma ilusão, um factóide, nada mais do que um belo sofisma. 

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Vaidade.

Sendo mais direto, vaidade é uma palavra normalmente associada ao cuidado exagerado com a aparência e a beleza estética, todavia este não é o sentido mais acurado da palavra, pois "vaidade" é um termo diretamente relacionado a "vazio", "vácuo" ou "inutilidade", de forma que quando o antigo sábio afirmou "...vaidade de vaidades, vaidade de vaidades! Diz o pregador, tudo é vaidade..." [Eclesiastes 1, vs. 2], ele quis dizer [sob inspiração divina particular] que, no fim das contas, todas as coisas da nossa realidade temporal, visível, tangível, possíveis de serem experimentadas, mensuradas, calculadas e provadas pelos sentidos são restritas ao tempo que passarmos vivos neste planeta e completamente sem nenhum valor permanente - por isso, todas elas são "vãs", "inúteis", corruptíveis ou, na figura usada por ele mesmo, são como "correr atrás do vento". Considerando-se somente um exemplo, uma grande evidência da validade dessa sabedoria é que não houve ninguém, por mais bem-sucedido e próspero que houvesse sido, que levou consigo para o túmulo seu renome, seus grandes feitos e suas riquezas adquiridas em vida, pois tudo ficou para os que ficaram vivos depois dele ou se tornou apenas uma lembrança imprecisa, conforme está escrito:

"...Um homem pode realizar o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas terá que deixar tudo o que possui para alguém que não se esforçou por aquilo. [...]
Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol? 
Durante toda a sua vida, seu trabalho é pura dor e tristeza; mesmo à noite, sua mente não descansa..." [Eclesiastes 2, vs. 21-23]

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Dessa maneira, tendo como base o que já foi exposto, há alguma relação entre os três conceitos rapidamente explanados ou, em outras palavras, será que as famigeradas neutralidade e originalidade "pós-modernas" são inúteis, vazias e vãs? Isto é, elas não passam de vaidades da imaginação humana?

No tocante à neutralidade, abordou-se sucintamente que todos os seres humanos, sem qualquer exceção, vivem com base em pressupostos [ainda que não tenham consciência plena disso ou o queiram negar], de forma que a neutralidade é uma auto-contradição. Além disso, com base no fato de que os já citados "paladinos da neutralidade", em sua prática distintiva [vulgo, em sua militância], são intencionalmente parciais e sectários [uma vez que dividem "todos em nome da união de todos"], cujo sentimento faccioso vem tornando a todos cada vez mais separados uns dos outros, promovendo toda modalidade de "ódio" contra os seus "inimigos políticos e culturais" enquanto vomitam seu veneno ao esbravejarem contra os "discursos de ódio", construindo a própria supremacia ao mesmo tempo que caricaturam o espantalho da "supremacia branca" e outras ações afins, pode-se concluir, inequivocamente, que a neutralidade [em qualquer esfera da vida] é impossível, seja aquela dos referidos "paladinos", seja dos demais

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Contudo, a neutralidade mais enganosa e perigosa, a qual é, coincidentemente, a mais popular entre os seres humanos, é aquela em relação ao mal moral e, em última instância, em relação a Deus - i.e, todos se acham bons em si mesmos ou, no mínimo, neutros em relação a uma maldade intrínseca [essa história de "pecado original" ou de que "eu sou mau por natureza" por causa de uma mulher que comeu um fruto após uma artimanha de uma "cobra falante" é uma piada para alienar idiotas, não é?... eu acredito na ciência!], mas a verdade é que "...não há um justo só na terra, ninguém que só pratique o bem e nunca peque..." [Eclesiastes 7, vs. 20] e que "...da mesma forma que o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram..." [Romanos 5, vs. 12]. Nenhum de nós é neutro em relação ao mal e a Deus - todos pecaram, não há nenhum justo dentre os homens na terra [inclusive eu, inclusive você], de modo que a doutrina do "pecado original" é aquela que é provada como verdadeira todos os dias, pois todos os dias pessoas estão morrendo. Portanto, já que não há neutralidade quanto a Deus, existem apenas duas opções: permanecer sob a condenação divina pela falta de fé em Jesus Cristo [ver João 3, vs. 36], ou ser feito filho de Deus, na medida em que Ele adota, como um Pai amoroso, aos que confessam Seu Filho como Salvador e Senhor [ver João 1, vs. 12 e Efésios 1, vs. 4-5]. Não acredite que eu escrevo essas coisas como se fossem apenas "mais uma perspectiva sobre a vida dentre tantas outras igualmente válidas" - a Palavra de Deus não pode ser tratada como uma "opção dentre várias opções", mas como a "verdade verdadeira", como dizia  Francis Schaeffer. 

E a originalidade?

Nesse sentido, além do que já foi discutido, vale mencionar outras palavras do mesmo sábio, onde se pode ler:

"...Todas as coisas trazem canseira, e o homem não é capaz de descrevê-las; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que não há nada de novo debaixo do sol. 
Haverá algo de que se possa dizer: "vê, isso é novo?" Não! Já existiu há muito tempo, bem antes de nossa época..." [Eclesiastes 1, vs. 8-10 NVI]

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Se um dia você acreditou [como eu acreditei também] ou, talvez, ainda acredita na idéia de que existem "pessoas originais" ou na possibilidade da "originalidade", você está enganado - na vida humana, não é possível atingir um patamar de originalidade absoluta. Por mais inovador que um ser humano possa ser, ou por mais que muitas coisas dos dias hodiernos sejam bastante típicas, sempre haverá um percentual de repetição em tudo aquilo que se faz, que se projeta, que se diz, que se pensa, que se sente, que se cogita ou que se deseja. O ser humano só pode assimilar a realidade por meio de imitação [nesse caso, é necessário uma mediação externa bem como o contato com o mundo externo a si, de maneira que uma "capacidade de expressão independente" não faz sentido algum] e só pode conservar o que apreende da realidade a partir de símbolos [linguagem e língua, conhecimento científico e artístico, valores culturais, religião etc.] que podem ser usados para descrever ou interpretarem a realidade. No entanto, mais importante do que esses pequenos arrazoados filosóficos, é o fato de que, em última análise e sobre qualquer parâmetro, o ser humano só pode conhecer "qualquer coisa de qualquer coisa" por revelação divina, como está escrito:

Pois o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. [Romanos 1, vs, 19]

Isto é, se Deus não possibilitasse ao ser humano a capacidade de conhecer [de forma que o conhecimento daí decorrente não fosse somente possível, mas também verdadeiro e sem equívocos] assim como a possibilidade de que o homem O conhecesse, este não seria em nada diferente de qualquer criatura sem consciência de si ou mesmo seria como uma porta - i.e., em termos técnicos, o que se chama de "epistemologia monergística" [o termo "monergístico" significa, grosso modo, "trabalho de um único"] diz que ninguém conhece nada sobre coisa alguma [muito menos conhece a Deus] a não ser que Ele mesmo assim o queira, até porque Jesus Cristo afirmou explicitamente que "...ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aqueles a quem o Filho o quiser revelar..." [Mateus 11, vs. 27]. Em suma, visto que todos nós dependemos de Deus para conhecer e, assim, para produzir coisas a partir desse conhecimento, somente Deus é "original", pois somente Ele é único e singular em seus atributos [mesmo que alguns desses atributos sejam "comunicáveis", em Deus todos estes são também singulares], somente Ele é independente de qualquer fator externo ou auto-existente e somente Ele criou [e ainda pode fazê-lo] coisas "ex nihilo", sem precisar de nada "pré-existente" para isso, pois uma das promessas do Apocalipse é a de que Ele "...fará novas todas as coisas..." [Apocalipse 21, vs. 5]

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Finalmente, sabendo-se que todo homem é, por natureza, pecador diante de Deus e, por isso, está sob seu juízo [ora, Deus é um ser santo e bondoso e só tolera o mal pela Sua longanimidade, não por conivência] e também que ninguém pode conhecê-Lo sem que haja a intervenção direta de Jesus Cristo como aquele que nos mostra o Deus Pai, não existe neutralidade em relação à verdade quanto àqueles dilemas supracitados - ou nos aproximamos de Deus em arrependimento e fé por meio de Jesus Cristo [o único por meio de quem se pode vir ao Pai] ou, no final de tudo, nos encontraremos com Deus Juiz, que será implacável em sua sentença, não tendo misericórdia de ninguém que desprezou o Seu Filho contumaz e insistentemente. Não existem "caminhos inovadores" ou "novas possibilidades", nem mesmo "religiões modernas originais" que venham superar ou sepultar o "retrógrado cristianismo". Queiramos nós ou não, queria você ou não, gostemos nós ou não, goste você ou não, Deus é real, o pecado atingiu toda a humanidade, todos são igualmente culpados aos olhos de Deus, todos merecem o inferno [começando por mim] mas, contra tudo isso, Deus garantiu um escape permanente para qualquer pessoa que queira vir a Ele - ou seja, Cristo, conforme as sublimes palavras de Charles H. Spurgeon:

"Nada trago em minhas mãos,
Simplesmente me apego à Tua cruz;
Venho nu a Ti, para vestir-me,
Indefeso, busco a graça em Ti!
Sujo, eu corro até a Tua fonte;
Lava-me, Salvador, ou morro!"

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Até quando iremos continuar nos iludindo em nossas vãs imaginações e em nossa suposta "neutralidade" quanto a nós mesmos e no tocante a Deus?

Permaneceremos criar nossos próprios "atalhos" para solucionar nossas inquietudes [ora, seja original!] e ignorar o Único Caminho, sem rogar pela Vida?

Talvez esse texto tenha algum efeito em algum leitor mas, se isso ocorrer, que seja unicamente para que Deus tenha a primazia, como acertadamente disse João Calvino: "...para nós, só a glória de Deus é legítima; fora de Deus só há mera vaidade...".





Pela certeza de que, nEle, tudo é plenitude,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Wrong is the new right?

Já se passaram quase dois meses mas, finalmente, pude voltar aqui.

De fato, a razão principal pela qual não escrevi nesse intervalo foi a falta de inspiração mais do que, talvez, a ausência de tempo - embora a rotina tem sido atarefada, como de costume. Dessa forma, sem mais atrasos, vamos ao que interessa [ou pelo menos deve ser interessante].

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O título desse texto faz referência a uma frase que vi recentemente numa camisa, a qual traduzida significa "o errado é o novo certo". No entanto, decidi fazer uma pequena provocação ao converter aquela afirmação numa pergunta, sobre a qual pretendo expor breves reflexões e fazer algumas denúncias, nas quais espero ser particularmente feliz e oportuno. Que a "Forza della vita" esteja comigo!

Em primeiro lugar, deve-se reconhecer que a frase "...wrong is the new right..." em si já é uma espécie de provocação - ou, pelo menos, parece ser uma expressão dessa intenção -, visto que, partindo-se do pressuposto de que reside na consciência de cada pessoa a noção ou senso de "certo e errado" [incluindo quem concorda com a frase mencionada], pode-se supor que alguém que usa uma camisa com tais dizeres deve ter o objetivo de mostrar que "não se importa com padrões pré-estabelecidos" ou, de outra maneira, que busca viver de um modo "revolucionário", pelo qual se possa "subverter esses padrões" para atingir um novo estágio - um tipo de "admirável mundo novo" [como diria Aldous Huxley], ou, nas palavras de ordem tão típicas de nossa sociedade "monótona" [i.e., onde todos cantam a mesma letra no mesmo tom], um "mundo de todxs e para todxs, onde todxs serão livres para ser o que quiserem ser", como diz o "Boticário", ou remontando ao exemplo do pokémon Eevee, que poderia evoluir para três formas distintas a depender da situação. 

Portanto, será que podemos dizer com propriedade que estamos num processo de "progresso social crescente", pelo qual tudo o que houve no passado se tornou obsoleto? Ou, fazendo jus ao tema, podemos afirmar que "...o errado é o novo certo..."?

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A esse respeito, vale salientar que o pensamento de que "...o errado é o novo certo..." nada mais é do que um "novo padrão" que é estabelecido para substituir um anterior, de maneira que, na prática, ninguém vive à parte de padrões ou fundamentos de conduta, sejam eles quais forem, como se uma "neutralidade absoluta" [à qual se confere uma aura de "virtude inata"] fosse factualmente possível.

Em outras palavras, a mentalidade segundo a qual "os padrões existentes devem ser desconstruídos para que haja liberdade total para todos num mundo sem padrões quaisquer" - o que pode ser associado ao conceito de "inversão revolucionária", aplicado atualmente de maneira tóxica e em escala global pelos proponentes do Marxismo Cultural [bem como pelos que nem tem idéia do que isso significa; i.e., a grande maioria] - se tornou o "novo senso comum" ou o "novo óbvio racional", de tal sorte que qualquer refutação contrária [não importa se falsa ou coerente] a essa nova "verdade absoluta" [ainda que "tudo seja relativo"] é automaticamente seguida dos carinhosos adjetivos de "fascista, racista, machista, homofóbico, xenófobo, islamofóbico, gordofóbico, epistemicida etc." e tantos quantos a novilíngua reinante vier a criar

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Ou seja, no fim das contas, a busca pela "liberdade total para todos, sem exceção e a todo custo" sempre vai resultar na intolerância dissimulada, no controle da linguagem e do pensamento, na formatação hegemônica da sociedade e no totalitarismo "em nome da democracia e do respeito às diferenças" - contanto que os diferentes sejam "iguais a eles". Nesse ínterim, são pertinentes as palavras do compositor brasileiro Renato Russo, que certa vez disse que "...nos querem todos iguais, assim é bem mais fácil nos controlar...", para "...mentir, mentir, mentir, e matar, matar, matar...". Ora, o legado do comunismo no século XX bem como os efeitos do "politicamente correto" nos tempos atuais são a prova incontestável disso.

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Por tudo isso, "algo de errado não está certo". Mas "o quê", exatamente?

Nesse contexto, a primeira coisa a se considerar é: se é impossível, em termos práticos, viver como se não existissem absolutos ou padrões que regem o pensamento, a vontade, os anseios e a conduta humanos, quais padrões deveriam ser adotados e levados em conta? Como saber que determinados padrões são legítimos em si mesmos e que outros padrões devem ser rejeitados?

A única resposta aceitável para essas perguntas deve partir, obrigatoriamente, do reconhecimento de que deve existir algum referencial absoluto e auto-justificável, o qual não depende de nada externo a si para subsistir nem de qualquer aprovação externa para ser convalidado - ou seja, esse referencial deve ser perfeito em si mesmo, auto-existente, não influenciado por fatores exteriores, imutável e permanente. Se pensarmos corretamente, chegaremos à conclusão de que a descrição deste "referencial" é bastante próxima de uma idéia básica de Deus, porém não de uma divindade qualquer, mas do Deus único revelado na Bíblia, como está escrito:

Ouve, ó Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é único. [Deuteronômio 6:4]

Eis que Deus é excelso em Seu poder; quem é ensinador como Ele?
Quem Lhe prescreveu o Seu caminho? Ou quem poderá dizer-Lhe: "Tu praticaste a injustiça?" [...]
Eis que Deus é grande, e nós não O compreendemos, e o número de Seus anos não se pode esquadrinhar. [Jó 36, vs. 22-23 e 26]

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo o Senhor dos céus e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens,
E nem é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa, pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. [Atos 17:24-25]

No princípio, Senhor, Tu firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das Tuas mãos.
Eles perecerão, mas Tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas.
Tu os enrolarás como um manto, como roupas eles serão trocados. Mas Tu permaneces o mesmo, e os Teus dias jamais terão fim. [Hebreus 1:10-12]

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Dessa forma, com base na realidade da existência de Deus - ou, melhor dizendo, sabendo-se que Deus é real e o sustentador da realidade -, devemos refletir sobre o que a existência de Deus [neste caso, de um único Deus verdadeiro, conforme a Bíblia] implica no tocante a quais padrões são válidos e quais devem ser combatidos ou descartados. Ora, talvez você possa dizer: "...tudo bem, eu posso até considerar a existência de Deus, mas isso não quer dizer inevitavelmente que existam padrões ou algo como "o certo versus o errado"... Será? 

A partir dos textos bíblicos supracitados, podemos perceber que Deus se revela como o Senhor e como Deus único [i.e., qualquer religião, ideologia ou filosofia de vida que não promova a adoração total e exclusiva a Ele é falsa]. Além disso, Ele é revelado como Deus "todo-poderoso", cuja sabedoria é sobremodo excelente e cujo conhecimento é insondável para a mente humana, de modo que não foi necessário que ninguém O ensinasse sobre coisa alguma nem se deve ousar atribuir qualquer injustiça a Ele, visto que "Deus é Luz e nEle não há treva alguma". Finalmente, os outros dois trechos afirmam que Deus não precisa da ajuda do homem para coisa alguma, visto que Ele mesmo é quem dá a todos a vida e as demais coisas - isto é, a criação como um todo "...vive, se move e existe nEle..." - bem como que mesmo as coisas criadas não durarão para sempre, pois somente Deus é eterno e imutável. Em suma, a única possibilidade que qualquer leitor desse texto possui para ignorar o que foi dito é que a Bíblia seja uma grande farsa - nesse caso, ou os cristãos [e, de certo modo, também os judeus] estão enganando e sendo enganados há séculos, ou todos os demais estão se enganando. Certamente, cada um de nós está em um desses dois grupos.  

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Isto posto, considerando-se que a Bíblia seja verdadeira [conforme está escrito nela mesma, onde se lê que "...a Tua Palavra é a verdade..." - João 17:17], não somente os versículos mencionados devem ser levados a sério, mas a Bíblia como um todo, pois também está escrito que "...toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça..." [2 Timóteo 3, vs. 16], de cujas palavras pode-se concluir que Deus é um Deus de padrões, valores e preceitos, os quais Ele fez questão de que fossem registrados numa linguagem acessível às Suas criaturas racionais para que estas os praticassem - não apenas exteriormente, mas com um coração puro, pois "...o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor atenta para o coração..." [1 Samuel 16:7b]. 

Resumidamente, se a Palavra de Deus é a verdade e, como resultado, tudo o que ela revela a respeito dEle é verdadeiro, quaisquer padrões que não sejam conformados ao que essa Palavra prescreve [seja sobre Deus, sobre o homem, sobre a criação, sobre a realidade, sobre a salvação ou sobre a eternidade etc.] devem ser combatidos e descartados. Ora, G. K. Chesterton já dizia que "...o homem foi feito para duvidar de si mesmo, e não para duvidar da verdade", e o professor Olavo de Carvalho também afirma que "...apenas os idiotas procuram ter 'idéias próprias'; os sábios querem ter as idéias verdadeiras...".

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Finalmente, se não é suficiente a nenhum homem apenas se acomodar aos "padrões divinos" no aspecto exterior, mas, ao contrário, todo homem deve abraçar a verdade divina "com todo o coração, alma, entendimento e forças", como é possível a nós, seres humanos - sempre propensos ao mal, egoístas por natureza, insatisfeitos e contumazes, cheios de maquinações perversas, especialistas nas artes da mentira, da dissimulação e do abuso, sedentos de sangue inocente e, mesmo quando são "boas pessoas", ainda assim estão voltados para si mesmos [ou, nas palavras de Agostinho, "incurvatus in se"] - possuir aquele coração puro que pode achar graça diante de Deus? Quer a resposta? Para nós não é possível, "...mas não para Deus; para Deus todas as coisas são possíveis" [Mateus 19, vs. 26].

Salomão, um dos homens mais sábios da história, disse inspirado por Deus que "...quem poderá dizer: purifiquei o coração; estou livre de meu pecado?", denotando que ninguém tem qualquer condição ou habilitação para purificar o próprio coração nem tirar os próprios pecados, o que implica a necessidade urgente e completa de um Redentor, de Alguém que tenha esse poder de purificar corações e de redimir pecados. Em contrapartida, para nossa esperança, está também escrito que "...o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado..." [1 João 1, vs. 7b] bem como que "...Ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nEle não há pecado" [1 João 3, vs. 5]. Isto é, não há esperança alguma para o homem pecador, seja de purificação ou de perdão, fora de Jesus Cristo, tanto antes de se crer nEle como Filho de Deus e Salvador dos homens, quanto depois de se crer, pois somente Cristo "...pode salvar perfeitamente os que por meio dEle se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles..." [Hebreus 7:25], pelo que pode-se concluir que, enquanto estivermos nessa condição humana e sujeita ao efeitos do mal e do pecado, jamais poderemos confiar em nós mesmos para sermos aceitos como justos perante Deus, a não ser que nossa fé e confiança esteja exclusiva e totalmente depositada em Jesus Cristo, que "...veio buscar e salvar o que se havia perdido" [Lucas 19, vs. 10]. 

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Dessa maneira, até quando continuaremos a ser ludibriados com idéias inócuas [ou mesmo cretinas] como a de que "...o errado é o novo certo...", quando se sabe dentro da consciência de que existe "verdade e mentira"?

Além disso, sabendo que a verdade não está "dispersa pelo ar" mas sim precisamente localizada, porque não dar a atenção devida a essa "verdade revelada"?

Sabendo que essa verdade revelada está num livro, e que nesse livro se lê que a verdade também é uma pessoa [i.e., Jesus Cristo], olharemos para Ele para sermos salvos de nossa condição ou continuaremos desprezando Aquele que Deus enviou ao mundo para salvar os pecadores? 

Finalmente, para aqueles que já abraçaram o Evangelho, até quando nos permitiremos ser seduzidos por pensamentos de que temos alguma parte na aceitação e justificação diante de Deus, enquanto as Escrituras dizem que tudo isso vem da Graça e é recebido pela fé nos méritos de Cristo?




Pela certeza de ser firmado no caminho certo,




Soli Deo Gloria!