quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Quando Deus usa megafones...

Dessa vez não demorei muito pra voltar.

Acredito que os textos anteriores tem sido um tanto mais aceitos pelos leitores - tenho buscado ser mais brando e menos áspero, admito - mas, na verdade, ao olhar para esse lado mais ameno de minhas reflexões, acho que falta alguma coisa. Sim, acredito que sou mais "eu mesmo" ou mais "autêntico" quando o "filtro" fica um pouco de lado e a verdade aparece como ela é. Então, que assim seja.


Sem perda de tempo, esse texto é, predominantemente, produto de minhas reflexões do livro "O problema do sofrimento", escrito por C. S. Lewis nos anos 40 do século XX e meu atual livro de cabeceira. Ao longo da leitura, me deparei com uma frase que me fez parar e pensar um bom tempo:

"O sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo". [C. S. Lewis]

Sofrimento.

Talvez essa seja a palavra mais odiada, combatida, não-aceita e incômoda para a existência humana. Não apreciamos o sofrimento. Fugimos dele diariamente, a todo instante. Não importa se somos religiosos ou não, ricos ou não, intelectuais ou não, brancos ou negros, brasileiros ou australianos, nada disso importa - ninguém gosta de sofrer [inclusive eu]. Mas o fato é que sofremos, muito ou pouco, mas sofremos. O sofrimento é algo inevitável para nós, seres humanos, e mesmo para toda a natureza - basta observar os desmatamentos, a poluição atmosférica e das águas (fluviais e marítimas), a pesca predatória e demais ações violentas contra a fauna (bem como contra a flora). De certa maneira, o sofrimento permeia toda a existência pelo Universo e, enquanto estivermos nesse corpo físico, todos nós estaremos sujeitos a ele. Não se iluda com slogans do tipo "pare de sofrer!" ou "seus problemas acabaram!" - não se iluda mesmo. O sofrimento sempre estará presente por aqui, quer queiramos ou não. 


Mas... o sofrimento é mesmo o megafone de Deus? Isso faz mesmo sentido?

Sim. Faz todo sentido.

Primeiramente, uma vez que cada um de nós (sem qualquer exceção) naturalmente não tem prazer ao lidar com o sofrimento [de modo que nos opomos a ele a qualquer custo], o que buscamos avidamente é estabelecer sobre nossas próprias vidas [assim como sobre as vidas dos outros] a "ditadura da felicidade". A Ditadura da Felicidade, como marca da sociedade hedonista e autocentrada de hoje, nos tornou surdos para a realidade que nos cerca - tão surdos que não percebemos os gritos silenciosos de nossa própria alma vulnerável aos sofrimentos do dia-a-dia e, especialmente, surdos em relação ao clamor e à dor do próximo. Mais do que nunca, estamos tão voltados para o nosso próprio umbigo - o que importa é a minha realização pessoal, é meu conforto emocional, é minha "consciência tranquila" [ou seja, o que importa é ser feliz e o resto é resto] - que, possivelmente, nossa maior necessidade é ouvir o alerta divino em alto e bom som: chorem com os que choram, defendam a causa da viúva, acolham o estrangeiro e o órfão, ouçam o clamor do pobre, levem os fardos uns dos outros. Deus ergue o Seu megafone e faz ouvir Sua voz; quem tem ouvidos para ouvir, ouça.


O mundo precisa ser despertado.

Curiosamente, a sociedade mais antenada, conectada, tecnológica e frenética é a mais desatenta e desapercebida do que está ao redor de si mesma - por exemplo, qual de nós não perde diariamente alguns bons minutos digitando mensagens no celular enquanto a vida acontece fora do WhatsApp? E não somente isso, estamos tão ocupados olhando nosso "inbox", publicando um novo "tweet" ou atualizando nosso Instagram e não vemos as pessoas nas esquinas sem comida, usando drogas, dormindo no chão frio [até mesmo em dias de chuva] ou, por outro lado, ignoramos aqueles que precisam de uma palavra de ânimo ou tão-somente de ser ouvidos por nós. 

Com isso, não quero afirmar que esses recursos tecnológicos não possam ser usados para o benefício do outro, porém na maior parte do tempo eles nos entorpecem para a "vida real" - nos afastamos uns dos outros, julgamos as pessoas apenas pelo "ter visualizado a mensagem" e não ter respondido, perdemos a oportunidade de cultivar amizades e bons relacionamentos "olhando nos olhos" ou mesmo ouvindo-se a voz do outro lado da linha durante aquelas ligações intermináveis. Nos tornamos viciados em superficialidade e, como resultado natural, o sofrimento do outro já não nos incomoda mais - a não ser que saiamos em desvantagem. Em contrapartida, Deus continua levantando Seu megafone e ressoando o Seu grito, como está escrito:

"Porque toda a Lei se resuma nesta palavra: amarás o teu próximo como a Ti mesmo". [Gálatas 5:14]

No entanto, a realidade que construímos mostra que estamos afundados em nosso egoísmo. Sim, precisamos ser despertados. 


Porém, esse não é o pior lado da história. 

Quando C. S. Lewis disse que "o sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo", ele mostra que Deus pode até sussurrar em nossos prazeres, entretanto Ele brada em meio à nossa aflição - ou seja, é no meio do desespero e da angústia que a voz Dele se torna mais audível, pois assim percebemos que não nos resta nada a não ser Ele. Além disso, a ideia de que o sofrimento é o "megafone de Deus" traz consigo o fato de que a "temporária felicidade" de muitos que vivem suas próprias vidas como bem entendem [fazendo o mal aqui e acolá] um dia dará lugar ao sofrimento. Jesus Cristo, Aquele que amparou e consolou todos os sofridos e angustiados que encontrou enquanto esteve entre nós, disse certa vez:

Mas ai de vocês, que são ricos, pois já receberam a sua consolação.
Ai de vocês, que agora tem fartura, porque passarão fome.
Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar. [Lucas 6:24-26]


Sim - foi Jesus que disse isso. Essa conversa de que Jesus era especialista em "passar a mão na cabeça", colocar "panos quentes" e "amaciar o ego" não tem nada a ver com o Jesus relatado nas Escrituras. Ele diz claramente, como se estivesse com um megafone em uma de suas mãos, "ai de vocês!" Ai! Ai! Posso tentar imaginar a cena, como se Ele gritasse veementemente aos ouvidos dos que estão sonolentos: "...escutem-me, ouçam a minha voz, pois os dias de alegria estão contados, a felicidade vai desaparecer repentinamente, a fartura vai deixar de existir e os risos darão lugar ao choro...". Na direção contrária, Ele diz bem perto do trecho anterior:

Bem-aventurados vocês, que são pobres, pois o reino de Deus pertence a vocês.
Bem-aventurados vocês, que agora tem fome, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir.
[...]
Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a sua recompensa no céu.
[Lucas 6:20-21, 23]


Resumindo, Jesus mostra que existem duas realidades simultâneas agora e que, no futuro, haverá uma inversão de realidades - alguns desfrutam da vida hoje conforme seus próprios conceitos e ignoram a Deus, enquanto outros sofrem perdas e escassez, todavia permanecem olhando para o Alto. Para estes últimos, o que está reservado é o reino de Deus [um reino eterno, onde não há tristeza ou pranto, e que jamais será destruído] mas, para os primeiros, Jesus fala que o sofrimento baterá à porta deles - baterá à porta e invadirá suas casas, destruindo tudo o que estiver lá dentro, de forma que nenhum deles poderá escapar. Sem delongas, esse será um sofrimento eterno e irreversível, pois a Voz que assim proclamou é a voz divina, diante da qual a terra e o inferno tremem. Logo, é qualquer um de nós que pode ousar tentar resistir?


O megafone de Deus ainda soa e nos avisa firmemente para "sairmos sem olhar para trás" antes que o "fogo e enxofre" advindos de Sua ira caiam sobre nós e nos consuma, a fim de que possamos buscar a Ele enquanto Ele pode ser achado e invocá-Lo enquanto Ele está perto - mas não O busquemos de qualquer maneira, pois apenas os que O buscam de todo o coração O encontram. Desse modo, nos encontramos com Aquele para Quem fomos criados e, assim, desfrutamos da vida eterna, que consiste em conhecê-Lo como único Deus verdadeiro e a Quem Ele enviou, Jesus Cristo.

Você tem ouvido o som do megafone de Deus - tem olhado para o sofrimento do outro com compaixão, aceitado as aflições da vida como algo inevitável e, sobretudo, já foi despertado para a realidade do sofrimento eterno para que O busque? Não seja como os "surdos da cidade dos homens", mas faça parte da "gente que consegue ouvir".





Pela alegria de ter ouvido a Voz dele e ter seguido,





Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Com a terra que sujou a calça...

De volta, aqui estou novamente.

Dessa vez quero ser mais breve no texto, embora os últimos dias desse mês de agosto (que ainda não acabou, pra variar) tenham sido repletos de experiências novas e marcantes - experiências que me moveram a escrever esse post. Logo, vamos em frente. 


O título desse texto está baseado numa canção da banda Crombie, que diz em certo lugar:

"Muitos sonhos por realizar
Mas ainda temos pouca idade
Com a terra que sujou a calça, vivemos sem vaidade..." [Crombie - Sem Vaidade]

Muitos sonhos por realizar.


Nesse sentido, acredito que [talvez] a fase da juventude (depois da infância) seja o momento da vida em que os sonhos ainda estejam surgindo a todo vapor - sonhamos com o curso superior de maior aptidão, depois com a carreira profissional, em seguida com um relacionamento estável e, com base nessas coisas e em outras, almejamos a realização pessoal. Porém, nem sempre todos os desejos e aspirações se concretizam e, exatamente por esses "imprevistos", muitas vezes, muitos sonhos permanecem "por realizar"

Por outro lado, certos sonhos acabam se realizando, ainda que tenhamos "pouca idade" (não é mesmo Andressa? rs) e, ao longo da longa jornada da rotina, a materialização desses anseios aos quais me refiro conferem (ou ratificam) o real sentido dessa existência - sentido esse que começa fora de mim mas, curiosamente, se manifesta em mim e, ao mesmo tempo, passa por mim para alcançar o outro ao meu redor, devendo finalmente retornar à Fonte de onde veio. Compartilhar. Doar-se. Subverter o mal com a Verdade. Viver a Eternidade no dia-a-dia. Missão. Jesus Cristo


Com a terra que sujou a calça.

De fato, tenho aprendido e me certificado que o poeta Renato Russo estava certo quando afirmou que "são as pequenas coisas que valem mais". Num mundo em que a busca insaciável e incessante da maioria dos seres humanos é pelas coisas "grandiosas" e "cheias de glamour", eu até gosto de viver "na contramão", mesmo que isso "soe bem estranho". Por exemplo, pegar uma van nas primeiras horas da manhã de um sábado na companhia de amigos a fim de passar uma semana (de férias para alguns ou [forçadamente] de perda de trabalho para outros) a fim de parar no meio de uma rodovia federal tão-somente para trazer esperança e levar amor a pessoas nunca vistas antes - não uma esperança perecível ou um amor passageiro, mas uma Esperança que salta os muros da efemeridade e um Amor que furiosamente persevera e permanece vivo - é o tipo de coisa que faz minha vida valer a pena. Como se atribui a Leonardo da Vinci: a simplicidade é o grau mais elevado de sofisticação.


Na prática, muita coisa aconteceu: visitas a locais carentes, trabalhos sociais, algumas conversas intrigantes com gente desiludida e outras desafiadoras com gente pretensiosa, andanças por escolas, bate-papos em esquinas e/ou feiras populares e promoção de cultura e arte. Muitos talvez se impressionem com essa lista de atividades, mas para mim todas essas coisas só têm algum valor por causa da "Inspiração" que me levou (assim como a meus amigos) a ser parte disso - "Inspiração" essa que é também o alvo principal e final do que foi feito. Sendo claro: Deus, que é Amor e que é Esperança, é a causa de todas essas coisas e, se existe algo digno de receber mérito, esse algo é Ele. Ora, quando se fala de missão, me lembro de certo poema hebraico que diz:

Cantem ao Senhor e bendigam o Seu nome; anunciem a Sua salvação de dia em dia.
Anunciem entre as nações a Sua glória, e entre todos os povos as suas maravilhas.
Porque grande é o Senhor, e digno de todo o louvor; mais temível que todos os deuses.
Porque todos os deuses das nações são vaidade; mas o Senhor fez os céus. 
[Salmo 96:2-5]


O compositor desse cântico é claro: a glória de Deus deve ser anunciada a todas as nações e todos os feitos Dele devem ser tornados conhecidos entre os povos - simplesmente porque Ele é grande, digno de ser louvado e mais temível do que todos os outros "deuses". Simples assim.

Ou seja - todas as vezes em que a "terra sujou a nossa calça", a cada passo dado no chão desse sertão [que é maior que o mundo, como dizia João Guimarães Rosa], o que deve ficar na mente de cada um de nós é que somos "peregrinos em terra estranha" e andarilhos rumo a uma pátria diferente. Quem deixa a terra sujar a calça tem que viver "sem vaidade" - isto é, não deve se deixar levar pelos "deuses das nações" (ou mesmo pelos ídolos do seu próprio coração) e reconhecer que tudo aquilo que pode fazer vem de Deus, é feito por meio Dele e é para Ele. Dele viemos, Nele vivemos e para Ele seremos conduzidos, se formos parte do reino Dele


Vivemos sem vaidade. 

No fim das contas, para mim é isso que vale - "perder tempo" ao gastar meu tempo fazendo o que Ele me pediu para fazer, "perder tempo" ao doar meu tempo para que outros também conheçam a Ele. Fazer isso com amigos, pelo querido sertão e, de quebra, comendo sanduíches gigantes e experimentando água do Mar Morto... Não tem preço! Enfim, quero que a terra continue a sujar minha calça (pode ser a neve também, pode ser a chuva), contanto que eu "viva sem vaidade" e esteja fazendo a vontade Dele.





Pela alegria de viver sem vaidade,




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

The "tic-tac" of clocks...

Agosto começou.

Para alguns, o "mês eterno"; para outros, o "mês do desgosto". Mas, para mim, é mais um mês como os outros meses, exceto por algumas datas especiais (que ainda guardo na memória) e por ser, de fato, o mês que estou vivendo agora - isso já o faz especial. 

Logo, vamos em frente - pois as ideias estão fervilhando e eu preciso "vir jogando tudo pra fora", "apressando a minha hora" pela verdade


O título dessa postagem pode parecer inusitado mas, na verdade, foi uma maneira de brincar com as palavras, já que esses dias tenho pensado [dentre diversas coisas] no trecho de uma música [da banda britânica de rock Coldplay] chamada "Clocks" (relógios, em português), que diz:

"...Am I a part of the cure? 
Or am I part of the disease?..." [Clocks - Coldplay]

Esse trecho da música, traduzido, é: "eu sou uma parte da cura ou eu sou uma parte da doença?" Cura. Doença. Eu mesmo. 

De fato, o questionamento do autor dessa letra me leva a pensar, primeiramente, sobre a realidade dura do paradoxo "cura x doença". Se existe algo que atormenta todo ser humano - inclusive eu mesmo - é a existência da dor e o fato de sermos vulneráveis a todos os tipos de doença, desde as mais simples (como uma dor de cabeça ou uma gripe) até as mais temidas (como a dor renal ou mesmo um câncer). As pesquisas nas áreas de saúde pública, farmacologia e da química medicinal [no meu caso, especificamente] continuam sendo pertinentes, visto que muitas dessas doenças permanecem efetivamente sem cura e, além disso, novas epidemias (como a que está ocorrendo na África Ocidental, pela disseminação do vírus Ebola) tem voltado a surgir. Porém, existem outras "doenças" piores do que qualquer uma das anteriormente citadas e, provavelmente, foi a elas que o compositor se referiu em sua canção, como Arnaldo Antunes fez na música "O pulso" dos Titãs - letra na qual ele mistura nomes de enfermidades físicas com algumas "doenças da alma". 


Doenças da alma.

Inicialmente, as "doenças da alma", como eu denominei nesse texto, são aquelas relacionadas ao interior, ao caráter e, dessa forma, revelam quem na verdade somos. Por tudo isso, são aquelas que, além de fazer mal a quem nos cerca, fazem mal princialmente a quem as causa - coisas como o orgulho, a soberba, a hipocrisia, a incoerência, a falta de integridade, a injustiça, a indiferença, a mentira e tantas outras - pois, ao mesmo tempo em que se oprime, se violenta e se machuca por meio delas, os próprios "disseminadores" dessas "enfermidades" se encaixam em outro trecho musical, escrito por Renato Russo, que afirmou:

"Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você
Você finge não ver, e isso dá câncer..." [A fonte - Legião Urbana]

Isso dá câncer - câncer em quem é alvo das más ações e das palavras cruéis bem como em quem faz essas coisas pois, como um grande Mestre disse, "uma árvore é conhecida pelos seus frutos, de modo que uma árvore boa não pode dar frutos maus e nem a árvore má dar frutos bons". Isto é, a má conduta, os sentimentos perversos e as palavras estúpidas são sintomas inquestionáveis das "doenças da alma", de maneira que aqueles que adotam esse estilo de vida simplesmente mostram que são "árvores más" e, portanto, continuarão a produzir "frutos amargos e venenosos". Porém, ao olharmos pra nossas próprias vidas, será que também não somos/podemos ser "parte da doença?" 


Na verdade, o mesmo Mestre que falou sobre as "árvores boas e as árvores más", também disse que "o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca é o que contamina o homem". Em outras palavras, é o que sai de dentro de nós que nos faz doentes de caráter ou, ainda mais, nos faz saber que temos um caráter doente, pois também está escrito a respeito dos seres humanos que "não há nenhum justo, que ninguém faz o bem, que todos juntamente se fizeram inúteis, que os seus pés são ligeiros para derramar sangue, que eles falam enganosamente, que eles não conheceram o caminho da paz e nem há temor de Deus neles" - logo, a sentença que cai sobre nós é: somos parte da doença. Toda injustiça e crueldade a nosso redor existe tão-somente por nossa causa - fomos nós que pecamos contra Deus ao desobedecê-Lo desde o Éden e assim continuamos a fazer até esse momento presente, de forma que "se o mundo ainda é mau, o culpado está diante do espelho". Diante desse quadro, cito a canção/oração de Chico César: 

"Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim..." [Deus me proteja - Chico César] 

Mas, se porventura ainda somos parte da doença, como poderíamos ser "parte da cura?"



Cura.

Cura é uma palavra em voga atualmente - seja no campo da medicina, na psicologia ou demais terapias e, mais do que em qualquer época [possivelmente], nos arraiais religiosos... Sim! A "cura" é um ingrediente fundamental da "publicidade" ou "promoção" de qualquer novo "segmento religioso" que aparece na próxima esquina [ou ainda em grandes espaços cheios de glamour e pompa] - ora, nossa sociedade é uma sociedade fisicamente doente, emocionalmente problemática e espiritualmente confusa, de forma que uma conversa positiva que prometa "cura imediata" para qualquer problema que se esteja enfrentando é uma "mão na roda" - digo, nem sempre para quem é necessitado, mas quase sempre para quem usa desse "pragmatismo oportunista" para se dar bem em cima dos inocentes e mal instruídos

Por isso, pensando bem, tanto os que acreditam tão-somente que Deus é um "solucionador imediato de problemas pessoais" como os que fazem dEle um "meio de autopromoção e 'autofavorecimento' por meio de 'curas' e 'milagres fast-food'" também são "doentes da alma", uma vez que não conhecem a Deus como Ele realmente é (e, por isso, não tem qualquer temor genuíno Dele em si mesmos) ou blasfemam Dele descaradamente - a esse respeito, para terror de muitos, está escrito que o Deus que eles ignoram ou zombam afastará para longe de Si os que Ele não conheceu, bem como fará com que os zombadores Dele colham o que plantaram


No entanto... a pergunta continua! Como ser "uma parte da cura?"

Para sermos "parte da cura" em vez de continuarmos como "parte da doença", é necessário reconhecermos que estamos doentes. E, obviamente, um doente não cura a si mesmo, ainda que seja algo simples [em todas as vezes que peguei uma gripe, por exemplo, precisei no mínimo de um analgésico e de vitamina C]. Todavia, as "doenças da alma" (como evidências de nossos pecados) não apenas mostram que estamos doentes, mas que estamos mortos - logo, o que um morto pode fazer? Nada, simplesmente nada! É preciso que, antes de tudo e sobretudo, Alguém conceda vida a esse "morto" para que volte a ser alguma coisa e, assim, possa ter uma nova vida. Nesse sentido, para que sejamos "parte da cura", precisamos sair de nossa condição de morte mediante a ação vivificadora do Autor da Vida - Deus, Aquele que dá a todos os homens a vida, a respiração e as demais coisas e, para quem se arrepende de seus pecados e crê no Seu Filho como Senhor e Salvador, dá também a vida eterna. Como está escrito, "Ele nos deu vida, estando nós ainda mortos nos nossos delitos e pecados" - ou seja, nos resta apenas receber com alegria e confiança o dom gratuito que vem Dele, caso ainda não tenhamos dado conta disso.


Finalmente, eu quero dizer que o "tic-tac" dos "clocks" não para. 

O tempo passa depressa, logo acaba e mal começa. 

Não é hora de somente ler esse texto e dizer: "poxa, esse cara até que escreve bem" ou "ele tem um português bem cuidadoso e coeso". Não me importo muito com isso. A minha real preocupação é se você ainda é "uma parte da doença" de modo que, no contexto desse post, está morto espiritualmente por não ter se arrependido de seus erros diante de Deus e dos outros. De minha parte, eu sempre penso em minha própria vida, para que eu não esteja enganando a mim mesmo ao pensar que já saí da condição de "doente". Felizmente, por pura bondade divina, estou convicto de que Ele me deu vida quando eu era uma "árvore má" a fim de que eu produzisse "bons frutos" e, como parte desses "frutos", eu espero e peço que você pense sobre o que foi dito aqui e busque imediatamente Aquele que pode te fazer "sair da morte para a vida", para que o "tic-tac" seja apenas parte da contagem de uma peregrinação breve até que se chegue ao destino para o qual Ele designou todo aquele que espera e crê Nele - a Casa mais bonita do portão azul, o País de Aslam, a Casa da parede de cor azul ou, simplesmente, o lugar onde Deus está e onde Ele mesmo deseja que nós um dia estejamos também, para vermos a Sua glória e nos alegramos Nele

Portanto, você se encaixa onde?
"Are you a part of a cure or are you a part of the disease?" ou, no bom e velho português, "você é parte da cura ou é parte da doença"?





Pela alegria de ser "parte da cura" pela graça Dele,





Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

E por falar em mimimis...

Julho está chegando ao fim. E eu, mais uma vez, estou aqui.

Depois do texto mais sereno e moderado da semana passada, já me surgiram motivos mais do que suficientes para lançar as minhas ideias como flechas, erguer a minha voz solitária como uma espada afiada e flamejante e direcionar o meu protesto como uma arma de destruição em massa - logo, leitores cheios de "não me toquem" e "frescuras", "socialmente adequados" e "desprovidos de preconceitos" devem sair daqui agora mesmo


Ora... você está ainda nesse blog por quê? Pelo menos nesse momento, tenha um pouco de cuidado com seus pensamentos de veludo e visite um blog de moda, um site tipo "fuxico gospel" ou veja o programa da Sônia Abraão. Sério. Eu avisei. 

Mimimis.  

Eu vejo mimimis. Onde? 

Em toda parte. Por todos os lados. 

A nossa geração é a geração mais mimada, recheada de caprichos, pseudotolerante, pragmaticamente "intelectual de facebook" e mobilizadora de ações em defesa dos "frascos e comprimidos" (ops, dos fracos e oprimidos) que já houve. Estamos na era onde tudo precisa ser "politicamente correto", "sem preconceitos", contrário a todo tipo de suposta opressão "judaico-cristã-ocidental-machista" e, obviamente, deve satisfazer o gosto do freguês - seja qual gosto for. Toda opinião ou perspectiva que pareça requerer o staus quo de verdade, que confronte o estado de conforto pessoal ou simplesmente que aparente ser "antiquada" e "obsoleta" conforme a nossa "mentalidade evoluída" (resultante, em parte, do pensamento iluminista do final do século XVIII) deve ser rejeitada - tudo em nome da "autoestima" e do "bem-estar", em nome da autossatisfação e da "tolerância". Como se diz por aí, o importante é você ser feliz ao seguir o seu próprio coração mas, na medida em que mais gente segue esse pensamento e busca "essa tal felicidade" seguindo o coração, eu só vejo o oposto: estamos cada vez mais infelizes e espalhando infelicidade


Mas... O que há de errado então?

O que há de errado somos nós. Somos eu e você. 

Nós mesmos, que nos julgamos os "salvadores da pátria da internet" - ao criticarmos os "nazistas repressores dos que não são da 'raça ariana' ou israelenses atiradores de mísseis sobre os pobres terroristas do Hamas" ou defendermos os "comunistas bonzinhos que só querem que o Estado seja de todos e sem a mais-valia" -, que "mudaremos o mundo" quebrando agências bancárias e depredando o patrimônio público (ora, se o patrimônio é público e alguns de nós o destroem, agimos como idiotas por não cuidar nem mesmo do que é nosso), que acabaremos com toda a "intolerância" fazendo "marchas de vadias" ou "protestos nus" para dizer que "ninguém manda no nosso corpo" e que temos o direito de "brincar de Deus" e interromper a vida que Ele mesmo gerou, que lançamos nossos "dardos inflamados de purpurina" e colocamos os que têm princípios diferentes quanto ao que é amor, família e relações humanas no mesmo "pacote fobíaco" e que, também, nos entronizamos como "divindades alternativas" e construímos "megatemplos" (ou seriam palácios?) para sediar nossos "mini-reinos universais" de manipulação religiosa e psicológica das massas de manobra. Ora, se algum leitor semelhante aos que citei no início do post chegou até aqui, ainda dá tempo de sair desse site ou, se preferir, pode começar a se expressar - ora, o "mimimi" é livre e eu não vou impedir o seu direito de me odiar por isso


Se pensarmos bem, quanto mais acreditamos ser merecedores de todos os caprichos que queremos realizar ou receber ou, em outras palavras, se agimos como eternos insatisfeitos e assumimos o lugar da "vítima indefesa, injustiçada e reprimida", jamais perceberemos a poesia-verdade que diz que "felicidade é só questão de ser". Desse modo, quanto mais nos considerarmos infelizes por não termos tudo o que desejamos ter, mais insatisfação e infelicidade iremos disseminar. A murmuração e a falta de contentamento são como vírus epidêmicos e sem freio - muito mais violentos e letais que o Ebola, por exemplo - e que contaminam tudo por onde passam. Enfim, quanto mais "mimimi" existir, mais insuportável será viver por aqui. Por outro lado, dentre todos os motivos mencionados no parágrafo anterior, um deles me deixou, me deixa e (provavelmente) me deixará indignado por muito tempo - nós, homens, temos um complexo maligno de querermos ser Deus e de usurparmos a glória que só é Dele de maneira que, para isso, usamos de todos os meios (quase sempre ilícitos) possíveis para edificarmos a nossa Torre de Babel particular e "chegarmos até os céus". 

Ironicamente, uma dessas novas "torres de Babel" está no Brasil.


Sim - essa Babel tupiniquim custou 680 milhões de reais, onde não é permitida a entrada de visitantes a pé [exceto para caravanas com credencial para o dia da visita, onde cada pessoa paga R$ 45,00] bem como não são permitidas filmagens ou fotografias por parte dos frequentadores, sendo finalmente declarada (pelos seus enaltecedores) como o "lugar que Deus escolheu para habitar". 

DEUS? QUE DEUS?

Talvez essa "Babel do Mister M." [quem lê, entenda] seja mesmo a morada de "deus" - de um "deus" adestrado, um "deus bobo da côrte", domesticado, fantoche ou, no máximo, um garçom distribuidor de "milagres fake industrializados" ou mesmo um "mago" criador de "tratamentos" com água e elementos "sagrados" [o sagrado que se tornou hilário] como se fossem poções - na moral, eu sugiro que esses "curandeiros de templos" possam pegar seus aviões particulares e irem direto para Hogwarts, a fim de saberem o que é uma poção de verdade com o nobre prof. Snape (avante Sonserina!) e, quem sabe, encontrarem a Belatrice para receberem sobre si mesmos o "AvraKadavra" e, assim, serem fulminados! Porém, apesar dessa possibilidade estar restrita apenas ao campo da imaginação, eu sei de algo: Deus é um juiz justo, um Deus que conserva diariamente o seu furor e, dessa forma, afia a Sua espada de dois gumes, ergue o seu arco já preparado com flechas mortais e anuncia a todos os que permanecem blasfemando do Seu santo nome por ousarem roubar a glória que só a Ele é devida que "a seu tempo, os pés deles deslizarão", visto que andam em terrenos escorregadios e, portanto, a qualquer instante cairão na destruição que virá sobre todos os injustos que habitam na terra. E, acreditem: o juízo de Deus é infinitamente mais implacável do que o mais poderoso feitiço fictício. 


A verdade é uma só: a cada nova "Babel" que surgir, Deus virá em Seu poder e confundirá os homens que a quiserem edificar - confundir não apenas a linguagem e a comunicação, mas também confundirá seus próprios conceitos elevados a respeito de si mesmos e, no final das contas, tudo será derrubado por terra. Certa vez quando os discípulos de Jesus estavam com Ele, demonstrando admiração ao olharem para o antigo templo de Jerusalém dizendo "Mestre, veja que pedras e que edifícios!", Jesus disse a eles: 

Você vê esses grandes edifícios? Não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. [Evangelho segundo Marcos, cap. 13, vs. 2]

Poucos anos mais tarde, o suntuoso templo de Jerusalém (feito por Salomão e reedificado por Zorobabel) foi destruído por um imperador ímpio lá pelos anos 70 d.C. e, hoje, as únicas ruínas deste templo constituem o Muro das Lamentações - local sagrado de peregrinação dos judeus. Da mesma maneira, qualquer megatemplo (ou torre de Babel moderna, se preferir) está sujeito a sucumbir diante de um simples ataque terrorista ou mesmo depois de uma temporada de chuvas fortes ou outros desastres naturais. Mais do que isso - Deus destruirá toda e qualquer tentativa humana [como Ele sempre fez] de querer tomar o Seu lugar ao buscar adoração, bem como os que querem controlar e manipular outras pessoas, extorquir pobres e incautos e, principalmente, os que inventam mentiras perversas e atribuem cada uma delas ao Deus que é sempre verdadeiro. Todos esses falsos profetas serão exterminados, todos os "mercenários da fé" serão julgados por Ele e todos os "lobos vestidos de ovelhas" que querem manipular pessoas em nome de um "deus falso" terão suas fantasias arrancadas em praça pública e serão entregues à vergonha. Eu ainda creio num Deus justo e que, por isso, ama a justiça e odeia a maldade


Finalmente, eu não vou permitir que o Deus Eterno, Criador e Sustentador de todas as coisas pela sua Palavra de poder, em Quem todos vivemos, nos movemos e existimos, de Quem, por meio de Quem e para Quem são todas as coisas, pelo qual todas as coisas vieram a existir, em Quem está todo o bem e de Quem procede toda boa dádiva e todo dom perfeito seja enclausurado num "templo-palácio" onde Ele não é anunciado com zelo ou fidelidade e, portanto, também não é temido nem adorado. Eu grito em alto e bom som: Deus não está ali! Como disse o próprio Salomão quando construiu o templo em sua época: 

Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos céus, não podem te conter; quanto menos esta casa que edifiquei! [1 Reis 8, vs. 27]

Ele não habita em nada que não tenha sido feito por Ele mesmo, pois apenas Suas próprias mãos podem fazer algo digno de Sua gloriosa presença. Ora, felizmente, Ele prefere essa carne e não quer os templos que cada um de nós poderia construir com as mãos - logo, se alguém acha que pode trancafiar Deus em algum templo, o "deus" que é colocado lá dentro não é o Deus verdadeiro, não é o Deus em que creio e, por isso, deve ser declarado falso. Os "gospeis" lançarão seus "mimimis" de "quem é você para julgar?" ou "não podemos julgar porque também seremos julgados" ou "não toque no ungido do Senhor"... Que ungido? Que Senhor? Não tem unção nenhuma, a não ser uma "unção macabra" saída direto dos caldeirões de heresias do senhor Baal, ou Mamom ou o que seja. Enfim, o único Deus fez do céu o Seu trono e da terra o estrado de Seus pés; ou seja, todos nós não podemos encará-Lo sem ver que somos feitos do pó da terra e que Ele é o Senhor de todas as coisas


E você? Vai ficar de mimimi?

Se quiser, não sentirei falta de seu apoio a minhas opiniões [ora, eu não sou um carentezinho de seguidores ou de likes] mas, se quiser refletir e caminharmos juntos olhando firmemente para Ele, seja bem-vindo!





Pela graça de ser a casa que Ele escolheu para morar,





Soli Deo Gloria!