terça-feira, 22 de julho de 2014

Você tem sede de quê?

Voltei, enfim. 

Depois do maior período de afastamento deste blog - para os mais atentos, por motivos óbvios - estou aqui. E, como sempre, estou pra valer. 

Diferentemente do último texto publicado aqui (pouco antes do início da Copa do Mundo do Brasil vencida merecidamente pela Alemanha, diga-se de passagem), esse post [assim como os próximos que virão, eu espero] será menos saturado de veneno, sarcasmo e acidez - porém as verdades continuarão sendo ditas. Vamos em frente. 


Muitas coisas aconteceram desde então e, a fim de sintetizar todas as efervescências, reflexões, "autoconfrontações" e novos aprendizados, decidi nomear esse post fazendo alusão a uma famosa música dos Titãs, cuja letra diz em certo momento: 

Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? [Comida - Titãs]

Fome. 


Dentre as diversas necessidades humanas, uma das mais fundamentais é a de alimento. Sentimos fome. E sentimos várias vezes por dia - normalmente, esse número varia de 3 a 5 vezes, porém os mais "vorazes" sentem fome o dia todo [não é Yasmin? haha] e, enquanto essa fome não é saciada, não há paz nem quietude. Nesse sentido, alguns sentem fome quando se fala de pizza ou lasagna, outros quando o assunto é feijoada ou acarajé, outros sentem a "barriga roncar" com o cheiro do pão-de-queijo ou mesmo da pipoca na panela. Sendo sincero, eu sinto fome só de estar escrevendo sobre isso (risos) mas, nesses últimos dias, tenho tido fome por outras coisas - coisas que não podem ser compradas no supermercado, nem no melhor restaurante ou mesmo naquela cafeteria premiada pelas revistas de gastronomia

Justiça.


Talvez não exista palavra mais ignorada, ultrajada, pisada e desconhecida atualmente do que "justiça". Embora ela seja usada em discursos eleitorais (ou seriam eleitoreiros?), em diálogos sociológicos e acadêmicos e também em exposições teológicas ou mensagens religiosas, em todas essas esferas (provavelmente) a maior parte das pessoas não sabe o que é justiça. Quando penso em "justiça", me vêm à mente palavras como "retidão", "integridade", "inteireza", "equidade" e "pureza". Logo, uma vez que na sociedade vigente tem se multiplicado a violência, o suborno, a falsa piedade, a incoerência e a corrupção (de modo que as pessoas nem tem uma noção razoável do real significado de justiça), ter "fome de justiça" parece se tornar cada vez mais "utópico" e ilusórioEm contrapartida, vejo nos registros das palavras de Jesus Cristo [conforme escreveu o evangelista Mateus] a revolucionadora declaração: 

Bem-aventurados os que tem fome... de justiça, porque eles serão fartos. [Evangelho de Mateus, cap. 6, vs. 6]

Originalmente, a expressão "bem-aventurado" significa "extremamente feliz" ou mesmo algo superior a isso. Logo, a afirmação de Jesus implica que os que anseiam por justiça [seja ela de ordem humana, social e, especialmente, de ordem espiritual, remetendo-se à Palavra de Deus e à Sua vontade] como quando se sente fome serão saciados - isto é, eles experimentarão a justiça, a justiça que vem do próprio Jesus. Nisso está a "alegria abundante" - desejarmos aquilo que Deus ama [pois Deus ama a justiça e firmou o Seu reino em justiça] de modo que, fazendo o bem ao outro e agradando a Deus, experimentamos a verdadeira felicidade


Sede.

Por outro lado, outra necessidade básica de cada um de nós é "matar a sede". Uns conseguem "matar a sede" com coca-cola (é bom demais, mas em mim dá mais sede), outros matam com um "ovomaltine", outros matam com uma boa limonada, eu gosto de matar com água mas... Tem gente que sofre porque não pode "matar a sede" na hora que ela precisa ser saciada. Recentemente, a sede de todos [particularmente de nós, brasileiros] era pela taça da Copa do Mundo, porém somente os alemães puderam "saciar" essa vontade naquele 13 de julho no Rio de Janeiro. Mas, quanto aos sertanejos, aos que moram nas periferias das grandes metrópoles, africanos e tantos outros espalhados em todo o planeta, todos eles precisam ter sua sede (nesse caso, de água) satisfeita. Entretanto, da mesma maneira que a "fome de justiça" dos parágrafos anteriores, minha sede principal atualmente também não pode [e nunca poderia nem poderá] ser satisfeita por nada que seja humano, temporal, material e efêmero

Deus.


De acordo com a chamada "pirâmide de Maslow", a hierarquia das carências humanas funciona de modo que as necessidades fisiológicas ou materiais devem ser supridas antes das necessidades sociais, que devem ser supridas antes das necessidades emocionais e psicológicas e [estou certo Monara?]... Finalmente, necessidades de ordem espiritual são as últimas da lista. Nesse caso, o ser humano só deveria pensar no lado espiritual de sua vida depois que todas as demais necessidades fossem satisfeitas. Porém, a proposta das Escrituras é bem diferente, pois nelas podemos ler qual é [era ou deve ser] o maior anseio do homem:

Como a corça anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por Ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus? [Salmo 42, vs. 1-2]

O escritor desse poema hebraico expressa de maneira clara e intensa que Deus era o seu supremo anseio. Ele se compara à corça - animal típico dos desertos do Oriente Médio, capaz de sentir/perceber cheiro ou presença de água a quilômetros de distância ou mesmo em profundidades razoáveis - quando menciona seu desejo por Deus, querendo ratificar que a sua necessidade mais essencial, mais fundamental, primordial e indispensável é ELE. Ele se pergunta "quando irei e verei a face de Deus?" num tom que pode expressar algo como "não vejo a hora de estar na presença Dele, de desfrutar da comunhão com Ele, de conhecê-Lo mais profundamente...", fato que inverte num ângulo de 180° a pirâmide de Maslow - pois, agora, nenhuma necessidade de ordem emocional, social, fisiológica ou outra qualquer poderá ser suprida sem que a necessidade de Deus seja primeiramente satisfeita


Finalmente, existe algo a mais aqui: mesmo após a necessidade de Deus ser satisfeita, a verdade expressa por toda a Escritura é de que também as outras carências humanas só poderão ser satisfeitas exclusivamente pelo próprio Deus, pois está escrito que "é Ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas" [Atos 17:25], que "na Tua mão está o engradecer e o dar força a tudo... ...porque tudo vem de Ti, e do que é Teu te damos" [1 Crônicas 29, 12 e 14] e que "Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas" [Romanos 11:36]

Enfim - o alimento, as roupas, a moradia, a família, educação, saúde, segurança, infra-estrutura, lazer, justiça social, respeito entre povos e etnias e, sobretudo, a paz e a esperança de que, após o fim dessa vida de agora, virá a eternidade na companhia Daquele que se deu para morrer por pecadores - sim, mais importante e crucial do que todas essas necessidades que Ele pode nos suprir, é a nossa necessidade de redenção dos pecados e de salvação da ira que virá, da qual somos livres por meio de Jesus Cristo, que veio ao mundo para salvar os pecadores e que ressuscitou para justificação de todo aquele que Nele crê.


Eu tenho fome de ver o fim da corrupção na política, o fim dos subornos e da impunidade, fome de ver famílias estruturadas, de uma educação de qualidade, de um sistema de saúde eficiente, de ver o fim de guerras inúteis e de ver pessoas que dizem conhecer a Deus não negá-Lo mais com suas más obras. Eu tenho fome de justiça! Eu tenho sede de amor e de paz, de ver pessoas desesperançadas encontrarem a razão de suas vidas, de ver orgulhosos abandonando seus pedestais e se dobrando diante da verdade de que todos somos miseráveis e necessitados, sede de ver gente de todos os povos, tribos, nações e línguas vendo a glória do Criador de todas elas. Eu tenho sede de Deus!

Jesus disse que "todo aquele que vem a mim nunca terá fome e que todo aquele que crê em mim nunca terá sede". Ou seja - sempre que percebermos que ainda somos incompletos, carentes e necessitados, podemos ter a certeza de que em Cristo nós somos totalmente satisfeitos. 

E você? Tem fome de quê? Tem sede de quê?






Pela alegria de ter minha sede plenamente satisfeita Nele,




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fake plastic people...

Enfim estamos na semana (provavelmente) mais aguardada do ano no Brasil. 

A abertura da Copa do Mundo vem aí, coincidentemente na mesma data em que se comemora o Dia dos Namorados - 12 de junho. Porém, esse post não será sobre futebol (embora eu seja apreciador assíduo desse esporte e, por isso, um corintiano apaixonado) e, muito menos, não será um post romântico. Ora, um dia é necessário "passar de fase" e abandonar os jogos inúteis.

Aproveite e saia desse blog enquanto há tempo - especialmente se você está apaixonado e realmente acredita que "todo amor sempre vale a pena" ou que tudo será para sempre. Não te contaram que, certas vezes, o "pra sempre sempre acaba"?


Sem perda de tempo, este post foi inspirado numa canção da banda de rock [talvez psicodélico/progressivo/melancólico] britânica chamada Radiohead, cujo título original é "Fake Plastic Trees" ou "falsas árvores de plástico". Essa música ficou mundialmente conhecida por ser trilha sonora de uma propaganda sobre igualdade entre os seres humanos apesar das diferenças ou deficiências. Enfim, quanto ao texto, espero conseguir detonar todas as minas terrestres que existem agora no campo de minha mente. Vamos em frente. 

Plastic people.


De fato, se olharmos ao nosso redor (bem como para nós mesmos), veremos que nossa geração é uma geração marcada pela "descartabilidade". Tudo é descartável, tudo é "plastic" ou "de plástico" - garrafas de refrigerante, copos, pratos, eletroeletrônicos, embalagens, brinquedos etc. - e, infelizmente, começamos a tratar os outros como se eles também fossem descartáveis ou, no mínimo, úteis apenas por tempo determinado. Isto é, a partir do momento em que o outro "não satisfaz mais os meus caprichos" ou "não se comporta como alguém do nível do meu círculo social", eu arrumo uma desculpa cretina [ou seria "crentina"?, quem lê, entenda] e descarto o outro. Por tudo isso, talvez não houve época na qual as relações humanas foram tão notoriamente baseadas em "erros e acertos" ao invés de serem desenvolvidas em comprometimento do que a atual - três semanas podem ser suficientes para que um "amor apaixonado e eterno" seja transformado num "fake plastic love" ou "falso amor de plástico". Eu uso, me aproveito e, depois que não me serve mais, eu jogo fora. Sim, estamos nos últimos dias e tempos trabalhosos estão vindo sobre nós, mas o Sol vai raiar outra vez. 

Fake people.


Por outro lado, como se não bastasse a "descartabilidade" presente nos relacionamentos interpessoais, ouso dizer que não somente consideramos o outro como "descartável" mas, até mesmo quando parecemos valorizá-lo, sabemos exercer nosso "papel" muito bem - ser "fake" (ou falso) é muito fácil, não é? Ser "fake" não exige humildade, não expõe, não traz "autodesconforto" e nos permite agir como manipuladores das circunstâncias e das pessoas. Parafraseando certa música de que gosto muito, digo que "a cidade dos homens está cheia de atores" - atores sociais, atores acadêmicos, atores relacionais, atores comportamentais e, até mesmo, atores religiosos (os melhores "melhores" do mundo, não é verdade?). 

Ahhhh, os atores religiosos! Eles sempre conseguem um "pretexto espiritual" para seu egoísmo prático e latente bem como disfarçam a sua obsessão pela "glória" e pela "autoexaltação" com um "ativismo piedoso" ou pragmatismo eficiente. Nesse sentido, sendo eu também "religioso" (sob certo ponto de vista), reconheço que também estou sujeito a "montar o meu paradoxo no palco e zombar da cruz" com meu "fariseu way of life" e ser um dos "fake people". Nos púlpitos, nos palcos e "altares" dos "congressos de adoração e intercessão", nos encontros teológicos, nos debates sem fim do facebook e em qualquer outro contexto, lá estão os atores religiosos - imponentes, cheios de si mesmos, cumprindo o seu papel de "quase-deus" e, assim, imitando o seu (provável) "senhor e príncipe" que também quis ser Deus... Que petulância! Na verdade, quem tenta "zombar da cruz" traz sobre si mesmo a justa sentença e punição Daquele que morreu na cruz pelos pecadores e que, hoje, dada a Sua ressureição, foi constituído por Deus Juiz dos vivos e dos mortos


Em contrapartida, está Deus. 

Sim, Deus - Aquele que é sempre verdadeiro, em Quem não há mudança nem sombra de variação, que é tão puro de olhos que não pode contemplar o mal e que não pode ser tentado por ele, que é sempre fiel e não pode negar a Si mesmo e que é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Enquanto nós, seres humanos, continuarmos nos julgando dignos de honras e de veneração (seja por meio da satisfação de nossos caprichos ou mesmo por obrigar subserviência da parte do outro), estaremos dizendo que cada um de nós é Deus e, portanto, não poderemos conhecer e crer no Deus verdadeiro. Certa vez, Jesus Cristo disse:

Como vocês podem crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus? [Evangelho segundo João, cap. 5, vs. 44]  

Não há como ser mais claro. Jesus Cristo disse que ninguém que busca honra fora de Deus pode crer Nele, pois quem busca esse tipo de honra já se considera um deus e, desse modo, já tem o seu ídolo (nesse caso, o próprio ego). Entretanto, Jesus disse que não recebe glória dos homens - isto é, Ele buscava e aceitava tão-somente a honra que vinha do Seu próprio Pai. Logo, quem acredita ser discípulo de Jesus Cristo não tem o direito de buscar qualquer outra honra, a não ser aquela que vem de Deus. Ora, minha oração é que Ele mesmo me livre de ser seduzido pelas honras passageiras que não vêm Dele.


Na contramão das relações descartáveis, está Deus novamente. 

Deus, Ele mesmo - Aquele que prova o Seu amor eterno ao dar Seu Filho Jesus Cristo para morrer pelos pecadores, que estabelece um pacto indissolúvel com todos os que O invocam e creem Nele, que nos salva por Sua graça desmerecida e coloca Suas leis dentro dos corações dos homens para que estes O amem e O obedeçam. Os relacionamentos humanos que parecem eternos às vezes não duram dois anos, mas a aliança de Deus com aqueles que se arrependem de seus pecados e creem em Jesus Cristo é eterna. Nós, seres humanos, nos afastamos uns dos outros por causa de "preferências" ou "exigências individualistas", mas Deus não deixa de amar os Seus filhos mesmo quando eles O entristecem. Apesar de sermos vacilantes e débeis, Ele é nosso solo firme e, por isso, permanece sendo misericordioso e bondoso conosco, sempre. Logo, faz sentido ficar "chorando pelos cantos" quando se sabe que o Criador e Sustentador do universo [o único que teria motivos e direitos para nos desprezar] nos ama a ponto de ter dado Seu Santo Filho para morrer por nós? Sim, eu me alegro Nele. 


Finalmente, se Deus é tão diferente das "fake plastic people" e de suas "vidas de descartabilidade", eu não posso "plastificar" a mim mesmo nem "descartabilizar" a vida que Ele me deu. Na verdade, eu devo lutar contra isso! Ora, se Deus odeia toda falsidade (por ser a própria Verdade) e todo tipo de "aproveitamento utilitarista" (por ser misericordioso e benigno), não posso ser diferente Dele. Desse modo, eu não preciso de alguém que vive uma "fake plastic life" e nem vou correr atrás de quem só soube viver relações "descartáveis", nas quais os "erros x acertos" substituem o "doar-se sem reservas" ou o "comprometer-se custe o que custar" - sério, eu não preciso de alguém assim, não preciso mesmo. Pelo contrário, eu preciso aprender a amar da mesma maneira que sou amado por Aquele que me amou primeiro e, assim, não serei uma "fake plastic people", mas tão-somente a "carne que Ele preferiu para fazer a Sua casa". 

E você? Tem vivido uma "falsa vida de plástico" [isto é, parece vivo mas está morto] ou já recebeu a Vida ao encontrá-Lo?





Pela agradável esperança de viver plenamente Nele,





Soli Deo Gloria!

sábado, 31 de maio de 2014

Ser ou não ser... eis a questão?

Maio já está no final. E eu estou de volta. 

Enquanto todo o mundo (de certa maneira) espera pelo início do maior evento esportivo do futebol - a Copa do Mundo, que começa daqui a duas semanas em São Paulo, com a estreia da Seleção Brasileira na Arena Corinthians - , eu continuo tendo um ou outro "insight" aqui e ali. E, como sempre, eu preciso colocar pra fora.


Ser ou não ser.

Essa era a "questão" célebre da obra "Hamlet", escrita pelo ilustre escritor William Shakespeare. Embora eu não recorde detalhes, acredito que o paradoxo "ser ou não ser" inquieta o ser humano desde tempos remotos da história. De fato, mesmo que os últimos tempos estejam sendo caracterizados pelo "ter ou não ter, eis a questão", no fim das contas a busca (ou anseio) primordial de cada ser humano está mais ligada à sua essência do que a qualquer outra coisa. 

Ser... Mas ser o quê? Quem?


Primeiramente, todos nós já somos alguma coisa - ora, já nascemos e estamos aqui. Cada um tem um nome, um tipo físico, uma família, gostos pessoais, habilidades, desejos, defeitos, frustrações, crenças e princípios. Mesmo que, neste sentido, todos nós já "sejamos" algo, a insegurança pessoal ou mesmo a crise de identidade continua sendo a "trademark" do século. Somos eternos insatisfeitos - mudamos a aparência, mudamos de emprego, mudamos de universidade ou de curso superior, mudamos de escola, terminamos e começamos novos relacionamentos, mudamos os nossos amigos, mudamos de igreja ou de religião e, ironicamente, nada muda debaixo do sol. Sempre estamos à procura de novidades que possam nos dar essa "convicção de identidade" mas, obviamente, não resolvemos o problema. Permanecemos descontentes com tudo e todos pois, não percebemos que em vez de irmos atrás de coisas que nos ajudem a "ser", devemos estar seguros de quem já somos para priorizarmos as coisas certas. 

Não ser... Não ser?


"Não" é uma palavra incômoda. Só usamos o "não" quando nos é conveniente. Por exemplo, não gostamos de ser incomodados quando estamos sozinhos em casa tranquilos, não queremos tirar notas ruins nas atividades da escola ou faculdade ou não queremos namorar alguém que nos confronte quanto a nossos defeitos - porém, nem todos os "nãos" são apreciáveis a nossos olhos. Cada "não" que ouvimos de nossos pais quando éramos crianças, o "não" daquela pessoa que despertou seu interesse, o "não" ser aprovado no vestibular desejado - isto é, os "nãos" podem ter causado muitas lágrimas a cada um de nós, mas todos eles são necessários. Em suma, a ilustre questão de Hamlet - "be or not to be" - me faz pensar que a nossa mais profunda necessidade é saber quem de fato somos (logo, quem também não somos) para saber o que precisamos ser (portanto, o que precisamos "não ser"). 

Quanto a isso, queria mencionar um trecho curto de uma passagem bíblica, onde se lê:

"Pela graça de Deus, sou o que sou..." [1 epístola aos Coríntios, cap. 15, vs. 10a]


O escritor bíblico afirma, de maneira indubitável, que o que ele é vem da graça de Deus. Ele fala de todo o seu trabalho e, mesmo assim, se considerava o menos importante dentre todos os que trabalhavam na mesma missão que ele, declarando que tudo o que ele fez foi resultado da graça de Deus nele. Ou seja, se consideramos as Escrituras como verdadeiras ou divinamente inspiradas, não há meio-termo ou segunda opção - não somos nada e, se somos alguma coisa (seja lá o que for), é pela graça de Deus. Não há qualquer margem para vanglória, autopromoção ou autoengrandecimento; o homem é nada e Deus é tudo. Eu não sou nada e, caso eu seja alguma coisa, isso é dom, dádiva, pura graça da parte de um Deus que faz tudo livremente sem compromisso com nada ou com ninguém, a não ser com Sua própria glória e conforme Sua vontade. 


Além disso, Hamlet me fez lembrar de uma canção recente de uma de minhas bandas de rock favoritas, que diz:

Por que quero e tento ser o que não sou
Se Aquele que é abriu mão de "ser" e se fez o menor? [Não ser - Oficina G3]

O poeta questiona a si mesmo sobre a ávida e desenfreada busca do homem por "máscaras" de grandeza e de glamour [tentar ser o que não se é] em contraste com a atitude do próprio Jesus Cristo que, quando esteve neste mundo, "não se apegou ao fato de ser Deus mesmo sendo Deus, esvaziando-se e assumindo a forma de homem, humilhando-se à forma de escravo e sendo obediente até a morte, e morte de cruz". Não importa o ambiente - religioso ou não, moralista ou não, politicamente correto ou não -, todos nós somos seduzidos por "parecer" o que não somos na realidade, pois isso impressiona os outros e infla o nosso orgulho. Amamos nos exibir em nossa "espiritualidade artificial e fajuta", somos sempre prontos a negar a corrupção furiosa de nosso coração mas, do outro lado, está Cristo - sim, o Verbo que é Deus, por meio de Quem o universo foi feito, em Quem tudo se sustenta e para Quem tudo foi criado está ali, humilde e manso, chamando os pecadores (religiosos ou não) para renunciarem a si mesmos e à própria vaidade para aprenderem Dele. Logo, por querer e tentar muitas vezes ser o que não sou, devo me arrepender e, então, abrir mão de "ser alguma coisa" para "ser", dessa maneira, mais parecido com Aquele que é. 


Então... Qual é a questão?
   
A questão primordial não consiste no que "eu sou" ou "não sou" nem mesmo se eu devo "ser" ou "não ser". Antes de tudo, Deus é - independentemente do que eu pense sobre Ele ou mesmo se eu nem pensar Nele, Ele continua sendo. Certos poetas gregos da Antiguidade diziam que "somos descendência Dele" e que, por isso, vivemos e nos movemos Nele. Na verdade, a humanidade está em busca da coisa errada - todos querem se promover ou se engrandecer, querem montar altares para si mesmos (ou palcos, em alguns casos) para serem adorados [inclusive aqueles que dizem ser "servos" de Jesus Cristo] e vivem para a própria fama

No entanto, se nenhum de nós é Deus (ou melhor, se Ele é totalmente distinto de nós, separado, elevado e incomparável), o que devemos fazer é promover a "fama" Dele ou viver para o "renome" Dele, pois está escrito que "em Teu nome e em Tua memória está o desejo de nossa alma, pois esperamos em Ti ao andar pelo caminho dos Teus juízos". Eu não preciso ser quem eu não sou e nem preciso deixar de ser o que já sou por causa dos outros nem por causa de mim mesmo - eu preciso tão-somente que a graça de Deus, pela qual já sou o que sou, faça com que eu seja mais semelhante a Ele. Ao invés de viver na crise de "querer parecer" ou ainda de "tentar ser" o que os outros esperam que eu seja, eu vou "procurar a Paz que não se encontra em mim" , pois a plenitude de vida "não se pode achar em alguém como eu". 


Quem você é (ou não é)? Quem você tem buscado ser (ou não ser)? 
Você já entendeu que a questão é que Ele é tudo e você não é nada? 





Pela alegria de ser tudo o que preciso ser Nele,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Soli Ecclesia Gloria?

Demorei um pouco menos, mas voltei.

Mas não pense que a indignação se apaziguou - na verdade, eu não tenho mais esperança de que, finalmente, não terei mais motivos para me revoltar. Depois dos "50 tons de incoerência" da semana passada, vamos aos novos turbilhões que precisam sair pelas comportas abertas de minha mente. Enfim, que a serenidade coexista com o zelo pela verdade. 


O tema de hoje é uma adaptação de um dos 5 lemas que nortearam/caracterizam o pensamento cristão formado na época da Reforma Protestante, cuja versão original dá título a este blog - o que chamamos "Soli Deo Gloria", que traduzido é "somente a Deus seja a glória". 

Mas não é essa a realidade regente da vida humana. 

Em suma, tudo o que os homens mais ignoram é a glória de Deus e o que mais odeiam é lidar com o fato de que a glória pertence apenas a Ele. E, pra variar, mais uma vez o meu foco nesta postagem é denunciar que, onde se deveria buscar enaltecer a glória de Deus com todo o zelo, amor e alegria, muitas vezes, é onde esta glória é mais negada ou mesmo substituída por outras "falsas glórias". Bem, hoje eu quero denunciar o "Soli Ecclesia Gloria" - o que seria, resumidamente, "somente à igreja seja a glória". 


Primeiramente, quero esclarecer algo: eu acredito na igreja como instituição estabelecida por Jesus Cristo, o Filho de Deus, e também como um organismo vivo, pelo qual Deus e o Seu reino se manifestam no mundo.  

A Bíblia diz que a Igreja é Dele e que Ele mesmo a edificaria, que é por meio da Igreja (como comunidade dos seguidores de Jesus) que a multiforme sabedoria de Deus é tornada conhecida e que ela é a coluna e baluarte da verdade. Eu amo a Igreja de Jesus Cristo. Ela é descrita como a noiva imaculada do Filho de Deus, aquela que Ele mesmo comprou pelo Seu sangue e a purificou por meio da Sua Palavra. Logo, se eu não amo o que Ele mesmo estabeleceu, eu não posso me considerar um seguidor verdadeiro Dele. 

Por outro lado, devido às próprias contradições humanas (as quais também resultam, em certa medida, da nossa condição caída e corrupta devido ao pecado), existem várias "igrejas", "denominações", "religiões" e "seitas". Tem para todos os gostos: carismáticas, tradicionais, independentes, reformadas, pentecostais, neopentecostais, hexacostais (the zwera never ends), sociedades secretas, naturalistas, liberais etc. Talvez você possa até inventar a sua própria "igreja"! Mas, apesar das minhas ironias, o que tem me indignado é ver que, em nome de um "pretenso zelo" por doutrinas e correntes teológicas, temos pisado em verdades profundas que as próprias Escrituras (que julgamos, por certo, estar obedecendo) nos mostram claramente. Como diz certo poeta, "a morte se esconde atrás dos templos". 


A denúncia deste post se baseia nas afirmações feitas pelo Apóstolo Paulo, assim registradas nos escritos do Novo Testamento:

Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. [...]
Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. [1 Coríntios 12:24-25, 27]

O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica.
Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas, se alguém ama a Deus, este é conhecido por Ele. [1 Coríntios 8:1-3]

Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. [Romanos 12:3]


Paulo, nos outros versículos presentes nos textos mencionados, mostra que, assim como num corpo há muitos membros, os quais são diferentes entre si, assim é com respeito a Cristo e ao Seu corpo, à Igreja. Essa babaquice de "uniformidade", onde todos devem ser "iguais a todo mundo", onde se "é proibido pensar", em que reina a "espiritualidade Gabriela" e todos são forçados a ser "Maria vai com as outras" não é o modelo bíblico de Igreja. Obviamente, o fundamento deve ser apenas um, e este já está estabelecido - Jesus Cristo. No entanto, é exatamente pelo fato do fundamento ser Cristo (o Deus de toda a graça, da graça multiforme) que devemos reconhecer que haverá diversidade entre os que seguem a EleSim, Cristo não está onde há desvio da verdade e negação das Escrituras, contudo a mensagem dada aqui é para que todos tenham IGUAL cuidado uns dos outros, que não haja divisão no corpo, que cada um não se considere superior ao seu próximo e que Deus conhece os que O amam, e não os que julgam saber demais sobre Ele. 

O maior mandamento sempre será o "amar a Deus" e não simplesmente o "saber coisas sobre Ele". Quando eu conheço sobre Deus e não passo a amá-Lo de todo o coração, alma, entendimento e forças, o meu conhecimento não me diferencia em nada de um demônio, pois "até os demônios creem que há um só Deus, e estremecem".


Glória seja dada à igreja... À minha, de preferência. 

Nunca se viu tantas "guerras frias religiosas" como nos dias atuais, particularmente entre os arraiais "cristãos". Católicos tradicionais x católicos carismáticos, fundamentalistas x liberais, reformados x neopentecostais - sim, hoje tem guerra e amanhã também! - configuram disputas acirradas por influência, por "autolegitimação" ou tão-somente para não perderem "debates". Sabe de uma, eu estou cansado dessas coisas! Sim, embora eu ame a teologia reformada e tenha críticas severas e implacáveis contra certos aspectos do liberalismo e do neopentecostalismo, o fato de eu julgar mais coerência em uma determinada corrente teológica não me dá o direito de buscar "ter a razão" quanto a todo e qualquer aspecto da vida, pois as "teologias" são também construções humanas e, por isso, são imperfeitas [por mais que algumas sejam esdrúxulas e outras sejam inspiradoras]. 

Minha esperança está no que o mesmo Paulo diz: quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Chegará o dia em que nossas "percepções parciais" sobre Deus e tudo o que diz repeito a Ele serão extintas. Não haverá mais "denominações" ou "segmentos", "teologias históricas" ou "teologias modernas" - todas essas construções intelectuais serão desnecessárias e vãs, pois o Deus verdadeiro, a quem devemos tudo o que temos e somos, Aquele em quem vivemos, nos movemos e existimos, para Quem são todas as coisas e por Quem todas elas vieram a existir, se mostrará plenamente glorioso e belo para aqueles a quem Ele resgatou para Si mesmo. Ele será o bastante. 


Mas, por enquanto, o "narcisismo teológico" vigora. Infelizmente.

Ultimamente, estamos nos tornando cada vez mais idólatras disfarçados - seja pela veneração cega e estúpida para com os "falsos ungidos do Senhor" com suas "patriarcagens apostólicas", seja pelo apego inquestionável a teologias humanas (ainda que muito valiosas, mas ainda humanas e incompletas). Eu não quero ser um "narcisista teológico" com aparência de piedoso e zeloso (Deus me livre disso), pois Cristo não me dá nenhuma autorização para ser alguma coisa além de Seu discípulo, Seu escravo, Seu imitador. Logo, como discípulo, escravo e imitador Dele, devo dizer o que Ele disse e fazer o que Ele fez - isto é, anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, (ou Reinado de Deus, que consiste em justiça, paz e alegria) por meio do convite ao arrependimento dos pecados e à fé Nele, assim como ser sal da terra e luz do mundo, de modo que os que vêem as boas obras que Ele me concede realizar glorifiquem a Ele. 

Finalmente, reafirmo o que disse Abraham Kuyper: "Não há nenhum centímetro quadrado no universo, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é Meu". Ora, se Ele é o Senhor de cada centímetro quadrado do Universo, todas as coisas criadas (a começar de mim) devem expressar (e expressam desde já) a Sua glória e majestade, exibindo para quem quiser ver que, mais valioso do que elas mesmas, é o Seu Criador. A vida cotidiana, a sociedade, o trabalho, a cultura, a religião, a ciência, a educação, os esportes, a arte, a família - tudo foi feito para Ele, Nele e por meio Dele. Não há como seguir a Cristo sem ser inteiro, integral ou completo, pois "Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade e, por estarem Nele, que é o Cabeça de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude". Se Cristo é "tudo em todos", eu só posso ter vida se tudo em mim for para Ele. Mais do que mero conhecimento sobre Ele, eu quero conhecer a Ele, pois conhecê-Lo é a própria vida - e vida eterna. 



E você? 
Quer se contentar com um conhecimento inchado de Deus (o que coloca você no mesmo patamar de um demônio) ou quer conhecer a Ele a fim de amá-Lo e segui-Lo?





Pela alegria de poder amá-Lo e ser conhecido Dele,




Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

50 tons de incoerência...

Há tempos não passava aqui mas hoje será necessário.

Eu estou indignado. Revoltado. Furioso. Eu preciso protestar. 

Não posso perder tempo com introduções - eu preciso arremessar essa bomba atômica que está prestes a explodir dentro de mim. E, claro, eu não estou preocupado com o estrago que ela poderá causar. Simplesmente se afaste, se não puder aguentar o tranco.


Incoerência. Essa é a palavra do dia para este post.

Incoerência, segundo o Dicionário Online de Português, significa "estado do que é incoerente, discrepância, falta de lógica ou inconsequência". Na prática, incoerência pode ser relacionada a expressões como "dois pesos e duas medidas" ou mesmo "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Resumindo, o incoerente é aquele que só defende o que lhe agrada ou combate em favor do que lhe é conveniente - tudo o que o incoerente quer é permanecer na sua zona de conforto e, assim, poder criticar e zombar de tudo e de todos que estão fora do seu "padrão de verdade absoluta"

Eu poderia falar de muitas incoerências, mas o único tipo de incoerência que pode me deixar revoltado da maneira que estou é a religiosa. Então, segure-se na cadeira. 


Parafraseando um livro que é recorde de vendas nos últimos 5 anos (chamado 50 tons de cinza, de temática adulta explícita), arrisco dizer que a incoerência religiosa também tem seus "50 tons" - talvez mais do que isso - , pois cada religioso cria em sua própria mente um "deus domesticável" que deve satisfações aos seus "caprichos pseudoteológicos" com base num zelo por costumes e tradições que, muitas vezes, nada tem a ver com o Evangelho que tanto acreditam ser parte de suas vidas. Em suma, dizem ter zelo por Deus mas não têm entendimento, se julgam sábios na Lei de Deus e nem entendem o que afirmam, destroem aqueles por quem Cristo morreu por causa de coisas banais e acabam se condenando naquilo que aprovam - logo, são infortunados e infelizes, embora se achem até mais dignos do céu do que os outros. 

Não existe esse papo atrevido e medíocre de dignidade própria - se enxerguem! A Bíblia diz exatamente o contrário na carta aos Colossenses, que afirma que "Deus nos fez dignos de participar da herança dos santos na luz..." [Colossenses 1:12]. Ou seja, se Deus não decidisse conferir essa dignidade, ninguém teria herança nenhuma com Ele - todos teríamos o peso de sua fúria e indignação no inferno, visto que ninguém seria tirado do império das trevas para ser transportado para o Reino de Cristo se Deus não estivesse afim de (bem como decidido) fazer isso. Se olhe no espelho. 


Para aliviar um pouco as tensões, acredito que a melhor maneira de continuar esse texto é mencionando uma canção chamada "Não fale", dos irmãos Arrais, como mostrado nos trechos a seguir:

Não fale que O encontra nas suas ondas de fé e não na Palavra
Não na Palavra...
Que mais há hoje é graça sem juízo
Que traga amor e paz, sem compromisso
Seguindo tradições de homens, não de Cristo...
Pois se tenho a Cristo eu tenho a Verdade, sim
No "assim diz o Senhor" e não no "eu acho ou sinto que"... [Não fale - Os arrais] 


Não existiu na história da religião (particularmente, da religião dita cristã) nenhuma época na qual as "ondas de fé" tomaram o lugar da "Palavra" como a época atual. Todo culto tem uma revelação nova, um "tipo fresco de unção", uma transferência sobrenatural e "profética" ou um novo manto "apostólico" - e, infelizmente, muitos acreditam que estão mesmo do lado da Verdade, ao lado de Cristo. Particularmente, eu creio que Deus sempre revelou, revela e revelará coisas aos que caminham com Ele, porém todas elas se encontram ou se baseiam em Sua inerrante, suficiente, completa e perfeita Palavra, a qual chamamos Bíblia. Isso significa que, se você acha que está tendo encontros com Deus (tremendo não?) através das "ondas de fé" produzidas por homens e não pela Palavra, você está sendo enganado - pois a Bíblia afirma que a Palavra de Deus é a Verdade, que somos limpos pela Palavra, que é pela Palavra que podemos crer em Deus e que a Palavra ilumina nossos pés e o nosso caminho. Se a Palavra de Deus é substituída ou se algo é acrescentado a ela como se ela não fosse o bastante, cairemos no erro e na ilusão de um Deus fictício. 

Seguindo tradições de homens e não de Cristo.


Se, por um lado, muitos que se dizem "seguidores do Cristo" inventam uma "novidade ungida" a cada culto, congresso ou conferência, existem aqueles que vivem uma "religiosidade Gabriela" - "...eu nasci assim, a minha igreja sempre foi assim, eu aprendi os usos e costumes assim, as minhas práticas são assim e eu vou morrer assim... Gabriela". Não há renovação da mente, não há iluminação do Espírito Santo para amadurecimento em Cristo, não há o prosseguir para o alvo... Só existe o "jeito Gabriela" de servir a Jesus. Eu não vou me adaptar. Me julguem. 

Tudo isso são tradições de homens! São ensinos de homens! Se Deus odeia isso, eu devo odiar também, pois está escrito:

Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens.
Por isso uma vez mais deixarei atônito este povo com maravilha e mais maravilha; a sabedoria dos sábios perecerá e a inteligência dos inteligentes se desvanecerá. 
[Isaías 29:13-14]


Eu não tenho obrigação de seguir suas tradições. Eu não vou me submeter a nada que tenha apenas "aparência de piedade". Os "50 tons de incoerência" são tão fortes que, ao mesmo tempo em que se condena quem aprecia vinho alcoólico por questões medicinais ou mesmo por gosto pessoal, nada se diz sobre a gula. Além disso, ao mesmo tempo em que se dá a entender que a mensagem de Cristo é suficientemente poderosa para salvar o homem pecador, há uma demonização daquilo que Deus mesmo deu aos homens para a Sua própria glória (e que é útil e lícito), especialmente a arte (seja pintura, teatro e, especialmente, a música). Eu amo a arte e sei que ela reflete a imagem de Deus nos homens; logo, ela não precisa de justificativas [ela é válida simplesmente por mostrar a beleza da criatividade humana como evidência externa da Beleza do próprio Deus]. Assim, eu vou continuar falando sobre o Cristo que "me buscou onde a estrada era só escuridão" com minhas gírias, sem precisar adotar uma "moda monástica", por meio das músicas que escuto e, obviamente, exaltando a simplicidade de Seu glorioso Evangelho. Pode me julgar!

Ora, se você não gosta de rock, hip-hop, samba, baião, folk, blues dentre outros ritmos musicais [ou sataniza toda arte que não se encaixa na sua mente religiosa ou em seu "deus fantoche"], não destrua aquele por quem Cristo morreu por causa disso - cale-se por um momento e procure examinar a sua própria fé, a fim de perceber se você está mais confiado na sua justiça de trapos imundos em vez de estar rendido à suprema graça redentora do Filho de Deus. A Bíblia diz que todos nós devemos estar de boca fechada, pois todos somos condenáveis diante do Eterno - Ele é quem julga, Ele é quem dá o veredicto (ou melhor, já deu), Ele é quem dá as cartas do jogo. Deus continuará a fazer maravilhas que estão "fora de nosso sistema religioso" e vai continuar a confundir os "falsamente piedosos" e os "sábios" com a loucura da pregação da graça multiforme - Ele é Deus e, assim como Aslam de "As crônicas de Nárnia", Ele não é domesticado. 


Finalmente, o nosso problema se resume no que disse o físico Blaise Pascal: "Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança, e os homens fizeram Deus à sua própria imagem". Cada um faz na própria mente o "deus" que lhe convém - seja aquele espetaculoso com o "paletó ungido" ou aquele que, de tão "sacrossanto", só acredita num Deus que andou com pecadores e prostitutas porque a sua Bíblia diz, de forma que desacreditar disso lhe seria vergonhoso. Jesus afirma que existiram e existirão prostitutas e outros marginalizados que entraram e entrarão no Reino de Deus antes de muitos religiosos e aparentemente "cheios de boa moral" - por que ainda permanecer numa arrogância idiota? A minha resposta é a mesma de Paulo: "...onde está, pois, o motivo de vanglória? Foi excluído. Por qual lei? A das obras? Não, mas pela lei da fé" [Romanos 3:27]. Fé em Cristo é tudo o que Ele aceita como agradável para que sejamos agradáveis a Ele.

Eu não quero entrar no ritmo dos "50 tons da incoerência", pois o Deus Criador, Sustentador e Senhor de todas as coisas só tem uma Voz, um Tom, uma Palavra e uma Verdade - Ele não é Deus de confusão nem de antagonismos, mas é totalmente puro. Todas as coisas boas que existem são Dele, existem Nele e são para a glória Dele. Portanto, "não me submeterei nem por um momento, para que a verdade do Evangelho permaneça", ainda que fique só - sem a honra dos homens, mas ao lado de Cristo.


Quais são os tons que tem embalado sua vida? 
Os "50 tons de incoerência" ou o tom que vem da graça do Grande Maestro?




Pela alegria de ser embalado pelo Tom Supremo,



Soli Deo Gloria!