sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Com a terra que sujou a calça...

De volta, aqui estou novamente.

Dessa vez quero ser mais breve no texto, embora os últimos dias desse mês de agosto (que ainda não acabou, pra variar) tenham sido repletos de experiências novas e marcantes - experiências que me moveram a escrever esse post. Logo, vamos em frente. 


O título desse texto está baseado numa canção da banda Crombie, que diz em certo lugar:

"Muitos sonhos por realizar
Mas ainda temos pouca idade
Com a terra que sujou a calça, vivemos sem vaidade..." [Crombie - Sem Vaidade]

Muitos sonhos por realizar.


Nesse sentido, acredito que [talvez] a fase da juventude (depois da infância) seja o momento da vida em que os sonhos ainda estejam surgindo a todo vapor - sonhamos com o curso superior de maior aptidão, depois com a carreira profissional, em seguida com um relacionamento estável e, com base nessas coisas e em outras, almejamos a realização pessoal. Porém, nem sempre todos os desejos e aspirações se concretizam e, exatamente por esses "imprevistos", muitas vezes, muitos sonhos permanecem "por realizar"

Por outro lado, certos sonhos acabam se realizando, ainda que tenhamos "pouca idade" (não é mesmo Andressa? rs) e, ao longo da longa jornada da rotina, a materialização desses anseios aos quais me refiro conferem (ou ratificam) o real sentido dessa existência - sentido esse que começa fora de mim mas, curiosamente, se manifesta em mim e, ao mesmo tempo, passa por mim para alcançar o outro ao meu redor, devendo finalmente retornar à Fonte de onde veio. Compartilhar. Doar-se. Subverter o mal com a Verdade. Viver a Eternidade no dia-a-dia. Missão. Jesus Cristo


Com a terra que sujou a calça.

De fato, tenho aprendido e me certificado que o poeta Renato Russo estava certo quando afirmou que "são as pequenas coisas que valem mais". Num mundo em que a busca insaciável e incessante da maioria dos seres humanos é pelas coisas "grandiosas" e "cheias de glamour", eu até gosto de viver "na contramão", mesmo que isso "soe bem estranho". Por exemplo, pegar uma van nas primeiras horas da manhã de um sábado na companhia de amigos a fim de passar uma semana (de férias para alguns ou [forçadamente] de perda de trabalho para outros) a fim de parar no meio de uma rodovia federal tão-somente para trazer esperança e levar amor a pessoas nunca vistas antes - não uma esperança perecível ou um amor passageiro, mas uma Esperança que salta os muros da efemeridade e um Amor que furiosamente persevera e permanece vivo - é o tipo de coisa que faz minha vida valer a pena. Como se atribui a Leonardo da Vinci: a simplicidade é o grau mais elevado de sofisticação.


Na prática, muita coisa aconteceu: visitas a locais carentes, trabalhos sociais, algumas conversas intrigantes com gente desiludida e outras desafiadoras com gente pretensiosa, andanças por escolas, bate-papos em esquinas e/ou feiras populares e promoção de cultura e arte. Muitos talvez se impressionem com essa lista de atividades, mas para mim todas essas coisas só têm algum valor por causa da "Inspiração" que me levou (assim como a meus amigos) a ser parte disso - "Inspiração" essa que é também o alvo principal e final do que foi feito. Sendo claro: Deus, que é Amor e que é Esperança, é a causa de todas essas coisas e, se existe algo digno de receber mérito, esse algo é Ele. Ora, quando se fala de missão, me lembro de certo poema hebraico que diz:

Cantem ao Senhor e bendigam o Seu nome; anunciem a Sua salvação de dia em dia.
Anunciem entre as nações a Sua glória, e entre todos os povos as suas maravilhas.
Porque grande é o Senhor, e digno de todo o louvor; mais temível que todos os deuses.
Porque todos os deuses das nações são vaidade; mas o Senhor fez os céus. 
[Salmo 96:2-5]


O compositor desse cântico é claro: a glória de Deus deve ser anunciada a todas as nações e todos os feitos Dele devem ser tornados conhecidos entre os povos - simplesmente porque Ele é grande, digno de ser louvado e mais temível do que todos os outros "deuses". Simples assim.

Ou seja - todas as vezes em que a "terra sujou a nossa calça", a cada passo dado no chão desse sertão [que é maior que o mundo, como dizia João Guimarães Rosa], o que deve ficar na mente de cada um de nós é que somos "peregrinos em terra estranha" e andarilhos rumo a uma pátria diferente. Quem deixa a terra sujar a calça tem que viver "sem vaidade" - isto é, não deve se deixar levar pelos "deuses das nações" (ou mesmo pelos ídolos do seu próprio coração) e reconhecer que tudo aquilo que pode fazer vem de Deus, é feito por meio Dele e é para Ele. Dele viemos, Nele vivemos e para Ele seremos conduzidos, se formos parte do reino Dele


Vivemos sem vaidade. 

No fim das contas, para mim é isso que vale - "perder tempo" ao gastar meu tempo fazendo o que Ele me pediu para fazer, "perder tempo" ao doar meu tempo para que outros também conheçam a Ele. Fazer isso com amigos, pelo querido sertão e, de quebra, comendo sanduíches gigantes e experimentando água do Mar Morto... Não tem preço! Enfim, quero que a terra continue a sujar minha calça (pode ser a neve também, pode ser a chuva), contanto que eu "viva sem vaidade" e esteja fazendo a vontade Dele.





Pela alegria de viver sem vaidade,




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

The "tic-tac" of clocks...

Agosto começou.

Para alguns, o "mês eterno"; para outros, o "mês do desgosto". Mas, para mim, é mais um mês como os outros meses, exceto por algumas datas especiais (que ainda guardo na memória) e por ser, de fato, o mês que estou vivendo agora - isso já o faz especial. 

Logo, vamos em frente - pois as ideias estão fervilhando e eu preciso "vir jogando tudo pra fora", "apressando a minha hora" pela verdade


O título dessa postagem pode parecer inusitado mas, na verdade, foi uma maneira de brincar com as palavras, já que esses dias tenho pensado [dentre diversas coisas] no trecho de uma música [da banda britânica de rock Coldplay] chamada "Clocks" (relógios, em português), que diz:

"...Am I a part of the cure? 
Or am I part of the disease?..." [Clocks - Coldplay]

Esse trecho da música, traduzido, é: "eu sou uma parte da cura ou eu sou uma parte da doença?" Cura. Doença. Eu mesmo. 

De fato, o questionamento do autor dessa letra me leva a pensar, primeiramente, sobre a realidade dura do paradoxo "cura x doença". Se existe algo que atormenta todo ser humano - inclusive eu mesmo - é a existência da dor e o fato de sermos vulneráveis a todos os tipos de doença, desde as mais simples (como uma dor de cabeça ou uma gripe) até as mais temidas (como a dor renal ou mesmo um câncer). As pesquisas nas áreas de saúde pública, farmacologia e da química medicinal [no meu caso, especificamente] continuam sendo pertinentes, visto que muitas dessas doenças permanecem efetivamente sem cura e, além disso, novas epidemias (como a que está ocorrendo na África Ocidental, pela disseminação do vírus Ebola) tem voltado a surgir. Porém, existem outras "doenças" piores do que qualquer uma das anteriormente citadas e, provavelmente, foi a elas que o compositor se referiu em sua canção, como Arnaldo Antunes fez na música "O pulso" dos Titãs - letra na qual ele mistura nomes de enfermidades físicas com algumas "doenças da alma". 


Doenças da alma.

Inicialmente, as "doenças da alma", como eu denominei nesse texto, são aquelas relacionadas ao interior, ao caráter e, dessa forma, revelam quem na verdade somos. Por tudo isso, são aquelas que, além de fazer mal a quem nos cerca, fazem mal princialmente a quem as causa - coisas como o orgulho, a soberba, a hipocrisia, a incoerência, a falta de integridade, a injustiça, a indiferença, a mentira e tantas outras - pois, ao mesmo tempo em que se oprime, se violenta e se machuca por meio delas, os próprios "disseminadores" dessas "enfermidades" se encaixam em outro trecho musical, escrito por Renato Russo, que afirmou:

"Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você
Você finge não ver, e isso dá câncer..." [A fonte - Legião Urbana]

Isso dá câncer - câncer em quem é alvo das más ações e das palavras cruéis bem como em quem faz essas coisas pois, como um grande Mestre disse, "uma árvore é conhecida pelos seus frutos, de modo que uma árvore boa não pode dar frutos maus e nem a árvore má dar frutos bons". Isto é, a má conduta, os sentimentos perversos e as palavras estúpidas são sintomas inquestionáveis das "doenças da alma", de maneira que aqueles que adotam esse estilo de vida simplesmente mostram que são "árvores más" e, portanto, continuarão a produzir "frutos amargos e venenosos". Porém, ao olharmos pra nossas próprias vidas, será que também não somos/podemos ser "parte da doença?" 


Na verdade, o mesmo Mestre que falou sobre as "árvores boas e as árvores más", também disse que "o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca é o que contamina o homem". Em outras palavras, é o que sai de dentro de nós que nos faz doentes de caráter ou, ainda mais, nos faz saber que temos um caráter doente, pois também está escrito a respeito dos seres humanos que "não há nenhum justo, que ninguém faz o bem, que todos juntamente se fizeram inúteis, que os seus pés são ligeiros para derramar sangue, que eles falam enganosamente, que eles não conheceram o caminho da paz e nem há temor de Deus neles" - logo, a sentença que cai sobre nós é: somos parte da doença. Toda injustiça e crueldade a nosso redor existe tão-somente por nossa causa - fomos nós que pecamos contra Deus ao desobedecê-Lo desde o Éden e assim continuamos a fazer até esse momento presente, de forma que "se o mundo ainda é mau, o culpado está diante do espelho". Diante desse quadro, cito a canção/oração de Chico César: 

"Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim..." [Deus me proteja - Chico César] 

Mas, se porventura ainda somos parte da doença, como poderíamos ser "parte da cura?"



Cura.

Cura é uma palavra em voga atualmente - seja no campo da medicina, na psicologia ou demais terapias e, mais do que em qualquer época [possivelmente], nos arraiais religiosos... Sim! A "cura" é um ingrediente fundamental da "publicidade" ou "promoção" de qualquer novo "segmento religioso" que aparece na próxima esquina [ou ainda em grandes espaços cheios de glamour e pompa] - ora, nossa sociedade é uma sociedade fisicamente doente, emocionalmente problemática e espiritualmente confusa, de forma que uma conversa positiva que prometa "cura imediata" para qualquer problema que se esteja enfrentando é uma "mão na roda" - digo, nem sempre para quem é necessitado, mas quase sempre para quem usa desse "pragmatismo oportunista" para se dar bem em cima dos inocentes e mal instruídos

Por isso, pensando bem, tanto os que acreditam tão-somente que Deus é um "solucionador imediato de problemas pessoais" como os que fazem dEle um "meio de autopromoção e 'autofavorecimento' por meio de 'curas' e 'milagres fast-food'" também são "doentes da alma", uma vez que não conhecem a Deus como Ele realmente é (e, por isso, não tem qualquer temor genuíno Dele em si mesmos) ou blasfemam Dele descaradamente - a esse respeito, para terror de muitos, está escrito que o Deus que eles ignoram ou zombam afastará para longe de Si os que Ele não conheceu, bem como fará com que os zombadores Dele colham o que plantaram


No entanto... a pergunta continua! Como ser "uma parte da cura?"

Para sermos "parte da cura" em vez de continuarmos como "parte da doença", é necessário reconhecermos que estamos doentes. E, obviamente, um doente não cura a si mesmo, ainda que seja algo simples [em todas as vezes que peguei uma gripe, por exemplo, precisei no mínimo de um analgésico e de vitamina C]. Todavia, as "doenças da alma" (como evidências de nossos pecados) não apenas mostram que estamos doentes, mas que estamos mortos - logo, o que um morto pode fazer? Nada, simplesmente nada! É preciso que, antes de tudo e sobretudo, Alguém conceda vida a esse "morto" para que volte a ser alguma coisa e, assim, possa ter uma nova vida. Nesse sentido, para que sejamos "parte da cura", precisamos sair de nossa condição de morte mediante a ação vivificadora do Autor da Vida - Deus, Aquele que dá a todos os homens a vida, a respiração e as demais coisas e, para quem se arrepende de seus pecados e crê no Seu Filho como Senhor e Salvador, dá também a vida eterna. Como está escrito, "Ele nos deu vida, estando nós ainda mortos nos nossos delitos e pecados" - ou seja, nos resta apenas receber com alegria e confiança o dom gratuito que vem Dele, caso ainda não tenhamos dado conta disso.


Finalmente, eu quero dizer que o "tic-tac" dos "clocks" não para. 

O tempo passa depressa, logo acaba e mal começa. 

Não é hora de somente ler esse texto e dizer: "poxa, esse cara até que escreve bem" ou "ele tem um português bem cuidadoso e coeso". Não me importo muito com isso. A minha real preocupação é se você ainda é "uma parte da doença" de modo que, no contexto desse post, está morto espiritualmente por não ter se arrependido de seus erros diante de Deus e dos outros. De minha parte, eu sempre penso em minha própria vida, para que eu não esteja enganando a mim mesmo ao pensar que já saí da condição de "doente". Felizmente, por pura bondade divina, estou convicto de que Ele me deu vida quando eu era uma "árvore má" a fim de que eu produzisse "bons frutos" e, como parte desses "frutos", eu espero e peço que você pense sobre o que foi dito aqui e busque imediatamente Aquele que pode te fazer "sair da morte para a vida", para que o "tic-tac" seja apenas parte da contagem de uma peregrinação breve até que se chegue ao destino para o qual Ele designou todo aquele que espera e crê Nele - a Casa mais bonita do portão azul, o País de Aslam, a Casa da parede de cor azul ou, simplesmente, o lugar onde Deus está e onde Ele mesmo deseja que nós um dia estejamos também, para vermos a Sua glória e nos alegramos Nele

Portanto, você se encaixa onde?
"Are you a part of a cure or are you a part of the disease?" ou, no bom e velho português, "você é parte da cura ou é parte da doença"?





Pela alegria de ser "parte da cura" pela graça Dele,





Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

E por falar em mimimis...

Julho está chegando ao fim. E eu, mais uma vez, estou aqui.

Depois do texto mais sereno e moderado da semana passada, já me surgiram motivos mais do que suficientes para lançar as minhas ideias como flechas, erguer a minha voz solitária como uma espada afiada e flamejante e direcionar o meu protesto como uma arma de destruição em massa - logo, leitores cheios de "não me toquem" e "frescuras", "socialmente adequados" e "desprovidos de preconceitos" devem sair daqui agora mesmo


Ora... você está ainda nesse blog por quê? Pelo menos nesse momento, tenha um pouco de cuidado com seus pensamentos de veludo e visite um blog de moda, um site tipo "fuxico gospel" ou veja o programa da Sônia Abraão. Sério. Eu avisei. 

Mimimis.  

Eu vejo mimimis. Onde? 

Em toda parte. Por todos os lados. 

A nossa geração é a geração mais mimada, recheada de caprichos, pseudotolerante, pragmaticamente "intelectual de facebook" e mobilizadora de ações em defesa dos "frascos e comprimidos" (ops, dos fracos e oprimidos) que já houve. Estamos na era onde tudo precisa ser "politicamente correto", "sem preconceitos", contrário a todo tipo de suposta opressão "judaico-cristã-ocidental-machista" e, obviamente, deve satisfazer o gosto do freguês - seja qual gosto for. Toda opinião ou perspectiva que pareça requerer o staus quo de verdade, que confronte o estado de conforto pessoal ou simplesmente que aparente ser "antiquada" e "obsoleta" conforme a nossa "mentalidade evoluída" (resultante, em parte, do pensamento iluminista do final do século XVIII) deve ser rejeitada - tudo em nome da "autoestima" e do "bem-estar", em nome da autossatisfação e da "tolerância". Como se diz por aí, o importante é você ser feliz ao seguir o seu próprio coração mas, na medida em que mais gente segue esse pensamento e busca "essa tal felicidade" seguindo o coração, eu só vejo o oposto: estamos cada vez mais infelizes e espalhando infelicidade


Mas... O que há de errado então?

O que há de errado somos nós. Somos eu e você. 

Nós mesmos, que nos julgamos os "salvadores da pátria da internet" - ao criticarmos os "nazistas repressores dos que não são da 'raça ariana' ou israelenses atiradores de mísseis sobre os pobres terroristas do Hamas" ou defendermos os "comunistas bonzinhos que só querem que o Estado seja de todos e sem a mais-valia" -, que "mudaremos o mundo" quebrando agências bancárias e depredando o patrimônio público (ora, se o patrimônio é público e alguns de nós o destroem, agimos como idiotas por não cuidar nem mesmo do que é nosso), que acabaremos com toda a "intolerância" fazendo "marchas de vadias" ou "protestos nus" para dizer que "ninguém manda no nosso corpo" e que temos o direito de "brincar de Deus" e interromper a vida que Ele mesmo gerou, que lançamos nossos "dardos inflamados de purpurina" e colocamos os que têm princípios diferentes quanto ao que é amor, família e relações humanas no mesmo "pacote fobíaco" e que, também, nos entronizamos como "divindades alternativas" e construímos "megatemplos" (ou seriam palácios?) para sediar nossos "mini-reinos universais" de manipulação religiosa e psicológica das massas de manobra. Ora, se algum leitor semelhante aos que citei no início do post chegou até aqui, ainda dá tempo de sair desse site ou, se preferir, pode começar a se expressar - ora, o "mimimi" é livre e eu não vou impedir o seu direito de me odiar por isso


Se pensarmos bem, quanto mais acreditamos ser merecedores de todos os caprichos que queremos realizar ou receber ou, em outras palavras, se agimos como eternos insatisfeitos e assumimos o lugar da "vítima indefesa, injustiçada e reprimida", jamais perceberemos a poesia-verdade que diz que "felicidade é só questão de ser". Desse modo, quanto mais nos considerarmos infelizes por não termos tudo o que desejamos ter, mais insatisfação e infelicidade iremos disseminar. A murmuração e a falta de contentamento são como vírus epidêmicos e sem freio - muito mais violentos e letais que o Ebola, por exemplo - e que contaminam tudo por onde passam. Enfim, quanto mais "mimimi" existir, mais insuportável será viver por aqui. Por outro lado, dentre todos os motivos mencionados no parágrafo anterior, um deles me deixou, me deixa e (provavelmente) me deixará indignado por muito tempo - nós, homens, temos um complexo maligno de querermos ser Deus e de usurparmos a glória que só é Dele de maneira que, para isso, usamos de todos os meios (quase sempre ilícitos) possíveis para edificarmos a nossa Torre de Babel particular e "chegarmos até os céus". 

Ironicamente, uma dessas novas "torres de Babel" está no Brasil.


Sim - essa Babel tupiniquim custou 680 milhões de reais, onde não é permitida a entrada de visitantes a pé [exceto para caravanas com credencial para o dia da visita, onde cada pessoa paga R$ 45,00] bem como não são permitidas filmagens ou fotografias por parte dos frequentadores, sendo finalmente declarada (pelos seus enaltecedores) como o "lugar que Deus escolheu para habitar". 

DEUS? QUE DEUS?

Talvez essa "Babel do Mister M." [quem lê, entenda] seja mesmo a morada de "deus" - de um "deus" adestrado, um "deus bobo da côrte", domesticado, fantoche ou, no máximo, um garçom distribuidor de "milagres fake industrializados" ou mesmo um "mago" criador de "tratamentos" com água e elementos "sagrados" [o sagrado que se tornou hilário] como se fossem poções - na moral, eu sugiro que esses "curandeiros de templos" possam pegar seus aviões particulares e irem direto para Hogwarts, a fim de saberem o que é uma poção de verdade com o nobre prof. Snape (avante Sonserina!) e, quem sabe, encontrarem a Belatrice para receberem sobre si mesmos o "AvraKadavra" e, assim, serem fulminados! Porém, apesar dessa possibilidade estar restrita apenas ao campo da imaginação, eu sei de algo: Deus é um juiz justo, um Deus que conserva diariamente o seu furor e, dessa forma, afia a Sua espada de dois gumes, ergue o seu arco já preparado com flechas mortais e anuncia a todos os que permanecem blasfemando do Seu santo nome por ousarem roubar a glória que só a Ele é devida que "a seu tempo, os pés deles deslizarão", visto que andam em terrenos escorregadios e, portanto, a qualquer instante cairão na destruição que virá sobre todos os injustos que habitam na terra. E, acreditem: o juízo de Deus é infinitamente mais implacável do que o mais poderoso feitiço fictício. 


A verdade é uma só: a cada nova "Babel" que surgir, Deus virá em Seu poder e confundirá os homens que a quiserem edificar - confundir não apenas a linguagem e a comunicação, mas também confundirá seus próprios conceitos elevados a respeito de si mesmos e, no final das contas, tudo será derrubado por terra. Certa vez quando os discípulos de Jesus estavam com Ele, demonstrando admiração ao olharem para o antigo templo de Jerusalém dizendo "Mestre, veja que pedras e que edifícios!", Jesus disse a eles: 

Você vê esses grandes edifícios? Não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. [Evangelho segundo Marcos, cap. 13, vs. 2]

Poucos anos mais tarde, o suntuoso templo de Jerusalém (feito por Salomão e reedificado por Zorobabel) foi destruído por um imperador ímpio lá pelos anos 70 d.C. e, hoje, as únicas ruínas deste templo constituem o Muro das Lamentações - local sagrado de peregrinação dos judeus. Da mesma maneira, qualquer megatemplo (ou torre de Babel moderna, se preferir) está sujeito a sucumbir diante de um simples ataque terrorista ou mesmo depois de uma temporada de chuvas fortes ou outros desastres naturais. Mais do que isso - Deus destruirá toda e qualquer tentativa humana [como Ele sempre fez] de querer tomar o Seu lugar ao buscar adoração, bem como os que querem controlar e manipular outras pessoas, extorquir pobres e incautos e, principalmente, os que inventam mentiras perversas e atribuem cada uma delas ao Deus que é sempre verdadeiro. Todos esses falsos profetas serão exterminados, todos os "mercenários da fé" serão julgados por Ele e todos os "lobos vestidos de ovelhas" que querem manipular pessoas em nome de um "deus falso" terão suas fantasias arrancadas em praça pública e serão entregues à vergonha. Eu ainda creio num Deus justo e que, por isso, ama a justiça e odeia a maldade


Finalmente, eu não vou permitir que o Deus Eterno, Criador e Sustentador de todas as coisas pela sua Palavra de poder, em Quem todos vivemos, nos movemos e existimos, de Quem, por meio de Quem e para Quem são todas as coisas, pelo qual todas as coisas vieram a existir, em Quem está todo o bem e de Quem procede toda boa dádiva e todo dom perfeito seja enclausurado num "templo-palácio" onde Ele não é anunciado com zelo ou fidelidade e, portanto, também não é temido nem adorado. Eu grito em alto e bom som: Deus não está ali! Como disse o próprio Salomão quando construiu o templo em sua época: 

Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos céus, não podem te conter; quanto menos esta casa que edifiquei! [1 Reis 8, vs. 27]

Ele não habita em nada que não tenha sido feito por Ele mesmo, pois apenas Suas próprias mãos podem fazer algo digno de Sua gloriosa presença. Ora, felizmente, Ele prefere essa carne e não quer os templos que cada um de nós poderia construir com as mãos - logo, se alguém acha que pode trancafiar Deus em algum templo, o "deus" que é colocado lá dentro não é o Deus verdadeiro, não é o Deus em que creio e, por isso, deve ser declarado falso. Os "gospeis" lançarão seus "mimimis" de "quem é você para julgar?" ou "não podemos julgar porque também seremos julgados" ou "não toque no ungido do Senhor"... Que ungido? Que Senhor? Não tem unção nenhuma, a não ser uma "unção macabra" saída direto dos caldeirões de heresias do senhor Baal, ou Mamom ou o que seja. Enfim, o único Deus fez do céu o Seu trono e da terra o estrado de Seus pés; ou seja, todos nós não podemos encará-Lo sem ver que somos feitos do pó da terra e que Ele é o Senhor de todas as coisas


E você? Vai ficar de mimimi?

Se quiser, não sentirei falta de seu apoio a minhas opiniões [ora, eu não sou um carentezinho de seguidores ou de likes] mas, se quiser refletir e caminharmos juntos olhando firmemente para Ele, seja bem-vindo!





Pela graça de ser a casa que Ele escolheu para morar,





Soli Deo Gloria!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Você tem sede de quê?

Voltei, enfim. 

Depois do maior período de afastamento deste blog - para os mais atentos, por motivos óbvios - estou aqui. E, como sempre, estou pra valer. 

Diferentemente do último texto publicado aqui (pouco antes do início da Copa do Mundo do Brasil vencida merecidamente pela Alemanha, diga-se de passagem), esse post [assim como os próximos que virão, eu espero] será menos saturado de veneno, sarcasmo e acidez - porém as verdades continuarão sendo ditas. Vamos em frente. 


Muitas coisas aconteceram desde então e, a fim de sintetizar todas as efervescências, reflexões, "autoconfrontações" e novos aprendizados, decidi nomear esse post fazendo alusão a uma famosa música dos Titãs, cuja letra diz em certo momento: 

Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? [Comida - Titãs]

Fome. 


Dentre as diversas necessidades humanas, uma das mais fundamentais é a de alimento. Sentimos fome. E sentimos várias vezes por dia - normalmente, esse número varia de 3 a 5 vezes, porém os mais "vorazes" sentem fome o dia todo [não é Yasmin? haha] e, enquanto essa fome não é saciada, não há paz nem quietude. Nesse sentido, alguns sentem fome quando se fala de pizza ou lasagna, outros quando o assunto é feijoada ou acarajé, outros sentem a "barriga roncar" com o cheiro do pão-de-queijo ou mesmo da pipoca na panela. Sendo sincero, eu sinto fome só de estar escrevendo sobre isso (risos) mas, nesses últimos dias, tenho tido fome por outras coisas - coisas que não podem ser compradas no supermercado, nem no melhor restaurante ou mesmo naquela cafeteria premiada pelas revistas de gastronomia

Justiça.


Talvez não exista palavra mais ignorada, ultrajada, pisada e desconhecida atualmente do que "justiça". Embora ela seja usada em discursos eleitorais (ou seriam eleitoreiros?), em diálogos sociológicos e acadêmicos e também em exposições teológicas ou mensagens religiosas, em todas essas esferas (provavelmente) a maior parte das pessoas não sabe o que é justiça. Quando penso em "justiça", me vêm à mente palavras como "retidão", "integridade", "inteireza", "equidade" e "pureza". Logo, uma vez que na sociedade vigente tem se multiplicado a violência, o suborno, a falsa piedade, a incoerência e a corrupção (de modo que as pessoas nem tem uma noção razoável do real significado de justiça), ter "fome de justiça" parece se tornar cada vez mais "utópico" e ilusórioEm contrapartida, vejo nos registros das palavras de Jesus Cristo [conforme escreveu o evangelista Mateus] a revolucionadora declaração: 

Bem-aventurados os que tem fome... de justiça, porque eles serão fartos. [Evangelho de Mateus, cap. 6, vs. 6]

Originalmente, a expressão "bem-aventurado" significa "extremamente feliz" ou mesmo algo superior a isso. Logo, a afirmação de Jesus implica que os que anseiam por justiça [seja ela de ordem humana, social e, especialmente, de ordem espiritual, remetendo-se à Palavra de Deus e à Sua vontade] como quando se sente fome serão saciados - isto é, eles experimentarão a justiça, a justiça que vem do próprio Jesus. Nisso está a "alegria abundante" - desejarmos aquilo que Deus ama [pois Deus ama a justiça e firmou o Seu reino em justiça] de modo que, fazendo o bem ao outro e agradando a Deus, experimentamos a verdadeira felicidade


Sede.

Por outro lado, outra necessidade básica de cada um de nós é "matar a sede". Uns conseguem "matar a sede" com coca-cola (é bom demais, mas em mim dá mais sede), outros matam com um "ovomaltine", outros matam com uma boa limonada, eu gosto de matar com água mas... Tem gente que sofre porque não pode "matar a sede" na hora que ela precisa ser saciada. Recentemente, a sede de todos [particularmente de nós, brasileiros] era pela taça da Copa do Mundo, porém somente os alemães puderam "saciar" essa vontade naquele 13 de julho no Rio de Janeiro. Mas, quanto aos sertanejos, aos que moram nas periferias das grandes metrópoles, africanos e tantos outros espalhados em todo o planeta, todos eles precisam ter sua sede (nesse caso, de água) satisfeita. Entretanto, da mesma maneira que a "fome de justiça" dos parágrafos anteriores, minha sede principal atualmente também não pode [e nunca poderia nem poderá] ser satisfeita por nada que seja humano, temporal, material e efêmero

Deus.


De acordo com a chamada "pirâmide de Maslow", a hierarquia das carências humanas funciona de modo que as necessidades fisiológicas ou materiais devem ser supridas antes das necessidades sociais, que devem ser supridas antes das necessidades emocionais e psicológicas e [estou certo Monara?]... Finalmente, necessidades de ordem espiritual são as últimas da lista. Nesse caso, o ser humano só deveria pensar no lado espiritual de sua vida depois que todas as demais necessidades fossem satisfeitas. Porém, a proposta das Escrituras é bem diferente, pois nelas podemos ler qual é [era ou deve ser] o maior anseio do homem:

Como a corça anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por Ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus? [Salmo 42, vs. 1-2]

O escritor desse poema hebraico expressa de maneira clara e intensa que Deus era o seu supremo anseio. Ele se compara à corça - animal típico dos desertos do Oriente Médio, capaz de sentir/perceber cheiro ou presença de água a quilômetros de distância ou mesmo em profundidades razoáveis - quando menciona seu desejo por Deus, querendo ratificar que a sua necessidade mais essencial, mais fundamental, primordial e indispensável é ELE. Ele se pergunta "quando irei e verei a face de Deus?" num tom que pode expressar algo como "não vejo a hora de estar na presença Dele, de desfrutar da comunhão com Ele, de conhecê-Lo mais profundamente...", fato que inverte num ângulo de 180° a pirâmide de Maslow - pois, agora, nenhuma necessidade de ordem emocional, social, fisiológica ou outra qualquer poderá ser suprida sem que a necessidade de Deus seja primeiramente satisfeita


Finalmente, existe algo a mais aqui: mesmo após a necessidade de Deus ser satisfeita, a verdade expressa por toda a Escritura é de que também as outras carências humanas só poderão ser satisfeitas exclusivamente pelo próprio Deus, pois está escrito que "é Ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas" [Atos 17:25], que "na Tua mão está o engradecer e o dar força a tudo... ...porque tudo vem de Ti, e do que é Teu te damos" [1 Crônicas 29, 12 e 14] e que "Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas" [Romanos 11:36]

Enfim - o alimento, as roupas, a moradia, a família, educação, saúde, segurança, infra-estrutura, lazer, justiça social, respeito entre povos e etnias e, sobretudo, a paz e a esperança de que, após o fim dessa vida de agora, virá a eternidade na companhia Daquele que se deu para morrer por pecadores - sim, mais importante e crucial do que todas essas necessidades que Ele pode nos suprir, é a nossa necessidade de redenção dos pecados e de salvação da ira que virá, da qual somos livres por meio de Jesus Cristo, que veio ao mundo para salvar os pecadores e que ressuscitou para justificação de todo aquele que Nele crê.


Eu tenho fome de ver o fim da corrupção na política, o fim dos subornos e da impunidade, fome de ver famílias estruturadas, de uma educação de qualidade, de um sistema de saúde eficiente, de ver o fim de guerras inúteis e de ver pessoas que dizem conhecer a Deus não negá-Lo mais com suas más obras. Eu tenho fome de justiça! Eu tenho sede de amor e de paz, de ver pessoas desesperançadas encontrarem a razão de suas vidas, de ver orgulhosos abandonando seus pedestais e se dobrando diante da verdade de que todos somos miseráveis e necessitados, sede de ver gente de todos os povos, tribos, nações e línguas vendo a glória do Criador de todas elas. Eu tenho sede de Deus!

Jesus disse que "todo aquele que vem a mim nunca terá fome e que todo aquele que crê em mim nunca terá sede". Ou seja - sempre que percebermos que ainda somos incompletos, carentes e necessitados, podemos ter a certeza de que em Cristo nós somos totalmente satisfeitos. 

E você? Tem fome de quê? Tem sede de quê?






Pela alegria de ter minha sede plenamente satisfeita Nele,




Soli Deo Gloria!