quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A "liberdade que ninguém pega"...

Voltei.

Depois de pensar um pouco sobre a importância de se ter uma perspectiva da vida que seja "além do que se vê", quero relembrar algo que, particularmente, tem muito significado para mim... Quero falar do 31 de outubro!

Mas, espere um momento: esse post não será sobre "gostosuras ou travessuras" e não aparecerão abóboras caricaturadas nas fotos abaixo. Quero relembrar o que desde 2011 tem sido parte deste blog na mesma data - quero falar de algo que começou muito antes de seu 31 de outubro de 1517 mas que, nesse referido dia, se consolidou após a atitude de um determinado monge subvertido por uma nova compreensão da justiça divina. Catedral de Wittemberg. 95 teses. Lutero. Reforma. 


31 de outubro de 2013 - 496 anos da Reforma Protestante. 

Falar de reforma (no seu sentido mais básico) significa falar de mudança radical para algo novo, diferente do que existia antes. Ou seja, quando se fala da "Reforma Protestante" é necessário falar de uma mudança radical de percepção da mensagem cristã, especialmente sobre quem é Deus e como Ele age com justiça para com as Suas criaturas. Uma mudança radical implica resultados totalmente novos e, no caso do movimento iniciado por Lutero na Alemanha do século XVI, o mundo não foi mais o mesmo - começando pela Europa e se espalhando pelo mundo da época até nossos dias, a ideia fundamental de que Deus é acessível a todos somente por meio da fé em Jesus Cristo e que isso é suficiente para que sejamos declarados justos por Deus revolucionou a espiritualidade dos homens. De fato, reformas são um tanto perturbadoras mas, quando acontecem, não passam despercebidas e às vezes trazem benefícios que nunca viriam sem reforma. 


Existe muito para se falar sobre a relevância da Reforma Protestante, mas quero me deter a uma palavra: liberdade.

LIBERDADE.

Talvez essa seja a palavra mais ambígua e controversa de nosso idioma. Alguns que se julgam livres às vezes estão presos por suas próprias consciências e, por outro lado, alguns que parecem estar presos podem estar curiosamente livres. Nesse sentido, a Reforma foi um grito em nome da liberdade - em nome da liberdade de consciência pelo acesso irrestrito à Bíblia pois, na época, a Igreja Católica não permitia que seus fiéis lessem a Bíblia por si mesmos, mas isso era feito apenas pelos padres e demais autoridades eclesiásticas e paroquiais. Logo, a religião era usada para oprimir e não para esclarecer e libertar, o que é bem diferente da proposta de Jesus no Evangelho:

"E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará... Se, pois, o Filho os libertar, verdadeiramente vocês serão livres..." - [Evangelho segundo João, cap. 8, vs. 32 e 36]


Jesus afirma que os que conhecem a verdade são libertos pela verdade e que aqueles que Ele liberta são verdadeiramente livres. Isto é - Ele se define como a Verdade, a única Verdade que pode trazer liberdade. Porém, nem sempre se vê uma liberdade genuína em meio aos ambientes religiosos ditos "cristãos". Assim como foi nos tempos do Novo Testamento e também na época de Lutero, pode-se ver atualmente uma falsa e repressora ideia de "autoridade espiritual" (alguém que, por exemplo, diz onde "eu" tenho que fazer faculdade, que tipo de música "eu" devo ouvir, quais igrejas "eu" não devo conhecer e até mesmo quem "eu" devo namorar e como esse namoro deve ser...), um pensamento errôneo sobre quem é "ungido do Senhor", o crescimento sutil de filosofias ascéticas que tendem a uma santidade superficial e, logicamente, o legalismo que nos infla o ego e nos faz juízes espirituais dos outros. Como a própria Bíblia diz, os dias são maus. 

Contra tudo isso, eu tenho buscado andar livre.


As Escrituras - foco e fundamento de toda a ideologia da Reforma - nos dizem muito sobre a liberdade.

"Estejam, pois, firmes, na liberdade com que Cristo os libertou, e não se submetam mais a jugo de escravidão". [Gálatas 5:1]
"Porque vocês foram chamados à liberdade. Portanto, não usem da liberdade para dar ocasião à carne, mas para servirem uns aos outros pelo amor". [Gálatas 5:13]

"[...] Porque, então, a minha liberdade há de ser julgada pela consciência dos outros?" [1 Coríntios 10:29]
"Ninguém os julgue pela comida, ou pela bebida, ou por causa de dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados - as quais são sombras das coisas que haviam de vir; a realidade, porém, se encontra em Cristo". [Colossenses 2:16-17]

"Já que vocês morreram com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, porque ainda se submetem a ordenanças, como se vivessem no mundo, tais como: não toques, não proves e não manuseies? Todas essas coisas perecem pelo uso, pois são conforme os ensinos e preceitos dos homens..." [Colossenses 2:20-22]


A liberdade dentro do contexto da Reforma também pode ser relacionada ao que se chama de "sacerdócio universal", pensamento segundo o qual cada pessoa que crê em Jesus Cristo tem acesso livre a Deus e pode usar livremente sua nova mentalidade e consciência para viver de modo íntegro e justo. Ou seja - eu não estou subordinado a pessoas nem dependo delas para conhecer a Deus, para me relacionar com Ele e nem mesmo para compreender de forma clara quais são os planos dele para mim. Eu sou livre. 

Desse modo, embora as Escrituras sejam enfáticas sobre a necessidade de relacionamentos interpessoais, comunhão e crescimento mútuo (existem muitos "uns aos outros" na Bíblia), eu não preciso me submeter a falsas "autoridades espirituais" que querem "mandar na minha vida" com pretexto de "falso zelo", não tenho motivos para crer em "ungidões do Senhor" que devem ser obedecidos sem serem questionados (a Bíblia diz que todos os que creem em Jesus foram ungidos por Deus e, por isso, têm conhecimento e capacidade de discernir as coisas), não devo buscar ser "mais santo" por meio de regras e proibições humanas (como não ouvir "música secular" ou não "beijar na boca" durante o namoro) e nem achar que posso julgar o outro com base em meu próprio padrão de justiça. Tudo isso reflete/implica falsa santidade, possui aparência de sabedoria, pretensa humildade e pretensa autodisciplina, mas não resolvem o real problema - pois, como dizia John Stott, "o coração do problema humano é o problema do coração humano". Se não se muda o problemático coração humano, o problema continua sem solução. 


Mas nem tudo está perdido.

Na contramão de toda essa "antiliberdade" cultivada até mesmo dentro de alguns arraiais cristãos, eu me apego ao Livro que anuncia que "...em Cristo encontramos a plenitude...", que "...o jugo de Jesus é suave e que o Seu fardo é leve...", que "...Deus é o libertador do Seu povo...", que "...eu tenho a mente de Cristo e posso discernir todas as coisas..." e que "...todo pensamento deve ser levado cativo à obediência de Cristo..." e não à obediência de quem quer que seja. Se você se considera alguém que anda com Deus pela fé em Jesus e ainda não percebe isso, seja livre Nele! A sua liberdade em Jesus Cristo ninguém pega... Vê se entende! Ele mesmo faz o sublime convite:

Venham a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e Eu os aliviarei.
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, que sou manso e humilde de coração; e assim encontrarão descanso para as suas almas. [Mateus 11:28-29]


Jesus chama quem não tem mais força ou qualquer perspectiva de melhora e promete alívio. O coração do homem, orgulhoso e intolerante, pode se tornar manso e humilde na medida em que os homens vão até Cristo e aprendem Dele. Se aprendemos a Sua verdade, somos libertos e, por isso, nossas almas encontram paz e esperança. Enfim, quero ser a cada dia reformado por Ele e, a cada nova etapa da obra que Ele mesmo faz em mim, quero me alegrar em ser livre Nele... Sinto muito, mas ninguém "pega" essa minha liberdade!




Pela satisfação de ser libertado dia a dia por Ele,



Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quais são as suas lentes?

Estive longe por quase três semanas, mas retornei.

Depois de dias inesquecíveis em terras pernambucanas, aprendendo sobre ir à luta e sobre sair do comodismo para se colocar na linha de frente bem como me divertindo com os velhos amigos e conhecendo novos lugares, voltei pra minha rotina de estudante. Porém, no último fim de semana, fiz outra pequena viagem para um acampamento de estudantes e, como sempre, novos amigos surgiram, além de muito aprendizado sobre a vida e a certeza de que estava no lugar certo. 

Bem, é hora de ir em frente.  


Sendo bem direto, o que tem sido objeto de minhas reflexões desde a viagem à Recife até agora pode ser bem resumido pelo título deste post. De modo mais claro, quais são as nossas lentes? Através de qual prisma/meio/perspectiva enxergamos o mundo e a nós mesmos? O que norteia nossas afeições, sentimentos, pensamentos, mentalidade e atitudes? Em um mundo onde (provavelmente) o principal problema é a crise de autoidentidade - nós não sabemos quem nós somos e, por isso, não sabemos o que fazer da vida nem como lidar com o que está a nosso redor - , acabamos "deixando a vida nos levar aonde ela quiser" e, depois que já estamos praticamente arruinados, "botamos a culpa no destino", como se não fôssemos [de certa maneira] responsáveis por nossos atos... Somos especialistas em escapismo mas, a qualquer hora, isso não vai dar certo. 

Lentes... elas nos dizem muita coisa.


Primeiramente, para aqueles que usam óculos devido a algum problema de visão, as lentes são adaptadas ao tipo de defeito que precisa ser corrigido (astigmatismo, hipermetropia, miopia etc.). Por outro lado, quando saímos para a praia num dia ensolarado ou para outro passeio qualquer e usamos nossos óculos de sol, as lentes nos fazem enxergar a paisagem ao redor com cores diferentes das reais - isto é, a depender das lentes pelas quais olhamos para o que está diante de nós, isso se nos apresentará de uma maneira específica. O filósofo iluminista alemão Immanuel Kant dizia que "os homens olham para o mundo através de lentes..." - ou seja, cada um tem suas próprias lentes e por elas observa o mundo e, com base no que vê, estabelece para si o que vai constituir a sua mentalidade e nortear a sua conduta. Além disso, Jesus Cristo também disse que "a lâmpada do corpo são os olhos" de forma que, a depender do fato de nossos olhos serem bons ou maus, nossos corpos serão iluminados ou estarão em trevas. 

Mas a questão que quero levantar aqui é mais profunda.


Não é apenas a maneira de ver as coisas - é se conseguimos enxergar "além do que os olhos podem ver"... Entende?

Mas você pode me dizer: isso não é um paradoxo? Sim, é. Na verdade, eu até gosto de certos paradoxos. Então... como ver "além do que se pode ver"? 

Particularmente, acredito que a melhor resposta para essa pergunta foi dada pelo escritor bíblico da 2ª carta aos cristãos da cidade de Corinto, onde se lê:

"Por isso não desanimamos; pois, ainda que exteriormente estejamos a nos desgastar, interiormente estamos sendo renovados dia após dia... Pois a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória acima de toda comparação... Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas naquilo que não se vê; porque o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno..." 
[II Coríntios 4:16-18]


Considerando o que o texto bíblico diz, estamos meio que entregues ao desgaste e à corrupção no que se refere às aparências. Pensando bem, o mesmo escritor diz em outra carta enviada aos cristãos de Corinto que "devemos usar das coisas do mundo como se elas não existissem, porque a aparência desse mundo passa...". A realidade de que a nossa vida é frágil e efêmera perturba a qualquer um de nossa geração atual, mas a verdade é essa. Como dizia certo poeta que sofreu na pele com uma vida breve, "tudo passa, tudo passará...". Eu. Você. Nosso dinheiro, nosso saber, família e bens. Tudo.  

No entanto, o mesmo texto acima diz que, interiormente, apesar da destruição exterior, podemos ser renovados dia após dia. Ou seja: a parte boa da história, a parte que permanece e que não perde seu valor ao longo do tempo, é aquela que está "além do que os olhos podem ver" - pois está no interior, e não na aparência. Embora estejamos sujeitos a todo tipo de sofrimento, o maior deles ainda é leve e momentâneo. Parafraseando outro poeta (esse ainda vivo), posso ousar dizer que "a vida é uma irrelevância diante da eternidade...". Por isso mesmo, de modo ironicamente estarrecedor, a Bíblia afirma que é a tribulação [ou o sofrimento] que produz um peso eterno de glória superior a qualquer dor ou aflição... Eternidade. Talvez a única coisa que possa dar sentido a todo esse paradoxo de ver "além do que se vê". 


Quais são as suas lentes? 
Em quais direções você focaliza seu olhar?

Se colocarmos nossa atenção nas coisas que são transitórias - as que existem hoje e podem acabar amanhã - , nunca estaremos satisfeitos, pois teremos que procurar outras coisas para substituir as que se perderam com o tempo. Normalmente, para resolver esse problema, buscamos novas coisas transitórias que irão acabar em algum momento no futuro e, com isso, o ciclo vicioso não para. Contudo, para aqueles que fixam seus olhos naquilo que é eterno - o que existe hoje e existirá amanhã e depois, e para sempre, sem variação - , não será necessário substituições para resolver qualquer insatisfação. Ora, se algo eterno me satisfaz hoje, por ser eterno continuará a me satisfazer amanhã e no mês que vem e também depois de minha morte, pois é eterno. 

Eu não posso desejar nada maior do que isso.


Finalmente, quando falo de fixar os olhos em algo eterno, não falo simplesmente de uma coisa inanimada ou que seja produto da minha imaginação - mas falo do Eterno, Daquele de quem vem toda boa dádiva e todo dom perfeito, a Quem pertence a terra e tudo o que nela existe, por meio do Qual todas as coisas foram criadas, em Quem todos vivem, se movem e existem e para Quem todos devem olhar a fim de serem iluminados e salvos de uma eternidade de sofrimento sem Ele. Esse "Eterno" um dia se fez como um de nós, passou por todo tipo de aflição e, acima de tudo, deu a Si mesmo numa cruz a fim de resgatar a todo aquele que crê Nele como o único Deus verdadeiro. 

Jesus Cristo, o Filho de Deus, enquanto esteve na terra, enxergou todas as situações "além do que se podia ver", pois dele se diz que "...pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha e assentou-se à direita do trono de Deus" [Hebreus, cap. 12, vs. 2]. Ele estava consciente de que o seu sofrimento seria parte de uma alegria superior e, por isso, viu "o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficou satisfeito" [Isaías 53, vs. 11]. Em meio à dor da cruz, Ele viu homens pecadores salvos da condenação resultante do pecado e isso O alegrou... Jesus, certamente, é o melhor exemplo de ver "além do que se vê". 


E você? Você baseia sua vida naquilo que você vê [e que acaba num piscar de olhos] ou naquilo que você não vê [e que dura pra sempre]? 

Meu desejo é que você seja como um amigo meu que, em uma de suas canções, disse:

"Eu descobri o que me satisfaz
Eu vi que o tempo não desfaz
E quem provar vai perceber a diferença no viver..."

Eu quero me satisfazer a cada dia com o Eterno, pois somente isso traz diferença à minha vida passageira e tão frágil.





Pela alegria de viver por algo "além do que se pode ver",




Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Eu vou à luta...

Um dia a gente arruma tempo e volta a escrever.
Depois de alguns dias agitados, sem muita inspiração e sobretudo um tanto aflitos, estou aqui.

Como diz o próprio tema do texto, vamos à luta e em frente. Enfrente.


Dessa vez, não pretendo escrever muito - pois se a gente perder tempo dizendo que vai à luta diante da tela de um computador, a gente não vai à luta coisa nenhuma. 

Eu teria muito o que dizer sobre esse tema, mas gostaria de ser bem direto. "Ir à luta", pelo menos dessa vez, me fez lembrar algo que certo homem disse no primeiro século, conforme o registro bíblico onde se lê:

"Porque as armas da nossa guerra não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas, destruindo os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo..." [2 Coríntios 10:4-5]



Primeiramente, queria relembrar que estamos em guerra. Em um post anterior, falei bastante sobre o tipo principal de guerra no qual devemos nos alistar. Sabendo que essa guerra é contra o próprio ego, o texto acima diz que as armas não são carnais - ou seja, não são humanas. Nada que seja puramente humano é capaz de nos habilitar a lutar contra nós mesmos nem contra os demais defeitos e injustiças à nossa volta. As armas humanas não são poderosas contra nada disso. Mas, felizmente, as armas humanas não são as únicas que estão disponíveis. 



Existem armas que são poderosas em Deus. Isto é - o poder nunca é das armas em si, mas de Alguém exterior e superior, de Alguém que pode pegar essas armas impotentes em si mesmas e fazer delas algo poderoso - algo poderoso para destruir fortalezas e tudo o que se levanta contra Si mesmo. Nesse sentido, essas armas que são poderosas em Deus só são dadas a quem pertence a Ele - ou você acha que faz sentido o líder de um exército dar as suas armas ao exército inimigo? Logo, se você não está do lado de Deus (por assim dizer), você não é capaz de vencer a guerra contra si mesmo nem mesmo contra o que está errado ao seu redor. 



O fim de toda essa guerra é tornar todo pensamento, toda mente e todo coração cativo para obedecer a Cristo.

Se todo pensamento, toda mente e todo coração deve se tornar submisso e obediente a Cristo, isso começa em mim. Não é coerente lutar para que os corações do outros se tornem obedientes a Cristo se o meu coração não o é. Por outro lado, se os outros cobram e exigem de mim que o meu pensamento e o meu coração sejam obedientes a qualquer coisa que não seja Cristo, eu não posso tolerar isso. Isso é guerra - e guerra inclui marcas, cicatrizes, sofrimento, perdas e até mesmo a morte, de forma que quem vai pra qualquer guerra, "já deve se sentir morto". No meu caso, eu quero estar "morto" para qualquer tentativa de ser submetido a algo que não seja Cristo e sua Palavra - minha consciência está submissa a Ele, o meu coração está Nele e Ele o inclina como quiser... E nisso está a minha alegria! 



No fim das contas, lutar para que os pensamentos e corações sejam submetidos a Cristo envolve o arrependimento dos pecados cometidos e a fé na demonstração suprema do amor de Deus aos homens pecadores por meio da morte de Cristo na cruz. E, como sempre ressalto aqui, nós não podemos nos ajudar a nos arrepender nem mesmo podemos fazer nascer a fé em Cristo dentro de nós - é Deus quem dá aos homens o arrependimento para a vida (Atos dos apóstolos, cap. 11, vs. 18) e essa fé para a salvação é um dom de Deus (Efésios 2:8). A questão é apenas confiar Nele e se render a Ele.



Finalmente, diante do amor que Cristo mostrou pelos pecadores (a começar de mim), eu só posso querer demonstrar o mesmo amor por onde andar. Não importa o lugar onde eu tenha que ir - seja seco e carente, seja frio e rico - e nem as pessoas que eu preciso conhecer - sejam simples e sem instrução, sejam intelectuais e arrogantes... A questão não é essa. A questão é a certeza de que, esteja onde eu estiver, eu sei que Deus estará comigo e que a vontade Dele sempre se cumprirá, a despeito de qualquer questão ou dúvida. Portanto, como o tempo que importa agora é o presente, eu vou à luta agora mesmo - no campus, no ponto de ônibus, nas ruas por onde caminho e nos lugares que visito quando viajo. 



O que importa é ir em frente, enfrentando o que precisa ser enfrentado e sabendo que toda a força pra lutar vem Dele. E, por falar em luta, vou sumir um pouco daqui.. porque Recife me espera! =D




Pela segurança de estar lutando ao lado Dele,





Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Serenidade de setembro...

Entramos em setembro.

Depois do meu último desabafo, espero ser mais sereno neste post - entretanto, não posso afirmar que serei; só o próprio post dirá.


Setembro é um mês que, desde 2001, é lembrado por todos em todo o mundo devido ao ataque terrorista às chamadas "torres gêmeas" do World Trade Center (WTC) em NY, nos Estados Unidos. Ontem completou-se 12 anos do episódio que parou o mundo no início do século XXI - aulas suspensas nas escolas e universidades, turbulência econômica, a incerteza quanto à segurança dos chamados "povos ocidentais" e, finalmente, as milhares de vidas ceifadas naquela manhã de 11 de setembro. Me lembro de chegar em casa do colégio e ver o exato momento em que a Torre Sul foi atingida - não entendi nada de início, mas depois uma mistura de sentimentos surgiram dentro de minha mente: euforia e susto, medo e até mesmo admiração pela engenhosidade dos autores de tamanha façanha contra a maior potência do mundo. 


Além disso, nessa última segunda-feira dia 09 levo outro susto - ao ligar a TV antes de ir para a faculdade, vejo a notícia da morte do Champignon, ex-baixista da banda Charlie Brown Jr., banda que somente neste ano já havia perdido dois de seus integrantes, dentre eles o seu vocalista e líder, o famoso Chorão. Curiosamente, após a morte do Chorão, Champignon havia comentado numa entrevista que uma provável explicação para a overdose de seu companheiro de palcos era a perda da fé e, como resultado, a perda do sentido de viver. Ironicamente, talvez o próprio Champignon se tornou a nova vítima dessa "perda de fé" e falta de sentido pra vida e deu fim a tudo com um tiro em si mesmo. Mesmo assim, alguns sem compaixão apenas condenam e dizem: "...olha só a vida que levavam, o fim era esse mesmo...". Triste - tanto a morte em si quanto a frieza daqueles que não sentem mais as dores do outro. 


Fazendo um paralelo entre as duas situações trágicas citadas, poderia ousar dizer que existem alguns tipos de "terrorismo". Nesse sentido, posso destacar o "terrorismo convencional", o qual é explorado e "sensacionalizado" pela mídia e que envolve organizações terroristas e seus ataques com homens-bomba a estações de metrô, a escolas e a instituições financeiras, por exemplo... Por outro lado, posso mencionar o que seria um tipo de "autoterrorismo" - isto é, aquele em que pessoas em suas buscas por algo (ou fugas, muitas vezes), fatalmente fazem mal a si mesmas, mal que às vezes é irreversível. Ver a situação das mortes de 3 músicos de uma mesma banda em menos de 7 meses me inquieta - pois eles fizeram sucesso [e ainda fazem], influenciaram a minha geração com sua arte, seus versos e suas músicas e, por isso, tinham muitos motivos para aproveitarem a vida da melhor maneira... Mas não. Talvez faltou uma certa "serenidade", a qual nada do que eles buscaram poderia dar a eles (agora, no entanto, já é tarde demais) e talvez ainda falte mais amor dentro daqueles que ficam olhando as notícias na TV e na internet com frieza diante da ruína e da crise existencial dos que o cercam. 

Por isso, me lembrei esses dias de uma canção da Legião Urbana, que diz:

"O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe...
Não entendo o terrorismo, falávamos de amizade..." [Sereníssima, V - 1991]


Serenidade.

Ao pensar nesta palavra, não estou falando de apatia ou inércia - pelo contrário, apatia é apatia e inércia é a 1ª Lei de Newton; isso nada tem a ver com serenidade. Serenidade me faz pensar em paz em meio às guerras do dia-a-dia. Serenidade implica entusiasmo e otimismo, apesar da consciência de que nem tudo pode sair como planejado. Serenidade é como diz a própria música: "...consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade..." - é como estar imerso nas loucuras da vida real e sendo ao mesmo tempo autor de algumas delas e, ainda assim, permanecer firme. A corda se move, o caminhante oscila de um lado pro outro mas... Algo não o deixa cair. Mais do que isso: o caminhante da corda-bamba sabe o que é que o sustenta. E, nessa certeza de que é possível ficar de pé a despeito das oscilações e vacilos, se prossegue no caminho. 


O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe.

Todo mundo sabe - inclusive eu e você - que nós, seres humanos, somos carentes de algo que nos dê alguma razão de ser ou existir. Mas, ao estarmos tão acostumados com nossas próprias vidas egocêntricas, nem percebemos mais que muitos dos que estão perto de nós todos os dias - no ônibus, na sala de aula, no trabalho, nos grupos sociais, na igreja etc. - possivelmente não tenham encontrado ainda o que pode satisfazer essa carência. Por mais que pessoas egoístas e indiferentes aos outros sempre tenham existido [desde que o mundo é mundo como o conhecemos hoje], acredito que ultimamente as coisas pioraram. Pessoalmente, acho que em tempos passados "falávamos de amizade" (melhor, vivíamos a amizade) mais do que falamos/vivemos hoje - a era em que amigos são aqueles que estão na sua lista do Facebook ou do seu Skype. 

Está faltando amor. 
Está faltando contato ao vivo e a cores. 

É preciso sair um pouco das "redes sociais" e ser social, ser humano - ora, quanto mais somos "humanos" no bom sentido da palavra, mais refletiremos sinais da imagem divina colocada pelo próprio Criador e, assim, talvez aqueles que nos cercam venham encontrar no Criador o que eles desesperadamente precisam: a razão de ser e existir.


Finalmente, pensar sobre serenidade me lembra um episódio da vida de Jesus, quando ele e seus discípulos estavam num barco em alto mar durante uma tempestade. Todos os discípulos ficaram amedrontados e Jesus estava dormindo o tempo todo. Ao ser acordado por eles, Jesus acalma a tempestade e diz a todos: "...Porque vocês são assim covardes? Vocês ainda não têm fé?..." [Evangelho segundo Marcos, cap. 4, vs. 40]. Fé. 

Provavelmente, não existe verdadeira serenidade se não houver fé. Porém, a questão não é apenas ter fé, mas onde essa fé é colocada. Depois das palavras duras de Jesus, o relato mostra que eles ficaram atemorizados e diziam uns aos outros: "...quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?..." [Marcos 4:41]. Essa experiência diante de algo que estava fora do controle deles fez eles notarem em quem a fé deles deveria estar posta, pois ninguém tem poder sobre a criação a não ser o criador dela. Jesus estava mostrando a eles que Ele mesmo era o Deus da criação e, dessa forma, era digno de toda confiança. Logo, tendo essa confiança segura, eles podiam permanecer serenos e em paz, abandonando a covardia.


Se você chegou a este blog e, por algum motivo, está "perdendo a fé" assim como pode ter acontecido com os músicos da Charlie Brown Jr., não seja um "terrorista" contra si mesmo - nem mesmo contra outro, caso ele esteja também perdendo a fé na vida. Reflita sobre o fato de Jesus ter poder sobre aquilo que está fora de seu controle - seu futuro, seus problemas sem solução e, acima de tudo, você mesmo. Não existe tempestade mais incontrolável do que aquela formada pelos pecados que cometemos a todo momento e, como não podemos deixar de ser pecadores por nós mesmos, precisamos de alguém que não apenas "acalme" a situação, mas sim dê um fim nela. A Bíblia diz que Jesus se manifestou para tirar os nossos pecados - isto é, remoção total, perdão absoluto, redenção completa e efetiva. Acredite na sua demonstração de amor na cruz para tirar os seus pecados, assim como para tirar os meus também. 

Se você entendeu isso e colocou sua fé Nele, fale para alguém que você conhece fazer o mesmo. Não seja um "terrorista", mas "fale da amizade" que pode mudar a vida de qualquer um de uma vez por todas - a amizade com o Eterno, com Aquele que acalma todas as tempestades da vida e que, acima de tudo, tem poder para perdoar nossos pecados, dando um ponto final ao lançar todos eles pra bem longe de todo aquele que Nele acredita. Ora, "sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus". 




Pela serenidade de estar em paz com Ele,




Soli Deo Gloria!