domingo, 18 de agosto de 2013

Letras grandes em janelas escancaradas...

Estou de volta, enfim... Ora, escrever é preciso.

Após algumas repercussões interessantes a respeito do último post [intitulado "a questão não é você"], pretendo colocar novas ideias pra fora. 


Na verdade, neste novo texto continuar na mesma temática do texto anterior, porém vou começar de forma mais lúdica citando o trecho de uma canção chamada "Cartão Postal", interpretada pela cantora mineira Lorena Chaves, a qual diz:

"...Te coloco como um selo em mim pra outro ler
Letra grande, escancarada janela
Sob os meus pés as sandálias que gastei ao seguir...
Atravessar o mundo com Você dentro de mim
Levar na mala o Bilhete da Paz como um carteiro calado..." 


Primeiramente, o escritor da música começa dizendo que carrega consigo um selo pra que outros possam ler. Ou seja, ele se define como uma "carta ambulante" que tem impresso sobre si algo que ele deseja que todos vejam e entendam. Mais do que isso: todos devem ler em LETRA GRANDE, para que tanto os que estão perto quanto os que estão longe tenham a chance de ver aquilo que ele tanto deseja mostrar enquanto segue pela vida, gastando suas sandálias. Finalmente, ele quer atravessar o mundo com essa "companhia" dentro de si e levar um tal "bilhete da paz" sem precisar falar nada... E daí? 

Tudo isso é apenas poesia sem sentido? Versos aleatórios? Não exatamente; melhor dizendo, faz todo o sentido com o que quero falar.


Eu posso muito bem dizer, ao olhar para mim mesmo, que sou como o autor dessa música - alguém que carrega sobre si mesmo um Selo que deseja que todos leiam o que esse Selo diz em letra grande. Sou alguém que quer atravessar o mundo e que espera ver janelas sendo escancaradas na alma e na mente das pessoas ao meu redor. Na verdade, eu mesmo preciso estar com a minha mente e alma livres de fardos para que os outros vejam que essa liberdade é possível a elas também. Ao gastar as minhas sandálias por onde ando todo dia [na faculdade, nas ruas, em viagens etc.], quero levar o mesmo "bilhete da paz" que o poeta leva consigo. E, curiosamente, eu também gosto de silêncio - logo, faço questão de ser como aquele "carteiro calado". 

Mas que selo é esse?
Quem é que ele quer levar dentro de si enquanto atravessa o mundo?
Qual é esse "bilhete da paz"?
E essa coisa de ser como um "carteiro calado"?


Sendo bem direto, o selo que o poeta carrega não é um selo qualquer. Ele começa a música falando de uma certa "Carta Viva e Boa-Nova de amor", a qual está impressa sobre ele e que ele deseja que todos leiam em letra grande e pelas janelas escancaradas [de seus apartamentos, de suas casas e, acima de tudo, pelas janelas de seus corações provavelmente presos e oprimidos] - ora, uma boa notícia só faz sentido pleno se quem a recebe não tiver mais nenhuma esperança. Boas notícias são para miseráveis, perdidos em seus próprios conceitos e sem perspectiva de futuro. Boas notícias são para doentes. Isso me faz lembrar algo que Jesus Cristo disse certa vez: "os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes... eu não vim chamar justos, mas vim chamar pecadores ao arrependimento..." [adaptado do Evangelho segundo Mateus, cap. 9, vs. 12 e 13]. 


Recebemos muitas boas notícias na vida - por exemplo, a aprovação no vestibular, o "sim" daquela garota de que gostamos de verdade, uma viagem pra Europa etc. - , mas nada pode ser comparado com o chamado de Jesus mostrado acima. A "Boa-Nova do Amor" nada mais é do que o amor de Deus pelos pecadores, por aqueles que estão doentes e que não podem curar a si mesmos. Enquanto esteve na terra, Jesus gastou as Suas sandálias ao seguir por vários lugares a fim de fazer com que os outros lessem a "Boa-nova" ao olharem para Seu exemplo e ao ouvirem Suas palavras. 

Ele levou consigo o "Bilhete da Paz" ao mostrar que Deus estava reconciliando o mundo consigo mesmo por meio de Sua morte na cruz e, posteriormente, pela sua ressureição. Além disso, Jesus quase sempre preferia que as pessoas não soubessem de certos sinais e milagres que fazia - Ele agia como se fosse aquele "carteiro calado", que prefere fazer o bem no anonimato do que ter os holofotes sobre si. Que admirável! 


Finalmente, em alguma parte da Bíblia pode-se ler que os seguidores de Jesus são chamados de "carta de Cristo" - uma carta conhecida e lida por todos os homens, porém escrita com o Espírito do próprio Deus. Isto é: nós não precisamos fazer propaganda de nós mesmos, de nossas próprias virtudes nem mesmo de nossa pretensa religiosidade superior. Devemos ser como "carteiros calados" que só abrem a boca para falar sobre a "Boa-Nova do Amor" e proclamar a mensagem do "Bilhete da Paz", mostrando que essa paz que carregamos é como uma "carta que não fala nada de nós" - o que interessa é simples e somente a graça Dele ao resgatar pecadores perdidos, a justiça Dele ao determinar juízo contra os que não se arrependem e a glória Dele por ser o autor supremo da salvação dos que creem. 

Enfim... Eu quero atravessar o mundo com Ele dentro de mim - pois a boca fala do que está cheio o coração e, se Ele é quem preenche o que está lá dentro, é Ele quem será visto aqui do lado de fora, esteja eu falando ou em silêncio. Em um mundo que está cada vez mais em guerra [nas ruas e dentro das almas das pessoas], o "Bilhete da Paz" que Ele me deu é cada vez mais oportuno - logo, se eu sei o que esse bilhete diz, eu preciso levá-lo por onde eu seguir e, dessa forma, o mal será subvertido pela Verdade - a Verdade Viva, a Verdade Eterna, a Verdade que tem um só nome: Jesus Cristo.



Que o Bilhete da Paz seja compartilhado em CAPS LOCK, e que as janelas se escancarem!





Pelo dom de subverter o mal com a Verdade,




Soli Deo Gloria!

sábado, 10 de agosto de 2013

A questão não é você...

Aproveitando um tempinho vago nesse sábado agitado - comecei o dia 8h da manhã com aula de grego koiné até o meio-dia e, em seguida, fui ver um brother do Rio de Janeiro que estava de passagem por minha terra - para colocar novas ideias pra fora.

Eu não sei o que será de mim depois desse texto - desde que tenho pensado em escrevê-lo, a palavra que não sai de minha mente é serenidade. Preciso de serenidade, definitivamente. Logo vocês entenderão.


Sem muitos rodeios, queria começar dizendo que o tema desse post está baseado na frase que inicia um livro que li em minha adolescência e que, naquela época, foi muito importante para novos aprendizados. O autor começa o primeiro capítulo do livro com a frase "a questão não é você". Ao ler isso, já fui inteiramente instigado a ler o livro sem parar pois, numa sociedade cada vez mais massageadora de egos e caracterizada por uma "política de boa vizinhança" medíocre e sórdida (sem confrontos saudáveis que permitam mudanças radicais nas nossas almas e caráter), é bom ver alguém tirando o foco de onde ele não deve estar. Sacaram?

A questão não é você... 
A questão não sou eu...
A questão não somos nós... Será? Vamos ver.



No caso desse livro que li, o capítulo que começava com a frase-título desse post explica o porque que "eu não sou a questão"... Sendo mais claro, o mundo não gira em torno de mim [ou seja, ele não é "andreocêntrico" - se você não sabe, me chamo André], eu não sou a razão de ser das coisas nem sou digno de ser o centro das atenções. O mesmo acontece com você - se eu e você somos igualmente humanos, limitados, dotados de qualidades e defeitos e repletos de necessidades e anseios (não importando nossas diferenças sociais, intelectuais, étnicas, religiosas e ideológicas), você também não é o centro do universo. Sinto lhe informar mas, se você achava que sua vidinha mais ou menos determina ou define o curso das coisas ou é o padrão a ser imitado, desista. Nem a minha vida, nem a sua, nem a de ninguém está [ou estará] num nível suficientemente bom para tamanha pretensão. 

Entretanto, o que me fez pensar mais fortemente no tema desse texto foram algumas experiências das quais tirei algumas lições importantes e que deixo aqui nesta postagem - a primeira delas é que estamos muito acostumados a pensar que é o nosso jeito de se comportar ou as nossas ações visíveis que são poderosas em si mesmas para mudar o que está errado ao nosso redor. 


Isto é: "eu preciso ter cuidado com o que vão pensar a meu respeito, pois as pessoas irão mudar o que está de errado nelas ao verem o meu proceder". NÃO! Não é nada disso! Está tudo errado! Não é bem isso; deixe-me explicar.

Por mais que seja bom e louvável buscarmos ser bons exemplos para os que nos cercam, nosso coração inclinado às aparências e ao orgulho tende a se prender nas expectativas dos outros ou a supervalorizar o que fazemos. Infelizmente, eu percebo que o ambiente em que essa mentalidade é mais comum é o religioso - as pessoas religiosas (cristãs ou de outro segmento, por exemplo) estão treinadas a viver com base na premissa de que é o "seu testemunho de vida" ou o seu "bom comportamento" que vai trazer um sentido real para a vida daqueles que ainda estão "perdidos" por aí. Nos julgamos os "salvadores da pátria" ao olharmos pra nós mesmos e cairmos no engano de que somos bons, exemplares, cheios de virtude ou até mesmo "quase santos". NÃO! Não é isso, curiosamente (e felizmente), que a Bíblia diz, pois em certo lugar se lê:

"...Não me envergonho do EVANGELHO de Cristo, pois é O PODER DE DEUS para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego... Porque no Evangelho é revelada a justiça de Deus, a qual é de fé em fé... " [Romanos 1:16-17a]


No momento em que a Bíblia fala de salvação; ela diz que o evangelho é O poder de Deus - não há outra alternativa, seja ela o meu testemunho de vida, o meu bom comportamento social e entre as pessoas da igreja bem como os meus bons costumes etc... Apenas o contato com a real mensagem de Jesus pode tirar a humanidade da sua situação condenável e reconciliá-la com Deus. Não é a nossa "santidade" superficial, nem nossa "vida de congressos em congressos gospel", nem nossas camisas com "frases de efeito gospel", nem nossos livros de "formatações gospel" e nem mesmo a nossa "teologia superior" que muda coisa alguma. O poder de Deus está no próprio Deus revelado em Jesus Cristo no que chamamos de Evangelho. Sem mais. 

Finalmente, outra coisa que tem me preocupado é o fato de que, muitas vezes, o nosso zelo pela verdade e pelos bons princípios têm nos levado a cometer alguns erros que criticamos naqueles que, segundo nós mesmos, estão longe da "verdadeira verdade". Nos gloriamos porque "sabemos mais" sobre tal assunto do que o outro ou até mesmo nos julgamos melhores por achar que nossa postura zelosa é sinal de superioridade ou de mais "maturidade". Nos prendemos sutilmente a referenciais humanos (mesmo que esses sejam bons referenciais) e deixamos o coração ficar elevado e inchado. Conclusão: estamos contaminados por um vírus silencioso e não percebemos.


Prefiro praticar essas palavras do apóstolo Paulo:

"...O conhecimento incha, mas o AMOR edifica.
E, se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não conhece como convém.
Mas, aquele que AMA a Deus, este é conhecido por Ele..." [1 Coríntios 8:1a-3]

O conhecimento é muito importante, mas alimenta o ego quando o coração de quem está recebendo é vaidoso. O amor edifica pois, por definição, o amor desarma o orgulho e a superioridade humana, nos deixando vulneráveis na medida em que revela quem de fato somos mas, depois disso, o amor tem poder para nos refazer naquilo que devemos ser. Na verdade, mesmo que tenhamos conhecimento, ainda não sabemos como deveríamos saber, mas Deus conhece aqueles que O amam. 


Ou seja: não tem nada a ver com o que eu sei, com a minha própria perspectiva de maturidade pessoal e com os meus conceitos. A questão não é o "meu saber", mas o amor que tenho por Aquele que é a sabedoria personificada - o Qual, graciosamente, me faz amá-Lo, pois eu só posso amar a Deus porque Ele me amou primeiro. Que maravilha é saber que não precisamos nos subjugar a um regime de "bajulação" exterior e interior; temos apenas que aprender a expressar por Ele e pelos outros o amor que Ele já derramou em nós - melhor dizendo, o amor que Ele nos deu ao derramar de Si mesmo dentro daqueles que creem, porque Ele é Amor. Eu não quero ser levado a pensar que ainda posso ser " o X da questão". E você?

A questão não é você.
A questão não sou eu.
A questão é que "...Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas; a Ele seja a glória eternamente. Amém". Sem mais. 




Pela alegria de saber que Ele é a razão de tudo,




Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Jihad" contra quê?

De vez em quando a gente precisa parar um pouco pra pensar.

Nos últimos dias estou um tanto mais reflexivo - nem sempre precisamos estar online o tempo todo, escrevendo sobre tudo, comentando todos os posts que lemos ou cada foto bonita que vemos no Instagram... Parar às vezes é preciso


Desde minha viagem ao sertão da Bahia (precisamente, para a Chapada Diamantina) até os últimos dias do mês de julho em Minas Gerais, estive bem ausente do blog. Entretanto, meu período em Belo Horizonte me fez pensar sobre o tema desta postagem - mas não estranhem, eu não vou me ater a detalhes sobre a fé islâmica, até porque não conheço bem os seus princípios. Porém, como a expressão que dá título ao post é um tanto mais familiar (particularmente por causa da mídia), quero fazer um paralelo entre esta e o tema do texto. Vamos em frente, sem perda de tempo. 

"Jihad" é uma palavra árabe que significa "esforço" ou "empenho". Ela pode ser também entendida como uma luta, por meio da vontade pessoal, de se buscar e alcançar a fé perfeita. No contexto do Islã, existem dois tipos de "jihad": a Jihad maior (luta consigo mesmo, pelo controle da alma) e a Jihad menor (relacionada aos esforços para a propagação dos ensinos de Maomé às pessoas). Bem, acredito que a maioria de nós conhecemos "jihad" como sendo "guerra santa" mas, embora esse não seja o seu real significado, gostaria de focalizar esse aspecto. 


Eu, sem nenhuma dúvida, sou a favor da Jihad.
Não, pera! 
É isso mesmo, produção?

Sim, sem meias palavras ou sem rodeios.

Considerando o senso comum de que "Jihad" seria um tipo de "guerra santa", eu sou a favor - mais do que isso, eu preciso ir além do apoio; eu tenho que estar no campo de batalha! Bem - está certo que este blog é um blog de subversão, mas chegar ao ponto de se levantar a bandeira da guerra ao invés da "bandeira da paz" não seria subversão demais? Sim. Porém, é mais do que subversão exagerada - é questão de sobrevivência. Quer saber por quê? Siga.


Sendo mais preciso, eu sou a favor do que os muçulmanos chamam de "Jihad maior" - a luta contra si mesmo, pelo domínio da alma. Na verdade, os próprios seguidores de Maomé consideram este aspecto o mais importante da Jihad - pois, como disse certo teólogo, o meu maior inimigo sou eu mesmo. Podemos ter inimigos difíceis ao longo da vida - a falta de emprego, uma doença grave, um desafeto (ou muitos deles) ou até mesmo inimigos na esfera espiritual. No entanto, nenhum deles é mais difícil de ser vencido do que você mesmo. Como dizia o célebre Gandhi: aquele que não é capaz de governar a si mesmo jamais será capaz de governar outros

Curiosamente, não é somente o islamismo que traz em seus ensinos um incentivo forte em nome da luta contra si mesmo e contra os impulsos da alma. O cristianismo, conforme a mensagem bíblica, de forma até mesmo mais incisiva e "violenta", nos intima a "fazer guerra", a fazer "jihad" contra nós mesmos. Vejamos alguns exemplos:

"Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me". [Evangelho segundo Lucas, cap. 9, vs. 23].
"E aquele que não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim". [Evangelho segundo Mateus, cap. 10, vs. 38].
"Na verdade, na verdade digo a vocês que, se o grão de trigo não morrer ao cair na terra, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto". [Evangelho segundo João, cap. 12, vs. 24].
"...Mas se, pelo Espírito, vocês mortificarem as obras do corpo, vocês viverão..." [Carta aos Romanos, cap. 8, vs. 13]. 



Se a gente pensar bem, a mensagem das Escrituras não é aquilo que podemos chamar de "romântico". Existe uma tendência cruel e inflexível em seu conteúdo - uma tendência cruel que nos constrange a lutar uma guerra insana, violenta e árdua. Mas contra quem e contra o quê? 

Não é contra os outros. Não é contra os outros, repito. 

Antes de tudo e sobre tudo, a guerra para a qual a Bíblia nos chama a atenção é contra todo tipo de inclinação cruel, egoísta, violenta e má de nossas almas. De fato, o grande problema em nós é que estamos inclinados e treinados a combater sempre os erros e defeitos dos outros - mas não os nossos próprios. As palavras de Jesus Cristo registradas nos evangelhos de Mateus, Lucas e João e a breve mensagem de Paulo na carta aos Romanos (citadas acima) são duras e categóricas: façamos de conta que nós mesmos e que nossos interesses não existem, sem morte e sacrifício não existem bons frutos, vamos fazer morrer tudo que existe de mau e cruel em nós. Violento. Irredutível. Sem margens para amenizações. Não há como escapar. 


No entanto, existe algo que precisa ser esclarecido aqui: nós não somos capazes de lutar sozinhos contra nossos próprios impulsos. Nossas inclinações naturais são mais fortes do que nossa pretensiosa "força de vontade", pois a Bíblia também mostra que "o bem que quero fazer, isso não faço; mas o mal, que não quero, esse eu faço... mas não sou eu que faço, mas o pecado que habita em mim" - [adaptação de Romanos 7, vs. 19 e 20]. Porque somos todos pecadores, não podemos lutar contra nós mesmo sozinhos. Sempre iremos cair em algum erro em algum momento. É inevitável. O que fazer então?

Relembrando os versículos mencionados antes, pode-se notar que Jesus diz que quem toma a sua cruz a cada dia está seguindo a Ele - ou seja, minha caminhada e meu estilo de vida simplesmente se baseia em imitá-LO. Não é possível negar a si mesmo sem que Ele nos ensine a fazer isso - Ele vai à nossa frente e nós seguimos o Seu ritmo. Finalmente, a atitude de "fazer morrer" as obras do corpo (ou da natureza pecadora que cada um de nós tem) só é possível "pelo Espírito" - não tem nada a ver com "força de vontade" humana, mas com o poder do próprio Deus agindo dentro de mim. 



Eu, particularmente, já desisti de lutar sozinho contra mim mesmo - meu temperamento é inflexível e obstinado e minhas inclinações ruins são fortes e, muitas vezes, desmedidas. Só posso encerrar este texto mencionando outras palavras do apóstolo Paulo, que disse certa vez:

"Miserável homem que sou! Quem me livrará deste corpo de morte? Mas graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor..." [Romanos 7, vs. 23-24a]. 

Somos todos miseráveis. Somos todos impotentes contra nós mesmos. Mas Cristo é mais forte que o pecado que habita em nós. Ele é mais forte do que eu mesmo. Nele eu tenho todas as armas que preciso para lutar a "verdadeira Jihad" de cada dia.




Pela alegria de ser alistado para a verdadeira Jihad,





Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

De volta pra casa...

Voltando, enfim, após uma sumida.

Depois de um desabafo profundo mas temperado de ludismo e teologia, esse post de hoje é mais simples. Quero falar simplesmente de algo com que sempre convivi mas, curiosamente, parece ser mais intensamente parte de mim hoje, quando estou um pouco distante. A vida é breve; logo, dedos ao teclado! 


Hoje quero falar do sertão.

Sertão que, desde os 3 anos de idade, fez parte de minha vida. Embora minha família seja de descendência luso-italiana, meus antepassados vieram ao Brasil e foram parar no meio da Caatinga, no chão árido do Nordeste, no sertão da Bahia... Sim, eu sou um cara com o "coração nordestino" e todo o resto também - falo "oxe" e "mainha", gosto de carne seca, feijão verde, bolo de milho e baião de dois, escuto Luiz Gonzaga e o coração aperta, amo a paisagem melancólica mas repleta de singeleza dos fins de tarde sertanejos e, acima de tudo, me identifico com esse povo sofrido, porém [insanamente, eu diria] cheio de alegria e de esperança. O sertão é mesmo cativante!


Brevemente, em meio à rotina de faculdade e mestrado, irei passar alguns dias na Chapada Diamantina, no meio do sertão baiano - na verdade, o lugar é como um "oásis no deserto", dadas as suas belezas naturais únicas - com um grupo de amigos que também ama o sertão e deseja fazer alguma coisa por ele. Mas o que é que induz pessoas a largarem suas rotinas e pegarem estrada durante horas (ou mesmo dias) a fim de parar no sertão nordestino? Eu não sei direito o que é, mas sei que é algo mais forte do que eu mesmo.


Amor. 
Compaixão. 
Dividir o fardo.

O povo do sertão é um povo esquecido. Milhões de nordestinos que vivem em condições subumanas e que "se viram" pra se sustentar [bem como às suas famílias] com pequenas ajudas do governo mas, acima de tudo, com o trabalho duro que fazem por onde andam. A seca castiga, o gado morre e nenhum rio corre a não ser o "rio de lágrimas" dos olhos do sertanejo que vê o verde sumindo e a aridez tomando conta de tudo. Logo, quando olho pra mim e vejo que "tenho tanto" (na verdade, talvez mais do que preciso), lembro das histórias dos tempos bíblicos quando os mendigos judeus olhavam para aqueles que passavam por eles nas ruas e diziam "TSEDAKAH" ou "JUSTIÇA"  - ou seja, se você tem e eu não tenho, é injusto. Não é "caridadezinha" nem esmolinha, é JUSTIÇA. E um certo mensageiro disse certa vez, falando em nome de Deus: aprendam a fazer o bem, e busquem a justiça. Não posso ficar indiferente.

 

A satisfação do sorriso de uma criança. 
O prazer de ver chover muito!

Não posso pensar no sertão e não lembrar das crianças com um sorriso simples e sincero no rosto quando corriam atrás de uma bola no meio do campo de terra batida ou quando começava a chover... Eu viro criança e me jogo na terra ou vou pra debaixo de algum cano de onde cai água corrente e me molho todo! São essas pequenas coisas, e não o glamour ou o status social, que valem mais - eu estou cansado dos "personagens" ou "atores" sociais; vamos ser quem somos e começar a ver a beleza das coisas simples... Como diz o Roberto Beninni: la vita è bella!

 

Deus.
Jesus Cristo.

Na verdade, nada do que eu poderia dizer/fazer/sentir pelo sertão teria qualquer valor em si mesmo se não viesse Daquele que criou o sertão e se importa com ele mais do que qualquer um de nós. Talvez a melhor resposta para a pergunta do início do texto seja essa: DEUS. Como o dom da vida e a existência de cada um vem Dele, é por Ele que quero ir ao sertão - é por Ele que outros já estão lá enquanto eu escrevo esse texto e é por Ele que continuaremos indo ao sertão [ou a qualquer outro lugar] para levar o que o sertanejo mais precisa (assim como qualquer ser humano): Aquele que é o Pão da Vida [que sacia toda a fome] e a Água da Vida [que sacia toda a sede]. Cada gesto, olhar, atitude e palavra só terá alguma razão de ser se Ele for tudo o que importa ser compartilhado. Jesus Cristo - o único que pode fazer o meu sertão virar mar. 


Enfim.
Preciso me preparar porque amanhã tenho prova da faculdade e, de quebra, tenho que terminar de fazer as malas... Sertão, eu estou chegando!




Por ter a certeza de que o sertão é amado por Ele,




Soli Deo Gloria! 

sábado, 6 de julho de 2013

Primeiro samba de julho...

Voltei, enfim.

Após uma postagem bastante dura e profunda, quero ser um tanto mais poético nesse novo post - entretanto, pretendo falar de coisas tão sérias quanto o tema do post anterior. Vamos em frente, porque "tempus fugit" - o tempo urge. 


Após refletir sobre algumas coisas que tenho vivenciado e no embalo das músicas do telefone celular, ouvi o seguinte:

"Verdade no olhar me fala muito mais
Do que palavras lindas ditas sem pensar
O amor está contido no que a gente faz
Na atitude de se aproximar..." 
[Primeiro Samba - Crombie]

Realmente, essa estrofe diz tudo o que eu penso e que, provavelmente, eu não seria capaz de dizer. O dom de ser sucinto e completo não é de todos; e tenho dito.


Vou ser simples e direto. Preparem-se. 

Desculpem-me os leitores, mas estou cansado de palavras bonitas ditas apenas para impressionar. Não suporto mais as farsas dos "relacionamentos perfeitos" das redes sociais quando, na verdade, as coisas são reais, imperfeitas, conflituosas e muitas vezes marcadas por dor e sofrimento (quase sempre desnecessários). Numa era tecnológica  em que, a cada dia, mais pessoas tem WhatsApp, Instagram e etc., estamos nos importando mais em enviar/publicar fotos em tempo real para que os nossos amigos curtam ou comentem - ou talvez apenas para nos exibir na internet - em vez de demonstrarmos amor a quem nos ama (e também a quem amamos) em simples gestos... Dolorosamente, desaprendemos a amar de modo singelo e terno e só sabemos escolher o filtro certo para o nosso próximo post do Instagram. Triste.


Entretanto, quero destacar que não há nenhum problema em se ter Instagram nem WhatsApp (eu mesmo tenho ambos e gosto muito de usá-los) - o que gostaria de salientar é que estamos nos tornando cada vez mais robóticos, sem alma e nos esquecendo de que somos SERES HUMANOS [de carne e osso, que temos emoções e coração, que temos pensamentos e que fomos criados para relacionamentos]. Portanto, se fomos criados para nos relacionarmos, isso significa que o nosso propósito de existência não se encontra em nós mesmos, mas fora de nós - como diziam os gregos a respeito do "deus desconhecido": Nele vivemos, nos movemos e existimos. Se o propósito da minha existência estivesse em mim mesmo, eu seria como um deus solitário sentado no trono com a cara emburrada. Enfim, na contramão de um mundo onde as "palavras lindas ditas sem pensar" falam muito mais que a "verdade no olhar", "eu fico com a pureza da resposta das crianças".


O amor está contido no que a gente faz.

Alguns dias atrás estava navegando no Twitter quando li a seguinte frase do poeta Manoel de Barros: "A palavra amor está muito vazia; não tem ninguém dentro dela"Fazia muito tempo que não lia algo tão verdadeiro. A palavra "amor" está vazia - a melhor explicação para isso é que as pessoas estão "cheias" de si mesmas, de seus próprios conceitos e preconceitos, de suas falsas impressões a respeito de si mesmos e dos outros e, como resultado desse sucata toda dentro de si, eles não "mergulham" na palavra amor para vivê-la. Particularmente, eu não me impressiono muito ao receber "grandes gestos" de amor (quando eles acontecem uma vez na vida), mas me sinto muito mais pleno e feliz quando pequenas atitudes de amor são demonstradas todos os dias. Uma mensagem no celular quando você não espera, um "eu te amo" no meio de uma conversa sobre política brasileira, uma carta surpresa ou a simples disposição em manter contato quando se mora longe - isso sim vale mais a pena. O amor está contido no que a gente faz e na atitude de se aproximar - isto é, o amor é mais do que atitude, mas nos move naturalmente a agir para o bem do outro. 


Finalmente, não poderia deixar de falar de Alguém que era (e é) a própria "verdade no olhar" - mais do que isso, é a Verdade encarnada. Com esse Alguém eu tenho aprendido que "palavras lindas ditas sem pensar" são apenas para se buscar honra dos outros - pois Ele condenou aqueles que oravam em voz alta nas esquinas das ruas somente para serem vistos e que ensinavam os mandamentos divinos mas não praticavam. Esse Alguém é o próprio amor materializado (de fato, todo o perfeito amor está contido Nele), e a maior prova disso é que Ele tomou a "atitude de se aproximar" dos pecadores para que estes conhecessem o Amor. Jesus Cristo veio na forma humana, passou por todas as coisas que nós, seres humanos, enfrentamos [mas sem pecado, conforme a Bíblia] e se fez a prova máxima do amor de Deus por nós - um amor sacrificial, resignado e que o levou à cruz para substituir os que mereciam estar lá, para substituir a mim e a você. Que verdade maravilhosa!


Se você ainda não crê em Jesus Cristo, saiba que "os olhos de Deus estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" e que "o caminho do homem está diante do Senhor, e Ele considera todas as suas veredas". Os olhos daquele que é a Verdade estão atentos a tudo e, por isso, Ele é justo em todos os seus atos - logo, condenará todos os que praticam injustiça e maldade e não se arrependem e salvará todos os pecadores arrependidos e que creem em Jesus Cristo. Logo, assim como Ele olha pra você, olhe para Ele e seja salvo - pois Ele diz que, se olharmos para Ele, seremos iluminados  e sairemos das nossas trevas para a Sua maravilhosa Luz. 




Pela alegria de ter o olhar da Verdade sobre mim,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...

Estou de volta.

Desde a última postagem referente ao Dia dos Namorados, muita coisa aconteceu por aí - manifestações populares por todo o Brasil e ao redor do mundo para dar apoio aos brasileiros que estão lotando as ruas das grandes capitais e também das cidades do interior, a Copa das Confederações, votações históricas em Brasília derrubando as PECs da vida... Mas, contrariando um pouco o que está em voga no país, vou falar de algo que tem me feito pensar bastante há algum tempo. Vamos adiante.


Primeiramente, numa época em que a juventude brasileira está mostrando para o mundo e para si mesma que não é tão alienada, apática ou mesmo alheia à política e à cidadania quanto normalmente parece (há algum tempo o que estava na moda eram os quadradinhos de 4 e de 8, não é?), os poetas e alguns ícones da música têm sido relembrados [como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Cazuza, Renato Russo etc.] e os cartazes que são levados às ruas mostram um pouco da obra de cada um deles. Coisas como "Pai, afasta de mim este cale-se", "Vem vamos embora que esperar não é saber", "Vamos celebrar a estupidez humana" e outras frases de efeito têm se tornado gritos de guerra e de luta popular. Mas, no mesmo clima poético, queria relembrar outra frase de Renato, que na sua canção Quase sem querer (presente no álbum Legião Urbana Dois, de 1986), disse:

"Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira
Mas não sou mais tão criança
A ponto de saber tudo..." 


Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Verdade? Sim, por certo. Vamos aos porquês.

O trecho acima faz alusão de forma poética o episódio da queda de Lúcifer (do hebraico "estrela da manhã"), que segundo a tradição doutrinária cristã era um ser angelical, perfeito e repleto de luz criado por Deus mas que, devido ao seu orgulho e soberba, foi punido severamente por Deus juntamente com todos os que se rebelaram e, por isso, perdeu todo o seu esplendor e formosura. Na Bíblia existem duas passagens que (segundo os estudiosos de teologia) podem estar relatando com detalhes como foi a expulsão de Lúcifer do céu - o qual, depois disso, se tornou "satanás" ou "maligno". Dessas passagens, queria me restringir a uma delas, como segue:

"Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 
Estiveste no Éden, jardim de Deus; te cobrias de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que tu fostes criado foram preparados.
Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o santo monte de Deus; andaste no meio das pedras de fogo. 
Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade.
[...]
Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura e corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei... para que olhem para ti". 
[Livro de Ezequiel, cap. 28, vs. 12-15 e 17]


A passagem bíblica é muito clara - mesmo que não seja exatamente sobre a queda de Lúcifer que o texto esteja falando, a lição deixada é: o orgulho corrompe qualquer virtude que eu possa ter e me conduz à ruína e à vergonha. Não adianta o quanto eu seja bondoso, habilidoso, talentoso e virtuoso - se nos orgulhamos disso, se somos cheios de nós mesmos por isso, se somos esnobes, desprezamos os outros (que sempre nos parecem inferiores a nós) e queremos nos mostrar sábios aos nossos próprios olhos, as virtudes são destruídas. Um velho sábio judeu já disse que o orgulho precede a ruína e que diante da honra vai a humildade e o mais sábio de todos os homens que já passou por aqui disse que o reino dos céus é dos pobres de espírito - ou seja, dos que sabem que não são nada, que não têm nada de que se gabar ou em que se fiar... Como os pobres de espírito estão livres de todas os entulhos do orgulho, eles estão prontos pra receber o Reino. Que coisa maravilhosa! Logo, me vem uma canção na mente: "...Eu quero ser mais 'menos', eu quero ter paz...". 


Eu não quero mentir pra mim mesmo.
Eu não quero achar que eu sou o "melhor melhor do mundo" quando, na verdade, sou o que sou pela bondade de Deus.

Por outro lado, a música ainda diz: "...já não sou mais tão criança a ponto de saber tudo...". Acho que o poeta foi muito feliz nesse trecho, pois o que me vem à mente ao ler essa frase é que a verdadeira sabedoria está com quem é simples, sincero, autêntico e que não se preocupa em ser mais do que se é. Que coisa bela é uma criança - a pureza no sorriso, o olhar doce, o jeito desengonçado mas despreocupado com isso, a alegria contagiante (alegria que se satisfaz com um cano de bica jorrando água num dia de chuva no sertão ou com uma tarde na pracinha do bairro com os pais num dia frio do inverno europeu)... Mas, normalmente, não somos mais tão crianças a ponto de sabermos tudo. Preferimos crescer, saber mais, fazer e acontecer e ter nosso ego inflado. Somos realmente medíocres, quase sempre. Portanto, prefiro relembrar algo que Aquele Sábio mais sábio também disse:

"Antes, qualquer que entre vocês quiser tornar-se grande, será esse o que os serve... E  qualquer que entre vocês quiser ser o primeiro, será servo de vocês... Bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir a dar a Sua vida em resgate de muitos". [Evangelho segundo Mateus, cap. 20, vs. 26-28]


Não tem acordo - se alguém se diz seguidor de Jesus Cristo, tem que se considerar/se tornar/se fazer como o mais insignificante, o menor, o menos digno de honras e tem que abandonar a busca pelos holofotes. Ele não dá lugar para os orgulhosos. Ele não dá vaga para os "melhores melhores do mundo" em tudo. Com Ele, tem que ser como criança mesmo - crianças precisam de ajuda pra tudo, não sabem "se virar" sozinhas, são dependentes e frágeis. Ora, o reino dos céus é dos pobres de espírito e também é das crianças - tudo se encaixa, né?

Finalmente, queria dizer que todos nós, um dia, como anjos caídos, fizemos "questão de esquecer e mentimos pra nós mesmos" - nos julgamos bons o suficiente para dirigirmos as nossas próprias vidas e ignoramos a Deus. Seguimos a dica de uma serpente que nos seduziu com a mentira de que poderíamos ser como Ele e, dessa forma, tudo deu errado. Até hoje continuamos a fazer isso todos os dias - mentimos pra nós mesmos e queremos ser os nossos próprios deuses... E o fim de tudo isso? A separação Dele, do Autor da Vida, da Vida que existe desde a eternidade e que Se manifestou para nos mostrar que ser grande é ser o menor, que ser nobre é se tornar como o mais desprezado, que ser importante é algo para quem sabe que não tem valor nenhum em si mesmo, mas sim Naquele que é o Único Digno. 


Mas a história não acabou assim... Jesus afirma que veio e nos deu o exemplo - mais que isso, Ele se deu para que muitos fossem resgatados de si mesmos e dos seus pecados para que pudessem verdadeiramente viver, viver Nele, por Ele e para Ele. 

E você? Vai continuar "mentindo pra si mesmo" e achar que é autossuficiente? Talvez esse texto chegou até você pra que você se volte para Deus enquanto você está vivo... Ou talvez pra você, que já é religioso e sempre se sentiu superior por ser assim, o texto veio para o relembrar da real mensagem de Jesus Cristo. Seja você quem for, não fique indiferente a Ele - pois Ele deu Sua própria vida por você.




Pela alegria de ser livre da mentira pela Verdade,



Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bem dentro e lá fora...

Estive ausente por uns dias mas estou aqui de volta.

Dessa vez, pretendo ser realmente mais sucinto em minha postagem, pois o assunto do qual vou tratar deve sair das páginas dos blogs, dos comentários do facebook e das discussões ideológicas para ser concreto, prático, real... Tipo vida na vida.


No último feriado, estive com um grupo de cerca de 500 estudantes do Brasil e de vários países (Guatemala, Guiné-Bissau, Angola, Argentina, Peru, Estados Unidos, Venezuela etc.) em um congresso para universitários organizado pelo Movimento Estudantil Alfa e Ômega, na cidade do Rio de Janeiro. A palavra de ordem era: "Venha o Teu reino", fazendo referência à oração ensinada por Jesus Cristo nos evangelhos de Mateus e Lucas. Logo, o assunto ao qual me referi acima é o reino de Deus.

O reino de Deus é a mensagem central de Jesus Cristo. Ele era o Proclamador do "Evangelho do Reino de Deus" ou da "Boa Notícia do Reino de Deus" e, após escolher os seus 12 discípulos mais próximos, os ordenou a pregar o "Reino de Deus". Sim... Mas por onde começamos? Vamos em frente. 


Reino significa "domínio" ou "governança". Logo, a mensagem primordial de Jesus ao mundo é a de que Deus reina, domina, governa sobre tudo. As criaturas que Ele mesmo fez devem saber disso: Deus é Deus. Sem esse entendimento, não poderemos saber quem é Deus de fato. Tudo começa desse ponto - existe um Reino, logo existe um Rei; existe um domínio, logo existe alguém que domina tudo. 

Mas como é esse reino de Deus? Em que ele se baseia? Quais as suas características?

A Bíblia diz muitas coisas sobre o reino de Deus [ou reino dos céus]... Vamos a algumas delas:

Salmo 45:6 - "O teu reino é um reino eterno..."
Salmo 97:2 - "Justiça e juízo são a base do Seu trono..."
Salmo 103:19 - "...o Seu reino domina sobre tudo..."
Hebreus 1:8: "...o cetro do Teu reino é um cetro de justiça..."
Romanos 14:17 - "...o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo..."
Lucas 17:20-21 - "...o reino de Deus não vem com aparência exterior... porque o reino de Deus está entre vocês..."
João 18:36 - "...Disse Jesus: o meu reino não é deste mundo..."
Hebreus 12:28 - "...Portanto, tendo recebido um reino que não pode ser abalado..."
Mateus 5:3 - "...Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus..."
Mateus 6:33 - "...Busquem primeiramente o reino de Deus e a Sua justiça..."
Mateus 5:10 - "...Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus..."
Mateus 18:3-4 - "...Se não se arrependerem e não se fizerem como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus... Aquele que se faz menor como esta criança, este é o maior no reino dos céus..."


Eu poderia ficar durante vários parágrafos comentando cada versículo, mas eu acredito que a simples leitura deles é suficiente para nos dar uma ideia de que o reino de Deus não tem nada a ver com os "reinos" terrenos. 

No reino de Deus, não há espaço para aparências e glamour - ora, o Reino não vem de modo visível... O reino de Deus é eterno - todos os reinos humanos que já se constituíram ao longo da história já acabaram ou ainda vão ter fim... O reino de Deus não tem nada a ver com materialismo e coisas banais - o Reino é justiça, paz e alegria [mas tudo isso no Espírito Santo, não de forma natural e humana]... No reino de Deus, o maior é aquele que se faz o menor de todos - nada, nada, nada de sermos esnobes, vaidosos e cheios de nós mesmos! Quanto mais orgulho, mais nos afastamos deste Reino... O reino de Deus deve ser a prioridade da vida - Deus é Deus e deve ser temido, adorado, conhecido e servido e, como todas as coisas que existem são para Sua glória, o Reino deve ser buscado antes de tudo e sobre tudo... O reino de Deus não pode ser abalado - as novas ideologias, filosofias naturalistas e humanistas, o relativismo e o antropocentrismo que procura tornar o homem o seu próprio "rei" não pode prevalecer contra Deus [o reino Dele está firmado desde a eternidade]... Finalmente, Jesus disse que o reino dele não é desse mundo - são valores diferentes, propósitos diferentes e, acima de tudo, um Rei totalmente singular e incomparável - Jesus Cristo.


No entanto, tudo isso é muito belo e atraente na teoria - por exemplo, neste blog. Meu objetivo, na verdade, é simplesmente transmitir aquilo que o próprio Deus [por meio de Sua palavra] nos disse a respeito de Seu reino e, a partir desse conhecimento, sermos moldados e inspirados a viver à luz dessa realidade - não temos mais desculpas para sermos omissos, pois o "reino está entre nós" e, se nos consideramos filhos de Deus, devemos ser também canais pelos quais o Reino Dele se estenderá para ser plenamente estabelecido num futuro que somente a Ele pertence. O reino é agora e aqui mas também é amanhã e na eternidade. 

Nesse sentido, visto que ainda existe maldade, injustiça e crueldade no mundo, não podemos dizer que o reino de Deus está "totalmente" em nosso meio. Porém, podemos ter a esperança de que o dia a partir do qual o Reino será pleno e visível chegará - um dia em que uma voz dirá: "...os reinos do mundo passaram a ser de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos..." [Apocalipse 11, vs. 15].


Finalmente, diante de tudo isso, eu não quero correr o risco de ter de ser subjugado ao domínio de Jesus à força. Pelo contrário, quero viver cada vez mais intensamente a realidade do reino de Deus no meu dia-a-dia - na escola, na faculdade, no trabalho, na igreja, no cinema com os amigos, num show de Jazz, tomando banho, pegando ônibus lotado, viajando etc... E, para que esse reino seja cada vez mais notório, a palavra de ordem é JUSTIÇA - pois justiça é o mesmo que retidão ou verdade e, portanto, onde há retidão e verdade, existe amor, graça, compaixão e bondade. Foi assim que Jesus pregou o "reino de Deus" - falando e praticando; logo, só me resta fazer o mesmo pois, se eu sei a teologia certa, o outro passo é praticá-la - ou seja, o reino vai moldando quem eu sou e o que eu faço reflete essa mudança. 


Deus, ouça a minha oração... Que venha o Teu reino, bem dentro e lá fora... Que a Tua vontade seja feita, pra sempre e agora!




Pela alegria de ser parte desse Reino,



Soli Deo Gloria!