sábado, 19 de abril de 2014

La vita è adesso...

Dessa vez não demorei muito a voltar aqui.

Nesse texto, pretendo falar um pouco sobre a Páscoa e tudo o que tem sido relacionado a ela (seja coerente ou não) em meio a outras daquelas reflexões pessoais que nascem nos turbilhões e insights da alma. Vamos lá, em frente.


Primeiramente, talvez você esteja pensando o seguinte: que relação existe entre a Páscoa e o título desse texto - que, traduzido do italiano, significa "a vida é agora"? Bem, acho que faz certo sentido sim, e espero conseguir transmitir isso em poucas palavras.

Após explicar o significado do título deste post, é necessário esclarecer a origem da Páscoa e seu sentido legítimo, pois o mesmo se perdeu ao longo da História. A Páscoa é uma festa típica judaica (a palavra "páscoa" deriva da palavra hebraica transliterada "pessach", que significa "passagem"), a qual seria celebrada em memória da saída do povo judeu do Egito depois de alguns séculos de escravidão. Segundo os relatos bíblicos registrados no livro do Êxodo, Deus instituiu a festa da Páscoa no momento em que Ele mesmo enviaria a morte sobre todos os filhos primogênitos dos egípcios, inclusive os animais. Dentre os diversos aspectos da celebração, pode-se destacar o fato de que as famílias israelitas passariam o sangue de algum animal sem defeito nas portas de suas casas e, dessa forma, Deus "passaria" adiante e não destruiria nenhuma casa/família onde havia sangue na porta. Isto é - a Páscoa consiste tão-somente no livramento da morte por causa do sangue de um sacrifício puro e perfeito, é simplesmente a "passagem" de Deus por nós sem que Ele nos destrua, pelo fato do sangue estar lá. Nada mais, nada menos. 


Mas a "páscoa" que vemos em vigência é bem diferente. 

Hoje em dia, a páscoa é doce, trufada, materialista e cheia de coelhos, ao invés de destacar a figura do cordeiro sacrificado e do sangue que faz Deus "passar" por nós sem nos destruir. Logicamente, eu não acho errado comprar ovos de chocolate (sejam eles trufados ou não) e dar aos familiares e amigos - porém a páscoa não é isso. Particularmente, eu amo chocolate e gostaria até de ser presenteado com um ovo "Lindt 70-80% de cacau", mas existem coisas que valem muito mais do que um "Lindt". 

Em suma, fazendo uma alusão com o relato do Êxodo sobre o estabelecimento da festa da Páscoa com a história de Jesus Cristo, só me resta dizer as mesmas palavras que o apóstolo Paulo escreveu na sua 1ª carta aos cristãos da cidade grega de Corinto, onde se lê:

Pois Cristo, que é a nossa páscoa, já foi sacrificado por nós. [1 Coríntios 5:8]


Cristo é a nossa páscoa. Ele é Aquele que, quando está em nós e é por nós, faz com que o Senhor Deus "passe" adiante e não nos liquide em Sua ira. Cristo é o Caminho pelo qual "passamos" e nos achegamos ao Eterno. Cristo é o Cordeiro sem defeito que foi sacrificado e cujo sangue nos livra da morte. Além disso, o apóstolo disse que Ele já foi sacrificado, o que subentende que o que Ele fez já basta, já é suficiente. Como Ele mesmo afirmou em suas últimas palavras: tετέλεσται ou "está consumado". Ou seja - não precisamos de adereços, amuletos, novas revelações ou "unções", porque Cristo é tudo. 

Resumindo, a páscoa verdadeira consiste na vinda do Eterno Criador e Sustentador de todas as coisas, soberano e santo, à terra que Ele mesmo fez, na forma de homem - um homem de dores e experimentado em sofrimentos, por quem ninguém tinha estima ou de quem ninguém fez caso algum ao vê-lo carregando uma pesada cruz. A "Páscoa de Deus" é incomparavelmente mais sublime, pois é o próprio Deus se entregando à morte para salvar pecadores como eu e você da condenação eterna. Não há nada mais valioso que isso: o próprio Deus, que é em Si mesmo "amor", demonstra um amor imensurável por quem não merecia nada a não ser a morte. Por que ainda continuar pensando que "páscoa" é algo tão medíocre quanto comprar ovos de chocolate caros e cantar "coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim"?


Por outro lado, eu vejo também que muitos que se dizem "seguidores de Cristo" parecem, de fato, não entender a Páscoa. Provavelmente, muitos que nesse período não comem carne, não esbanjam em seus prazeres e deleites ou mesmo participam de eventos religiosos (acampamentos, congressos etc.) se esquecerão de tudo que fizeram e voltarão a ser como realmente são. Por mais que pareçam espiritualmente genuínos, na verdade é provável que seja tudo aparência. 

Alguns se sentem espirituais ou acreditam que Deus os aceitará pelas suas próprias "obras", normalmente abstinências ou penitências (como se Deus fosse convencido por essas coisas). Outros, tendo perdido de vista o que de fato mostra que Deus está agindo entre os homens, tentam "forçar" avivamento por meio de estratégias psicológicas, mentais e emocionais - especialmente as "confissões positivas", a exemplo de "você faz parte de uma geração profética", "existe um manto profético e apostólico sobre você" ou "essa geração é aquela que preparará a volta do Cristo bem como o cumprimento das últimas profecias para Israel"... Não! Não é nada disso, pois o que as Escrituras dizem a respeito de tudo isso é que não nos compete saber os tempos ou as estações que Deus estabeleceu pela Sua própria autoridade, bem como unicamente nos dá a ordem "salvem-se dessa geração perversa". 

A nossa geração não é "profética", e sim perversa. Deus grita por meio da Sua Palavra para que estejamos atentos para não sermos tragados por essa geração. Jesus, por muitas vezes, chamou a sua geração de adúltera e incrédula. Resta-nos, desse modo, pedir misericórdia a Ele, a fim de mostrarmos que somos de fato Seus Filhos no meio de uma geração corrompida e perversa, visto que Ele mesmo diz que Seus discípulos são "a luz do mundo" e o "sal da terra". 


Finalmente, por que "la vita è adesso"?

Bem, a Páscoa não termina na morte do Filho de Deus numa cruz. Sim, Ele morreu e foi sepultado. Num sábado (provavelmente) semelhante a esse de hoje estava Ele morto. Parecia que tudo havia acabado ali. Porém, como Ele mesmo havia avisado de antemão, ao terceiro dia Ele ressuscitou. Cristo vive! A ressureição Dele - da qual alguns estudos científicos atuais dão 97% de veracidade - é a única causa de termos esperança. Sem ela, a minha fé seria inútil e eu estaria perdido em meus pecados. Jesus ressurgiu dos mortos, e isso mostra que Ele era quem dizia ser - o Filho de Deus, o Deus encarnado, Aquele que é antes de todas as coisas, o Todo-poderoso. 


"La vita è adesso", pois o Autor da Vida está vivo e chama a todos os pecadores ao arrependimento para que sejam perdoados e tenham vida eterna. "La vita è adesso", pois não preciso me preocupar com aquilo que Deus estabeleceu pelo Seu poder ou me envolver com confusões e filosofias vãs, que se baseiam em tradições de homens e não em Cristo - eu preciso apenas me mover Nele. "La vita è adesso", uma vez que Ele mesmo disse que "quem ouve a minha palavra e crê Naquele que me enviou tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida". 

E você, vai continuar "vendo a banda passar cantando coisas de amor" sem se render ao "Amor" para ter vida?




Pela alegria de que "la vita è adesso",




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A bitter-sweet post...

Duas semanas se passaram. 

Agora, mais uma semana começa - a semana denominada "Santa", o que não será assunto deste post - e acho que preciso colocar algumas coisas pra fora. Então, vamos lá.


Vou ser direto.

Esse post será um post "bitter-sweet" ou, em bom português, "agridoce". Quando digo "agridoce", não quero fazer referência ao projeto de música brasileira do qual a cantora Pitty é uma das protagonistas. Mas, já que eu falei a esse respeito, espero que "esse texto acabe hoje para que eu esteja postando"... Entenderam? 

Mas... O que significa "agridoce"? 

Sendo bem simples, agridoce é ser "amargo e doce" ao mesmo tempo. Particularmente, esse texto é uma adaptação do título da música "Bitter sweet symphony" do The Verve, cujo primeiro verso é "...'Cause it's a bitter sweet symphony, that's life...", que traduzido seria "...Pois esta vida é uma sinfonia agridoce...".  Verdadeiramente, talvez esse seja a definição mais rica sobre a vida de aqui e agora em tão poucas palavras. A vida é uma sinfonia, uma sinfonia agridoce.


Sinfonia.

Toda sinfonia, obrigatoriamente, tem sua melodia, sua harmonia e seu ritmo/compasso. Além disso, toda sinfonia tem um compositor e, quando tocada, precisa de um maestro. As sinfonias não nascem "do nada" e não são executadas por "ninguém". É necessário haver uma orquestra, com todos os seus instrumentos e músicos em seus devidos lugares, bem como um regente para que nada saia do andamento. Portanto, ao considerar que a vida é uma sinfonia, o poeta da canção disse que ela tem melodia, harmonia e ritmo, assim como orquestra e maestro. Ele estava certo - a vida é uma obra de arte de um só Compositor, o qual é também o Grande Maestro dela. Ele é quem dá o tom (ou os tons), é Dele que vem o compasso e é Ele que traz à tona toda melodia, seja para nós alegre ou triste. Esse autor tem nome e, como dizia C. S. Lewis, é Aquele por Quem todos anseiam mas de Quem todos fogem - Deus. A respeito disso, certo sábio disse: "Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como poderia alguém discernir o seu próprio caminho?" [Provérbios, cap. 20. vs. 24]. Trazendo pra nosso texto, nós não determinamos o compasso, a harmonia e a melodia da vida; nós não somos Deus. 


Uma sinfonia agridoce.

Ora, se esse é o tom maior da vida (um tom dado tão-somente por Deus), estamos vulneráveis a Ele e à Sua criatividade. Isso mesmo, criatividade - muitas pessoas passaram (e estão passando) por este mundo e cada uma delas teve (ou tem) a sua própria história [ou foi embalada em sua própria sinfonia]. Deus não é adepto de certos tipos de "mesmice". Ele é criativo e essa criatividade se revelou desde o momento em que Ele decidiu criar tudo - céus, terra, luz, firmamento, mar, porção seca, plantas, animais, estrelas, luminares, corpos celestes, o ser humano e todas as demais coisas que existem. Isto já é suprema criatividade! Mas Deus "vai um pouco mais além" e mostra que é criativo ao "fazer ressoar" uma vida para cada um que Ele traz ao mundo. Pessoas diferentes umas das outras em suas próprias "sinfonias agridoces". E, por trás da batuta, Deus - Aquele que sempre faz valer seu compasso e regência.

No entanto, pensando bem, há algo em comum em tudo isso: todas as sinfonias são agridoces. Embora as melodias sejam diferentes, bem como as harmonias e os ritmos, o fato é que a vida é tanto amarga quanto doce. Hoje tudo está dando certo e, daqui a duas semanas, tudo desmorona. Mas depois de um mês, aquilo que estava desmoronado começa (talvez) a ser reconstruído. Como sempre, a vida não para. As cores alegres e vivas se contrastam entre as cores nubladas e tristes e, desse modo, devemos seguir em frente. O Grande Regente e Compositor não perde o tempo da música - no fim das contas, a música só é música porque Ele quis trazê-la à existência, imprimindo (Ele mesmo) um pouco de Si em sua obra de arte. Como diz certo amigo, Ele é o "tom que há na vida". Sem Ele, não haveria música, nem sinfonias, nem beleza, nem nada. Nele vivemos. Nele nos movemos. Nele existimos. Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. 


Por outro lado, enquanto quase todos querem que Deus faça de suas vidas algo tipo um "Candy Crush" - jogo que parece não ter fim, no qual doces, gelatinas e chocolates são os protagonistas -, eu procuro tentar ver a beleza de viver ao som de uma trilha "bitter sweet", a minha sinfonia agridoce. Ultimamente, é isso que tenho experimentado - a doçura hoje e a amargura semana que vem, a tristeza hoje e a alegria depois de amanhã. Enfim, isso me faz lembrar de outras palavras do mesmo sábio que já citei no início, o qual disse em outro de seus livros:

Considere o que Deus fez; quem pode endireitar o que Ele fez torto?
Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando forem ruins, considere: Deus fez tanto um quanto o outro, para evitar que o homem descubra qualquer coisa sobre o seu futuro. [Eclesiastes 7, vs. 13-14]


Ninguém muda o que Deus faz; não importa se é torto, não importa se é direito. Ele faz tanto os dias bons [os quais devemos desfrutar e curtir] quanto os dias ruins [nos quais devemos refletir e considerar]. A tristeza do rosto faz melhor o coração, assim como o coração alegre dá beleza ao rosto. Tanto a alegria quanto a dor têm seu papel na sinfonia da vida e, no seu último acorde, ambas apontarão para o mesmo lugar - o Maestro, sem o Qual nada seria "harmônico" e "bem compassado" como deveria e para Quem deve ser todo som e toda melodia de cada um de nós. Finalmente, durante a "sinfonia agridoce" do agora, eu ainda posso ter a esperança de que virá o momento em que nada mais será amargo, pois a Soberana Beleza, de Quem sai somente bondade e justiça, regerá plenamente todas as coisas para o bem eterno dos que O amam e creem no Seu Filho para o perdão dos pecados. 

E então... que sinfonia tem dado o ritmo de sua vida hoje? E qual você desejará para toda a eternidade - a sinfonia doce da qual Deus é Maestro ou a sinfonia sombria, a qual o próprio Deus fará soar em toda a sua fúria e indignação sobre os que O negaram?




Pela alegria de ser alvo da regência Dele,




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Nos trilhos do trem da juventude...

Tem horas em que é necessário se desconectar. Logo, fiz isso até agora.

Nesse sentido, após a tentativa de trazer um pouco de alívio e beleza ao momento difícil relatado no post anterior, muitas ideias surgiram em minha mente para um novo texto - dentre esses "insights", vou me aventurar naquele que, talvez, seja o mais pitoresco. Ora, o bonde segue. 


Indo direto ao ponto, queria ousar conciliar o momento atual da sociedade brasileira, uma música pouco conhecida dos Paralamas do Sucesso e algumas reflexões pessoais. Bem, começando pela música (chamada "O trem da juventude"), vamos a alguns de seus trechos, um de cada vez. 

"Minha alma é lavada, desencardida
(E quem destratou a sua vida foi você)
Desamarrada, desimpedida, desarmada
Voa livre pelo mundo até escurecer..." 


O poeta, ao descrever sua alma, afirma que ela está limpa, sem amarras ou impedimentos e que, por isso, ela "voa livre". Talvez esse tenha sido o grito silencioso (ou não) de muitos brasileiros que viveram os anos árduos do chamado Regime Militar - cujo marco inicial (o Golpe de 64) completa 50 anos nesses últimos dias. Curiosamente, ainda nesse contexto sócio-histórico, o Brasil viu bem recentemente pequenas mobilizações populares (a "Marcha pró-fascismo" e a "Marcha anti-fascista"), as quais fizeram [ou tentaram fazer] alusão ao período da Ditadura, seja condenando ou apoiando. Ironicamente, muitos dos que estavam nessas marchas nem sabiam a razão porque estavam lá - por exemplo, uma jovem levava um cartaz de "Salve o fascismo" sem saber o significado do Fascismo. Isto é, essa confusão toda só mostra que estamos perdidos, sem saber quem somos, o que devemos fazer e onde temos que chegar no final das contas. É preciso desencardir a alma. É preciso se desarmar de si mesmo. Não precisamos de "rebeldes sem causa" nem podemos estar do lado dos "opressores", dos "neofascistas". Liberdade é preciso. Uma alma limpa é preciso.

Liberdade até escurecer; liberdade em meio à escuridão. 


Entretanto, se olharmos atentamente pra nossas próprias almas, provavelmente veremos que ainda existem certas "amarras", "impedimentos" ou "sujeiras". Qual de nós nunca guardou mágoas ou ressentimentos, ou nunca sentiu inveja ou se julgou melhor do que os outros? Tudo isso mostra que nossas almas nascem (e podem permanecer) encardidas, amarradas e presas. Na verdade, a alma descrita nos versos acima não é o padrão dominante - pelo contrário, é o ideal que nenhum de nós tem [nesse momento exato] ou poderia ter, caso dependêssemos de nós mesmos para alcançá-lo. Ora, se nossas almas são naturalmente encardidas, amarradas e sujas, precisamos de algo externo que as torne desencardidas, desamarradas e lavadas. Bem, se Deus é Aquele que nos fez à Sua própria imagem (corpo e alma), Ele é quem conhece nossas almas inteiramente e, por isso, pode torná-las limpas, desprendidas e sem manchas; pode, enfim, torná-las livres. Jesus Cristo uma vez disse a Seu próprio respeito: "...se o Filho os libertar, verdadeiramente vocês serão livres...". Simples. Direto. Indubitável.


Por outro lado, a mesma música diz em outro momento:

"Novas maravilhas pra se admirar
Não me venha com a velha dor...
O trem da juventude é veloz
Quando foi olhar, já passou
Os trilhos do destino cruzando entre nós pela vida, 
Trazendo o novo..."

Embora a vida seja sempre marcada por desafios, aflições, perdas e imprevistos, ter esperança é fundamental. Dessa forma, no que se refere ao dia-a-dia, nada melhor do que concentrar-se em admirar as "novas maravilhas" [as quais, normalmente, são as coisas mais simples] e esquecer a "velha dor", pondo sobre ela a "sorte". Em face dos sofrimentos, a convicção de que Deus é bom deve nos fazer "cantar a Esperança e deixar a tristeza pra lá", pois certamente o dia de ser "livre pra voar", de "voar livre pelo mundo", chegará. A Bíblia promete a todos os que creem em Jesus Cristo que virá o dia de Sua volta, no qual os que morreram crendo Nele ressuscitarão e, ao mesmo tempo, os vivos crentes serão levados para encontrá-Lo nas alturas, no céu - uma visão assustadoramente bela e terrível!  Bela para aqueles que hoje confiam no Filho de Deus como seu Salvador e o reconhecem como seu Senhor, mas terrível a todos os que O rejeitam e vivem segundo seus próprios conceitos e desejos - ora, estes últimos não irão encontrar o Cristo glorificado no céu, mas estarão separados Dele. 


O trem da juventude é veloz; quando for olhar, já passou. 

Eu sou um jovem e, visto que estou dentro desse "trem da juventude", estou sujeito a toda essa velocidade, a toda essa efemeridade, a toda essa temporalidade - um certo colega poeta já disse que "quase tudo é temporal, porque está sujeito ao sujeito chamado tempo". Muitas coisas na nossa vida vem e vão - empregos, relacionamentos, cursos, viagens, pessoas. Tudo isso é temporal, efêmero, existe hoje e amanhã já passou. Porém, existem coisas que não estão sujeitas ao tempo, dentre as quais a mais importante é o Amor - não o amor humano, não o amor por coisas, nem mesmo o amor familiar. Esse amor que não é temporal mas, ao contrário, é eterno,  vem de Deus - mais do que isso, é a manifestação do Seu próprio Ser, porque Deus é Amor. Resumindo, a nossa maior necessidade é que os trilhos de nosso trem "se cruzem" com o destino que Deus designou - pois, se esse encontro não acontecer, continuaremos com nossas almas sujas e amarradas em si mesmas. Somente quando buscarmos cruzar nossos caminhos com os "trilhos de Deus" veremos o "novo sendo trazido a nós", pois é Ele que nos faz novas criaturas, é Ele que nos dá um novo coração e um novo espírito, é Ele que nos dá uma nova mente e, assim, uma nova maneira de viver.   


É hora de ir.

Ir até Jesus Cristo, com a consciência dos próprios pecados e sujeiras da alma e pedir a Ele para limpar, desencardir, desamarrar e dar liberdade a tudo. Mas, se você já crê Nele, é hora de se lembrar que Ele está sempre pronto a dar paz, liberdade, refrigério e alívio em meio às dores e perdas da vida. É hora de aproveitar a oportunidade, pois a misericórdia de Deus vem até nós assim como o trem da juventude - veloz, irresistível e poderosa mas, por ser veloz, pode passar sem ser notada ou mesmo ser desprezada. Não aguarde a misericórdia passar por você. Não aja de modo que Deus seja como esse "trem da juventude", passando tão rápido ao ponto de você não percebê-Lo. E mais - que a justiça e a indignação de Deus por causa de seus pecados não te pegue de surpresa e, assim, passe a oportunidade e você caia nas mãos Dele. Jesus morreu pelos nossos pecados para nos livrar da ira de Deus; acredite nisso e, certamente, você passará a andar nos trilhos que te levam à eternidade. 




Pela certeza de trilhar meu caminho com Ele,




Soli Deo Gloria!

domingo, 16 de março de 2014

Lágrimas se confundem ao riso - uma oração

Ó Altíssimo e Rei Eterno,
Que eras, que és e que hás de vir,
Que concedes consolo aos aflitos
E que escutas o clamor dos angustiados...
A minha alma está triste.
Assim como revelaste em Teu Santo Livro,
Tu conheces a nossa estrutura
E lembra-se de que somos pó.
Ora, sabendo de minha pequenez e fragilidade,
Venho presto à Tua temível presença
Apenas para reconhecer que estou sem forças.
Embora débil e impotente,
Confio meu coração à Tua graça persistente.


Por isso, ao lembrar das palavras de Teu Filho
Vejo que as aflições, de fato,
São parte da vida de todo o que vem ao mundo.
Entretanto, alguns que julgam ser Teus,
Pervertem a Tua gloriosa Verdade 
Ao dizer que devemos "rejeitar" os sofrimentos,
Visto que somos "filhos do Rei".
Contra toda essa mentira de triunfo e glória humanos,
Meu ser se gloria na Viva Esperança,
Pois, apesar das tristezas e dos abandonos,
Das dores e tribulações,
Posso tomar sobre mim o jugo do Bondoso Mestre
E encontrar descanso para minha alma. 


Mas, se eu porventura me queixar,
Permitas tão-somente, ó Pai Justo,
Que meus próprios pecados sejam colocados à tona.
Embora seja eu tão pronto a autojustificar-me
Ou mesmo a ser cruel e venenoso com o outro,
Suplico que me ajudes a examinar a mim mesmo
Para que eu veja a minha própria estupidez.
Que minhas lágrimas sejam antes
Por reconhecer meu egoísmo e minha maldade;
Sim, eu não sei como fazer isso.
Portanto, recorro humildemente a Ti,
Pois és Grande em força e Forte em poder.
Se ao Teu chamar as estrelas prontamente obedecem,
Sigo o mesmo ritmo e rendo-me inteiramente a Ti.



Se dessa maneira me ponho ante a Tua face, 
Sou alguém que apenas tem o direito
De não ter direito algum.
Tu és Deus sobre tudo e sobre todos e, então,
És o único que tem o direito de ter "direitos".
Visto que tudo está sob Teu domínio e providência,
Ensina-me o caminho da satisfação em Ti mesmo,
Pois é a minha alternativa de vida.
Perdas me acompanharão,
Decepções ou a sensação de rejeição,
Mas a Tua bondade sempre me seguirá.
Nos vales de sombra da morte estarás comigo,
Até quando meu pai ou minha mãe me desampararem;
Sim, Tu me acolherás para Ti,
Onde meu pranto saltará de alegria.



Ao olhar para mim mesmo vejo
Que a alegria que tanto anseio voltar a sentir
Não pode coexistir
Com a amargura que ainda brota e resiste.
Deus meu e Doador de toda graça e perdão,
Que essas raízes do mal sejam por Ti arrancadas
A fim de que eu possa viver a Boa Nova
E, assim, espalhar por toda parte o Bem
E amar sem perguntar a quem,
Ainda que seja menos amado.
Apesar de meus temores e incertezas,
Tu és maior do que todos eles.
Sei que podes restaurar o que talvez eu mesmo destruí,
Pois Teu amor a todas as transgressões pode cobrir.



Soberano e Benigno Criador,
Estou ciente de que minhas palavras
Não têm poder algum em si mesmas.
No entanto, atenta Tu para cada uma delas
Ainda que sejam poucas e falhas.
Entrego todo o meu cuidado a Ti,
Pois podes me sustentar até quando me faltar o chão
E fazer invadir a Tua luz em minhas sombras.
Me apego simplesmente à certeza
De que esta vida é transitória, a qual dou a Ti.
Que a eternidade seja sempre bem-vinda no meu dia-a-dia, 
Sendo continuamente gravada em meus olhos,
Pois, assim, meu tesouro e coração
Estarão n'Aquele que será sempre minha fortaleza e porção.




Soli Deo Gloria!