quinta-feira, 18 de julho de 2013

De volta pra casa...

Voltando, enfim, após uma sumida.

Depois de um desabafo profundo mas temperado de ludismo e teologia, esse post de hoje é mais simples. Quero falar simplesmente de algo com que sempre convivi mas, curiosamente, parece ser mais intensamente parte de mim hoje, quando estou um pouco distante. A vida é breve; logo, dedos ao teclado! 


Hoje quero falar do sertão.

Sertão que, desde os 3 anos de idade, fez parte de minha vida. Embora minha família seja de descendência luso-italiana, meus antepassados vieram ao Brasil e foram parar no meio da Caatinga, no chão árido do Nordeste, no sertão da Bahia... Sim, eu sou um cara com o "coração nordestino" e todo o resto também - falo "oxe" e "mainha", gosto de carne seca, feijão verde, bolo de milho e baião de dois, escuto Luiz Gonzaga e o coração aperta, amo a paisagem melancólica mas repleta de singeleza dos fins de tarde sertanejos e, acima de tudo, me identifico com esse povo sofrido, porém [insanamente, eu diria] cheio de alegria e de esperança. O sertão é mesmo cativante!


Brevemente, em meio à rotina de faculdade e mestrado, irei passar alguns dias na Chapada Diamantina, no meio do sertão baiano - na verdade, o lugar é como um "oásis no deserto", dadas as suas belezas naturais únicas - com um grupo de amigos que também ama o sertão e deseja fazer alguma coisa por ele. Mas o que é que induz pessoas a largarem suas rotinas e pegarem estrada durante horas (ou mesmo dias) a fim de parar no sertão nordestino? Eu não sei direito o que é, mas sei que é algo mais forte do que eu mesmo.


Amor. 
Compaixão. 
Dividir o fardo.

O povo do sertão é um povo esquecido. Milhões de nordestinos que vivem em condições subumanas e que "se viram" pra se sustentar [bem como às suas famílias] com pequenas ajudas do governo mas, acima de tudo, com o trabalho duro que fazem por onde andam. A seca castiga, o gado morre e nenhum rio corre a não ser o "rio de lágrimas" dos olhos do sertanejo que vê o verde sumindo e a aridez tomando conta de tudo. Logo, quando olho pra mim e vejo que "tenho tanto" (na verdade, talvez mais do que preciso), lembro das histórias dos tempos bíblicos quando os mendigos judeus olhavam para aqueles que passavam por eles nas ruas e diziam "TSEDAKAH" ou "JUSTIÇA"  - ou seja, se você tem e eu não tenho, é injusto. Não é "caridadezinha" nem esmolinha, é JUSTIÇA. E um certo mensageiro disse certa vez, falando em nome de Deus: aprendam a fazer o bem, e busquem a justiça. Não posso ficar indiferente.

 

A satisfação do sorriso de uma criança. 
O prazer de ver chover muito!

Não posso pensar no sertão e não lembrar das crianças com um sorriso simples e sincero no rosto quando corriam atrás de uma bola no meio do campo de terra batida ou quando começava a chover... Eu viro criança e me jogo na terra ou vou pra debaixo de algum cano de onde cai água corrente e me molho todo! São essas pequenas coisas, e não o glamour ou o status social, que valem mais - eu estou cansado dos "personagens" ou "atores" sociais; vamos ser quem somos e começar a ver a beleza das coisas simples... Como diz o Roberto Beninni: la vita è bella!

 

Deus.
Jesus Cristo.

Na verdade, nada do que eu poderia dizer/fazer/sentir pelo sertão teria qualquer valor em si mesmo se não viesse Daquele que criou o sertão e se importa com ele mais do que qualquer um de nós. Talvez a melhor resposta para a pergunta do início do texto seja essa: DEUS. Como o dom da vida e a existência de cada um vem Dele, é por Ele que quero ir ao sertão - é por Ele que outros já estão lá enquanto eu escrevo esse texto e é por Ele que continuaremos indo ao sertão [ou a qualquer outro lugar] para levar o que o sertanejo mais precisa (assim como qualquer ser humano): Aquele que é o Pão da Vida [que sacia toda a fome] e a Água da Vida [que sacia toda a sede]. Cada gesto, olhar, atitude e palavra só terá alguma razão de ser se Ele for tudo o que importa ser compartilhado. Jesus Cristo - o único que pode fazer o meu sertão virar mar. 


Enfim.
Preciso me preparar porque amanhã tenho prova da faculdade e, de quebra, tenho que terminar de fazer as malas... Sertão, eu estou chegando!




Por ter a certeza de que o sertão é amado por Ele,




Soli Deo Gloria! 

sábado, 6 de julho de 2013

Primeiro samba de julho...

Voltei, enfim.

Após uma postagem bastante dura e profunda, quero ser um tanto mais poético nesse novo post - entretanto, pretendo falar de coisas tão sérias quanto o tema do post anterior. Vamos em frente, porque "tempus fugit" - o tempo urge. 


Após refletir sobre algumas coisas que tenho vivenciado e no embalo das músicas do telefone celular, ouvi o seguinte:

"Verdade no olhar me fala muito mais
Do que palavras lindas ditas sem pensar
O amor está contido no que a gente faz
Na atitude de se aproximar..." 
[Primeiro Samba - Crombie]

Realmente, essa estrofe diz tudo o que eu penso e que, provavelmente, eu não seria capaz de dizer. O dom de ser sucinto e completo não é de todos; e tenho dito.


Vou ser simples e direto. Preparem-se. 

Desculpem-me os leitores, mas estou cansado de palavras bonitas ditas apenas para impressionar. Não suporto mais as farsas dos "relacionamentos perfeitos" das redes sociais quando, na verdade, as coisas são reais, imperfeitas, conflituosas e muitas vezes marcadas por dor e sofrimento (quase sempre desnecessários). Numa era tecnológica  em que, a cada dia, mais pessoas tem WhatsApp, Instagram e etc., estamos nos importando mais em enviar/publicar fotos em tempo real para que os nossos amigos curtam ou comentem - ou talvez apenas para nos exibir na internet - em vez de demonstrarmos amor a quem nos ama (e também a quem amamos) em simples gestos... Dolorosamente, desaprendemos a amar de modo singelo e terno e só sabemos escolher o filtro certo para o nosso próximo post do Instagram. Triste.


Entretanto, quero destacar que não há nenhum problema em se ter Instagram nem WhatsApp (eu mesmo tenho ambos e gosto muito de usá-los) - o que gostaria de salientar é que estamos nos tornando cada vez mais robóticos, sem alma e nos esquecendo de que somos SERES HUMANOS [de carne e osso, que temos emoções e coração, que temos pensamentos e que fomos criados para relacionamentos]. Portanto, se fomos criados para nos relacionarmos, isso significa que o nosso propósito de existência não se encontra em nós mesmos, mas fora de nós - como diziam os gregos a respeito do "deus desconhecido": Nele vivemos, nos movemos e existimos. Se o propósito da minha existência estivesse em mim mesmo, eu seria como um deus solitário sentado no trono com a cara emburrada. Enfim, na contramão de um mundo onde as "palavras lindas ditas sem pensar" falam muito mais que a "verdade no olhar", "eu fico com a pureza da resposta das crianças".


O amor está contido no que a gente faz.

Alguns dias atrás estava navegando no Twitter quando li a seguinte frase do poeta Manoel de Barros: "A palavra amor está muito vazia; não tem ninguém dentro dela"Fazia muito tempo que não lia algo tão verdadeiro. A palavra "amor" está vazia - a melhor explicação para isso é que as pessoas estão "cheias" de si mesmas, de seus próprios conceitos e preconceitos, de suas falsas impressões a respeito de si mesmos e dos outros e, como resultado desse sucata toda dentro de si, eles não "mergulham" na palavra amor para vivê-la. Particularmente, eu não me impressiono muito ao receber "grandes gestos" de amor (quando eles acontecem uma vez na vida), mas me sinto muito mais pleno e feliz quando pequenas atitudes de amor são demonstradas todos os dias. Uma mensagem no celular quando você não espera, um "eu te amo" no meio de uma conversa sobre política brasileira, uma carta surpresa ou a simples disposição em manter contato quando se mora longe - isso sim vale mais a pena. O amor está contido no que a gente faz e na atitude de se aproximar - isto é, o amor é mais do que atitude, mas nos move naturalmente a agir para o bem do outro. 


Finalmente, não poderia deixar de falar de Alguém que era (e é) a própria "verdade no olhar" - mais do que isso, é a Verdade encarnada. Com esse Alguém eu tenho aprendido que "palavras lindas ditas sem pensar" são apenas para se buscar honra dos outros - pois Ele condenou aqueles que oravam em voz alta nas esquinas das ruas somente para serem vistos e que ensinavam os mandamentos divinos mas não praticavam. Esse Alguém é o próprio amor materializado (de fato, todo o perfeito amor está contido Nele), e a maior prova disso é que Ele tomou a "atitude de se aproximar" dos pecadores para que estes conhecessem o Amor. Jesus Cristo veio na forma humana, passou por todas as coisas que nós, seres humanos, enfrentamos [mas sem pecado, conforme a Bíblia] e se fez a prova máxima do amor de Deus por nós - um amor sacrificial, resignado e que o levou à cruz para substituir os que mereciam estar lá, para substituir a mim e a você. Que verdade maravilhosa!


Se você ainda não crê em Jesus Cristo, saiba que "os olhos de Deus estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" e que "o caminho do homem está diante do Senhor, e Ele considera todas as suas veredas". Os olhos daquele que é a Verdade estão atentos a tudo e, por isso, Ele é justo em todos os seus atos - logo, condenará todos os que praticam injustiça e maldade e não se arrependem e salvará todos os pecadores arrependidos e que creem em Jesus Cristo. Logo, assim como Ele olha pra você, olhe para Ele e seja salvo - pois Ele diz que, se olharmos para Ele, seremos iluminados  e sairemos das nossas trevas para a Sua maravilhosa Luz. 




Pela alegria de ter o olhar da Verdade sobre mim,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...

Estou de volta.

Desde a última postagem referente ao Dia dos Namorados, muita coisa aconteceu por aí - manifestações populares por todo o Brasil e ao redor do mundo para dar apoio aos brasileiros que estão lotando as ruas das grandes capitais e também das cidades do interior, a Copa das Confederações, votações históricas em Brasília derrubando as PECs da vida... Mas, contrariando um pouco o que está em voga no país, vou falar de algo que tem me feito pensar bastante há algum tempo. Vamos adiante.


Primeiramente, numa época em que a juventude brasileira está mostrando para o mundo e para si mesma que não é tão alienada, apática ou mesmo alheia à política e à cidadania quanto normalmente parece (há algum tempo o que estava na moda eram os quadradinhos de 4 e de 8, não é?), os poetas e alguns ícones da música têm sido relembrados [como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Cazuza, Renato Russo etc.] e os cartazes que são levados às ruas mostram um pouco da obra de cada um deles. Coisas como "Pai, afasta de mim este cale-se", "Vem vamos embora que esperar não é saber", "Vamos celebrar a estupidez humana" e outras frases de efeito têm se tornado gritos de guerra e de luta popular. Mas, no mesmo clima poético, queria relembrar outra frase de Renato, que na sua canção Quase sem querer (presente no álbum Legião Urbana Dois, de 1986), disse:

"Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira
Mas não sou mais tão criança
A ponto de saber tudo..." 


Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Verdade? Sim, por certo. Vamos aos porquês.

O trecho acima faz alusão de forma poética o episódio da queda de Lúcifer (do hebraico "estrela da manhã"), que segundo a tradição doutrinária cristã era um ser angelical, perfeito e repleto de luz criado por Deus mas que, devido ao seu orgulho e soberba, foi punido severamente por Deus juntamente com todos os que se rebelaram e, por isso, perdeu todo o seu esplendor e formosura. Na Bíblia existem duas passagens que (segundo os estudiosos de teologia) podem estar relatando com detalhes como foi a expulsão de Lúcifer do céu - o qual, depois disso, se tornou "satanás" ou "maligno". Dessas passagens, queria me restringir a uma delas, como segue:

"Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 
Estiveste no Éden, jardim de Deus; te cobrias de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que tu fostes criado foram preparados.
Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o santo monte de Deus; andaste no meio das pedras de fogo. 
Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade.
[...]
Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura e corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei... para que olhem para ti". 
[Livro de Ezequiel, cap. 28, vs. 12-15 e 17]


A passagem bíblica é muito clara - mesmo que não seja exatamente sobre a queda de Lúcifer que o texto esteja falando, a lição deixada é: o orgulho corrompe qualquer virtude que eu possa ter e me conduz à ruína e à vergonha. Não adianta o quanto eu seja bondoso, habilidoso, talentoso e virtuoso - se nos orgulhamos disso, se somos cheios de nós mesmos por isso, se somos esnobes, desprezamos os outros (que sempre nos parecem inferiores a nós) e queremos nos mostrar sábios aos nossos próprios olhos, as virtudes são destruídas. Um velho sábio judeu já disse que o orgulho precede a ruína e que diante da honra vai a humildade e o mais sábio de todos os homens que já passou por aqui disse que o reino dos céus é dos pobres de espírito - ou seja, dos que sabem que não são nada, que não têm nada de que se gabar ou em que se fiar... Como os pobres de espírito estão livres de todas os entulhos do orgulho, eles estão prontos pra receber o Reino. Que coisa maravilhosa! Logo, me vem uma canção na mente: "...Eu quero ser mais 'menos', eu quero ter paz...". 


Eu não quero mentir pra mim mesmo.
Eu não quero achar que eu sou o "melhor melhor do mundo" quando, na verdade, sou o que sou pela bondade de Deus.

Por outro lado, a música ainda diz: "...já não sou mais tão criança a ponto de saber tudo...". Acho que o poeta foi muito feliz nesse trecho, pois o que me vem à mente ao ler essa frase é que a verdadeira sabedoria está com quem é simples, sincero, autêntico e que não se preocupa em ser mais do que se é. Que coisa bela é uma criança - a pureza no sorriso, o olhar doce, o jeito desengonçado mas despreocupado com isso, a alegria contagiante (alegria que se satisfaz com um cano de bica jorrando água num dia de chuva no sertão ou com uma tarde na pracinha do bairro com os pais num dia frio do inverno europeu)... Mas, normalmente, não somos mais tão crianças a ponto de sabermos tudo. Preferimos crescer, saber mais, fazer e acontecer e ter nosso ego inflado. Somos realmente medíocres, quase sempre. Portanto, prefiro relembrar algo que Aquele Sábio mais sábio também disse:

"Antes, qualquer que entre vocês quiser tornar-se grande, será esse o que os serve... E  qualquer que entre vocês quiser ser o primeiro, será servo de vocês... Bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir a dar a Sua vida em resgate de muitos". [Evangelho segundo Mateus, cap. 20, vs. 26-28]


Não tem acordo - se alguém se diz seguidor de Jesus Cristo, tem que se considerar/se tornar/se fazer como o mais insignificante, o menor, o menos digno de honras e tem que abandonar a busca pelos holofotes. Ele não dá lugar para os orgulhosos. Ele não dá vaga para os "melhores melhores do mundo" em tudo. Com Ele, tem que ser como criança mesmo - crianças precisam de ajuda pra tudo, não sabem "se virar" sozinhas, são dependentes e frágeis. Ora, o reino dos céus é dos pobres de espírito e também é das crianças - tudo se encaixa, né?

Finalmente, queria dizer que todos nós, um dia, como anjos caídos, fizemos "questão de esquecer e mentimos pra nós mesmos" - nos julgamos bons o suficiente para dirigirmos as nossas próprias vidas e ignoramos a Deus. Seguimos a dica de uma serpente que nos seduziu com a mentira de que poderíamos ser como Ele e, dessa forma, tudo deu errado. Até hoje continuamos a fazer isso todos os dias - mentimos pra nós mesmos e queremos ser os nossos próprios deuses... E o fim de tudo isso? A separação Dele, do Autor da Vida, da Vida que existe desde a eternidade e que Se manifestou para nos mostrar que ser grande é ser o menor, que ser nobre é se tornar como o mais desprezado, que ser importante é algo para quem sabe que não tem valor nenhum em si mesmo, mas sim Naquele que é o Único Digno. 


Mas a história não acabou assim... Jesus afirma que veio e nos deu o exemplo - mais que isso, Ele se deu para que muitos fossem resgatados de si mesmos e dos seus pecados para que pudessem verdadeiramente viver, viver Nele, por Ele e para Ele. 

E você? Vai continuar "mentindo pra si mesmo" e achar que é autossuficiente? Talvez esse texto chegou até você pra que você se volte para Deus enquanto você está vivo... Ou talvez pra você, que já é religioso e sempre se sentiu superior por ser assim, o texto veio para o relembrar da real mensagem de Jesus Cristo. Seja você quem for, não fique indiferente a Ele - pois Ele deu Sua própria vida por você.




Pela alegria de ser livre da mentira pela Verdade,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bem dentro e lá fora...

Estive ausente por uns dias mas estou aqui de volta.

Dessa vez, pretendo ser realmente mais sucinto em minha postagem, pois o assunto do qual vou tratar deve sair das páginas dos blogs, dos comentários do facebook e das discussões ideológicas para ser concreto, prático, real... Tipo vida na vida.


No último feriado, estive com um grupo de cerca de 500 estudantes do Brasil e de vários países (Guatemala, Guiné-Bissau, Angola, Argentina, Peru, Estados Unidos, Venezuela etc.) em um congresso para universitários organizado pelo Movimento Estudantil Alfa e Ômega, na cidade do Rio de Janeiro. A palavra de ordem era: "Venha o Teu reino", fazendo referência à oração ensinada por Jesus Cristo nos evangelhos de Mateus e Lucas. Logo, o assunto ao qual me referi acima é o reino de Deus.

O reino de Deus é a mensagem central de Jesus Cristo. Ele era o Proclamador do "Evangelho do Reino de Deus" ou da "Boa Notícia do Reino de Deus" e, após escolher os seus 12 discípulos mais próximos, os ordenou a pregar o "Reino de Deus". Sim... Mas por onde começamos? Vamos em frente. 


Reino significa "domínio" ou "governança". Logo, a mensagem primordial de Jesus ao mundo é a de que Deus reina, domina, governa sobre tudo. As criaturas que Ele mesmo fez devem saber disso: Deus é Deus. Sem esse entendimento, não poderemos saber quem é Deus de fato. Tudo começa desse ponto - existe um Reino, logo existe um Rei; existe um domínio, logo existe alguém que domina tudo. 

Mas como é esse reino de Deus? Em que ele se baseia? Quais as suas características?

A Bíblia diz muitas coisas sobre o reino de Deus [ou reino dos céus]... Vamos a algumas delas:

Salmo 45:6 - "O teu reino é um reino eterno..."
Salmo 97:2 - "Justiça e juízo são a base do Seu trono..."
Salmo 103:19 - "...o Seu reino domina sobre tudo..."
Hebreus 1:8: "...o cetro do Teu reino é um cetro de justiça..."
Romanos 14:17 - "...o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo..."
Lucas 17:20-21 - "...o reino de Deus não vem com aparência exterior... porque o reino de Deus está entre vocês..."
João 18:36 - "...Disse Jesus: o meu reino não é deste mundo..."
Hebreus 12:28 - "...Portanto, tendo recebido um reino que não pode ser abalado..."
Mateus 5:3 - "...Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus..."
Mateus 6:33 - "...Busquem primeiramente o reino de Deus e a Sua justiça..."
Mateus 5:10 - "...Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus..."
Mateus 18:3-4 - "...Se não se arrependerem e não se fizerem como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus... Aquele que se faz menor como esta criança, este é o maior no reino dos céus..."


Eu poderia ficar durante vários parágrafos comentando cada versículo, mas eu acredito que a simples leitura deles é suficiente para nos dar uma ideia de que o reino de Deus não tem nada a ver com os "reinos" terrenos. 

No reino de Deus, não há espaço para aparências e glamour - ora, o Reino não vem de modo visível... O reino de Deus é eterno - todos os reinos humanos que já se constituíram ao longo da história já acabaram ou ainda vão ter fim... O reino de Deus não tem nada a ver com materialismo e coisas banais - o Reino é justiça, paz e alegria [mas tudo isso no Espírito Santo, não de forma natural e humana]... No reino de Deus, o maior é aquele que se faz o menor de todos - nada, nada, nada de sermos esnobes, vaidosos e cheios de nós mesmos! Quanto mais orgulho, mais nos afastamos deste Reino... O reino de Deus deve ser a prioridade da vida - Deus é Deus e deve ser temido, adorado, conhecido e servido e, como todas as coisas que existem são para Sua glória, o Reino deve ser buscado antes de tudo e sobre tudo... O reino de Deus não pode ser abalado - as novas ideologias, filosofias naturalistas e humanistas, o relativismo e o antropocentrismo que procura tornar o homem o seu próprio "rei" não pode prevalecer contra Deus [o reino Dele está firmado desde a eternidade]... Finalmente, Jesus disse que o reino dele não é desse mundo - são valores diferentes, propósitos diferentes e, acima de tudo, um Rei totalmente singular e incomparável - Jesus Cristo.


No entanto, tudo isso é muito belo e atraente na teoria - por exemplo, neste blog. Meu objetivo, na verdade, é simplesmente transmitir aquilo que o próprio Deus [por meio de Sua palavra] nos disse a respeito de Seu reino e, a partir desse conhecimento, sermos moldados e inspirados a viver à luz dessa realidade - não temos mais desculpas para sermos omissos, pois o "reino está entre nós" e, se nos consideramos filhos de Deus, devemos ser também canais pelos quais o Reino Dele se estenderá para ser plenamente estabelecido num futuro que somente a Ele pertence. O reino é agora e aqui mas também é amanhã e na eternidade. 

Nesse sentido, visto que ainda existe maldade, injustiça e crueldade no mundo, não podemos dizer que o reino de Deus está "totalmente" em nosso meio. Porém, podemos ter a esperança de que o dia a partir do qual o Reino será pleno e visível chegará - um dia em que uma voz dirá: "...os reinos do mundo passaram a ser de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos..." [Apocalipse 11, vs. 15].


Finalmente, diante de tudo isso, eu não quero correr o risco de ter de ser subjugado ao domínio de Jesus à força. Pelo contrário, quero viver cada vez mais intensamente a realidade do reino de Deus no meu dia-a-dia - na escola, na faculdade, no trabalho, na igreja, no cinema com os amigos, num show de Jazz, tomando banho, pegando ônibus lotado, viajando etc... E, para que esse reino seja cada vez mais notório, a palavra de ordem é JUSTIÇA - pois justiça é o mesmo que retidão ou verdade e, portanto, onde há retidão e verdade, existe amor, graça, compaixão e bondade. Foi assim que Jesus pregou o "reino de Deus" - falando e praticando; logo, só me resta fazer o mesmo pois, se eu sei a teologia certa, o outro passo é praticá-la - ou seja, o reino vai moldando quem eu sou e o que eu faço reflete essa mudança. 


Deus, ouça a minha oração... Que venha o Teu reino, bem dentro e lá fora... Que a Tua vontade seja feita, pra sempre e agora!




Pela alegria de ser parte desse Reino,



Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A medida desmedida...

Voltando enfim.
Voltando para fazer - ou arriscar a fazer - uma das coisas de que mais gosto: expor as minhas reflexões e emoções de modo que tudo traga glória somente a Quem merece recebê-la. 

Então, é hora de escrever!


Sempre que penso no que vou compartilhar aqui procuro ser autêntico (antes e acima de tudo) e cuidadoso com o que será dito. E, como os mais assíduos já perceberam, gosto de brincar com a arte (especialmente a música e a literatura, além de filosofia e teologia). Dessa vez, ouso a externar aqui um pouco do que tenho pensado ultimamente a respeito de uma frase célebre do filósofo e teólogo Agostinho de Hipona, que disse certa vez:

A medida do amor é amar sem medida. Simples assim. Nada mais, nada menos. 


Realmente, falar a respeito de uma frase proferida por um dos mais proeminentes nomes da filosofia e teologia cristãs da História é muita audácia para um leigo nesses assuntos como eu. Entretanto, esse blog é um blog de subversão - isto é, aqui riscos são assumidos, caras são "dadas pra bater" e declarações descompromissadas com a popularidade são escritas em negrito. Que eu tenha sucesso, enfim.

Antes de qualquer coisa, precisamos pensar sobre o que é o amor. Caramba, que pergunta difícil! Sinceramente, eu não sei definir amor. Eu acredito que o amor é, por si mesmo, tão mais elevado e precioso do que qualquer mente humana (por mais brilhante que fosse/seja) pode alcançar. Temos, de fato, vislumbres verdadeiros e de grande valor do que chamamos "amor" mas, como diz o poeta, "por ser exato o amor não cabe em si". 


Por outro lado, dentro do que tem sido discutido ao longo dos séculos nos ramos da teologia, filosofia e demais ciências humanas/sociais, existem 4 tipos de manifestações de amor: o amor por coisas (Afeição), o amor fraternal por pessoas (Amizade), o amor sexual ou erótico (Eros) e o amor sacrificial e benevolente (Caridade ou Ágape). Nesse sentido, acredito que não deve ser do amor por coisas que a frase de Agostinho fala - pois, ao amarmos as coisas sem medida, somos/seremos materialistas e cheios de ganância, o que nos conduz/conduzirá fatalmente a maltratarmos as pessoas e enxergarmos a Deus de modo utilitarista. Logo, não devemos ter um amor "sem medida" por coisas, embora um apreço com bom senso por aquilo que temos seja saudável.


A amizade é uma das modalidades de amor mais nobres e fundamentais para a vida - eu não consigo enxergar minha vida sem meus amigos (eu não sou o único subversivo do mundo e isso me consola! rs)... Não é possível viver (de fato) no isolamento. Somos seres relacionais e carecemos de relacionamentos saudáveis. Os amigos são tão importantes que Jesus Cristo - conforme se lê em Lucas 16:9 - diz que devemos "usar os bens do mundo para ganharmos amigos, para que quando esses bens acabarem, esses amigos nos recebam nas moradas eternas". Isso é extraordinário! Resumindo, o que Jesus quis dizer foi: ame as pessoas e use as coisas, e não o contrário. Porém, por mais que amigos sejam fundamentais, não devemos amá-los "sem medida" - pois eles são humanos e imperfeitos como todos nós somos e, se um dia nos decepcionarmos com alguns deles (ou decepcionarmos alguns deles), teremos desgastado a nossa alma (e vice-versa) e as feridas que podem vir daí talvez permaneçam por toda a vida.   


Por algumas razões, não pretendo fazer uma abordagem a respeito do amor Eros - por mais que seja algo belo, inspirador, prazeroso e divino (dentro dos princípios da moralidade bíblica, digo). Dessa maneira, gostaria de me focar no tipo de amor que alguns chamam "Caridade" ou Ágape - embora esse termo tenha perdido todo o seu sentido original, visto que é normalmente associado a "dar esmolas" ou a fazer a "boa ação do dia". Caridade é muito, muito mais que isso - caridade é aquilo que nos faz "ser" (sem amor/caridade, eu nada seria), é o que traz proveito e sentido a qualquer atitude nobre, dom ou virtude. Parafraseando o apóstolo Paulo, não posso falar de "caridade" - no real sentido da palavra - sem dizer que ela "é sofredora, benigna, paciente, desprovida de orgulho, ciúmes ou vaidade, não é invejosa, não é leviana, não busca seus interesses, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça mas com a verdade compartilhada, além de tudo sofrer, tudo crer, tudo esperar e tudo suportar" (ver 1 Coríntios 13:4-7). Definitivamente, as nossas pretensiosas "boas ações" não podem ser chamadas de "caridade". Portanto, não é de nenhum amor humano que Agostinho fala, por mais que a frase seja dirigida a cada um de nós. Mas que "amor" é esse afinal?


Vou ser bem direto.

Não consigo ler "a medida do amor é amar sem medida" e não pensar em uma prova de amor que já foi manifestada há muito tempo, num lugar chamado Calvário. Deus, o Ser Amor, aquele que se define como "Amor", veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo "porque amou ao mundo de tal maneira..."... Eu simplesmente fico estarrecido diante disso. A causa que moveu o Eterno e Autossuficiente a vir ao mundo foi o amor - poderia ter sido qualquer outro de Seus atributos, mas foi "porque amou". Tão sublime! Nem mesmo as Escrituras conseguem descrever de modo preciso como é o amor de Deus - elas simplesmente dizem que Deus amou o mundo de TAL MANEIRA que deu o Seu Filho. E mais do que isso - Deus prova o Seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Ou seja - todo dia, a cada instante, posso me lembrar de que Deus me ama e não precisa me dar mais provas, porque Ele já deu tudo - Ele deu a Si mesmo. Isso sim é amar sem medida.


Finalmente, se eu me julgo filho de Deus (logo, pertenço a Ele e devo ser obediente a Ele), só me resta aprender, dentro das minhas "medidas humanas", a praticar o amor de maneira mais ou menos parecida. Ora, se eu digo "eu te amo" para alguém e tenho consciência do amor de Deus por mim, eu não posso perder meu tempo com picuinhas medíocres e exigências desnecessárias - eu devo estar focado em exercitar amor e não em despertar ódio e tenho que me concentrar em fazer bem ao outro e não em lançar palavras duras e inúteis. Mas, no fim das contas, por mais que muitas pessoas ao meu redor não se esforcem para isso (e nem eu mesmo para com elas), posso ser plenamente satisfeito - Deus me amou, se deu por mim e sempre me lembra de que sou amado - amado por Aquele que tem o amor que jamais terá fim, que é o próprio Amor Eterno. Se você não tem essa certeza, arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo - assim, esse amor que nunca falha estará sempre com você.




Pela alegre certeza de que Ele me ama sem medida,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Somos quem podemos ser...

Depois de muito tempo, voltei aqui.

Entretanto, dessa vez, tive razões não muito boas para estar ausente - meu computador pessoal está há 3 semanas em manutenção e eu não tive como atualizar o blog... Mas hoje eu dei um jeito e estou dando as caras (risos).


Sem papas na língua, vou direto ao ponto - na verdade, volto a bater na mesma tecla que tenho batido nos posts anteriores. Eu não sei exatamente o porquê, mas não consigo sair do tema da liberdade para ser quem se é na medida em que Deus me conforma à Sua própria natureza. Sabe, é aquela coisa de "não estar preocupado em agradar a todos", de "saber a dor e a delícia de ser o que é", de tomar o jugo suave e o fardo leve Daquele que tem todos os motivos para cobrar de nós porém, em vez de nos oprimir, ele nos ajuda a carregar a cruz ao longo da longa jornada


Desse modo, como gosto de brincar com o que alguns teólogos denominam "graça comum", intitulei este post com o nome de uma das canções mais conhecidas de um grupo de rock gaúcho dos anos 80 chamado Engenheiros do Hawaii... Ah, saudade da boa música dos anos 80 [parêntese].

Somos quem podemos ser.

Primeiramente, somos o que somos. No entanto, por nossa própria identidade de "ser humano", não somos os mesmos o tempo todo. As diferentes fases da vida, os diversos ambientes que frequentamos, as pessoas com quem andamos, os livros que lemos e as músicas que ouvimos e, acima de tudo, os princípios e crenças (ou mesmo a ausência de princípios e de crenças) que adotamos como fundamentos para a vida nos moldam e fazem de nós o que somos. E, sobre tudo isso, está Deus - aquele em quem vivemos e existimos, para quem são todas as coisas e em quem tudo subsiste [Atos 17:28, 1 Coríntios 8:6 e Colossenses 1:17]. Logo, se somos o que somos - seja como for - , é primordialmente por causa Dele. 


Por isso, cada um tem a sua própria identidade e deve ser admirado e/ou respeitado como se é, ainda que as diferenças de comportamento e de ações diante de determinadas circunstâncias nos pareçam "chatas". Eu, por exemplo, não gosto de muitas coisas nas pessoas - indiferença, frieza, falta de sensibilidade com os sentimentos dos outros, humor cruel, zombaria com a ingenuidade do outro, mentira, orgulho, ser esnobe etc. -, mas não ando por aí fazendo campanhas para que elas mudem de comportamento só porque eu quero e pronto. Não perco meu tempo com esses caprichos. Eu estou mais preocupado em me examinar e em buscar ser melhor Naquele que pode mudar o que realmente precisa ser mudado em mim. E só pra lembrar: esse Alguém a quem me refiro não é você, "tá serto"? [perdoem o português intencionalmente errado]. 

Os Engenheiros do Hawaii estão certos - somos quem podemos ser. 


Cada um tem a sua própria história e, como disse Aslam em uma das histórias das Crônicas de Nárnia, "a cada um só é permitido saber a sua própria história". Não tenho que ficar focado nas vidas alheias, como se eu fosse o "salvador da pátria" daquele amigo introspectivo e estressado ou mesmo o "transformador de caráter" daquela menina metida e aparentemente esnobe. Eu não posso mudar ninguém e nem você pode. Se nos relacionamos com os outros baseados em "trocas de favorezinhos" ou de "pequenas barganhas", não estamos nos relacionando com elas e sim sendo sanguessugas delas. Como disse no post anterior, se a Bíblia diz que devemos aceitar uns aos outros assim como Cristo nos aceitou, essa aceitação é baseada em graça e compaixão, em benignidade e em um padrão de justiça diferente daquele do nosso mundo. 


Finalmente, quero mencionar um trecho das Escrituras que tem ficado firme em minha mente esses últimos dias, onde se lê:

"Seu divino poder nos concedeu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento Daquele que nos chamou para a Sua própria glória e virtude, pelas quais Ele nos deu as Suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo..." 
[2ª Epístola do Apóstolo Pedro, cap. 1, vs. 3-4]. 

Mais claro impossível - Deus já nos deu TUDO o que precisamos para desfrutarmos do dom da vida e para fazermos isso de modo justo e íntegro. Na medida em que conhecemos a Ele em Sua plenitude, podemos descansar no fato de que fomos chamados para participarmos de Sua glória e de Sua santidade. A Bíblia nos promete que seremos semelhantes a Cristo quando Ele se manifestar e que fomos predestinados para sermos conformes à imagem Dele (1 João 3:2 e Romanos 8:29). Isso é tão maravilhoso! Os deslizes que damos, as falhas que cometemos, os pecados que praticamos e as coisas boas que deixamos de fazer - tudo isso não impedirá o propósito final de Deus, que sempre faz tudo o que Lhe agrada (Salmo 115:3).  


Os que são de Cristo são novas criaturas - ou seja, é uma natureza nova, uma mente nova, um coração novo. Depois que conhecemos a Verdade e ela nos liberta, eu não preciso passar por "novos processos de libertação" ou por "curas interiores" - eu sou livre! Foi para a liberdade que Cristo me libertou! Eu não vou me submeter a nenhum jugo de escravidão! Eu fico com as Escrituras que dizem que "se o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres". LIVRES! Chega de cobranças farisaicas de comportamento... Eu não aguento mais! Eu sou livre e só preciso me submeter a Cristo e à Sua Palavra. 

E você? Já se deu conta disso (caso você seja mesmo um servo Dele)? Não seja nada além do que você pode ser; seja simplesmente aquilo que a Graça Dele quiser que você seja.




Pela alegria de ser tudo o que posso ser Nele,




Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Como dizia Jean-Paul Sartre...

Voltei.

Depois de estar meio sem tempo para escrever aqui, vou falar sobre algo que tenho pensado há algum tempo. Vamos lá, sem mais delongas.


Ultimamente, tenho pensado sobre uma determinada frase atribuída ao filósofo Jean-Paul Sartre [considerado por muitos como o principal ícone do existencialismo], o qual disse certa vez:

"O inferno são os outros".

Frase forte, não? 
Um tanto esnobe e sarcástica.
Entretanto, apesar de tudo isso, não deixa de ser verdadeira - sob certo ponto de vista, claro.


Nos meus posts mais recentes, tenho tratado de um assunto complicado [para os leitores assíduos e mais detalhistas, isso é bem perceptível] mas necessário: a necessidade de se despreocupar com a "paranoia" de ter que agradar a todos ou agradar à "maioria" e estar focado na convicção de que "felicidade é só questão de ser" na medida em que Deus vai conformando a todos os que creem Nele à Sua própria imagem. Os textos "Fora do sistema" e "De onde vem a minha calma" são bem claros em falar dessa temática... Logo, dando seguimento à mesma linha de raciocínio, quero analisar a citação de Sartre sob essa ótica.


O inferno são os outros.

Quando penso nessa frase, a primeira ideia que surge é a de que, se nos tornarmos escravos da necessidade de bajular as pessoas com nossos comportamentos, ideias, princípios e sentimentos, viveremos uma espécie de "inferno" temporal. Conforme a sabedoria "folk" ou popular, "não se pode agradar a todos". Nem mesmo aqueles que defendem ardentemente o pensamento de que "o que importa é estar dentro das convenções do sistema social e antropológico" agradam a todos. Eu, definitivamente, acredito que nasci para desagradar a muitos - sou irredutível em minhas convicções, intenso na hora de defender minhas ideias, irado quando ferido ou contrariado e totalmente despreocupado com o fato dos "outros" gostarem ou não de mim como eu sou [esse blog é um sinal evidente disso]. Por outro lado, sei que preciso ser mais moderado nesse sentido, mas não é você e nem ninguém que deve e pode fazer com que isso aconteça - Deus é quem pode e já está fazendo isso, se é que você ainda não se tocou. 


Além disso, numa sociedade cada vez mais "pseudotolerante" - tanto fora quanto dentro dos ambientes religiosos (os quais deveriam ser acolhedores, e não opressores) - , somos educados (ou seriam obrigados?) a entrar de cabeça nos "modismos" que "ascendem em abril e se espatifam em maio" constantemente. Ou seja: basta surgir uma "nova onda" [na qual todos estão surfando] ou um novo "ponto comum" para o qual todas as "Marias vão com as outras" se dirigem e... Já era. Os que simplesmente são "diferentes" ou que não são "massas de manobra" estão errados - são quase criminosos, às vezes. Chega de tudo isso! Eu prefiro ficar com as sublimes palavras de Jesus, que disse:

Vocês julgam segundo a carne; eu a ninguém julgo. [Evangelho de João, cap. 8, vs. 15].
Não julguem segundo a aparência, mas julguem segundo a reta justiça. [Evangelho de João, cap. 7, vs. 24].

E porque você atenta no argueiro que está no olho de teu irmão e não vê a trave que está em seu olho?
Ou, como dirá a teu irmão: deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no seu?
Hipócrita, tire primeiro a trave de seu olho, e então cuidará em tirar o argueiro do olho do seu irmão. [Evangelho de Mateus, cap. 7, vs. 3-5]


Jesus diz claramente que é lícito julgar ou exercer juízo sobre as coisas e situações, mas esse juízo deve ser baseado na justiça e na verdade em vez de baseado na aparência, no que está por fora. Em vez de acharmos que somos os "melhores melhores do mundo em tudo" e que temos toda a "moral" pra dar lições nos outros (muitas vezes, só criticamos coisas inúteis), devemos nos preocupar com nós mesmos antes. Sabe, é realmente "deixar pra lá" toda essa cultura do "exterior", de "agradar a gregos e troianos", de ser amigo de "espartanos e atenienses", de dar presentes aos "Aliados" e também ao "Eixo" [para os bons em História, está tudo tranquilo...]. Isso é falsidade. Isso é falta de caráter. É o que alguns chamam "farisaísmo" - em referência ao grupo de religiosos que Jesus sempre condenou pela hipocrisia deles. Pensando bem, os "outros" que vivem dessa forma é que estão criando um "inferno" pra si mesmos e, na pior das hipóteses, podem estar caminhando a passos largos para aquele outro inferno que todos devem temer.  


Finalmente, eu estou tranquilo.

Tranquilo porque, apesar dos conflitos inevitáveis que terei de enfrentar na medida em que me relaciono com as pessoas, sei que Aquele a quem eu devo tudo o que tenho e sou já me recebeu, já me aceitou. Ele, que tinha (e ainda tem) todos os motivos para me desprezar, veio ao meu encontro e me acolheu - como o pai da história do filho pródigo. O Único que tem toda a moral para me corrigir (e que faz isso de fato, mas faz para que eu seja participante de Sua glória, conforme se lê em Hebreus 12:10-11 - quanta graça! ) é o mais paciente e amoroso. Portanto, se queremos ser como Ele é - ou se ao menos nos julgamos Seus seguidores - , devemos fazer o que Ele diz:

"Portanto, recebam-se uns aos outros, assim como Cristo os recebeu para a glória de Deus" [Epístola aos Romanos, cap. 15, vs. 7].


Aceitação mútua.
Amor compartilhado.
O reino de Deus manifesto na prática como fruto da mudança do coração.

Minha esperança é saber que Ele é soberano e que, em algum momento, esse "inferno" do qual Jean-Paul Sartre falou vai ser transformado numa comunidade onde reinará a paz, a justiça e o amor - Apocalipse 21:4-7. Sem dores. Sem fardos de bajulação. Apenas Um será  alvo de adoração, atenção e reverência. O Único que é digno de todas as coisas. Mas, para "os outros" que não se importaram com seus próprios vícios e pecados e viveram julgando e condenando, o destino será bem diferente. 

E então? Você está no grupo dos "outros"? Pense e faça algo o quanto antes, caso seja preciso.



Pela satisfação de ser feliz por quem eu sou Nele,



Soli Deo Gloria!