Como de costume, estou de volta após alguns meses de ausência.
Muitas coisas aconteceram desde o último texto (publicado entre a Semana Santa e a Páscoa) e, dentre todas elas, a que mais está em evidência são as eleições gerais no Brasil, cujo 1° turno já havia sido concluído no momento em que escrevo esta introdução.
Contudo, embora os rumos políticos do país estejam em "primeiro lugar nos trend topics" dos últimos meses (para usar uma linguagem típica das redes sociais e, especialmente, do Twitter/X), há um assunto mais importante que deve atrair a nossa atenção e que sempre aparece nesse blog todo mês de outubro: a recordação da Reforma Protestante, a qual modelaria não somente a vida religiosa da Europa (e, por extensão, dos países ditos "ocidentais"), mas a cultura desses países e, consequentemente, a política deles.
Diante disso, sabendo que o universo político é um ambiente marcado por paixões intensas (e, muitas vezes, desordenadas) e, por isso mesmo, fomenta diferentes formas de "idolatria" e de "esperança escatológica", é mais do que urgente "colocar as coisas em seus devidos lugares" - principalmente para os que professam fé em Jesus Cristo e se reconhecem como servos Dele.
Assim, creio que as "velhas verdades" resgatadas durante a Reforma são o antídoto para as duas grandes "enfermidades" presentes na nossa relação com a política - a saber: 1) a "fé metastática" característica dos movimentos revolucionários (como diria o filósofo alemão Eric Voegelin), pela qual os "militantes" e demais "agentes da revolução" se colocam "acima do bem e do mal" e, como resultado, utilizam "todos os meios necessários" para atingir seus objetivos e 2) a "apatia política" transfigurada de virtude moral ou religiosa, a partir da qual a indiferença intencional frente aos males temporais é justificada com base em ideais de "separação do mundo" ou numa "concepção exclusivamente espiritual" do reino de Deus, a qual contrastaria com os "reinos do mundo".
Portanto, esse texto buscará responder às seguintes perguntas:
1) Por que a política assumiu tamanho protagonismo na mentalidade e no modo de vida da sociedade nos últimos séculos? O que seria essa "fé metastática" dos revolucionários e por que ela é tão perigosa?
2) De que maneiras a apatia política se manifesta e por que ela parece tão "espiritualmente atraente"?
3) Como as ideias e fundamentos da Reforma Protestante dialogam com a política? Por que esses fundamentos seriam a "melhor alternativa" tanto em face da "loucura" quanto da "inércia política"?
4) Finalmente, como um evento ocorrido há cerca de 5 séculos (e.g., entre os séculos XV e XVI) pode nos ajudar a "reordenar nossos afetos e paixões" e, assim, nos libertar da "servidão aos dominadores deste mundo" para que encontremos a verdadeira liberdade no "único Senhor de tudo e de todos"?
Para descobrir essas respostas, faço a mesma súplica de Bach: "Jesu, Juva!" (i.e., "Jesus, ajuda-me")!
A compreensão do "protagonismo da política" na sociedade bem como dessa "fé metastática" exige uma correta visão do ser humano (i.e., sua origem, natureza e propósito) e do andamento da história, uma vez que esta é, em grande medida, o testemunho concreto da vida e das ações humanas ao longo do tempo e no espaço. Logo, embora existam diferentes concepções acerca do homem (cf., "antropologias"), todas lidam com as seguintes realidades:
a) o ser humano não é autoexistente nem autossuficiente e, por isso, vive numa busca constante por "pertencimento" e "plenitude";
b) essa busca é uma espécie de "sentimento religioso" que perpassa todas as épocas, etnias e culturas, o que aponta para a sua origem divina (enquanto criatura inteligente) e o seu propósito (i.e., a relação com o transcendente);
c) finalmente, as diversas manifestações religiosas, as correntes filosóficas e, mais recentemente, as ideologias políticas são, de algum modo, tentativas de obter uma "apropriada consciência de si próprio" e, ao mesmo tempo, de descobrir qual seria o "sentido" da existência, da vida ou, ainda, da própria história.
Portanto, é impossível entender com clareza a supervalorização da política por parte do homem moderno (ou pós-moderno, ou hipermoderno etc.) sem reconhecer a dimensão metafísica/religiosa da natureza humana. Dessa forma, o "protagonismo político" em questão é, fundamentalmente, a substituição de uma "religião fundamentalmente transcendente" centrada nas "coisas eternas e invisíveis" por uma "religião puramente imanente", a qual é baseada nas "coisas transitórias e visíveis". Destarte, a maneira pela qual os seres humanos passam a lidar com a ordem social e com seus respectivos rumos envolve uma devoção tal que, muitas vezes, suplanta o fanatismo dos religiosos convencionais (e.g., o terrorismo islâmico, alguns ambientes politeístas etc.). Nesse sentido, a "fé metastática" é, de facto, uma "fé" (ou mesmo um tipo de "evangelho alternativo"), cujos arautos se mostram convictos de que é EXCLUSIVAMENTE por meio deles e dessa "nova fé" que anunciam que o mundo presente será "transformado" em um "mundo melhor" ou, conforme diz certo hino, em "uma terra sem amos" ou "sem senhores".
Entretanto, a história recente mostra, de forma incontestável, que essa "fé metastática" não produziu "terras sem amos nem senhores", mas exatamente o contrário. Ou seja, dela emergiram os regimes políticos mais sanguinários e cruéis de toda a humanidade, com seus campos de concentração e extermínio, seus genocídios pela fome e pela carestia, sua implacável perseguição política e religiosa, sua infiltração dissimulada nas estruturas políticas por todo o mundo e, obviamente, sua falsificação sistematizada e quase onipresente da verdade e da história. Em suma, nada é mais destrutivo do que uma "convicção resultante do autoengano" com verniz de uma "suposta autoridade divina", visto que o mal advindo dessa mentalidade SEMPRE SERÁ IRREFREÁVEL e ILIMITADO - assim como um "câncer em metástase" - e, por isso, todo cuidado é pouco diante de "paixões desordenadas" disfarçadas de "boas intenções".
Em contrapartida, por quais motivos a "apatia política", a qual é diametralmente contrária à "fé metastática", também parece tão espiritualmente atrativa a tantos dentre nós?
A estrutura da realidade é baseada na existência de opostos - e.g., céus e terra, dia e noite (cf., luz e escuridão), mares e continentes, bem e mal, vida e morte etc. -, de forma que as pessoas se inclinam para/seguem objetivos que, diversas vezes, são antagônicos entre si (como sempre vemos, por exemplo, durante a época eleitoral). Logo, a "apatia política" é a atitude mais comum daqueles que, cansados de sucessivas frustrações decorrentes da corrupção, da injustiça, da impunidade e do cinismo criminoso dos que deveriam "servir ao povo em vez de servirem-se dele", não mais esperam que a sociedade "enxergue sua própria decadência" e, assim, consiga superá-la (ou mesmo que haja alguma solução para essa "sociedade arruinada").
Nesse sentido, o sujeito que se define como "apolítico" (i.e., avesso ou desvencilhado da política) pode julgar-se superior aos "sujeitos politizados" (independentemente do espectro ao qual estes pertençam), uma vez que não parece ser movido por "paixões histéricas" ao ponto de ignorar os fatos em nome de uma visão política específica - o que é bastante comum entre os "politicamente mais engajados". Como resultado, essa "indiferença política" se mostra ainda mais atraente quando comparada com a famigerada "polarização" - ora, quem deseja ser visto como "extremista" se é possível parecer "moderado" e "equilibrado"? -, a qual acaba por fomentar, de modo bastante irônico, um novo "fetiche sócio-político": o fetiche da moderação, temperado com pitadas de "prudência e sofisticação", pelo qual o "suprassumo da virtude" consiste em "não ter lado definido" (já que ambos seriam supostamente "equivalentes") ou ainda em "simular sobriedade" através de caricaturas artificiais, tais como:
"...Existe a esquerda, existe a 'direita' (sic) e existe o 'bolsonarismo' - logo, a 'verdadeira direita' é 'anti-bolsonarista' e, por isso, é uma 'direita democrática'...".

Apesar desse texto não ser um "panfleto eleitoral" de nenhum dos candidatos que ainda disputam a presidência no Brasil (hoje, dia 17 de outubro), é curioso notar como muitos que sempre se portam de modo radical e impiedoso contra os seus "adversários políticos" chamando-os de FASCISTAS, GENOCIDAS, NEGACIONISTAS, NAZISTAS, RACISTAS, MISÓGINOS, ANTI-CIÊNCIA, TORTURADORES, PORCOS CRISTÃOS etc. (e, muitas vezes, agem com VIOLÊNCIA FÍSICA contra esses "inimigos"), agora vestem a "fantasia da simpatia" e até fingem possuir "piedade religiosa" para "virar voto" sob o pretexto de salvar a "democracia", preservar os "direitos" dos trabalhadores, das mulheres e até dos alienígenas etc. como se todos fossem imbecis e não soubessem QUEM ELES REALMENTE SÃO. Portanto, se a "apatia política" tem se tornado cada vez mais "agradável aos seus olhos" ou "desejável para lhe dar entendimento", possivelmente você está sob o feitiço do "fetiche da moderação" e, desse modo, apenas uma "magia ainda mais profunda", de "antes da aurora do tempo", será capaz de libertá-lo de sua prisão intelectual e espiritual. Consequentemente, você enfim poderá "ver as coisas como elas são" e saberá discernir entre o "engano dos feiticeiros vermelhos" (que agora se disfarçam de "verde e amarelo" e nos oferecem o "manjar turco da democracia") e a verdade que vem do Grande Rei, o Leão-Cordeiro, o "Filho do Imperador de Além-mar" e de tudo quanto existe.
Agora que estamos mais familiarizados com os males da "fé metastática" e da "apatia política", o que a Reforma Protestante teria a ver com isso? De que maneiras as ideias e fundamentos da fé (ou da espiritualidade) reformada podem ser úteis em nossa relação com a política? E por que tais fundamentos e ideias seriam a melhor solução para os problemas já mencionados?
Em primeiro lugar, a expressão "Reforma Protestante" é um tipo de síntese simplificada de diversas "reformas protestantes" (por assim dizer) que ocorreram na Europa no século XVI, cujo ambiente já estava sendo preparado desde o século XII (e, mais particularmente, no século XV). Essas "reformas" foram uma reação multifacetada a diferentes desmandos e desvios da Igreja Romana (i.e., católica) ao longo de todo o período medieval, especialmente nos âmbitos teológico, institucional e político. Assim, dentre tantos elementos que poderiam ser destacados nessa discussão, apenas um é suficiente para o argumento do texto: no pensamento teológico reformado, Deus é Senhor de todas as coisas e, por isso, possui autoridade sobre toda a realidade (visto que é Seu Criador e Sustentador), de tal maneira que a ordem social ou a "coisa pública" - lat., res publica - também está sob Seu domínio e deve ser caracterizada pela justiça, pela liberdade, pela harmonia entre os cidadãos e pela "promoção do bem comum" em todas as dimensões da vida (e.g., física, moral, social e espiritual).
Portanto, uma vez que Deus seria (e é!) a "Fonte de todo bem, de toda beleza e de toda verdade", os protestantes envolvidos na Reforma entendiam que uma sociedade só pode ser enobrecida e dignificada, tornando-se próspera, civilizada e livre se Deus for devidamente temido e adorado, de modo que a Sua Palavra seja fielmente proclamada e estimada pelo povo e a igreja (enquanto representante de Cristo, na medida em que ensina e pratica o que dizem as Sagradas Escrituras) seja a "consciência profética do poder civil/Estado" - neste caso, sem se misturar a ele ou cooptá-lo, mas ao atuar como um agente de promoção da verdade divina e do bem da sociedade bem como ao denunciar os pecados sociais a fim de que o Estado não se torne injusto ou tirânico.
Nesse sentido, é razoável concluir que, quando Deus é reconhecido como Ele realmente é (e.g., o Rei soberano, Aquele que está acima de todos) e passa a ser reverenciado de acordo com a Sua excelência e dignidade, não existe espaço para quaisquer religiões ou ideologias que possam usurpar o lugar devido somente a Ele. Logo, a "fé metastática" dos revolucionários e o seu "simulacro de evangelho" (segundo o qual a "redenção do mundo" virá através da "subversão total de toda a ordem existente" visando o estabelecimento de uma "nova ordem" para uma "nova humanidade") só podem ser adequadamente combatidos através do "Evangelho com E maiúsculo", por meio do qual todos que tem "olhos para ver" e "ouvidos para ouvir" conhecem o único e verdadeiro "Redentor de todas as coisas", o Qual "por nós e para nossa salvação" desceu dos céus e encarnou, assumindo a forma de servo e tornando-se semelhante aos homens, humilhando-se a Si mesmo e sendo obediente até a morte - e morte de cruz (vide Filipenses 2, vs. 6-8). Em suma, sem o Evangelho e sem Cristo, todos podemos adotar a nossa própria forma de "fé metastática" mas, onde os ventos do Evangelho sopram, todas as muralhas da rebelião e da soberba humanas são feitas em pedaços e todos os "punhos cerrados e voltados ao alto" se rendem ao "Senhor dos céus e da terra".
Além disso, se Deus governa toda a realidade conforme a Sua vontade e providência, Ele também é o SENHOR DA POLÍTICA e, portanto, os que dizem crer Nele e confessam o Seu nome não podem relegar essa esfera da existência humana àqueles que não O temem e O odeiam - como tem sido feito nas últimas décadas - ou mesmo apoiar abertamente os que demonstram, de forma evidente, ser "inimigos da cruz de Cristo" (ver Filipenses 3, vs. 18). Isto é, a "apatia política" (sobretudo quando inclui indolência diante do mal) é um pecado e, por isso, deve ser confessado e abandonado para que Deus conceda graça e perdão. Diante disso, o dever consciente e honroso do cristão é atuar politicamente (seja nas eleições, seja no cotidiano) com a Palavra de Deus no coração e em punho, sem iludir-se com falácias tais como "política é coisa do mundo e não de crente" ou "já que vamos morar no céu, por que nos importarmos com a terra?" etc., mas "praticando o bem para silenciar a ignorância dos tolos", "vivendo em liberdade como servos de Deus" e, em todas as circunstâncias, "fazendo tudo para a glória Dele" (vide 1 Pedro 2, vs. 15-16 e 1 Coríntios 10, vs. 31), o "Deus Todo-poderoso".
Finalmente, ainda resta uma pergunta a ser respondida (neste caso, a mais importante): como a Reforma pode nos inspirar a "reeducar os nossos afetos" - cf., o "ordo amoris" de Agostinho de Hipona - a fim de sermos libertados da "escravidão aos senhores do mundo" para sermos conduzidos à "liberdade da glória dos filhos de Deus" (vide Romanos 8, vs. 21)?
Como vimos anteriormente, todo ser humano é religioso e, por isso, ele sempre adorou, adora ou adorará alguma coisa ou pessoa, seja esta digna ou não de sua adoração. Assim, de acordo com as Sagradas Escrituras, Deus fez o homem para o "louvor da Sua glória", mas a partir do "pecado original" registrado em Gênesis 3 (e.g., a desobediência de Adão e Eva no Éden), esse propósito deixaria de ser seguido e o ser humano abandonaria a Deus para viver segundo bem lhe parecia.
Nesse contexto, pode-se notar que, em diferentes civilizações e culturas, o poder temporal e o poder espiritual estiveram intimamente unidos por diversas vezes, de forma que a) faraós egípcios eram considerados "deuses-reis" (e.g., a personificação humana do deus Hórus, o filho de Osíris e Ísis), b) outros povos antigos possuíam "reis-sacerdotes" que detinham simultaneamente a autoridade espiritual e civil sobre o povo e, já na Idade Média, c) a própria Igreja Romana arrogou para si o direito de exercer ambos os poderes em nome do próprio Deus. Portanto, a usurpação da glória divina é, essencialmente, a expressão máxima da impiedade humana (muito embora tal impiedade assuma diferentes facetas no decorrer da história), cujas manifestações mais recentes podem ser claramente vistas no "espírito político de nosso tempo" - e.g., um novo "zeitgeist" -, segundo o qual líderes, presidentes e até ditadores encarnam o "imperativo categórico" (como talvez diria Kant) ou a figura do "Príncipe Moderno" (nos termos de Antonio Gramsci) e, por isso, eles seriam não somente "regentes da sociedade" mas também "mediadores autônomos do bem, da moral e da justiça" e, por isso, toda contestação à sua autoridade deve ser combatida implacavelmente como se fosse um "mandamento divino".
Diante dessa realidade, as seguintes palavras do profeta Isaías são mais que oportunas:
"...Ó SENHOR nosso Deus, outros senhores além de Ti nos têm dominado, mas só ao Teu nome honramos..." (Isaías 26, vs. 13)
Esse trecho das Escrituras aparece num cântico de louvor e de reconhecimento da proteção e da salvação divinas manifestas ao Seu povo, mas que também inclui um tom suplicante proveniente do desejo pela glória e pelo renome de Deus bem como para que os que não O temem sejam julgados por seus pecados. É exatamente durante essas súplicas que as palavras acima são mencionadas, o que aponta para o elemento de lamento do texto profético, o qual é seguido de uma confissão de fidelidade e de lealdade exclusiva a Deus apesar da hostilidade dos "outros senhores que os têm dominado".
Se observarmos bem, muito da história do povo de Deus tem sido marcada pela "dominação de outros senhores" - tanto no tempo do Israel antigo/bíblico como durante a "dispensação da Igreja" etc. -, quando muitos povos invasores oprimiram a nação escolhida (egípcios, cananeus, assírios, caldeus, medo-persas, gregos, romanos etc.) e, posteriormente, os que criam/creriam em Cristo ao longo de quase 21 séculos (seja mais, seja menos). De modo análogo, esse mesmo princípio pode ser aplicado a nossos países e, em especial, com respeito ao Brasil, uma vez que são raros os momentos de nossa história (desde a nossa Independência em 1822) nos quais a nação brasileira teve governantes notáveis (p. ex., Dom Pedro II) ou que, pelo menos, eram honrados e procuraram o bem da "pátria amada". Por tudo isso, num momento em que quem HOJE nos "desgoverna" (e, após a PATIFARIA do último dia 25 de outubro, continuará no poder por mais 4 anos) outrora confessou "admirar a audácia de Hitler" numa entrevista para uma revista adulta/erótica, esteve (E AINDA ESTÁ!) diretamente envolvido nos maiores escândalos de corrupção sistêmica do mundo, manteve (e ainda MANTÉM) alianças com diversas DITADURAS, MOVIMENTOS TERRORISTAS e REGIMES ASSASSINOS (e.g., China, Irã, Coreia do Norte, Nicarágua, Venezuela, Rússia, Hamas, Al Qaeda, Hezbollah etc.) dentre outros incontáveis crimes dentro e fora do país, está na hora daqueles que "honram tão-somente ao nome do Deus verdadeiro" voltarem o seu olhar para Ele, uma vez que Ele "estabelece a paz para os que Nele confiam" (vs. 12) e "humilha os que habitam nas alturas" (vs. 5) mas se julgam "intocáveis".
Os emblemáticos versos de Dante Alighieri na Divina Comédia (Inferno, Canto III) - a saber, "...Abandonai toda esperança, ó vós que entrais..." - descrevem perfeitamente o meu estado de alma ao pensar na realidade sócio-política da civilização ocidental em geral (e do Brasil em especial), visto que os criminosos ficam "sem castigo" e os inocentes são castigados, a "cultura" foi transformada num espetáculo podre e decadente, a educação se tornou a principal arma de manipulação das massas e do fomento do ódio assassino "em prol da democracia", a justiça desapareceu da estrutura social para dar lugar à "psicopatia totalitária institucional" e, por fim, a própria religião cristã foi engolida pelas "utopias políticas", de modo que a verdadeira espiritualidade baseada nas Escrituras é uma "ameaça" a ser corrompida até que seja aniquilada.
De certa forma, "abandonar toda a esperança" quanto a alguma "melhora na política nacional" pelos próximos 30-40 anos é minimamente sensato ou até bastante compreensível. Todavia, o cristão verdadeiro é (ou deve ser!) "piedosamente intransigente" e, por isso, ele é chamado por Deus a "crer contra a esperança" (ou a falta dela, por assim dizer - ver Romanos 4, vs. 18), uma vez que Deus "...ressuscita os mortos e chama as coisas que não existem como se já existissem..." (cf., Rom. 4:17). Tal "piedade relutante" se fundamenta, acima de tudo, nos atos salvadores de Deus realizados em e por Jesus Cristo, "...o único Mediador entre Deus e os homens..." (1 Timóteo 2, vs. 5), de Quem recebemos uma justiça infinita "...pela fé, e não por obras da Lei..." (Gálatas 2, vs. 16), por meio do Qual "...obtivemos acesso à graça na qual estamos firmes..." (Romanos 5, vs. 2), enviado a nós para cumprir "...tudo o que estava escrito a Seu respeito na Lei, nos Profetas e nos Salmos..." (Lucas 24, vs. 44) e que "...consumou a obra que Lhe foi confiada pelo Pai para a Sua glória..." (João 17, vs. 4).
Isto é, se todas essas afirmações bíblicas são confiáveis (o que realmente são!), não há mal que triunfe de forma definitiva, não há injustiça que não seja punida, não há culpado que escape da sua merecida condenação, não há inocente que não receba a sua vindicação, não há poder humano que prevaleça perante a força invencível Daquele que "julga e guerreia com justiça" (Apocalipse 19, vs. 11) e não há nenhum justificado, que padeceu (ou padece) sob a tirania dos "senhores do mundo", que não venha a ser completamente libertado dessa condição para alcançar, de uma vez por todas, a liberdade de viver plena e eternamente para o "Senhor dos Senhores". Assim, está escrito que Ele, muito em breve, "...virá e não tardará..." (Hebreus 10, vs. 37) para, enfim, destituir toda autoridade, potestade e domínio e colocar "...todos os Seus inimigos debaixo de Seus pés..." (Salmo 110, vs. 1) - sejam estes COMUNISTAS, MUÇULMANOS, GLOBALISTAS etc. ou até mesmo aqueles que, direta ou indiretamente, têm sido cúmplices dessa degeneração mediante sua "militância perniciosa" ou pelo seu "voto inconsequente".
Por tudo isso, embora Deus seja soberano sobre todas as coisas e circunstâncias (incluindo a existência do mal e das calamidades), nenhum de nós deve ousar atribuir a Ele qualquer injustiça como se Ele fosse, dolosamente, o "autor do pecado". Desse modo, a omissão diante das responsabilidades que recebemos de Deus, sob o pretexto de que "a vontade Dele sempre se cumpre e é a melhor", é PECADO, pois "...aquele que sabe fazer o bem e não o faz, nisso comete pecado..." (vide Tiago 4, vs. 17). Para ser ainda mais claro, afirmo sem medo: TODO cristão que apoia ou tem apoiado partidos (ou políticos) comunistas/socialistas/progressistas, esteja consciente de todas as implicações desse apoio ou não, TEM PECADO/PECA CONTRA DEUS - ou você realmente acredita que a "liberdade cristã" nos autoriza a pensar segundo a "mente do mundo" e não conforme a "mente de Cristo"? - e, se tais "cristãos" NÃO SE ARREPENDEREM URGENTEMENTE de contaminar as próprias mãos com o sangue dos assassinados por narco-terroristas, dos bebês abortados, das crianças sequestradas por traficantes sexuais e também dos que são perseguidos e massacrados por causa de sua fé em Cristo etc., a ira de Deus lhes sobrevirá de forma implacável.
Ora, é evidente que "...não há condenação para os que estão em Cristo Jesus..." (vide Romanos 8, vs. 1), mas estes "...NÃO ANDAM SEGUNDO A CARNE, MAS SEGUNDO O ESPÍRITO..." (vs. 4) e, portanto, apresentam o Seu fruto, se inclinam para o que concede vida e paz e, como resultado, andam em "...toda a bondade, justiça e verdade..." (ver Efésios 5, vs. 8-9) a fim de aprovar o que é agradável a Ele. Logo, esqueçam, de uma vez por todas, a tolice de que "o cristão pode votar em quem quiser" - NÃO, ELE NÃO PODE E NEM DEVE! -, pois toda a vida de quem confessa a Cristo está A SERVIÇO DELE e, dessa maneira, a expressão política direcionada à promoção da impiedade e da injustiça traz condenação, a qual é ainda maior/pior para aqueles que pecaram/pecam conscientemente.
Em contrapartida, também é notório que todo cristão piedoso não deve esperar a "redenção de toda a realidade" das mãos de nenhum político ou sistema humano (por mais íntegros e benéficos que ambos sejam, visto que esse lugar pertence unicamente a Cristo), porém ele é responsável por usar os meios que Deus lhe fornece (informação, inteligência, sensatez, honestidade moral, as Escrituras, as boas teologias e a boa tradição cristã etc.) para fazer o que precisa ser feito em prol do bem-comum e do "florescimento humano". É, então, exatamente aqui que a "herança reformada" se mostra valiosa, a saber: todo discípulo de Cristo é cidadão de DUAS CIDADES (e.g., a "Cidade dos Homens", na qual é peregrino, e a "Cidade de Deus", que é o seu verdadeiro destino) e, dessa forma, ele vive a vida presente coram Deo (i.e., como diante da face de Deus) em todo o seu proceder até que, enfim, termine a sua jornada e adentre "o seu verdadeiro e eterno lar", uma vez que "...não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir..." (ver Hebreus 13, vs. 14). Ou seja, quem realmente pertence à "Cidade Celestial" vive como um "nascido em Sião" (vide Salmo 87) enquanto ainda está fora dela e, assim, age como "sal da terra e luz do mundo" a fim de emanar a luz divinamente recebida e conservar o mundo ao redor da sua deterioração. Logo, é imperativo opor-se contra todo mal disfarçado de bem (e.g., a marca principal dos revolucionários), mesmo que isso custe reputação, popularidade, os bens e até a própria vida.
Portanto, existem apenas duas modalidades de vida: ou trilhamos o "caminho da servidão" (como dissera von Hayek em seu clássico) na medida em que nos entregamos de corpo e alma aos "senhores do mundo" (que prometem liberdade, glória e plenitude, mas entregam escravidão, vergonha e inquietação), ou andamos em verdadeira liberdade enquanto nos submetemos ao "Senhor de todos", seja de vivos ou de mortos, o que inclui a todos os que desejaram, têm almejado e ainda ousarão usurpar o Seu lugar - mas, obviamente, sem sucesso! Nesse ínterim, vale ressaltar que a rebelião humana contra Deus ultrapassa as "fronteiras da política" (logo, não se restringe à defesa de ideias revolucionárias ou de apoio a partidos progressistas), de tal maneira que todos nós, sem exceção, somos desesperadamente carentes de uma mesma coisa - ou melhor, de uma mesma Pessoa - e, por isso, conservadores e progressistas, brancos e negros, ricos e pobres, cultos e analfabetos, homens e mulheres etc. são conjuntamente convocados a atender o convite do profeta, que diz:
"...Confiem sempre no Senhor, porque o Senhor Deus é uma rocha eterna..." (Isaías 26, vs. 4)
Eis o "coração da fé da Reforma": não devemos nutrir nenhuma confiança em nós mesmos nem em nada além do próprio Deus, visto que tudo o que há no mundo, até os homens mais poderosos e/ou os sistemas e ideias mais robustos e "aprovados pelo teste do tempo", pode falhar e ruir, mas Deus é sempre inabalável e firme e, por isso, é digno de toda a nossa confiança. Ele é a "...rocha da nossa salvação..." (ver Salmo 95, vs. 1), uma torre forte para a qual todos os que Nele confiam "...correm e estão seguros..." (vide Provérbios 18, vs. 10), a "pedra angular e viva" (cf. Salmo 118, vs. 22; Mateus 16, vs. 18; 1 Pedro 2, vs. 4, 6-8 etc.) que sustenta o Seu povo eleito e amado e que igualmente faz tropeçar a todos os que rejeitam a Sua Palavra e seguem o destino que lhes fora previamente determinado.
Atendam, pois, todos os que porventura me leem, à voz Daquele que "...chama as Suas ovelhas pelo nome e deu a vida por elas..." (vide João 10, vs. 3 e 11), pois Ele deseja "dar descanso à alma" de todos quantos vierem a ele cansados e sobrecarregados (ver Mateus 11, vs. 28). Assim, se você se declara um seguidor de Cristo, saiba que "ideologias humanas com verniz de bondade" jamais produzirão justiça e ordem num mundo amaldiçoado pelo pecado; se você, todavia, ainda não teme a Deus nem crê em Seu Filho, não importando se é "de direita" ou "de esquerda", entenda: a condenação de Deus está sobre você e Ele é o Seu maior inimigo (não o político que você detesta!) e, por isso mesmo, você precisa confessar seus pecados e suplicar a Ele por misericórdia, uma vez que "...todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo..." (vide Romanos 10, vs. 13).
Reconheça, hoje mesmo, a sua condição de escravidão aos "senhores do mundo" (e, sobretudo, ao "príncipe deste mundo", satanás, que reina sobre todos os que não crêem em Cristo) e encontre a liberdade que somente Ele, o Redentor divino, pode conceder (a qual vale mais que a liberdade de expressão ou a liberdade econômica), sabendo que "...se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres..." (ver João 8, vs. 36).
Diante de tudo isso (se é que alguém teve paciência para ler até o fim):
Quem é (ou quem são) o seu "senhor" (os seus "senhores")? A quem você realmente serve? Sua lealdade final pertence a algum político, a alguma ideologia ou a Quem realmente é digno dela?
Se você se declara discípulo de Cristo, sua mentalidade reflete a "mente de Cristo" ou, em certos assuntos (como a política), você pensa e age como quem não O teme nem O conhece?
Finalmente, qual tipo de liberdade você deseja obter? A "liberdade" de viver segundo sua própria "razão insensata" e suas "paixões desordenadas e histéricas" ou a "liberdade da glória dos filhos de Deus"?
Pela certeza de que vivo e viverei a liberdade Dele,
Soli Deo Gloria!
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